A Nona Década (1992-2002)

Published On 06/07/2016 | Décadas
Por Kadw Gommes
Santos, 06/07/2016

POLÍTICA “PÊS NO CHÃO”
O MELHOR TIME DO BRASIL EM 1995
RECONQUISTAS E A BASE DO HEXA-BRASILEIRO
Estava estampada uma das maiores crises da história do Santos FC, pelos primeiros anos da década de 1990, tanto no aspecto técnico quanto financeiro. Algo assim, só tivera ocorrido entre 1937 a 1945. Nesse primeiro período, nenhuma campanha relevante foi registrada, a melhor delas uma 5º colocação no Brasileiro de 1993. No mais, a rotina era ser eliminado antes das fases finais da Copa do Brasil, Supercopa e Torneio RJ-SP, ou fracas colocações nos Campeonatos Paulista e Brasileiro.
A crise econômica do clube era progressiva e o sentimento de abandono em cada santista ficou evidenciado com a torcida se afastando das arquibancadas. Eram tempos em que as alegrias se davam nas boas atuações esporádicos e nos gols de Paulinho MacLarem e Guga (ambos artilheiros do Campeonato Brasileiro, em 1991 e 93, respectivamente), o que não substituía a falta de um título importante.
As primeiras mudanças começaram a ocorrer em 1994. O momento era de uma recuperação do clube, necessitava-se de uma reciclagem e conduta que levasse o Santos FC de volta as conquistas e o prestigio. Em meio à crise passava a vigorar a política “pês no chão”, sob a presidência de Samir. Pouco a pouco, o clube retomava seu trabalho na base e formou-se um grupo que entraria para a história: Edinho (filho de Pelé) que subiu para o time titular, o maestro e ídolo-símbolo Giovanni, Narciso, Marcelo Passos e Jamelli deram a cara de um time de guerreiros. Sob comando de Cabralzinho.
A equipe brancaleone encantou o Brasil em 1995, com um futebol bonito, empolgante e aguerrido, ao qual destacou-se uma virada histórica – após sofrer um 4×1 no Maracanã/RJ – na semifinal diante do Fluminense, por 5 a 2 no Pacaembu/SP. Na finalíssima, o Santos (recordista de artilharias do Campeonato Nacional: 1961, 64, 68, 73, 74 e 95), acabou como vice-campeão Brasileiro devido as falhas de arbitragem. A Revista do Futebol invocou polemica ao publicar o pôster do Botafogo campeão e outro do Santos apontado como o melhor time do Brasil. A Revista Placar, elegeu os esquadrões num especial de 35 anos através de um colégio eleitoral, e o único time de 95 lembrado foi o Alvinegro praiano. Apesar da perda do Brasileiro/95, bastante sentida, o sentimento de esperança e as mudanças eram cada vez mais evidentes. Praticamente todo o dinheiro que entrava era investido na base e na infraestrutura do clube. Pelé que chegou a treinar o time de garotos – mais no sentido de motivação – era o grande nome da direção santista.
O retorno de equipes competitivas era um processo progressivo e novamente o clube firmou-se como um dos melhores do Brasil. A reconquista de títulos oficiais se deu na aspiração do Torneio Rio-São Paulo de 1997, batendo o Flamengo de Romário e levantando a taça no Maracanã/RJ (2 a 1 e 2 a 2), tornando o Santos FC o recordista de títulos do torneio interestadual (1959, 63, 64, 66 e 97). Feitos históricos também foram estabelecidos, como o recorde mundial de 10 mil gols, em outubro do mesmo ano.
No ano seguinte, a equipe chegou às semifinais da Copa do Brasil, do Torneio RJ-SP e do Campeonato Brasileiro em que terminou na 3º colocação. E após algumas décadas, voltou a conquistar novamente um título internacional: a Copa Conmebol de 1998, após vencer o Rosário Central-ARG (1 a 0 e 0 a 0), numa decisão denominada como a Batalha de Rosário! Foi o Terceiro Momento Internacional do clube historicamente (1962-63, 1968-69 e 1998), ao qual passou a ser o único na história a vencer quatro conquistas internacionais (duas Libertadores, uma Supercopa e a Conmebol) oficiais dentro da Argentina. Pelos estádios: Monumental de Nuñez, La Bombonera, El Cilindro e Rosário. Já em 1999, pouco foi feito, o time apenas acabou semifinalista do estadual e vice-campeão do Torneio Rio-São Paulo.
Partidas de caráter internacional sempre fizeram parte da história santista e algumas tiveram relevância nessa década. Fator comprovante que, mesmo longe de seus tempos áureos, o Santos consegue momentos relevantes no âmbito global. De 1994-96, triunfo por 3 a 1 frente ao Parma/ITÁ (campeão da Recopa, Copa e Supercopa da UEFA), eliminou o campeão uruguaio Peñarol (2×1 e 3×0) e o campeão colombiano/vice da Libertadores Atlético Nacional (2×0 e 1×3), ambos pelo torneio de campeões Sul-Americanos. De 1997-99, superou (2×2 e 3×2) o Racing/ARG, obteve vitória de 3 a 2 na Roma/ITÁ no estádio Olímpico, e 4 a 1 no Ajax/HOL no Amsterdã Arena, denotando-se como o clube brasileiro que mais venceu campeões da Liga dos Campeões da UEFA.
O ano de 2000, ficou marcado pelas contrações de peso, com diversos atletas de custo elevado aterrando na Vila Belmiro: Rincón, Marcio Santos, Galvan, Carlos Germano, Valdo, Dodô, Edmundo, entre outros. O mandatário Marcelo Teixeira, tentava voltar ao antigo regime de contratações, pouco investindo na base, apesar de grandes transformações feitas na gestão anterior para que um trabalho nas canteiras fosse aperfeiçoado. E com medalhões o Santos patinou, não obtendo resultados satisfatórios, no máximo ocorre um decepcionante vice-campeonato paulista.
Entretanto, o último ano do século, também foi expressivo historicamente, com o clube sendo reconhecido pela sua gloriosa trajetória de conquistas e contribuições ao futebol. Em 11 de dezembro, o Santos FC foi condecorado pela FIFA como o Maior Clube do Século XX nas Américas e um dos seis mais notáveis clubes do futebol mundial. Para 2001, não se imaginava que se prosperava um ano no qual se formava uma espinha dorsal de excelência, com Fábio Costa, André Luís, Léo, Renato, Elano, Paulo Almeida e Deivid. As atenções ficaram todas voltadas para a parte traumática, na qual o clube encaminhava-se para um possível título estadual, até que faltando 10 segundos para o fim, acabou tendo adiado o sonho da conquista.
Aquela derrota acabou deixando o SFC instável, a equipe não se achou mais durante todo o ano e a situação que parecia melhorar agora voltava a ser crítica. As torcidas organizadas cobraram o time e a direção e, num protesto que duraria por mais de um ano, as faixas foram colocadas invertidas, de cabeça para baixo. Para a próxima temporada o Santos se encontra sem capital financeiro para contratar, numa pressão constante por grandes conquistas e, diante disso, só poderia contar com a força dos meninos da Vila. Com eles em campo, as faixas voltariam ao normal no final de 2002, já em outra década.

Fontes e Referências:
Almanaque do Santos FC (Guilherme Nascimento);
Centro de Memória e Estatísticas do Santos FC (Guilherme Guarche);
Livro Time dos Sonhos (Odir Cunha);
ASSOPHIS;
Jornal A TRIBUNA de Santos;

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