1º clube paulista TRI-TRI Profissional – (2012)

Published On 23/12/2017 | A História das conquistas
Por Kadw Gomes

Em 14 de abril de 2012 o Santos completaria o centenário de sua existência. Grande expectativa no futebol mundial foi criada para a “celebración del fútbol arte y juego bonito”os 100 anos do “team Pelé and Neymar”
O melhor clube da América do Sul e atual campeão da Libertadores buscava se manter no topo. Para não fazer feio, a diretoria manteve os bons valores e desde o segundo semestre de 2011, reforçou o elenco. Chegaram os volantes Henrique e Ibson, os atacantes Borges, Renteria, Ala Kardec e outros menos badalados. Em 2012, antes do início do estadual, foram contratados os laterais Fucile (uruguaio) e Juan, entre outras peças e retornes.
Nada melhor seria comemorar uma data magma com títulos: a incumbência de conquistar o Campeonato Paulista daquele ano tornaria o Alvinegro o primeiro time Tricampeão estadual por três vezes no Profissionalismo.
A CAMPANHA

Não foi um bom começo. Nas cinco primeiras partidas, utilizando reservas em alguns jogos, o Santos conseguiu apenas uma vitória e, de virada, já no fim, 2×1 no Ituano, gols de Alan Kardec, no Anacleto Campanella, em mando santista. A estreia dia 21/01 teve um amargo empate do XV de Piracicaba no ultimo minuto e, de quebra, na 5º rodada, uma derrota para o Palmeiras em pleno aniversário de Neymar.
As coisas, contudo, tendiam a se endireitar. Depois que o Santos venceu de virada o Botafogo-SP por 4×1, com show de Neymar marcando três gols, a equipe deslanchou. Mesmo utilizando reservas visando a estreia na Libertadores (15/02), o Alvinegro repetiu o placar contra o Linense (4 a 1) e seguiu série de sete vitórias seguidas: 3×1 no Mirassol (com boas atuações de Juan e Ganso); 2×0 no Comercial (gols de Ibson e Durval); sob comando de Neymar que marcou duas vezes, goleada de 6×1 na Ponte Preta (Edu Dracena 2x, Ganso e Ferron contra também marcaram); desfalcado de Neymar e Ganso servindo a seleção brasileira, aplicou 2×0 no forte Guarani em pleno Brinco de Ouro; e na reabertura da Vila Belmiro, 1×0 no Corinthians.
Nessa ultima partida (04/03), o Santos acabou com a invencibilidade do rival com gol solitário de Ibson – três dias depois Neymar com três gols, sendo um antológico, fazia uma de suas maiores apresentações nos 3-1 diante do Inter na Libertadores.

Os dois reveses seguintes para Mogi Mirim e São Paulo não foram sentidos (teria vingança!). Afinal, o time seguia vencendo compromissos desgastantes na Libertadores e aquele mês de março foi fechado com duas boas vitorias na Vila Belmiro e classificação no estadual: 2×0 no Bragantino e 5×0 no Guaratinguetá. Com outros dois triunfos nas ultimas três partidas (2×0 na Portuguesa), entre as quais na ultima rodada dia 15/04, coroando a festa do centenário com goleada de 5×0 no Catanduvense, destaque para Paulo Henrique Ganso, o Santos garantiu o 3º lugar (19 jogos; 12 vitórias; 3 empates; 4 derrotas; 46 gols marcados e 18 sofridos) e a vantagem de jogar em casa na fase seguinte.

Pelas quartas de finais revanche com o Mogi Mirim, que não se deixava menosprezar. Além de ter vencido o Santos (na 1º Fase), mostraria força conquistando o Troféu do Interior, à vaga na série D e o acesso à série C do Brasileiro. Com a vantagem de jogar na Vila Belmiro, o Santos utilizou bem a pressão. Mesmo muito marcado, mais uma vez Neymar fez a diferença: aos 21’ do primeiro tempo, lançamento perfeito no gol de cabeça de Maranhão e, aos 26’ do complementar, passou por vários defensores e assinalou o 99º gol com a camisa santista. Vaga assegurada para enfrentar um certo adversário conhecido nos mata-matas.

Buscando acabar com a sina de freguês no século, o São Paulo tinha a vantagem de jogar no Morumbi e quase 50 mil são-paulinos compareceram confiantes na classificação (o tricolor havia caído nos mata-matas de 2010 e 2011). Mas – ilusão pouca e bobagem – o Santos não tomou conhecimento do rival dentro da casa alheia.
Com apenas 3 minutos, Neymar cobrou a penalidade e deslocou Denis, marcando o 100º gol com a camisa santista! Depois de ataques lá e cá, aos 31 minutos, Ganso lançou o camisa 11, que ganhou na corrida de Paulo Miranda, ficando frente ao goleiro são-paulino sem trabalho para ampliar (2×0)! Na segunda etapa, 18’ jogados, e o São Paulo reagiu com William José. Mas não teve jeito, aos 32 minutos veio o golpe final. Adivinha de quem? Recebendo na entrada da área, Neymar puxou a pelota em direção à meia-lua e bateu colocado. Dênis se “assustou” e espalmou para dentro do próprio gol (Santos 3 a 1)! No fim, invencibilidade de seis meses do rival no Morumbi quebrada, terceira eliminação seguida do tricolor cravada e o Alvinegro novamente finalista.

As duas partidas da decisão seriam jogadas no estádio do Morumbi. Mais de 40 mil pessoas no primeiro encontro viram um Guarani que até tentou se impor. A individualidade dos santistas, contudo, prevaleceu fazendo a multidão vibrar. Antes do primeiro tempo acabar (41’), Ganso acertou um chutaço de fora da área no ângulo de Emerson para levar os santistas em vantagem para o vestiário.
Na fase final, o Santos que já dominava o jogo com 60% de posse de bola, ampliou. Ganso recebeu bom passe, invadiu a área e tentou driblar Emerson. O goleiro bugrino desviou, mas a bola sobrou limpa para Neymar empurrar às redes! Abalado, o Guarani não esboçava reação e os zagueiros sofriam com os dribles do camisa 11 santista – aplicando até lambreta em Bruno Peres e irritando Domingos. A partida parecia decretada, mas aos 46’, deu tempo de Ganso lançar a bola até Neymar, que invadiu a área vencendo um defensor, deixou outro desequilibrado e na saída do goleiro estufou as redes! 3×0! 
FINALÍSSIMA

Mais de 53 mil pessoas compareceram ao Morumbi na decisão do dia 13 de maio. A imensa maioria de santistas que festejavam bastante – seguros do tricampeonato, depois da boa vantagem no primeiro duelo. Mesmo mais contidos, os bugrinos também compareceram, sabendo não haver alternativa que não fosse o Guarani atacar desde o inicio da partida. No primeiro minuto, porém, o Santos mostrou quem dava a bola no futebol paulista.

Armando a jogada, Neymar conduziu driblando e dando passe para Elano, livre na direita. O meia recebeu de frente com o goleiro e tocou lateralmente para Alan Kardec, sozinho, mandar para o gol (1×0)! A necessidade de quatro gols desanimou os três mil torcedores esmeraldinos no estádio. Os jogadores, conduto, não deixaram de tentar e, aos 4 minutos, Fabinho empatou a partida para o Guarani – após falha do goleiro Rafael.
Sem tempo de comemorar, dois minutos depois, jogada de Juan na área e Bruno Peres tocou com a mão, o juiz Paulo César assinalou pênalti para o Santos. Neymar cobrou e marcou o segundo gol santista!A enorme desvantagem não reprimiu o time campineiro, sendo, inclusive, superior ao Santos. Aos 16 minutos, voltando a empatar com gol de Bruno Peres, aproveitando falha de Durval.
Além de artilheiro, Neymar quebraria inúmeros recordes no ano. Passou dos 100 gols na carreira e chegou a marca de maior artilheiro pós-Era Pelé. “Não esperava que essas coisas aconteceriam na minha vida e estaria repetindo o Pelé, os craques que passaram pelo Santos, o que eles fizeram. Estamos chegando perto do que eles fizeram”, afirmou Neymar.
Mesmo sem alterações no intervalo, Muricy Ramalho conseguiu mudar a forma do Santos jogar, que deixou de ser passivo no segundo tempo e voltou a ter mais posse de bola. Aos 26 minutos, Neymar recebeu dentro da área e aumentou a vantagem santista. O que veio depois foi à festa, com direito a gritos de “Olé” das arquibancadas e firulas no campo, além é claro de mais um gol: Alan Kardec pedalou e driblou o goleiro para fechar a goleada. Santos TRICAMPEÃO PAULISTA 2010-2011-2012.

Fontes e Referências:
Almanaque do Santos FC;
Centro de Memória e Estatística do Santos FC;

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