A Décima Coroa

Published On 25/08/2017 | Jogos Históricos
Por Ronaldo Silva,
São Paulo, 25/08/2017

Com Pelé prometendo dar tudo pela vitória e todo time santista disposto a ajudá-lo a ganhar seu último título paulista, Santos e Portuguesa se enfrentaram numa decisão de opostos, onde o time santista acostumado a grandes decisões surgia com favoritismo diante de uma jovem equipe que prometia muita humildade e amor à camisa da Lusa para superar Pelé e os nomes consagrados do time da Vila Belmiro.
O Santos havia vencido o primeiro turno com certa facilidade, mas caiu de produção no returno. O time ressentiu do desfalque de Carlos Alberto em diversas partidas, também houve uma queda de ritmo de Euzébio um dos destaques do ataque alvinegro. No entanto, Pelé convocava os torcedores santistas a comparecer no estádio “Nosso time vai entrar para ganhar e a disposição é tanta que chego até a me lembrar do Santos de antigamente”

O JOGO
A partida começou bastante nervosa. Santos e Portuguesa jogavam rapidamente, procurando marcar o gol no início. Pelé se movimentava muito, caindo para o lado esquerdo de seu ataque, para ajudar Edu. A defesa da Portuguesa era envolvida com facilidade, demonstrava um futebol inferior ao Santos. Mas Badeco se destacava na cobertura dos zagueiros, ajudando num primeiro combate a destruir o avanço alvinegro.
Nos primeiros 15 minutos, o Santos apareceu melhor. Mas a Lusa conseguiu equilibrar as ações do jogo, apesar do ataque santista sempre demonstrar ser mais veloz e objetivo. Depois o jogo tornou-se monótono até o final do primeiro tempo e nem as arrancadas de Pelé ou os lançamentos objetivos de Basílio conseguiram abrir o placar da decisão.

SEGUNDO TEMPO

Uma forte chuva esteve presente no recomeço da partida, que favoreceu ao experiente time do Santos. No primeiro minuto, Pelé sofreu falta na entrada da área. Edu cobrou forte e a torcida teve impressão de gol. Mas foi aos 10 minutos que Pelé realizou uma jogada inteligente pela ponta esquerda chutando forte. A bola bateu de leve no travessão e foi para fora.
O time santista aproveitou o momento de indecisão da Portuguesa para buscar vencer o jogo. Mas Badeco e Basílio controlavam o meio de campo da Lusa buscando surpreender a zaga santista com rápidos contra ataques. O grande público presente ao Morumbi vibrou com nova arrancada de Pelé pela esquerda, passou por dois adversários e novamente chutou na trave de Zecão.
Até o final da partida seguiu a pressão do Santos, embora no último minutos a bola foi cruzada da linha de fundo para a entrada de Cabinho que de primeira chutou por cima da trave. A Portuguesa ainda teve nova chance numa trama de Basílio, onde Tata tentou passar por Cejas que saiu muito bem e evitou o gol adversário.

Jogadores se reúnem antes da prorrogação! (Foto/Jornal do Brasil)

PRORROGAÇÃO

A Portuguesa começou com mais disposição e quase surpreendeu o Santos, aos 10 minutos, quando Cabinho passou por Carlos Alberto e chutou fora. Em seguida, Basílio e Tata obrigaram Cejas a fazer uma excelente defesa. O Santos tentou explorar a velocidade e o bom preparo físico de Pelé, mas Calegari e Pescuma conseguiram controlar a situação. No último minuto, Wilsinho perdeu um gol certo chutando sobre Cejas. Após 120 minutos, a decisão terminou empatada sem gols e seria decidida na cobrança de pênaltis.
PÊNALTIS
A primeira cobrança coube ao lateral esquerdo santista Zé Carlos, o silêncio tomou conta do Morumbi, que chutou forte e Zecão defendeu para a alegria da torcida da Portuguesa. Cejas, cabisbaixo, foi para o gol, era a vez de Isidoro cobrar. Tomou distância e o chute saiu fraco e alto, Cejas jogou por cima do gol. Festa agora era santista.
Carlos Alberto, foi o segundo cobrador do Santos, bateu forte e inaugurou o marcador. O zagueiro Calegari, não tomou distância, tentou enganar o goleiro num chute a meia altura e muito fácil para Cejas defender.Chegou a vez de Edu que tomou longa distância e nem chances permitiu ao goleiro da Lusa. Wilsinho se preparou para terceira cobrança da Portuguesa, correu chutou forte e alto contra o travessão.
Pelé correu em direção ao juiz Armando Marques, que encerrou as cobranças e decretou o título do Santos. Os santistas comemoravam, enquanto o time da Portuguesa deixava o gramado. Ainda faltavam duas cobranças para o adversário, com isso ainda seria possível haver empate na decisão. Quando o erro foi constatado, tentou-se fazer os times voltar as disputas de pênaltis, mas a Portuguesa já havia saído do estádio. Devido ao erro de Armando Marques, Santos e Portuguesa dividiram o título, que foi muito especial para Pelé alcançar seu décimo e derradeiro título paulista com a camisa do Santos.

Pelé vibra com Cejas ao final da decisão! (Foto/Folha de São Paulo)


FICHA TÉCNICA
26/08/1973 – Santos 0 x 0 Portuguesa
Local: Estádio do Morumbi, em São Paulo
Competição: Campeonato Paulista
Renda: Cr$ 1.502.255,00
Público: 116.156
Árbitro: Armando Marques
Decisão de Pênaltis: Santos 2 (Carlos Alberto e Edu) x 0 Portuguesa
SFC: Cejas; Zé Carlos, Carlos Alberto, Vicente e Turcão; Clodoaldo e Léo Oliveira; Jair da Costa (Brecha), Euzébio, Pelé e Edu. Técnico: Pepe
APD: Zecão; Cardoso, Pescuma, Calegari e Isidoro; Badeco e Basílio; Xaxá, Enéas (Tatá), Cabinho e Wilsinho. Técnico: Oto Glória

Fontes e Referências:
Almanaque do Santos FC;
Jornal Folha de São Paulo;
Jornal do Brasil;
Revista Placar;

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