1955, o começo!

Published On 14/05/2014 | A História das conquistas, Histórias
Por Kadw Gommes
Santos, 14/05/2014

A temporada santista de 1955 começou com a disputa do Torneio Rio-São Paulo, onde o SFC acabou em 5º lugar. Na sequência, o time seguiu para sua segunda excursão no exterior, mais precisamente no Peru, sendo bastante proveitosa. Na volta, o clube faz alguns amistosos e disputa o Torneio Início, para enfim, começar seus compromissos no estadual daquele ano.
O Campeonato Paulista de 1955 significou para a história do Santos FC a sua redenção e reconstrução histórica. Foi um dos mais importantes da vida do clube, e foi conquistado com autonomia e brilhantismo, através de um esquadrão muito importante e simbólico, formado principalmente por jogadores da base e jovens promessas, e que praticava um excelente futebol. O certame foi disputado em turno e returno, no sistema de pontos corridos e contou com equipes bem qualificadas.
A competição mostrou-se muito complicada, competitiva e difícil, pois contou com grandes equipes e times que sempre surpreendiam: dos chamados grandes, o Corinthians (Campeão do IV Centenário) tentava o Bicampeonato Paulista, o forte Palmeiras tentava retomar suas conquistas estaduais que não vinham desde 1950 e, já o São Paulo campeão em 1953, seria como sempre um dos postulantes ao título. A grande Portuguesa que formava a base da seleção paulista, era a Campeão do Torneio Rio-SP, e com isso não poderia ser descarta, e claro, os complicados times do interior como: Linense (vice do Torneio Início), XV de jaú, Guarani e Taubaté.
A jornada que marcou a redenção santista, começou dia 3 de agosto daquele ano, com um empate em 0 a 0, na Vila Belmiro, contra o Noroeste. Foi a partir da segunda rodada, que o SFC encaixou seu melhor futebol, e conseguiu emplacar uma série invicta de 10 jogos com 9 vitorias, com destaque para os triunfou contra a Ponte Preta por 6 a 3 (onde Tite e Vasconcellos foram destaques, marcando dois gols cada), a goleada sobre o Jabaquara por 7 a 1 (com Del Vecchio marcando três gols) e os clássicos, que a partir daquele ano seriam assim chamados: contra o São Paulo onde Álvaro, Pepe e Del Vecchio fizeram os gols da vitória por 3 a 1, e diante do Palmeiras que liderava junto com o Santos o campeonato, mas, uma categórica virada por 3 a 1 com gols de Tite, Zito e Del Vecchio, garantiram o alvinegro na ponta da competição.
Na continuidade o time conheceu a primeira derrota, para Guarani na antepenúltima rodada. Na sequência, o Santos venceu a Portuguesa por 3 a 1 na última partida do primeiro turno. Retomou o caminho da vitória e a liderança na primeira metade do campeonato com 22 pontos, na cola estava o Corinthians em segundo, com 21 pontos e o São Paulo em terceiro com 18, nas primeiras colocações.
No segundo turno, o Santos estreou vencendo o XV de Piracicaba por 2 a 0 na Vila Belmiro, e assim devido ao futebol convincente que vinha atuando, o SFC se colocava como o grande candidato ao título, algo que animava a torcida santista. Nas duas partidas seguinte mais duas vitorias, e por goleadas: 5 a 2 no Linense e 4 a 2 na Ponte Preta. Quem pararia o Santos? Afinal as coisas pareciam encaminhadas, seria o fim de uma longa espera em que a cada jogo parecia mais perto de ocorrer.
No entanto, no dia 13 de novembro, a empolgação santista foi cessada num grande desastre. O time jogando bem, líder, enfrenta a perigosa (e instável) Portuguesa de Desportos. Nesse dia, numa atuação quase perfeita, o rubro verde impôs a maior derrota que o SFC já sofreu no futebol profissional: inacreditáveis 8×0 no Pacaembu! Na partida seguinte, a direção do alvinegro tratou de contratar uma “charanga” para incentivar o time. Afinal a goleada sofrida contra a Portuguesa, era claramente, um acidente devido ao excesso de confiança.
As marchinhas que atuavam no estádio Vila Belmiro, assim como a estréia de Pagão fizeram bem ao time, que goleou com facilidade o Bugre por 5 a 0, com 3 gols de Del Vecchio, um de Pagão e outro do estreante Pepe. Depois da vitória, porém, outra derrota, dessa vez no clássico contra o São Paulo, e com isso, o campeonato ficou embolado: O Palmeiras passa a liderar com 31 pontos, contra 30 de Santos e Corinthians e os 27 do São Paulo.
Apesar da instabilidade nas ultimas partida que o fizeram perder a liderança, o SFC retomou suas vitorias e a boa fase no torneio, vencendo 4 partidas consecutivas e ficando a um jogo do título. No clássico contra o Palmeiras, em 18 de dezembro, marcou-se uma partida histórica na Vila Belmiro. Pela primeira vez uma emissora de TV fazia a transmissão direta de uma partida no estádio e, também, era a primeira partida com transmissão direta de uma cidade à outra, no caso, Santos para São Paulo.
Os telespectadores foram presenteados com uma grande exibição do Santos, ratificando e retomando a liderança do Campeonato. Depois de vencer o Jabaquara e conquistar a Taça Cidade de Santos, o Peixe ficou a uma vitória do título, e o próximo adversário seria o AA São Bento, em São Caetano do Sul. A massa santista ocupa todos os vagões possíveis da “Santos-Jundiaí” e toma de assalto o Estádio Anacleto Campanella. Todos querem ver o SFC campeão de 1955! Mas, uma derrota por 2 a 0 frustrou os planos dos santistas estragando a festa. Como se a espera angustiante não bastasse, o SFC perde novamente na rodada seguinte.
Na última rodada, além do Santos e do Corinthians, o São Paulo também tinha chances de alcançar o título. O Alvinegro da Vila, apenas precisa de uma vitória, enquanto o Corinthians tinha que vencer o Palmeiras e sonhar com o tropeço santista. A situação tricolor era mais complicada, pois tinha que vencer o XV e esperar por derrotas de Santos e Corinthians. O adversário do alvinegro seria o EC Taubaté, que estava com uma boa campanha no returno. Confiante na conquista, a massa santista lotava a Vila novamente. No time, três alterações: Manga, no lugar de Barbosinha; Urubatão, no lugar de Zito; e Pepe, no lugar de Alfredinho. O Santos entrou em campo com: Manga; Hélvio e Feijó; Ramiro, Formiga e Urubatão; Tite, Álvaro, Del Vecchio, Negri e Pepe. Sob o comando do Técnico: Lula.
Assim, no último compromisso dia 15 de janeiro de 1956, no estádio de Vila Belmiro, o Santos conseguiu vencer por 2 a 0 o Taubaté e conquistou de maneira justa e irrefutável o Campeonato Paulista de 1955. No primeiro tempo a partida terminou 1 a 0 para o Peixe, que com Álvaro de cabeça abriu o marcador. O nervosismo santista tomou conta na segunda etapa, pois o Taubaté igualou o resultado, entristecendo a torcida, e o quadro de Vila Belmiro. A partida caminhava-se para o fim, restavam 7 minutos e a peleja permanecia empata até que, o ponta-esquerda Pepe, deferiu com extrema violência um chute indefensável e recolocou o Santos na vantagem, que davam o título ao Alvinegro Praiano. A partida terminou assim e a grande massa santista que compareceu, festejou em delírio a conquista do estadual de 1955.
O Santos FC conseguiu uma belíssima campanha, obtendo 19 vitórias, 2 empates e 5 derrotas em 26 jogos. O Peixe também teve o artilheiro da competição: Del Vecchio com 22 gols. A alegria foi tanta com a conquista que, logo em seguida, foi gravado uma marcha para exaltar a façanha. A música “Leão do mar”:

“Agora quem dá bola é o Santos
O Santos é o novo campeão, 
Glorioso alvinegro praiano,

Campeão absoluto deste ano”…

SAIBA MAIS >
O esquadrão da reconstrução e início do reinado (1955/59);
Jogos e Fichas Técnicas do Paulista de 1955;


Fontes/Referencias:
Almanaque do Santos FC;

Blog do Prof. Guilherme Nascimento;
Livro 100 anos, jogos e ídolos (Odir Cunha e Celso Unzelte);

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