99 Anos e o Renascimento na Libertadores

Published On 13/04/2017 | Jogos Históricos, Taça Libertadores
Por Ronaldo Silva,
São Paulo, 13/04/2017

O Santos partiu à Assunção para uma autêntica “decisão” contra o Cerro Porteño, somente a vitória interessava ao Alvinegro Praiano que se encontrava em uma incômoda terceira colocação de seu grupo. O Cerro vivia um momento de oscilação onde fazia uma boa campanha no torneio continental e vinha de quatro derrotas consecutivas no campeonato paraguaio. As equipes já haviam se enfrentado na segunda rodada da fase de grupos, na Vila Belmiro, com um disputado empate por 1 a 1.
O técnico recém chegado Muricy Ramalho faria sua primeira partida no comando da equipe santista pela Taça Libertadores, com os desfalques de Neymar, Elano e Zé Eduardo. Para completar, um forte rumor sobre uma provável saída do clube de Paulo Henrique Ganso colocava pressão sobre o atleta incumbido de coordenar as ações ofensivas da equipe. O time santista sabia da dura missão que enfrentaria, para conquistar um triunfo seria necessário um time equilibrado, marcando sem expor a defesa.

O JOGO
O Santos teve a primeira oportunidade de gol no primeiro minuto de jogo. Paulo Henrique Ganso cobrou falta na cabeça de Durval, que finalizou para fácil defesa do goleiro Barreto. O Cerro respondeu a altura. Em cobrança de falta, Fabbro chutou forte e Rafael fez uma grande defesa, desviando para escanteio.
No entanto, aos 11 minutos, o Santos abriu o marcador. Danilo driblou o marcador no meio-campo e arriscou forte chute da intermediária e acertou o ângulo direito do goleiro paraguaio, marcou um golaço para lavar a alma santista. Após o gol, o Peixe passou a valorizar a posse de bola, para desespero da fanática torcida do Cerro. Paulo Henrique Ganso passou a chamar atenção com lances geniais. O meia aplicou dois chapéus desconcertantes nos marcadores e abusou nos lançamentos para os atacantes.
Aos 25 minutos, o alvinegro quase ampliou após uma triangulação entre Ganso, Arouca e Jonathan, a bola chegou até Danilo, que finalizou por cima do gol na marca do pênalti. Muricy Ramalho foi obrigado a substituir sua equipe com a saída do lesionado Diogo e a entrada do arisco Maikon Leite, logo após sua entrada quase ampliou ao receber um lançamento de Keirrison, ganhou a dividida com o zagueiro, driblou o goleiro Barreto e chutou para o gol, mas Piris salvou o Cerro Porteño e tirou a bola em cima da linha do gol.
SEGUNDO TEMPO
A aposta de Muricy Ramalho para o complemento da partida, seria atrair o time paraguaio para apostar no contra-ataque. Logo aos dois minutos, Ganso roubou a bola na intermediária e deixou Maikon Leite em ótima situação, com a zaga do Cerro toda desarrumada, frente ao goleiro. O atacante chutou rasteiro, o goleiro desviou e Formica ainda tentou salvar em cima da linha, mas a bola entrou chorada para anotar o segundo gol santista.

Maikon Leite anota o segundo gol santista (Foto: AFP)

Mesmo sofrendo uma dura marcação do Cerro, Ganso seguiu como o maestro santista.  Aos 17 minutos, Maikon Leite recebeu mais um lançamento de Ganso, invadiu a área e chutou forte para ótima defesa de Barreto, que espalmou para escanteio. O time de Muricy levava perigo em investidas rápidas sempre pelo lado direito, as chances se multiplicaram com Maikon Leite perdendo mais duas oportunidades claras. Mas o Santos parecia satisfeito com a vantagem estabelecida de dois gols.
Apesar da pressão do Cerro que foi para o tudo ou nada, os atacantes paraguaios não conseguiram ser efetivos nas finalizações. Nem mesmo a entrada de Iturbe, chamado de “novo Messi” pela torcida, foi suficiente para resolver. Rafael fez duas belas defesas no final da partida, somente nos acréscimos que o Cerro Porteño conseguiu anotar seu gol após longo cruzamento da esquerda, Piris desviou de cabeça e Benitez completou após dividida com o goleiro santista para anotar o único gol paraguaio.
Grande vitória santista com calma e autoridade, o time alvinegro sobrou em Assunção e ficou com a vaga para as oitavas-de-final na mão, dependendo só de seu futebol, contra o Deportivo Táchira, no Pacaembu. Em grande estilo, a torcida ganhou este presente dos 99 anos do Santos, ficou claro que a terceira estrela voltava a brilhar no horizonte santista.

Ficha Técnica:
14/04/2011 – Cerro Porteño-PAR 1 x 2 Santos
Gols: Danilo aos 11min do primeiro tempo; Maikon Leite aos 2min e Benitez aos 48min do segundo tempo
Local: Estádio General Pablo Rojas, em Assunção, Paraguai
Competição: Taça Libertadores da América
Público: 12.940
Árbitro: Martin Vazquez (Uruguai)
Assistentes: Carlos Pastorino e William Casavieja (Uruguai)
Cartões Amarelos: Adriano, Arouca e Edu Dracena (SFC) – Burgos e Cardozo (CCP)
SFC: Rafael; Jonathan, Edu Dracena, Durval e Léo; Adriano, Arouca (Pará), Danilo e Paulo Henrique Ganso; Diogo (Maikon Leite) e Keirrison (Alex Sandro). Técnico: Muricy Ramalho
CCP: Barreto; Piris, Cardozo, Benítez e Fórmica (Iturbe); Burgos, Villareal, Rojas (Nuñez) e Torres (Lucero); Fabbro e Nanni. Técnico: Leonardo Astrada

Fontes e referências:
Almanaque do Santos FC;
Jornal “O Estado de São Paulo”;
Jornal “Lance”;
Site “UOL”

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