A maior goleada pela Taça Libertadores

Published On 07/02/2017 | Jogos Históricos, Taça Libertadores
Por Ronaldo Silva,
São Paulo, 09/02/2017

O Santos reencontraria o time paraguaio, após 3 dias, quando haviam empatado por 1×1 em partida realizada em Assunção.
Esta partida era a última da fase de grupos, para o time santista um empate seria o necessário para avançar na competição, quanto o Cerro além da vitória precisava vencer com boa diferença de gols para superar o saldo de gols favorável ao Alvinegro Praiano, que era o grande favorito ao encontro.
Pelé, com problemas no joelho, não havia participado da partida no Paraguai e sua presença no encontro da Vila Belmiro estava garantido apenas para 45 minutos. A impressa paraguaia, em geral, classificou a atuação santista como decepcionante devido a ausência de Pelé. Uma oportunidade desperdiçada pelo Cerro Porteño de conquistar uma grande vitória, principalmente no primeiro tempo onde teve amplo domínio sobre o Santos.

O JOGO
O Santos começou dominando um Cerro que parecia jogar timidamente, mas seguro. Logo aos 6 minutos, numa falta dura de Monín em Pagão, a cerca de 5 metros da linha da grande área, Pepe abriu a contagem ao cobrá-la com força, direto para as redes. Perez não quis barreira e nem viu onde a bola passou.
Mas uma reação objetiva e perigosa do Cerro Porteño levou-o ao empate aos 20 minutos, quando Jara recebeu a bola na área, depois de uma excelente combinação entre Pavón e Insfrán, e de sem pulo enfiou-a no gol de Laércio, sem nenhuma possibilidade de defesa.
Até os 33 minutos, os paraguaios tomaram conta do campo e só não marcaram gols por azar de seus atacantes e boas defesas de Laércio ou anuladas pelo zagueiro Calvet. O Santos encontrou dificuldade para dominar o jogo nesse período, o Cerro imprimiu uma velocidade ao jogo que confundiu a defesa santista em algumas oportunidades, independente da superioridade técnica do time da Vila Belmiro, o jogo estava equilibrado.
Zito e Mengálvio executavam um ótimo trabalho no meio de campo, mas faltava capacidade de penetração e a equipe não conseguia finalizar no gol paraguaio.
Nessa altura, entretanto, talvez espantado pela dureza do jogo, talvez impressionado pelo com a torcida que gritava o nome de Pelé. Lula resolveu colocar Pelé, ainda que sem as melhores condições em seu joelho, em substituição à Pagão.
Aos 34 minutos, Pelé entrou e nem chegou a tocar na bola quando, aos 35 minutos, o Santos desempatou numa excelente jogada de Dorval que driblou dois na direita e centrou sob medida, forte, para Coutinho pular com o corpo paralelo ao solo e meter a cabeça: 2×1. O Santos, tendo Pelé como maestro, reassumiu o domínio absoluto da partida e esta alteração na dinâmica do ataque santista se revelaria no segundo tempo.
SEGUNDO TEMPO
Com os paraguaios completamente desorientados e sentindo um visível desgaste físico desde o ínicio, ao passo que o Santos manteve o mesmo ritmo de movimentação executada no primeiro tempo. O Alvinegro revelou extraordinário potencial ofensivo com a decisiva participação de Pelé que foi o grande responsável pela mudança de panorama do encontro. As tabelas executadas pelo ataque santista, com a colaboração do capitão Zito, que fez uma excelente partida, desorganizaram completamente o Cerro Porteño, um time sem forças para atacar e com imensa dificuladade para se defender.
A goleada santista começou a se desenhar cedo, aos 9 minutos, quando Pelé passou a bola para Mengálvio, que fintou um adversário e entregou para Coutinho, livre, chutar rasteiro, no fundo do gol. Aos 12 minutos, o juiz argentino Jorge Luis Pradauddi que atuava bem não assinalou um pênalti claro para o Santos quando Cantero segurou Pepe com tal força que rasgou-lhe o calção e a camisa dentro da área. Parece que ficou sem jeito quando Pepe saiu para trocar de roupa e a torcida gritava “Ladrão!”, descontrolando-se daí por diante.
Aos 16, Dorval recebeu a bola de Zito, passou por um adversário e da linha de fundo centrou. O goleiro rebateu e a bola chegou até Pelé , num golpe de cabeça colocou dentro do gol vazio. O quinto gol santista foi assinaldo numa vacilada de um jogador paraguaio desarmado por Pelé que entrou sozinho na área, esperou o goleiro sair da meta e finalizar com categoria. Aos 27 minutos, Pepe recebe um passe de Coutinho vai na corrida até a linha de fundo, e, próximo à meta, chuta com violência, no alto.
O placar da Vila Belmiro já assinalava 6×1 para euforia do público presente. Aos 35 minutos, o grande capitão santista Zito  foi coroado ao receber uma bola de Pelé e entrar com decisão na área e chutar sem defesa para Pérez. O Santos não perdia o instinto ofensivo e seguia atacando o pobre time paraguaio que pedia clemência, mas o árbitro argentino assinalou, desta vez, penalidade máxima quando Pepe foi derrubado por Monge ao entrar na área. O próprio Canhão da Vila, aos 40 minutos, se encarregou da cobrança e marcar o oitavo gol. Para encerrar a magnífica partida realizada pelo time santista, aos 44, Pelé passou por dois marcadores e entregou a bola para Coutinho que teve apenas o trabalho de empurrar para o fundo das redes e decretar o placar final, um elástico 9×1.
Com esta grande goleada sobre o Cerro Porteño, o Santos se classificou para a disputa da semifinal da Taça Libertadores da América juntamente com os rivais uruguaios Peñarol e Nacional e o campeão chileno Universidad Católica. Seria promovido um sorteio para definir os dois confrontos, mas o alvinegro praiano demonstrou todo seu poderio para a busca da conquista continental. Esta é a maior goleada imposta por um clube brasileiro em toda história da Taça Libertadores da América, foi a maior vitória dentro da competição até 1970 quando o Peñarol venceu o Valencia (Venezuela) por 11×2.

Ficha Técnica:
28/02/1962 – Santos 9 x 1 Cerro Porteño-PAR
Gols: Pepe (f) aos 6min e Jara aos 19min e Coutinho aos 35min do primeiro tempo; Coutinho aos 9min e 44min, Pelé aos 14min e 24min, Pepe aos 27min e (p) aos 41min e Zito aos 35min do segundo tempo
Local: Estádio Vila Belmiro, em Santos
Competição: Taça Libertadores da América
Renda: Cr$ 2.065.650,00
Público: 10.547
Árbitro: Jorge Luis Pradauddi (Argentina)
Assistentes: João Etzel e Olten Aires de Abreu (Brasil)
SFC: Laércio (Silas); Lima, Olavo e Getúlio; Calvet e Zito; Dorval, Mengálvio, Pagão (Pelé), Coutinho e Pepe. Técnico: Lula
CCP: Pérez; Cantero, Monges e Breglia; Monín e Martinez; Pavón, Insfrán, Jara, Rojas e Cabrera. Técnico: Vessilio Bártoli Marcos

Fontes e referências:
Almanaque do Santos FC;
Jornal “O Estado de São Paulo”;
Jornal “Folha de São Paulo”;
Jornal do Brasil

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