A maior goleada sobre um time argentino

Published On 18/05/2014 | Histórias, Jogos Históricos
Por Gabriel Santana
Santos, 18/05/2014
Atualizado, 03/02/2016

Em 1962, disputando o Triangular de Buenos Aires, o time santista realizou um grande feito, e aplicou a maior goleada de sua história sobre uma equipe argentina.
Com maestria, Odir Cunha nos contou detalhadamente essa história:

 Racing-ARG 3 x 8 Santos
“Contra o campeão, lá!
Todos hão de concordar que, bem mais difícil do que golear um time argentino no Brasil, é goleá-lo quando este atua diante de sua torcida. Mais complicado ainda é arrasar um campeão, um time de ótimos jogadores e muita personalidade.
Pois foi isso que aconteceu em 3 de fevereiro de 1962, quando o Racing, campeão argentino de 1961, ofereceu uma bolsa milionária ao Santos para que este fosse a Buenos Aires para um tira-teima histórico.
É importante lembrar que à época esses amistosos, dependendo das equipes que reuniam, tinham uma importância maior do que jogos oficiais. Revestiam-se de pompa e eram acompanhados por multidões de torcedores, sem contar a presença maciça dos jornalistas esportivos.
É fácil imaginar a pressão que um time brasileiro sofre em partidas assim, quando o adversário, ainda cheio de fôlego e energia, aproveita o apoio da torcida para tentar definir o jogo nos primeiros minutos. Nesta circunstância, os visitantes costumam se fechar na defesa e jogar em contra-ataques. Bem, mas o Santos não era um time comum e não gostava de ser pressionado. Assim, foi ele quem tomou a iniciativa do jogo, inaugurando o marcador logo aos dois minutos, com Coutinho. O mesmo Coutinho fez 2 a 0 aos nove, e dois minutos depois Pepe ampliou para 3 a 0. A torcida não queria acreditar: em 11 minutos o conceituado campeão argentino perdia por 3 a 0, em casa.
O zagueiro Anido foi substituído por Cielinkski, mas a situação não melhorou muito para o Racing, pois o jogador que entrou acabou marcando um gol contra, elevando o marcador para 4 a 0. Antes de terminar o primeiro tempo, porém, aproveitando a acomodação do Santos, Sosa marcou o primeiro gol para os argentinos.
Cardenas voltou para o segundo tempo no lugar de Mansilla, e foi ele quem, logo aos quatro minutos, marcou o segundo gol do Racing. Oito minutos mais e Belém fez o terceiro, incendiando o estádio.
O empate iminente eletrizou os argentinos, mas o Santos era frio nos momentos decisivos. Aos 19 minutos, em um contra-ataque, Pelé marcou o quinto gol santista.
O Racing, então, se descontrolou um pouco, o suficiente para que Coutinho ampliasse para 6 a 3 quatro minutos depois. Em uma partida com tantos gols, uma nova reação argentina não seria impossível… até que Pepe, aos 33 minutos, fez 7 a 3.
Nos 10 minutos finais, aplaudido pelos torcedores, o Santos tocou a bola de pé em pé, com uma categoria que continuou a mesma após as entradas de Gylmar, Getúlio, Tite e Pagão. Para completar, aos 42 minutos, Pepe marcou mais um gol, encerrando com inacreditáveis 8 a 3 a contagem do esperado confronto entre os times campeões de Brasil e Argentina.
Mais do que a acachapante goleada, a beleza e a eficiência do futebol santista cativaram os exigentes críticos argentinos. No outro dia, os jornais saíam com manchetes como estas: “Foi 4-2-4, mas que intérpretes!”, “O Santos é o próprio futebol”, “Não é possível se exigir mais”, “Contra o Santos, nem o Diabo!”.
Sim, 8 a 3, em Buenos Aires, contra o Racing, campeão argentino. É preciso repetir, para que ninguém pense que é invenção. Por isso é que eu digo que, ao contar a história do Santos, é preciso medir bem as palavras, pois pode parecer arrogância.”
Ficha Técnica:
03/02/1962 – Racing-ARG 3 x 8 Santos
Gols: Coutinho aos 2min e aos 9min, Pepe aos 11min, Cielinkski (c) aos 43min e Sosa aos 40min do primeiro tempo; Cardenas aos 4min, Belém aos 12min, Pele aos 19min, Coutinho aos 23min, Pepe aos 33min e aos 42min do segundo tempo.
Local: Estádio Monumental de Nuñez, em Buenos Aires, Argentina.
Público: 50.000 aproximadamente
Renda: 3.933.360 pesos ou Cr$ 19.350.000,00
Árbitro: Juan Carlos Pradaude
Santos: Laércio (Gylmar); Lima, Olavo, Calvet e Décio Brito; Zito (Getulio) e Mengálvio (Tite); Dorval, Coutinho (Pagão), Pelé e Pepe. Técnico: Lula
Racing: Negri, Bianco (Silas), Anido (Cielinkski) e Messias; Peano (Marsetta) e Sacchi; Corbata, Pizutti, Mansilla (Cardenas), Sosa e Belém
Fontes e Referências:
Blog do Odir Cunha;
Almanaque do Santos, de Guilherme Nascimento;

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