A Importância e Representatividade das Excursões Internacionais

Published On 29/12/2017 | Uncategorized
Por Kadw Gomes

Foi através de longas viagens ao redor do planeta, sendo um legítimo embaixador, que o Santos popularizou o futebol brasileiro e de outras partes do mundo. Em partidas dessa categoria, Pelé passou de Ídolo a Mito. Grande proporção foram os triunfos internacionais, muitas das vezes dentro da casa de oponentes poderosos, que tornaram o Santos F.C. o melhor time da história e um dos maiores clube do mundo.
O “BIG BANG” DO FUTEBOL
Depois do futebol viver em meio ao pragmatismo inglês (2-3-5 padrão), uma fase embrionária, sem a mínima preparação física adequada ou propostas de futebol inovadoras, nenhum estudo tático-físico-técnico relevante, o ‘mundo da bola’ passou a desenvolver-se nos anos de 1950. Mais precisamente, a partir da vitória da Hungria sobre a Inglaterra, como um “Big-Bang”, acabando os preceitos dos criadores.
Na Copa de 1954, na Alemanha, entre outras coisas começou o trabalho físico e surgiram novas ideias do jogo. Passou, porém, a ser uma época ao qual era comum cada país, a nível de clubes, julgar-se ter a melhor equipe do mundo – certamente iniciado com o Wolverhampton na Inglaterra, motivado pelo Honved, da Hungria, não se sabe ao certo. Então parte de um grupo de jornalistas franceses iniciaram projetos e a UEFA, depois a Conmebol, criaram competições oficiais para pleitear o melhor time do mundo. Porém, somente isso não era o bastante, os desafios tinham que ir além.
A revolução futebolística era então fomentada. Cabia aos clubes mostrarem em “Desafios Internacionais” quem era o melhor clube do mundo. Quem tinha a melhor tática? A melhor técnica? O futebol mais bonito? O jogo mais avassalador? A melhor proposta defensiva? Impacto maior dentro do conceito exercido? Qual a equipe era a mais completa? Perguntas que o Planeta Bola se fazia… a resposta se dava em meio aos jogos internacionais.
A TRAJETÓRIA INTERNACIONAL SANTISTA
Até ocorreram torneios internacionais (organizados pela FPF) jogados e vencidos pelo Santos no Brasil, a destacar vitórias imponentes. Contudo, o começo da trajetória do Santos em gramados do exterior foi entre 1954-1955, um Batismo Internacional, sem muitas pompas, diferente do que estava por vir… 
Com o Brasil Campeão do Mundo em 1958, na Suécia, o mercado internacional foi aberto para os times brasileiros. O Santos que tinha três santistas no elenco, foi um dos mais beneficiados, e uma nova perspectiva foi iniciada. Nos anos de 1959 a 1961, as portas do mundo se abriram de forma coesa para o Santos, houve a consolidação entre os maiores clubes do mundo. Já nessa fase o Alvinegro foi alcunhado de “La meilleuré équipu du Monde” pela imprensa estrangeira criadora da Copa dos Campeões da Europa (France Football/L’Equipe, França).
Almejar desempenhos proveitosos contra grandes adversários estrangeiros, era um conceito de valor da época, comumente alcunhado de Feito Internacional. Os clubes passaram a obter vanguardas pessoais, cada qual provocando determinado impacto de futebol, revolucionário com um modelo, geralmente, trazendo uma nova proposta de futebol. Com as conquistas do Bicampeonato da Libertadores e do Bicampeonato Mundial, entre 1962 e 1963, o Santos provou a magnitude de seu futebol e motivou ainda mais convites para apresentações ao redor do globo terrestre. Todos queriam apreciar o Futebol Arte. De ‘Melhor Time do Mundo’ o Santos passou a ter “status” de ‘Maior Clube do Mundo’. 
Nos anos de 1962 a 1967, popularizou o “soccer” global dando outra dimensão ao futebol brasileiro. De 1967 a 69, paralisando guerras, consolidou-se como mito (Gazzeta Dello Sport, Itália), um clube legendário (Kirkcer, Espanha), os santistas passaram a ser tratados como Deuses, em especial Pelé, a cada giro planetário feito pelos ‘Reis do Futebol’, eram correrias, gritarias, um fanatismo enlouquecido do público. Com o Tricampeonato Mundial da Seleção Brasileira em 1970, Pelé se tornou de fato o Rei do futebol, com outros tricampeões mundiais no elenco e uma reunião de craques, até 1974, foi a fase do Santos Globbetrothers.
O maior impacto global já feito na história por um clube de futebol (El Gráfico, Argentina). A caracterização do time mais famoso do mundo (D’Filme). Pelé se torna um Mito. O Santos como maior clube do mundo. Era o apogeu da Dinastia Santástico: além das inúmeras conquistas, desempenhos históricos através das excursões internacionais (1959 a 1974) faziam o Santos um dos melhores times do mundo por longos anos. Porém, um dia tudo termina. E somente em 1977, o Santos recuperou um pouco do seu prestigio por partidas no exterior, tendo seu último grande momento quando o contexto eram excursões internacionais, sobrepujando o futebol uruguaio, no começo dos anos 80.
Desde os anos 80 as excursões vinham perdendo força e aos poucos não eram mais um grande conceito de valor dos melhores clubes do mundo. Passando a ser meros amistosos, jogos de pré-temporadas em torneios de verão. Mesmo assim, o Santos continuo fazendo algumas rotas internacionais até o final do século XX.

Fontes e Referências:
Centro de Memória e Estatística do Santos FC;
Almanaque do Santos FC;
Jornal “A Gazeta Esportiva”
Livro “A Piramide Invertida” (Jonathan Wilson)
Livro “The Global Art of Soccer” (Richard Witzig).

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