1927 – O ataque dos 100 Gols

Published On 16/01/2016 | Feitos Históricos, Histórias, Memória Santista
Por Gabriel Santana
Santos, 01/07/2014
Atualizado, 16/01/2016

Com a linha de frente formada por Omar, Camarão, Feitiço, Araken, Siriri, Hugo e Evangelista, o Santos fez 16 jogos e exatamente 100 gol, no Campeonato Paulista de 1927, tendo uma média impressionante de 6,25 gols por jogo.
Até hoje, essa marca não foi superada por nenhuma outra equipe no futebol mundial.

MONTAGEM DA EXCEPCIONAL LINHA
Pode-se dizer que a linha de frente titular daquele ano de 1927, era composta por Omar, Camarão, Feitiço, Araken e Evangelista, sendo que Siriri e Hugo, revezam-se na entrada do time, quando algum dos selecionados não pudiam atuar.
O patrono Urbano Caldeira, comandou a renovação da equipe, e foi um dos responsáveis pela montagem do grande plantel de 1927.
No dia 08 de abril de 1923, em partida disputada em pró Asilo de órfãos, diante do Brasil Futebol Clube, o Campeão Santista de 1922, três jogadores chamaram a atenção da direção santista, após realizarem uma bela apresentação contra o time da Vila. Reparem na escalação do simpático clube: Xisto; Nabor e Zeferino; Batista, Álvaro Motta e Dario; Omar, Camarão, Siriri, Pedrinho e Abel. A partida terminou em 3×3, com Omar anotando dois tentos e Camarão finalizando o marcador.
Intermediados por José Caetano Munhoz, grande garimpeiro e especialista do futebol de várzea da época, o trio em destaque foi contratado pelo Santos em 1923, e fizeram sua estreia pelo Alvinegro juntos, diante da Seleção do Rio Grande do Sul, no dia 27 de setembro. A partida terminou empatada por 2×2, com dois gols de Siriri.
Juntamente do valorizado trio vindo do Brasil FC, Araken Patusca e Hugo também formaram nos onze santista contra a Seleção Gaúcha, e o estimado ataque de 1927 começava a ser montado.
O ídolo Araken, vindo das categorias de base santista, já havia estreado pela equipe alguns meses antes. Precisamente no dia 04 de fevereiro do mesmo ano, contra o Paulista de Jundiaí, aos 16 anos e 10 meses de idade. Já era apontado como um dos grandes futuros do futebol.
Hugo, havia estreado no dia 15 de agosto, também na temporada de 1923, em amistoso realizado diante da Portuguesa Santista, que terminou com vitória santista por 1×0.
Dois anos depois, apenas em 1925, mais um formador da magnífica linha desembarcou em Vila Belmiro. Vindo da Portuguesa Santista, e trazido por Alzemiro Ballio, ex-goleiro do 2º quadro do Santos, João Evangelista, ou somente Evangelista, estreou no Alvinegro no dia 22 de março, diante da Associação Atlética das Palmeiras. Vitória santista por 5×0, com dois tentos anotados por Evangelista.
O último a chegar, foi o grande artilheiro Feitiço, em 1927. Já consagrado no futebol, era considerado um dos principais jogadores do futebol paulista. Tri-artilheiro pela Associação Atlética São Bento, nos anos de 1923, 1924 e 1925, e Campeão Paulista no ultimo ano, meses antes de ser contratado pelo Santos, havia “largado” o futebol, e estava trabalhando com entregas em São Paulo,  transportando-se com sua carreta.
Estreou pelo Alvinegro no dia 03 de abril, diante do Palestra Itália, onde anotou um dos tentos da vitória santista por 3×2.
A linha titular, que atuou boa parte do ano, formada por Omar, Camarão, Feitiço, Araken e Evangelista, estreou no dia 21 de abril de 1927, na partida de Inauguração do Estádio São Januário. Foram 5 gols marcados diante do anfitrião Vasco da Gama, e o temido Esquadrão começava a mostrar sua força.
SAIBA MAIS > Campeonato Paulista de 1927
O TÍTULO NÃO VEIO, POR “MEROS” DETALHES

• Trecho de uma entrevista de Araken Patuska:

“Nos éramos um time muito bem treinado e unido. O Santos daquela época foi, talvez, o time mais harmônico do Brasil. Era uma linha de ataque tão boa que, quando se formava a Seleção Paulista, iam os cinco como titulares. Só não conseguimos chegar ao título porque os times da capital armavam esquemas fora do campo”.
• Descrição da atuação do árbitro Mollinaro, extraída do Álbum de Ouro do Santos Futebol Clube:
“A bola rola, o Santos avança, gol de Siriri aos 23 segundos. Para quem só precisava empatar, estava bom demais. A torcida enlouquece. O Palestra, acuado, consegue o primeiro contra-ataque aos 11 minutos: Lara avança e toma um carrinho de Bilu. Mollinaro apita. Os santistas formam a barreira e os palestrinos cercam a bola para cobrar, mas o árbitro, que acompanhava o lance de longe, pega a bola e a leva até a marca do pênalti. Os santistas reclamam e Mollinaro ameaça todo mundo de expulsão. Heitor finalmente bate .. mas Athiê defende.
Aos 25 minutos, Bianco alivia a área com um balão que vai pegar Tedesco na banheira. Todos param, até o atacante do Palestra. Mas como o árbitro não apita nada e faz gestos insistentes com a mão para o lance continuar, Tedesco segue e empurra para as redes sem que o perplexo Athiê faça qualquer menção de defesa. É de se imaginar a reação da torcida santista após o lance. Mas, como o empate dava o título, bola pra frente..
Aos 38 minutos, o Santos encurrala o adversário. Siriri e Araken entram na corrida, aproveitando uma rebatida do goleiro Perth e fazem 2 a 1. O goleiro, desconsolado, chuta a bola para o meio de campo, a Vila explode. Mas Mollinaro corre até a área e pede que voltem a bola. Havia marcado impedimento.
Já no inicio do segundo tempo, Evangelista avança e, quando vai chutar, é atingido por trás. O árbitro marca falta .. do atacante santista. Aos 17 minutos, é a vez de Siriri receber passe de Camarão, invadir a área e tomar uma rasteira de Miguel. Á revolta do santista, Mollinaro apenas sorri.
Aos 23 minutos, o Palestra faz 2 a 1, desta vez um gol limpo, sem contestação. Oito minutos depois, Omar é aterrado na área, mas o juiz novamente faz vistas grossas. Aí a revolta explode. Povo e polícia entram em choque. O jogo fica paralisado por 19 minutos. Quando recomeça, o Santos, aturdido, sofre o 3 a 1.
No desespero, porém, o segundo gol acontece. Tudo é possível nos últimos quatro minutos e meio .. ou melhor, seria: Mollinaro mal dá tempo para a saída do Palestra. Encerra a partida e corre para o vestiário, protegido pela polícia. Lá, fica uma hora e meio sitiado. Nenhum motorista quis levá-lo á estação do trem. Teve de ir a pé, escoltado pela cavalaria, escondido entre os cavalos, seguido por uma multidão.
Na rua do comércio, o povo avançou ameaçadoramente e os soldados tiveram de usar a violência para proteger o arbitro. Na estação, Mollinaro embarcou sob uma chuva de pedras e gritos de ódio, e não viajou só. Praças da Força Pública, comandados por um tenente, escoltaram-no até Piaçaguera. Foram os 20 contos mais suados que um juiz de futebol já ganhou”
JOGOS:
03/05 – Santos 12 x 1 Ypiranga – Gols: Araken [7], Feitiço [2], Hugo, Camarão e Evangelista; Vila Belmiro
13/05 – Santos 10 x 2 República – Gols: Marino (c), Araken [5] e Feitiço [4]; Vila Belmiro
22/05 – Santos 4 x 2 Primeiro de Maio – Gols: Feitiço [2], Araken e Omar; Vila Belmiro
05/06 – Santos 11 x 2 Barra Funda – Gols: Feitiço [4], Araken [2], Evangelista [2], Camarão [2] e Omar; Vila Belmiro
26/06 – Santos 5 x 2 Portuguesa – Gols: Evangelista, Hugo, Omar e Feitiço [2]; Vila Belmiro
03/07 – Santos 11 x 3 Americano – Gols: Feitiço [3], Araken [6] e Camarão [2]; Vila Belmiro
31/07 – Santos 9 x 3 São Paulo Alpargatas – Gols: Araken [4], Feitiço [3] e Omar [2]; Vila Belmiro
14/08 – Comercial 3 x 4 Santos – Gols: Feitiço [4]; Palma Travassos
21/08 – Santos 10 x 1 Guarani – Gols: Araken [4], Feitiço [3], Camarão [2] e Omar; Vila Belmiro
29/08 – Santos 4 x 1 Corinthians-SA – Gols: Araken [2], Caio (c) e Camarão; Vila Belmiro
04/09 – Corinthians 3 x 8 Santos – Gols: Camarão [3], Araken [3], Feitiço e Omar; Parque Antártica
27/11 – Santos 4 x 1 Sílex – Gols: Siriri [2], Evangelista e Araken; Vila Belmiro
22/01 – Palestra Itália 4 x 1 Santos – Gol: Araken; Parque Antártica
QUADRANGULAR FINAL
05/02 – Guarani 2 x 4 Santos – Gols: Siriri [2], Camarão, Evangelista; Campo do Guarani
26/02 – Santos 1 x 0 Corinthians – Gol: Evangelista; Vila Belmiro
04/03 – Santos 2 x 3 Palestra Itália – Gols: Siriri e Camarão; Vila Belmiro
 Fontes e Referências:
Almanaque do Santos, de Guilherme Nascimento;
Livro “100 Anos de Futebol Arte”; 

2 Responses to 1927 – O ataque dos 100 Gols

  1. Roberto Dias Alvares says:

    O Santos e o ataque dos cem gols. Araken, Siriri, Ari, Omar, Feitiço e Camarão. Deram espetáculos, verdadeiros shows Só faltou ser campeão.

    Com seu ataque infernal, tocando a bola sem ser afoito, contra o time da Marginal, o Santos ganhou de oito.

    O jogo final disputado,
    da Liga, o Santos não teve amparo.
    Contra o Palestra jogado,
    foi roubado pelo árbitro Molinaro.

    Nesta época o grande time era o famoso clube chamado Paulistano. Era uma equipe considerada fera, mas derrotados pelo alvinegro praiano.

  2. Pingback: Acervo Histórico do Santos FC | Araken Patusca – 1923-1929/1935-1937

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