A Noite Estrelada

Published On 10/01/2017 | Jogos Históricos
Por Ronaldo Silva,
Santos, 10/01/2017

O charmoso Torneio Rio-São Paulo que remete à Era de Ouro do futebol brasileiro iniciou a temporada de 1997 com grande interesse por parte das torcidas, que compareceram em bom número nos clássicos realizados, e também foram recompensadas com partidas de bom nível técnico.
O Santos passava por um longo jejum de conquistas que havia completado 12 anos. Iniciava a temporada com uma equipe remodelada com a vinda de alguns reforços sob a orientação do principal treinador do país, Wanderley Luxemburgo. O time santista conseguiu chegar à decisão praticando um futebol organizado e teria como seu oponente o popular Flamengo que contava com Romário.
Na primeira partida da decisão realizada no Morumbi, o Alvinegro conseguiu uma grande vitória por 2×1 com gols de Alessandro e Macedo, que proporcionaram para a partida decisiva a chance de apenas com um empate sair do Maracanã com a conquista da taça.

O JOGO
Uma grande decisão a ser realizada no palco que já havia proporcionado grandes conquistas ao Santos, que desta vez não contaria com o apoio do público carioca nas arquibancadas, que com grande presença pintou o Maracanã de rubro-negro e confiava especialmente na dupla Sávio e Romário.
O vitorioso Wanderley Luxemburgo soube trabalhar a equipe santista para esse cenário da decisão, afirmava que a melhor maneira de sair com o título seria buscar a vitória e contaria com o importante desfalque do coordenador de jogadas Robert.
O Santos apontou no gramado com sua tradicional camiseta branca e vestindo o inconfundível calção preto com estrelas brancas, que representavam as glórias passadas que tanto ansiava a torcida santista reviver.
A partida começou com o Flamengo contando com o grande incentivo das arquibancadas buscando a todo custo desde o início reverter a vantagem de empate que o Santos possuía. Porém, com uma equipe bem postada e conseguindo manter a posse de bola o time santista começou a criar oportunidades de abrir o marcador principalmente com o arisco atacante Alessandro que deu um grande trabalho para a zaga flamenguista.
A primeira etapa transcorria com o time de Luxemburgo praticando um futebol organizado e com domínio das ações, quando aos 33 minutos, surge uma falta para o Santos sofrida por Piá, numa saída de contra ataque. O lateral Anderson Lima se encarregou da cobrança, e com um chute potente e preciso conseguiu vencer o goleiro Zé Carlos e abriu o marcador para o Alvinegro. O gol ampliava a vantagem santista, e emudecia o Maracanã.

Anderson Lima fez a festa após marcar o tento inaugural da partida! (Foto/Arquivo Santos FC)

O Flamengo, com essa desvantagem, partiu para o tudo ou nada, e numa jogada de Lúcio pela direita, o zagueiro Ronaldão cometeu pênalti em Sávio. Cobrança perfeita de Romário, para igualar o marcador, aos 37 minutos.
O Santos se desestabilizou no gramado e demonstrou ter sentido o empate, com isso, o Flamengo continuou pressionando.
Novamente Sávio conduzindo a bola pela esquerda se desvencilhou da marcação de Anderson Lima e cruzou rasteiro para Romário, no seu estilo, se antecipar a zaga e dentro da pequena área, vencer Zetti, e virar o marcador no final da primeira etapa e explodir a festa flamenguista.
SEGUNDO TEMPO
O reinício da segunda etapa demonstrou que Luxemburgo havia conseguido alterar a atitude de seus jogadores que através de um ótimo toque de bola novamente reequilibraram a decisão. Ambas equipes se alternavam na busca da vitória.
Logo no início numa jogada pelo lado esquerdo do ataque flamenguista, o arisco Lúcio teve uma grande oportunidade de assinalar o terceiro gol rubro-negro, que foi salvo por Ronaldão. O Santos teve vantagem numérica com a quinta falta de Bruno Quadros que foi excluído por cinco minutos devido a regra do torneio, e a equipe explorou o cansaço de alguns jogadores do Flamengo e teve uma grande oportunidade de alcançar o empate numa cabeçada muito perigosa de Macedo, que contou com um defesa salvadora de Zé Carlos.
Luxemburgo pedia para sua equipe seguir no ataque, já havia sacado o lateral-esquerdo Rogério Seves e colocado em campo o atacante Juari. Os minutos passavam e seguia o domínio santista que irritava o grande público no Maracanã, mas o gol de empate não surgia.
Numa investida pelo lado esquerdo com Alessandro, contida pelo zagueiro Júnior Baiano, o Alvinegro ganhou em uma cobrança de escanteio, uma nova chance de igualar o marcador. A cobrança foi efetuada por Piá, e a bola desviada de cabeça para fora da área novamente por Júnior Baiano, encontrou Juari, que arriscou de longe um belíssimo tiro no ângulo, com endereço das redes de Zé Carlos. Um autêntico golaço que empatava a partida. O empate foi comemorado com euforia por jogadores e por Luxemburgo, que havia sido arrojado com a entrada do atacante.
O empate garantia o título para o time Alvinegro, a pequena torcida santista no Maracanã fazia a festa e sabia que teria pela frente ainda 13 minutos que separavam do título.
Este restante da partida demorou uma eternidade para os santistas, que depois de tantos anos queriam rever o Santos Campeão.
A equipe com personalidade e comprovando sua superioridade nas duas partidas da decisão com a presença dos experientes Zetti e Ronaldão na retaguarda, conseguiu anular totalmente o Flamengo até o apito final.
A torcida do Santos, enfim, poderia soltar o grito e fazer a festa. O título tornou o Alvinegro o maior vencedor do Torneio Rio-São Paulo, com cinco conquistas.
O Santos iluminou o céu carioca com suas estrelas e fez renascer a esperança de novas taças na Vila Belmiro.

Ficha Técnica:
06/02/1997 – Flamengo 2 x 2 Santos
Gols: Anderson Lima (f) aos 33min, Romário (p) aos 37min e aos 45min do primeiro tempo; Juari aos 32min do segundo tempo
Local: Estádio do Maracanã, no Rio de Janeiro
Competição: Torneio Rio-São Paulo
Renda: R$ 775.555,00
Público: 70.729
Árbitro: Oscar Roberto de Godói
SFC: Zetti; Anderson Lima (Baiano), Sandro, Ronaldão e Rogério Seves (Juari); Marcos Assunção, Vagner, Alexandre (Caíco) e Piá; Macedo e Alessandro. Técnico: Wanderlei Luxemburgo
CRF: Zé Carlos; Fábio Baiano, Júnior Baiano, Fabiano e Gilberto (Leonardo); Moacir, Bruno Quadros (Iranildo), Lúcio (Márcio Costa) e Nélio; Romário e Sávio. Técnico: Júnior

Fontes e referências:
Almanaque do Santos FC;
Jornal “O Estado de São Paulo”;
Jornal “Folha de São Paulo”;
Revista Placar

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