A Oitava Década (1982-1992)

Published On 02/07/2016 | Décadas
Por Kadw Gommes
Santos, 02/07/2016

ENTRE OS MELHORES TIMES DO PAÍS
FEIOS, SUJOS, MALVADOS E CAMPEÕES
RETROCESSO NA POLITICA E NOS RESULTADOS
Os títulos do passado foram importantes para manter o prestigio e a condição de clube mais vencedor do futebol brasileiro historicamente. Corrobore, alcunha de reconhecimento, ao qual o Santos FC foi conceituado Campeão do Cinquentenário do Profissionalismo (1933-1982).
A grandeza histórica, todavia, não era demonstrada nos primeiros anos da década. A fraca campanha no Paulista de 1982, demonstrou grande fragilidade no time e a necessidade de um fortalecimento técnico no elenco. Diante disso, o presidente santista Milton Teixeira aplicou um investimento em jogadores de qualidade com experiência, promovendo contratações importantes para o Campeonato Brasileiro de 1983. Chegaram à Vila Belmiro: Serginho Chulapa, Paulo Isidoro, Toninho Oliveira, Dema e Lino. O SFC logo passou a ser competitivo, transformou-se numa das melhores equipes do Brasil no período (1983/84), conseguindo títulos, campanhas relevantes e enfrentando de igual para igual, os grandes esquadrões do começo da década.
Com uma expressiva jornada nacional e destacado triunfo na semifinal, perante o Atlético MG de Reinaldo, Éder, Nelinho e Luizinho, uma das bases da seleção Brasileira de 1982 (por 2 a 1 em SP e 0 a 0 em MG), o SFC acabou como vice-campeão brasileiro de 1983. Tornou-se assim, o primeiro clube historicamente a disputar oito decisões nacionais, as finais ocorreram nos anos de 59, 61, 62, 63, 64, 65, 66 e 83. O que fez do SFC na época o clube com maior número de qualificações elevadas na história do futebol brasileiro, com seis conquistas (61-62-63-64-65-68) e três vice-campeonatos (59-66-83). Jogadores como Pita e João Paulo, que não estariam na conquista de 84, se destacaram e representaram a seleção nacional. Outro fato importante foi a excepcional torcida santista, que alcançou dentre paulistas, a maior média de público de uma edição do Campeonato Brasileiro/83, com 49.306 pagantes por jogo. Apesar de grande expectativa, o retorno a Libertadores em 1984 foi desastroso. Derrotas para o Flamengo foram bastante sentidas e, ao fim, resultante desclassificação.
Entrava em cena um Santos menos bonzinho, os “Feios, Sujos e Malvados” na definição do historiador Roberto Torero, para o estadual de 1984. Com à ajuda de Pelé (que emprestou dinheiro ao clube), chegava para o segundo semestre do ano, o lendário goleiro Rodolfo Rodriguez. Era o que o time precisava, com um elenco forte, liderado por Serginho e Rodolfo, o Santos conquistou com brilhantismo o Campeonato Paulista de 1984. A belíssima campanha foi premiada na vitória diante do Corinthians por 1 a 0, gol do artilheiro do campeonato Serginho Chulapa, na partida final. Comprovando a força e a valorização da equipe, muitos jogadores santistas foram convocados para a Seleção Brasileira no período, como os zagueiros Márcio Rossini e Toninho Carlos, os meio-campistas Dema e Paulo Isidoro, e o atacante Zé Sérgio. Além do goleiro Rodolfo Rodriguez pela celeste uruguaia. Apesar da conquista e do qualificado quadro que compunha, o SFC vivia num problema financeiro crônico decorrente na década, e tentando amenizar e obter recursos, o clube procurava excursionar com intensidade, produzindo relevantes feitos internacionais.
Os Triunfos sobre o Futebol Uruguaio foram os grandes momentos internacionais da equipe na primeira metade da década de 1980. É o único clube brasileiro na história a vencer e se manter invicto num mesmo período (1983-85), as grandes potencias futebolísticas uruguaias: a equipe do Nacional-URU (campeão nacional) por 2 a 1, do Peñarol-URU (então campeão da Libertadores e Mundial) por 3 a 0, e a Seleção Uruguaia dos craques Da Silva, Aguilera e Cabrera, por 4 a 2. Conquistando em belas performances os títulos internacionais da Taça Vencedores da América de 1983 e da Copa Kirin de 1985.
Jornais nacionais e estrangeiros acentuaram a repercussão e o prestigio internacional das vitorias diante das potencias uruguaias. O jornal La Mañana deu nota: Glorioso Campeón. O El diário ficou impressionado com a garra do Santos: “foi algo que não se via há muito tempo nas equipes brasileiras”. O El país destacou: os uruguaios tiveram a impressão, em certos momentos, de estar revendo o grande Santos dos anos 60. A Folha de SP após vitória contra a celeste descreveu: “o prestigio internacional do futebol do Santos está em alta, com a conquista de campeão internacional em Tóquio”. Antes, a equipe havia conquistado o Torneio Cidade de Barcelona em 1983, na Espanha.
Depois de vultosas performances nacionais e internacionais o time voltou a decair, com a crise econômica se intensificando em 1985. Pouco a pouco, o forte elenco foi se desfazendo, a perda mais sentida foi a do artilheiro Serginho, que retornaria em 1986. Com a volta dele, compondo com De León, Dunga, a revelação de César Sampaio, o Santos venceu o 1º turno do Paulista, mas ficou nisso. As esperanças se renovaram em 1987, com o time vencendo o Torneio Cidade de Marseille, na França, e depois a fase de classificação do estadual, porem acabou ficando nas semifinais. Em 24 de maio do mesmo ano, o clube havia atingido a marca histórica de 9.000 gols, feito único na história do futebol mundial na época.
Embora tendo contado com jogadores renomados, como Sampaio e Dunga (dupla de volantes campeões do mundo pela seleção/94), Sérgio Guedes, Wladimir, a volta de Juary e Serginho, Paulinho, além do Dr. Sócrates que veio na incumbência de tentar recuperar o prestigio do clube, mesmo já não sendo o grande jogador de outros tempos, entre 1988-1992 uma terrível crise técnica assombrou o Alvinegro. O clube acabou tendo anos decepcionantes e nenhuma grande campanha foi registrada. A realidade política do clube era uma dinâmica tradicional desde a saída de Athiê: o Santos elegia presidentes ricos, que dispunham dinheiro do próprio bolso para sanar financias e contratar jogadores, com a perspectiva de recuperar o investimento durante o mandato, o que não ocorria.
Mesmo enfrentando significativos problemas, pode-se também identificar brio, pois dentre algumas excursões na tentativa de fazer caixa, o SFC acabou contribuindo na popularização do futebol Chinês (pioneiro em 1989). Se tornou também, o primeiro a atingir a marca de 4.000 jogos disputados com sua equipe principal, no dia 29/08/1989, no jogo diante do Fosham F.T./China. A passagem de Sócrates encerrou nesse ano. Ademais, o Santos tornou-se o clube que mais enfrentou e venceu seleções nacionais na história (62 jogos e 46 vitórias), e o que mais enfrentou e venceu seleções que disputaram Copas do Mundo (31 seleções diferentes e 22 triunfos). A Super Copa Americana (China) em 90, torneio oficioso, foi a única conquista. Mas, os anos relatados e os que seguem, foram mesmo temporadas de sofrimento e angustia. O que resultou num afastamento da torcida. A nova década traria tempos de política “pés no chão”.

Fontes e Referências:
Almanaque do Santos FC (Guilherme Nascimento);
Centro de Memória e Estatísticas do Santos FC (Guilherme Guarche);
Livro Time dos Sonhos (Odir Cunha);
ASSOPHIS;
Jornal A TRIBUNA de Santos;

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