A Primeira Década (1912-1922)

Published On 09/04/2016 | Décadas
Por Kadw Gommes
Santos, 09/04/2016

FUNDAÇÃO DO CLUBE
O TEMPLO DO FUTEBOL: VILA BELMIRO
PRIMEIRA GERAÇÃO DE CRAQUES E CONQUISTAS
Fundado numa tarde de domingo, no dia 04 de abril de 1912, o Santos nasceu predestinado aos grandes espetáculos, aos feitos sublimes e aos títulos monumentais. Antecedendo seu nascimento, a cidade já contava com outros times que disputavam regularmente o Campeonato Paulista no início do século XX. Os mais fortes eram o CA Internacional e o SC Americano (que participou de todos os Paulistas entre 1906 a 1910). Seria do poderoso Americano, clube reconhecido por seus craques e glorias, as influencias santistas. Este time foi pioneiro através de excursões à Argentina e ao Uruguai, obtendo sucesso incontestável. Em 1911, mudou sua sede para a capital, deixando a cidade litorânea sem uma representatividade futebolística.
Foi da inconformidade com a ausência de um clube para representar a cidade de Santos, que os jovens Raymundo Marques, Mário Ferras de Campos e Argemiro Souza Junior promoveram uma reunião com outros colegas – todos estudantes ou funcionários de empresas de comércio – para fundar o Santos Foot Ball Club (SFBC). De início, era tricolor apenas no papel, atuando com camisas e braçadeiras em azul e amarelo, nas primeiras partidas. O time também contava com uma boa estrutura, usufruindo de um campo de treino (na rua Aguiar de Andrade, Vila macuco) e um outro para partidas oficiais, na avenida Ana Costa (que pertencia ao CA Internacional).
Numa primeira apresentação (considerada no Almanaque de número zero), uma vitória por 2×1 contra um combinado de Santos. Já a primeira partida oficial foi contra o Santos AC, obtendo triunfo em 3 a 2 sobre o clube da colônia inglesa. Logo no primeiro ano, foi conquistado a primeira taça, no êxito por 1 a 0 contra o Scratch Inglês. Pela dificuldade de achar camisas de cores tão extravagantes (listras em azul e branco com frisos dourados) a ideia inicial foi abandonada, e o clube passou a ser alvinegro (camisas listradas).
Em 1913, foram registrados os primeiros acontecimentos importantes da evolução do clube. Mostrando ser a principal força da cidade, o time conquistou de forma invicta o Campeonato Santista. Nomes como de Urbano Caldeira e Haroldo Cross tem notoriedade. Numa prova de seu pioneirismo pela integração racial, atletas negros foram aceitos no clube e atuaram ao lado dos filhos dos comerciantes e exportadores. No mesmo ano, certamente pela ligação ao Americano, foi prestigiado a participar do Campeonato Paulista, sem a necessidade de passar por seletivas (uma espécie de 2º divisão) como o alvinegro da capital. Numa primeira partida oficial contra o próprio Corinthians, goleou aquele que seria um de seus maiores rivais por 6 a 3. Entre 1913 a 1919, mostrando um nível técnico mais elevado, o Santos se manteria invicto por partidas oficiais frente ao alvinegro paulistano.
Em 1915, atuando com o nome de União FC, pois estava filiado a APEA e não podia utilizar seu nome real, foi novamente campeão da cidade de Santos de forma invicta. Depois mudou seu nome para Santos Football Club (SFC). Todas estas nomenclaturas estão nas gêneses do clube. No primeiro encontro, contra um outro futuro rival, nova goleada, agora por 7 a 0 sobre o Palestra Itália em pleno Parque Antártica. A partida que qualificaria o Palestra em caso de triunfo ao estadual, quase acarretou o fim das atividades do alviverde. Ratificando seu pioneirismo, o SFC inaugura um dos primeiros estádios particulares do Brasil, o Templo de Vila Belmiro, em 1916. Em homenagem ao São Cristóvão AC, pela primeira vez o clube atua com uniformes brancos no Rio de Janeiro. Em 1917, a Vila Belmiro recebeu a primeira partida internacional, a presença do Dublin FC (Uruguai) atraiu uma multidão entusiasmada ao campo do Santos FC.
Entre 1916 a 1919, o DNA ofensivo do time tem notoriedade, formou-se a primeira geração histórica do clube e iniciou-se um legado na Seleção Brasileira (CBD). A linha de frente composta pelos craques Adolpho Millon, Haroldo Domingues, Ary Patusca e Arnaldo Silveira ganhou fama como uma das mais temidas e valorosas do Brasil. Três destes futebolistas chegaram a Seleção Brasileira (Millon, Haroldo e Arnaldo), e fizeram do Santos FC o time que mais cedeu jogadores na primeira conquista do país, o Campeonato Sul-Americano de 1919. O centroavante Ary Patusca, ídolo da torcida e eximo cabeceador, melhor goleador do time em 7 temporadas (1915/16/17/18), conseguiu fama internacional.
Nos Campeonatos Paulistas de 1917 e 1918, mostrando expressiva capacidade técnica e competitividade, o Santos chegou perto de conquistar o primeiro título, mas esbarrou na arbitragem e nos próprios erros. Em 1917, foram 09 vitorias em 16 jogos, distribuindo algumas goleadas, como nos 7×0 diante do Ypiranga, obtendo a terceira colocação e o melhor ataque do certame. Em 1918, numa campanha belíssima que dispõe de 07 vitórias em 13 jogos, a maior destas ante o poderoso Paulistano, por 1 a 0, o time atinge o vice-campeonato paulista. A maior façanha da equipe ocorre pela Seleção Brasileira. Época em que o Brasil começava a se estabelecer no futebol e mais necessitava de contribuições para desenvolvimento, o SFC foi o clube paulistas com mais convocações de atletas no período (1916-1920). Nove no total, além dos citados: Constantino e Castelhano em 1920. Ao longo da década, a equipe também se aventurou contra adversários cariocas, em destaque as goleadas sobre o Flamengo (base da seleção brasileira) por 6×0, e sobre o Botafogo, então líder do Campeonato Carioca, por 8×2.
Em meio as façanhas vieram também as contrariedades infames do futebol, com o clube sendo prejudicado em campo contra o Corinthians, num dos episódios mais desonestos da história. O resultado entristeceu, outras peripécias ocorreram, o fim ativo de atletas valorosos causou enorme impacto. Contexto que provocou uma crise que se arrastou até aos primeiros anos da década de 20.

Fontes e Referências:
Almanaque do Santos FC (Guilherme Nascimento);
Centro de Memória e Estatísticas do Santos FC (Guilherme Guarche);
Livro Time dos Sonhos (Odir Cunha);
ASSOPHIS;
Jornal A TRIBUNA de Santos;

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