A herança da 9: de Pagão para Coutinho

Published On 14/07/2017 | Artigos
Por Gabriel Santana
Santos, 14/07/2017

Além da eterna camisa 10, a camisa 9 do Santos FC também possui uma magia inegável.
Nos primeiros anos da história do clube, surgiu o primeiro grande centroavante da história santista, chamado de Ary Patusca. Na época, ainda não era utilizado os números nas costas, mas podemos considerar, que Ary foi o primeiro grande camisa 9 do Alvinegro de Vila Belmiro.
Depois de Ary, surgiram Feitiço, Raul Cabral Guedes, Odair e Del Vecchio, outros grandes centroavantes do time santista. O primeiro a utilizar a camisa 9 de fato, foi Odair, pois apenas em 1948, os clubes adotaram a numeração. Anos mais tarde, ela foi entregue a Pagão e a Coutinho, dois dos melhores centroavantes da história do futebol.

A CHEGADA DE PAGÃO
Dotado de muita técnica e facilidade em atuar em espaço curto, Paulo César Araújo era um fenômeno. Contratado em 1955, foi Campeão Paulista com a equipe santista no mesmo ano. O titular da posição na ocasião, era Del Vecchio, que também possuía um enorme faro de gol.
No ano de 1956, Del Vecchio e Pagão revezaram-se na posição, e não ficou definido um titular absoluto. Já no ano seguinte, Pagão assumiu de vez a posição, e em muitas ocasiões, Del Vecchio atuou de meia esquerda, deixando a responsabilidade de assinalar tentos, com Pagão.
Em 1958, Del Vecchio já não fazia mais parte do elenco santista, e Pagão se consolidou como o grande centroavante do Santos.

A TRANSIÇÃO
Aos 24 anos de idade, em 1958, Pagão já era Tricampeão Paulista pelo Santos, sendo titular nas campanhas de 1956 e 1958. Já era conhecido nacionalmente, e acumulava convocações para a Seleção Brasileira. Era um craque em sua função, ou até mesmo fora dela. “Batia” na bola como poucos.
Em maio de 1958, Coutinho, com de apenas 14 de idade, é convidado para realizar testes na Vila Belmiro. Aprovado, ele rapidamente atua pelo quadro principal, e chama a atenção do então Treinador Lula.
Sua estreia no time profissional ocorreu no dia 17 de maio, em um amistoso diante do Sírio Libânes. Naquela temporada, Coutinho atuou apenas em amistosos, para poder ser melhor observado pela comissão técnica.
Já em 1959, aprovado, Coutinho definitivamente entra pro elenco principal, e encontra o melhor espelho possível que ele poderia ter.
Com 15 anos de idade, teve a chance de ser titular em boa parte dos jogos do Torneio Rio-São Paulo, devido a uma contusão de Pagão, sendo decisivo para a conquista do título.
Em maio desse mesmo ano, o Santos realizou sua primeira excursão para o continente europeu, e Coutinho foi titular em praticamente todos os 22 jogos realizados pelo Santos na Europa, e começou a mostrar seu devido valor. Nessa altura, Coutinho era apontado pela imprensa como o “Pelé nº 2 do futebol nacional”.
De volta ao Brasil, o técnico Lula resolve criar um revezamento entre Pagão e Coutinho, como houvera feito com Del Vecchio e Pagão.
Em jogos do Campeonato Paulista, na época, ainda não era permitido alterações. Portanto, o atleta só atuava na partida, se começasse entre os 11 iniciais. Em determinados jogos, para não perder o talento nem de Coutinho e de Pagão, Lula escalava o menino de Piracicaba na meia-direita ou meia-esquerda. Ele já havia testado essa formação em alguns amistosos, e gostou do que viu.
Em março, eles atuaram pela primeira vez juntos, e o resultado foi a vitória do Santos por 2×1 diante do Fluminense, com um gol de cada:
24/03/1959 – Santos 2 x 1 Fluminense
Gols: Coutinho e Pagão – Valdo.
Local: Estádio Vila Belmiro, em Santos.
Competição: Amistoso
Renda: Cr$ 97.590,00
Árbitro: Antonio Viug
SFC: Laércio; Hélvio e Mourão (Dalmo); Feijó, Álvaro e Urubatão; Afonsinho (Hélio), Jair Rosa Pinto, Pagão, Coutinho e Pepe. Técnico: Lula
O ano de 1959 terminou com 58 gols de Coutinho e 30 de Pagão. Ao todo naquele ano, o time santista atingiu a marca de 342 gols.

CONSOLIDAÇÃO DE COUTINHO
No ano de 1960, Coutinho assume de vez a posição de titular, aos 17 anos. Pagão não deixou de atuar por conta disso, pois na época, o Santos beirava 80 jogos por ano, e o treinador Lula sempre realizava uma grande mesclagem no elenco, para que todos atuassem.
Mesmo assumindo a titularidade, Coutinho não deixou de observar Pagão.
Em entrevista realizada pelo canal ESPN, no programa “Bola da Vez”, Coutinho contou que Pagão o ensinou a chutar melhor. Quando chegou ao Santos, ele batia na bola apenas de “bico”. Com sua enorme técnica, Pagão foi ensinando a Coutinho jeitos melhores de colocar a bola no fundo do gol. Sempre muito atento, Coutinho foi um excelente aluno, e aliou as técnicas aprendidas, com a sua técnica natural, transformando-se em um dos grandes centroavantes da história.
Pagão deixou a Vila Belmiro no ano de 1963, com a sensação de dever cumprido. Além dos títulos conquistados, deixou um herdeiro a sua altura. Coutinho permaneceu e reinou com a 9 até o ano de 1967, retornando ainda em 1970.

LEGADO
Os dois maiores centroavantes da história do Santos, deixaram um grande legado da camisa 9. Além de exímios fazedores de gols, eram demasiadamente técnicos e habilidosos, dando a possibilidade, de atuarem em outras funções.
Pagão e Coutinho serão eternos na história do Santos e do futebol mundial. Não aparecerá outros como eles. Sorte de quem os viu atuar.

Fontes e Referências:
Jornal “A Gazeta Esportiva”;
Jornal “A Tribuna”;
Centro de Memória e Estatística do Santos FC;

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *