A Base da maior seleção de todos os tempos!

Published On 15/12/2014 | Feitos Históricos
O Santos FC em determinados períodos da história, principalmente entre 1955 a 1970, onde teve  peças de reposição a altura em cada posição do campo, apresentou ao futebol, grandes esquadrões, lendários e históricos. Equipes que tornaram e fizeram do Santos FC, um dos maiores times do mundo.
Assim como a Seleção Brasileira, que se estabelece no futebol como “sinônimo de melhor futebol do mundo”, pelos grandes esquadrões e quantidade de craques, – alem das conquistas é claro -, a opulente e pujante história do Santos FC se confunde com a da Seleção Brasileira nesse aspecto, pois é exaustivamente lembrada e reconhecida, da mesma forma. Além das conquistas, os grandes esquadrões, ídolos e craques, tornaram e fizeram do Santos FC, um dos nomes mais importantes do futebol mundial.
O ESQUADRÃO DO SANTOS FC EM 1970!
70Em 1970, o Santos FC foi a grande base daquela histórica Seleção Brasileira na Copa do Mundo, eleita pela revista Word Soccer, a maior de todos os tempos. A começar, pela fase preparatória daquele mundial, nas eliminatórias, formou-se um time, denominado, “As feras de Saldanha”, equipe que disputou as eliminatórias para a Copa no México, com seis santistas titulares: Carlos Alberto Torres, Djalma Dias, Joel Camargo, Rildo, Pelé e Edu.
“No começo éramos nove; depois, com a mudança de técnico (de João Saldanha para Zagalo), restamos cinco. Quando anunciaram a entrada do Zagalo, eu já sabia que, com ele, eu não iria jogar”, disse Joel Camargo, ao jornalista, Odir Cunha. Além da saída do time titular, de Joel Camargo, outro jogador foi bem mais injustiçado, o atacante Toninho Guerreiro, cortado da Seleção Brasileira por motivo pouco justificável, atestado no livro “João Saldanha, uma vida em jogo” – tempos de regime militar.
“Não é segredo para ninguém que o Santos é o melhor time do Brasil”, disse Saldanha no dia em que anunciou os convocados. “E como não temos muito tempo para as Eliminatórias, vamos usar esse entrosamento do Santos para o bem da Seleção”.
OKOKAquele ano de Copa do Mundo, o grande time do Santos, não obteve conquistas, não contava mais com todos os craques de anos anteriores (estava em reformulação), mais apresentou, um grande esquadrão, base da Seleção Brasileira Tricampeã Mundial no México em 1970. Aquele ano, alem do Santos, Palmeiras (Academia de futebol), São Paulo (Que montou um grande time para sair da fila), Cruzeiro (time técnico e forte, comandado por Tostão), Fluminense (Campeão Brasileiro aquele ano) e Botafogo (Com grandes jogadores), eram os melhores times no momento.
“Nós éramos uma equipe moderna para a época” (Clodoaldo, volante/meia do Santos, em 1970).
O Santos vinha de três Campeonatos Paulistas consecutivos, de uma conquista de Campeonato Brasileiro e duas Conquistas Internacionais, a Supercopa Sul-Americana e a Recopa Mundial (entre 1967 a 1969). Naquele ano, 1970, não foi campeão. Só que apresentou ao futebol, uma equipe moderna para época, de passes precisos e rápidos, de muita técnica e forte taticamente.
“A defesa sabia sair jogando, o meio campo era técnico, tinha qualidade no passe e era combativo na marcação. O ataque, com Pelé, imprevisível. Era um time que poderia jogar hoje em dia, muito moderno para a época. Tinha dois volantes de marcação, eu e o lima, o que não era normal nas equipes aquele tempo. Os laterais, Carlos Alberto Torres e Rildo, apoiavam muito, exatamente por causa da proteção daquele meio de campo. Com isso, quando tinha a posse da bola, chegava com muitos jogadores no ataque. Fizeram grandes jogos com Palmeiras, São Paulo, Botafogo e Cruzeiro, os melhores times no momento” (Clodoaldo, volante/meia do Santos, em 1970).
Aquele Santos, era um esquadrão que reunia craques em todas as posições do campo, um time que revolucionou o futebol na época pela forma de jogar. Desse time, saíram cinco jogadores que foram tricampeões mundiais no México (três como titulares). O grande time do Santos em 1970, tinha o seguinte time base: Agnaldo (Cejas), Carlos Alberto Torres, Ramos Delgado, Djalma Dias ou Joel Camargo e Rildo (Turcão); Clodoaldo e Lima; Manoel Maria, Pelé, Abel e Edu. Técnico: Antoninho Fernandes.
Pelé, Clodoaldo, Carlos Alberto e EduO goleiro Agnaldo (era um goleiro de transição,  chegaria à Vila Belmiro, o argentino Augustin Cejas); a defesa era extremamente técnica, formada por zagueiros de nível de Seleção, o argentino Ramos Delgado (muito técnico, identificou-se com o clube logo que chegou em 1967, jogou as Copas de 58 e 62), formava dupla com o habilidoso Djalma Dias (alem de habilidoso, seguro, fez parte das eliminatórias para a Copa de 70). Isso no Santos, na Seleção, o quarto-zagueiro Joel Camargo (outro grande zagueiro do Santos, reserva de Ramos Delgado, acabou sofrendo grave acidente prejudicando seu futebol), era titular nas eliminatórias da Copa de 70. As laterais, na direita o Carlos Alberto Torres (jogador de muitos recursos, capitão do Brasil na Copa de 70 e do Santos), na esquerda o Rildo (jogava duro, marcava forte, jogou a Copa de 66), ambos apoiavam com muita habilidade e eram eficientes na defesa e no ataque.
O meio campo do Santos era formado por Lima (curinga que jogava em todas as posições do campo, em 70 no Santos, na sua posição de origem, como volante, fez parte de todos os esquadrões nos anos 60 do clube, jogou a Copa de 66) e Clodoaldo (então com 21 anos, a grande revelação do Santos, um senhor jogador, pegada de volante e habilidade de meia, Tricampeão Mundial em 70 com a Seleção).
A frente era formada por Manoel Maria (ponta-direita rápido que estava entre os 40 selecionados para a Copa no México. Um acidente de carro abreviaria em 1970 sua carreira), Pelé (que dispensa comentários e que em 70 se consagraria mais ainda), Abel (tinha concorrência de Edu na ponta-esquerda, jogava deslocado no time, mais sempre eficiente) e Edu (jogador extremamente habilidoso, de dribles curtos e chute forte, a habilidade com a canhota aliada à velocidade fazia dele um dos maiores atacantes do futebol brasileiro, jogou as Copas de 66 e foi Tricampeão em 70 no México).
1970 - Taça Cidade de São PauloApesar de não conquistas títulos oficiais, o Esquadrão do Santos em 1970, foi eleito pela revista placar, no especial dos seus 35 anos (1970 a 2005), na opinião de um júri de especialistas, o 11º maior time da história – um reconhecimento de quem acompanhou aquela reunião de gênios num mesmo time. Era um time que dava medo nos adversários, pela quantidade de grandes jogadores reunidos. Aquele ano, em 88 jogos,  obteve 51 vitórias e 21 empates (Tendo uma série invicta de 12 jogos), com apenas 16 derrotas. Nas excursões internacionais, conquistou o Torneio Hexagonal do Chile e no período da Copa do Mundo no México, sem os principais jogadores, conquistou a Taça Cidade de SP. Era o inicio de uma renovação que acontecia sem grandes pressões. Tudo por causa de Pelé. O novato que vestia pela primeira vez o manto branco tinha sempre a vantagem de os holofotes estarem apontados para o camisa 10 que se consagrou mais ainda, apos o Mundial de 1970.
Fontes e Referencias:
Revista Placar, Os Grandes Esquadrões, 35 anos da revista 2005;
Livro “João Saldanha, uma vida em jogo” do autor, André Iki Siqueira;
Jornais, Estadão e Folha de SP;
Documentário “Brasil nas Copas do Mundo” TV Cultura.

One Response to A Base da maior seleção de todos os tempos!

  1. Durante todo o tempo em que teve Pelé o SANTOS compôs grandes times. Saiam jogadores e entravam outros e a máquina do SANTOS continuava. Esse time de 1970 já não era mais o mesmo de antes, como é dito, mas, formou de fato o grupo de Saldanha e na Copa conseguiu o Tricampeonato Para o Brasil. Santos era uma máquina, quem teve a sorte de ver viu, quem não teve, tem que se contentar com as imagens que sobraram e bons textos como esse.

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