O Gigante começa a despertar (1948-1950)!

Published On 24/04/2015 | Histórias, Memória Santista
Por Kadw Gomes e Ronaldo Silva
Santos, 15/11/2016

Depois de alguns anos passando por enorme instabilidade política, crises técnicas recorrentes, com dirigentes que pouco aproveitavam as revelações de atletas e apostavam em jogadores consagrados que não renderam bons resultados; alvoreceu época valorosa no Santos F.C. na presidência do revolucionário Athiê Jorge Coury. A partir de 1945, o presidente promoveu importantes transformações fora e dentro dos gramados, ao qual culminou na primeira grande equipe, entre 1948 a 1950.
Era iniciado a fase de estabilidade financeira, técnica e política no Alvinegro da Vila Belmiro. Expressa na formação de um time aprumado, de jogo bonito e aguerrido. Recuperando o prestigio, se algum dia houvera perdido, pode o Santos recolocar-se entre os grandes clubes do Brasil. O gigante começava a despertar.
Tradição é Tradição! O Santos FC passou a ser cognominado pela imprensa esportiva, no fim dos anos de 1940, como “O grande centro revelador de craques no futebol brasileiro”. E colhendo os primeiros frutos formou o pioneiro quadro histórico dessa fase, num onze conduzido por nomes como Artigas, Alfredo Ramos, Nenê, Pascoal, Antoninho, Pinhegas, Odair Titica, entre outros… A Vila Belmiro e o Pacaembu foram palcos de grandes apresentações dos santistas.
Duas figuras foram demasiadamente reluzentes no processo de remodelação do Santos F.C.
Não que os outros, não tenham vigorado desempenho, ou não tenham acrescentado na afirmação santista,
mas os principais nomes foram de Antoninho Fernandes e Athiê Jorge Coury.

Desde o início de seu período na presidência, Athiê realizou um trabalho seguro, eficiente e que traria frutos ao Santos. Era necessário um choque de gestão que teve como pilar a busca da estabilidade financeira através de duas medidas principais: reorganização e aumento do quadro associativo, e a ampliação da capacidade de público e modernização da Vila Belmiro, incluindo a construção do ginásio poliesportivo.
Sem isso, seria difícil concorrer num mesmo patamar do intitulado “Trio de Ferro” da capital paulista, que desde o início da década alcançava ótimas somas de bilheteria na Era Pacaembu. Athiê possuía a meta de recolocar o Santos novamente no seu lugar de direito: dentre os grandes clubes do futebol paulista e brasileiro.
O processo de reestruturação do clube necessitava também do fortalecimento da equipe dentro das quatro linhas. A intenção era de organizar um time realmente capaz de levantar o campeonato ou conseguir um posto de destaque. No início da temporada de 1948, o Santos saiu em busca de um treinador para substituir o argentino Abel Picabéa. Seria fundamental a contratação de um grande comandante e Athiê Jorge Coury trouxe ao Santos o treinador campeão paulista no ano anterior, Osvaldo Brandão.
Com a chegada de Brandão foi notória a melhora do rendimento técnico de jogadores como Artigas, Expedito e Nenê. Outros atletas se consolidaram com o novo comando, o goleiro Leonídio, o promissor Alfredo Ramos que passou de centromédio para ser destaque no lado esquerdo da linha média, Odair Titica foi fixado o mais próximo da meta adversária tornando-se fatal e, por fim, o cerebral Antoninho passou de referência técnica a grande líder, cobrando seus companheiros em busca de uma atitude vencedora. Grande leva de jogadores provenientes do Fluminense desembarcaram na Vila Belmiro: Robertinho, Telesca, Simões, Juvenal, Cento e Nove. Além de outros três nomes que tiveram grande destaque: o polivalente Pascoal, o excepcional zagueiro Hélvio e o ponteiro esquerdo Pinhegas. Do futebol catarinense vieram o habilidoso lateral esquerdo Ivan e o brigador atacante Nicácio, e do próprio futebol santista chegou o rápido ponteiro do Jabaquara Alemãozinho.

A LOGÍSTICA DA EQUIPE DE BRANDÃO!
Formado por um elenco potenciado de futuros elementos de seleção paulista e brasileira e conduzida por um treinador capaz de extrair o melhor dos atletas, o Santos F.C. se aprumou nas temporadas de 1948, 1949 e 1950. Enfrentou os grandes adversários da época (São Paulo, Palmeiras, Corinthians, Portuguesa e Ypiranga), arbitragens polemicas e até o Tribunal de (In) Justiça Esportivo e, mesmo assim, conseguiu produzir um futebol belíssimo, vibrante e combatente, sendo bastante elogiado pela imprensa paulistana: “O futebol dos rapazes de Vila Belmiro é um marco de glória para a história esportiva” (Jornal MUNDO ESPORTIVO).
As características dessa equipe foram bem peculiares e capciosas. O espirito de luta foi um trunfo. Algo que representava a fase de renascimento no Santos F.C. Em algumas partidas desenvolvendo futebol perfeccionista, trabalhado e elegante, em outras a percepção era de enorme entrega, vontade e disposição.
O quadro proporcionou muitos jogos emocionantes. Antes do apito final tudo podia ocorrer a favor do Alvinegro. Afeições retratadas no campo de luta por vitorias conquistadas muitas vezes com jogadores a menos ou por vezes saindo atrás e revertendo o placar como típico Time da Virada. Quando subestimado provou ser grande. Vários foram os êxitos de emocionar, fazendo vibrar os aficionados de Vila Belmiro. Performances invertendo a lógica dos favoritos, ao passo que o Alvinegro se mostrava forte para baquear qualquer adversário, fosse em domínios próprios ou terrenos alheios.
Às vezes os gols eram construídos na feição de pura raça, outras vezes por jogadas trabalhadas, de toques rápidos, conforme manda a tradição. Cabia as bonitas jogadas individuais. A bola parada também era uma arma.
A única certeza era que tudo isso sempre passava pelos pés do craque cérebro, Dom Antoninho. O “Arquiteto da Bola” era a mola propulsora do ataque e da defesa santista.
A equipe sabia fazer um verdadeiro ziguezague no trabalho de campo. Da defesa ao ataque tinha grande variação dos elementos…
Ditando um ritmo técnico e exemplar, Artigas e Alfredo Ramos invertiam posições. Ambos eram verdadeiros boleardes das jogadas de impacto, provocando medo nos torcedores ao propugnarem driblando até à meia cancha. Porém, sábios que a linha média permitia movimentação constante com Nenê. Este era um craque de enorme projeção, as vezes era um armador, as vezes era um atacante ou defensor, certeza era que, junto do paraguaio Telesca, davam a sustentação devida e segurança caraterística aos postos zagueiros. Quando chegou Pascoal veio a dúvida boa – era outro que encaixava em quase todos os lugares do campo.
Na linha dianteira o Santos encontra sua fortaleza para sobrepujava os mais temíveis adversários. Numa ponta Alemãozinho infernizava, seja como elemento surpresa ou em infiltrações mortais. No centro da área adversária o artilheiro Odair tinha às graças da torcida e fazia gols de todas as maneiras: rebote, cabeçadas, chutes de primeira e até na sorte. Valia-se também de boa velocidade. Noutra ponta Pinhegas tinha um canhão na perna esquerda e era vertiginoso.
No comando da equipe estava aquele que tornou o time harmônico e dinâmico. Treinador de muitas virtudes com seu “toque de midas”, Oswaldo Brandão.

O ponta-esquerda Pinhegas e o técnico Osvaldo Brandão.

Na preparação que antecede o estadual-48, o Santos jogou alguns amistosos e conquistou duas taças: Taça Cidade de Santos e a Taça das Taças – numa disputa entre os vencedores “Taça cidade de Santos x Taça cidade de São Paulo”, ao qual triunfou ante o Corinthians por 2×1.

GRANDES PERFORMANCES E O ALVORECER DO FUTEBOL SANTISTA

Nenê, Telesca, Dinho, Leonidio, Alfredo, Artigas. Alemãozinho, Antoninho, Paulo, Odair, e Pinhegas.

Pelo Campeonato Paulista de 1948 o Santos iniciou sob certa desconfiança da imprensa e de sua torcida. Provou, porém, campanha exitosa e fez sua melhor performance desde 1935. Logo na estreia que ocorreu dia 16 de maio, arrasou o Nacional por 7 a 0. Prosseguiu com resultados proveitoso no primeiro turno: 3 a 1 no Jabaquara e 1 a 0 na Port. Santista. Na partida contra o Palmeiras, dia 30/05, no Pacaembu, uma bela disputa pela liderança. Os gols saíram apenas na segunda etapa, impondo-se, o Santos abriu o placar aos 15 minutos, quando Paulo pegou rebote do chute de Alemãozinho e girando rápido mandou a pelota para as redes do Alviverde (1 x 0!). Aos 31′, Caieira atrasou mal a bola para Oberdan, dando margem a Odair que antecipou o arqueiro, surpreendendo com toque por cima (2 x 0!). Até que o time conheceu o primeiro revés, contra o C.A. Ypiranga de Rubens, Bibe e Cilas, e o resultado fez novamente duvidarem da capacidade da equipe santista.
O quadro do “Campeão da Técnica” então se fechou para buscar recomposição e ajustes. Em conversas ao pé do ouvido foram apaziguadas às contrariedades. Novidade trazida por Brandão: olhar mais o “espirito” que o corpo. Trabalhar o emocional. E curando “almas”, o treinador foi curando organismos combalidos. Assim, foram possuídos de forte perseverança os rapazes de Vila Belmiro, que compactuaram com Brandão firmemente e, mostraram convicção, no restante do campeonato…
A peleja do dia 04 de julho, contra o Corinthians, numa Vila Belmiro lotada, veio a confirmar a excelente forma técnica ostentada pelo Santos, que sobrepujou o rival. Após desvantagem na primeira etapa (1 x 2), contornou em reação espetacular, nos últimos 10 minutos de jogo, com dois tentos de Odair (aos 30′, jogada pessoal e chute rasteiro abrindo o placar, o segundo gol saiu aos 42′, aproveitando jogada e passe de Antoninho), vencendo por 3 a 2. A Portuguesa de Desportos era outro quadro de valor, com Pinga, Nininho e Simões, porém, também teve de curva-se ante a classe do Alvinegro, quando impôs 3 x 2 com gols de Antoninho, Alemãozinho e Odair. Na peleja seguinte, um show nas cabeceadas de Odair assinalando 5 tentos, noutra vitória com virada, 5 a 4 no Comercial. Ao fim do turno dividia o Santos a liderança com o São Paulo, oponente da segunda rodada do returno.
Após vencer por 2 a 0 a equipe do Nacional, na Vila Belmiro, pelo segundo turno, as atenções alvinegras foram para o esquadrão do São Paulo, composto de Mauro, Bauer, Rui, Noronha, Leônidas, Remo, Teixeirinha e outros cobras. O Santos havia perdido depois de muita luta o primeiro duelo na última do turno. Para o novo match decisivo, na Vila Belmiro, os melhores times do campeonato compuseram as melhores formações – Bauer afirmava ser o SFC a equipe que mais lhe trazia preocupações – e traçaram um jogo de estratégias. Neste a linha média Tricolor (Bauer-Rui-Noronha) foi depreciada pela do Alvinegro (Nenê-Telesca-Alfredo), Leônidas neutralizado por Artigas, e novamente após sair atrás, impôs o Santos brilhante vitória em 2 a 1 com tentos nos últimos 15 minutos do jogo. Aos 30′, Alemãozinho contou com a sorte, após cruzar com violência a bola acertou Noronha e entrou na meta tricolor. A virada veio já aos 42′, Pinhegas cobrou escanteio e encontrou Alfredo, que chutou e a bola passou por toda defesa tricolor, até Alemãozinho aparecer e marcar.

Comemoração santista na belíssima vitória diante do São Paulo já nos minutos finais.

Superioridade em todos os aspectos, tendo melhor ação das linhas, posse de bola e anulando o jogo adversário, o Santos construiu com tentos de Odair, Paulo e Alemãozinho, ante o Palmeiras de Caieira, Zezé Procópio e Canhotinho, novo triunfo por 3 a 2. Oberdan, guarda redes Alviverde, defendeu dois pênaltis cobrados por Odair e evitou o alargar da contagem.
O quadro santista estava irresistível e atuando na Vila Belmiro, dia 31 de outubro, frente ao Corinthians de Cláudio, Baltazar, Servílio e outras feras, apresentou o Santos sua mais perfeita exibição. Depois de permanecer atrás durante todo primeiro tempo, obteve reação impressionante, exibindo um futebol de grande efetividade e beleza, contornou de forma sensacional no complementar “De 0 a 2 para 3 a 2”! Alemãozinho, após passe de Odair, fez vibrar logo aos 4 minutos. Antoninho, de cabeça, assinalou um golaço dez minutos depois. Aos 27′, fugindo pela ala direita Odair centrou forte a meia altura, Pinhegas entrou firme de cabeça e deu números finais. A imprensa paulistana confirmou:
“Baqueado o Trio de Ferro pelo Santos FC”!

Naquele ano, o Santos ainda foi vitima do Tribunal.

Na rodada seguinte, veio o match com a Portuguesa de Desportes, no Pacaembu. Jogo polemico ao qual o SFC acabou derrotado. Na avaliação do Jornal Estado de São Paulo, o arbitro F. Kohn Filho acabou tomando “decisões prejudiciais” contra o quadro de Vila Belmiro. Após revés seguiu o Santos firme na luta, com mais viradas e êxitos emocionantes: 4 a 2 no Jabaquara, 11 de novembro, e 4 a 3 no Juventus, dia 21 de novembro. Em ambas partidas o destaque foi o ponta-esquerda Pinhegas que na soma assinalou 5 gols.
Nos compromissos próximos, o Santos vence o Comercial (2 x 0) e Port. Santista (4 x 1). Neste momento alguns jornais, como o Mundo Esportivo e o Correio Paulistano, estampavam: “O Santos Campeão de 1948”! Pois é, o antes desacredito time fazia valer aquele “favoritismo” ao título. Porém, os santistas não deixaram se iludir, estavam cientes de que nada estava ganho e foram com seriedade, a Vila Belmiro, enfrentar o Ypiranga. Todavia, faltou seriedade ao arbitro Mário Gardelli que amarrou o resultado em 1 a 1. O SFC abriu o placar no 1º tempo com Pascoal – teve um pênalti não marcado em Paulo – e sofreu o empate no início da 2º etapa. Em uma bola que resultou escanteio para o Ypiranga, o goleiro santista Leonidio chegou próximo ao arbitro e perguntou quanto faltava para terminar. Recebeu a seguinte resposta: “Leonidio, não adianta, hoje vocês não ganham”. E não teve jeito.
“O Santos era perseguido. Tudo é encomendada o resultado. (…) eu gostaria de ser campeão, todos nós precisávamos ser campeão” (Leonidio, goleiro do Santos nos anos 40).
Fazendo 20 partidas no certame-48 o Santos venceu 15 e empatou duas, perdendo apenas três. Não perdeu nenhum dos 12 jogos que fez em Santos. Terminou com oito pontos perdidos, a apenas dois do São Paulo, empatando com este na liderança da artilharia, com 54 gols.

Como foi vice-campeonato paulista, o Santos classificou-se para a Taça Cidade de São Paulo de 1949. Os prélios foram realizados no Pacaembu. O Santos conseguiu empatar com o Ypiranga (2 x 2) e venceu o duelo decisivo contra o São Paulo por 2 a 0, sagrando-se o grande Campeão!
O Alvinegro Praiano formou com: Aldo, Chiquinho e Hélvio; Dinho, Nenê e Telesca; Odair, Pascoal, Juvenal, Simões e Pinhegas. Além de contratar Hélvio do Fluminense, antes de iniciar o estadual-49 o clube renovou o contrato de Odair.
Nas três primeiras rodadas iniciais do Campeonato Paulista de 1949 o Santos venceu todas: 2 a 1 no Jabaguara, 1 a 0 na Port. Santista e 4 a 2 no Ypiranga. Acabou vencido pelo Palmeiras na quarta rodada, e nos três jogos seguintes foi envolvido por situações estranhas que prejudicaram sua campanha.
Vencia e dominava a Portuguesa por 2 a 1, no Pacaembu, quando o árbitro resolveu expulsar Simões logo no início do segundo tempo, aos 7 min. Resultado: a Portuguesa venceu por 3 a 2. Na sequência venceu o Corinthians, na Vila Belmiro, por 2 a 1. Porém, sob circunstancias dramáticas: a equipe acabou jogando todo segundo tempo com dois a menos, pois Antoninho e Alfredo se machucaram seriamente e não era possível fazer mais substituições. Para completar foi a São Paulo enfrentar o Juventus, na Rua Javari. Novamente com pleno domínio santista caminha o jogo, então o juiz inglês Albert Storey decidiu expulsar Pinhegas e Nicácio. O Juventus venceu por 3 a 1. Com gol de Antoninho, numa cabeçada sensacional encobrindo defensores e o arqueiro tricolor, o Santos venceu o São Paulo na rodada seguinte, porem já estava longe dos primeiros lugares ao fim do primeiro turno.
No returno a equipe não conseguiu reagir, apesar das vitórias sobre o XI de Piracicaba (3×1) e o Comercial (2×1), terminou num honroso quarto lugar, encerrando o certame com sua maior goleada no ano: 8 a 0 no Juventus, na Vila Belmiro.

O SANTOS VAI DAR DOR DE CABEÇA. Não se pode duvidar da eficiência de Leonidio. Hélvio e Ivan, os astros da defesa. Antoninho continua sendo o cérebro e o guia do ataque” (Jornal Mundo Esportivo).
Em 20 de agosto, o Santos iniciou na capital as atividades pelo Campeonato Paulista de 1950, com derrota inesperada para o Ypiranga. Em seguida, porém, o Alvinegro se recupera e constrói invencibilidade de sete jogos. A primeira vitória veio diante do São Paulo, Bicampeão Paulista, por 3 a 2, na Vila Belmiro. A peleja só teve gols com 33′, Odair aproveitou cobrança de falta de Ivã e mandou a bola as redes; três minutos depois, Odair atirou firme balançando as redes de Poy, encerrando a primeira fase. Com 4 minutos do segundo tempo, Antoninho cobrou falta com maestria, de fora da área, Poy apenas observou a bola estufar as redes, um golaço! Parecia encaminhar-se para uma goleada, mas Ruy e Remo descontaram em favor do São Paulo.
Depois o Alvinegro de Vila Belmiro segue sem conhecer derrotas: 5 a 2 no XV de Piracicaba, 4 a 1 no Nacional, empatou com a Port. Santista (1 a 0) e com o Juventus na Rua Javari, retornado êxitos contra o Jabaquara (1 a 0), e terminou igualado em gols com o Corinthians no Parque São Jorge. Só encerrando sua invencibilidade, quando acabou vencido no Pacaembu pela Portuguesa. Na sequencia empatou com Guarani e Palmeiras – perdendo pontos preciosos.
No segundo turno propuseram uma bonita disputa ao qual lutaram ponto a ponto os quadros do Santos, São Paulo e do Palmeiras. O Alvinegro mostrou sua força nos confrontos diretos, ante os principais rivais, jogos disputados no Pacaembu.

A linha de frente do Santos, com Alemãozinho, Antoninho, Nicácio e Odair Titica.

No dia 16 de dezembro, o Santos deferiu um 4 a 2 no Palmeiras, no estádio do Pacaembu. O primeiro tempo havia terminado 3 a 1 para os santistas: logo aos 5 minutos, Odair marcou após passe de Antoninho; aos 21′, Pascoal cobrou uma penalidade e aumentou; Odair novamente, agora de cabeça, fez 3 a 0 aos 44′; Rodrigues foi quem descontou para o Palmeiras. Na segunda etapa, o Alviverde buscou a reação com gol de Jair, mas novamente Odair, implementou jogada pessoal, assinalou o último ponto da peleja.
Foram apenas duas derrotas santistas no returno. Assumiu a liderança por momentos importantes e construiu triunfos contra Corinthians (2 a 1, gols de Abelardo e 109), Guarani (4 a 2), Juventus (4 a 2), Jabaquara (2 a 1), Nacional (5 a 0) e Ypiranga (2 a 1), totalizando 13 vitórias e sendo a equipe que mais venceu na competição.
Em mais um confronto direto, já em 21 de janeiro de 51 (válido pela temporada 1950), quando enfrentou o São Paulo num Pacaembu com grande público, o Santos arrematou 2 a 1 em mais uma virada espetacular. Com 12 min do primeiro tempo, Ponce de Léon colocou o São Paulo na vantagem. Aos 21 minutos, porém, Antoninho driblou Noronha e Savério, avançou e cruzou alto pela direita, Odair superou Mauro, e mandou cabeçada fulminante na bola, Poy não alcançou (1 a 1!).  Aos 30′, Pascoal deu a Antoninho, este avançou pelo centro deixando alguns marcadores no caminho, deu toque preciso para Odair livre arrematar no alto da meta de Poy (2 a 1)!
Porém, apesar de superar os rivais nos confrontos diretos, acabou tropeçando contra times do meio da tabela e deixou escapar o título. Terminou em segundo, empatado com o São Paulo, a um ponto do campeão Palmeiras.
Entre 1948 a 1950, pelos Campeonatos Paulistas, mostrando tamanha superioridade técnica, a equipe do Santos FC enfrentou o “Trio de Ferro” 18 vezes e obteve 11 vitorias, empatou 4 e perdeu apenas 3. Foram 04 triunfos contra o SC Corinthians P, 04 contra o São Paulo FC e 03 ante o SE Palmeiras. Sendo vencido duas vezes pelo tricolor e uma vez pelo Alviverde. Total de gols assinalados e sofridos.

Fontes/Referencias: 
Centro de Memória e Estatística do Santos FC;
Almanaque do Santos F.C. (Guilherme Nascimento);
ASSOPHIS (Associação dos Pesquisadores e Historiadores do Santos FC )
Jornais Estado de SP, Mundo Esportivo, A Tribuna; e TV Gazeta.

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