Geração Histórica e Revolução Ofensiva (1926-1931)!

Published On 18/09/2015 | Esquadrões - Times importantes
Por Kadw Gomes
Santos, 18/09/2015

A FAMA OS ESQUECEU…
Naqueles tempos, a Vila Belmiro encheu durante longos anos o coração dos mais aficionados. As façanhas do quadro santista correram mundo, perpetuando-se nos anais esportivos nacionais como marcos de glorias para o Brasil. Quantas vitorias, quantos dias fastuosos, fazendo descer na alma do torcedor a vibração incontida dos momentos dramáticos e inesquecíveis. Quanta alegria, quanto entusiasmo, que jamais serão esquecidos. O SFC era o próprio feito histórico do futebol brasileiro e a Vila Belmiro transformou-se num “espantalho”.
Na era amadora do futebol brasileiro, entre 1926 a 1931, o Santos F.C. apresentou ao Brasil e aos estrangeiros, sua primeira geração histórica e postulou dinastia de esquadrões possantes e famosos. A geração histórica formou um esquadrão postulante do maior lustro de excelência do soccer brasileiro e revolucionou o futebol ofensivo de época.

A FORMAÇÃO DO ESQUADRÃO

O genial Araken Patusca.

Para adequar o melhor conjunto, pouco a pouco foram concebendo uma torrente de craques de alto padrão futebolístico no campo de Vila Belmiro. De 1924 a 26, surgiram vultosos nomes da linha ofensiva mais potente da história: Araken Patusca foi o primeiro, depois Omar, Siriri e Camarão, todos estes do futebol de Santos, dando jovialidade a equipe. A antes problemática defensiva (1921-24) viraria trunfo (1928-31), com o aparecimento de Tuffy e do incomparável Athiê; o aguerrido Bilú passou a ter complemento do regular David e vice-versa. Apareceram craques de extrema autoridade técnica como os da linha média, Osvaldo e Alfredo. Além de Júlio, Hugo e do endiabrado Evangelista

Com camisas inusitadas, o Santos F.C. conquistou o Torneio Inicio (APEA) de 1926.

Conseguindo campanhas e triunfos marcantes a equipe já poderia ter alcançado o título entre as temporadas 1925 e 26. Porém, erros grosseiros (e suspeitos) da arbitragem foram decisivos para que a equipe fosse derrotada em prélios decisivos. O clube em alguns momentos chegou a recorrer ao Conselho Superior da Apea através de Urbano Caldeira. O desempenho de determinados árbitros foi tão parcial que o Conselho deu total razão ao Santos e excluiu elementos, como Cayuba Reis, do quadro de juízes da Apea. Porém, os resultados dos jogos, não eram alterados, e o Santos ficava sem os pontos necessários aos títulos.
Em modo gradativo a equipe foi ganhando entrosamento, aperfeiçoando e aprimorando seu jogo: boas campanhas estaduais, êxitos autoritários contra cariocas, a primeira excursão interestadual (Curitiba), veio a conquista do Torneio Início Extra (a primeira competição de âmbito estadual vencida), tudo foi acontecendo, para o quadro Alvinegro ditar o melhor futebol brasileiro. Todavia, ainda faltava algo, para a máquina firmar de vez o mais alto calibre de engrenagens… quando lapido sublime chegava Feitiço! Em outras palavras a “cereja do bolo”. Era enfim o momento do Santos F.C. armar em Vila Belmiro e surpreender em praças alheias, suas majestosas virtudes técnicas, para dominar e deformar facilmente os maiores conjuntos brasileiros e estrangeiros.

A PRIMEIRA FASE DA DINASTIA:
– MELHOR TIME DO BRASIL
– ATAQUE DOS 100 GOLS
– CAMPEÃO DA TÉCNICA E DA DISCIPLINA

Uma das formações históricas do Santos FC. Em pé: Osvaldo, Júlio, Alfredo, Aristides, Athiê e Amorim. Agachados: Siriri, Camarão, Feitiço, Araken e Evangelista.

Pelos anos de 1927, 1928 e 1929, consolidando a prática do melhor futebol da época, os principais jornais nacionais passavam a apontar o esquadrão do Santos F.C. como o “esquadrão de ouro do Brasil”, melhor quadro nacional e um dos maiores da história esportiva. Naqueles anos, a linha de frente do Alvinegro revolucionou o modelo de jogo do Amadorismo, em termos elevados de ofensividade. Retratou assim a crônica do Jornal Mundo Esportivo: “Ao mesmo tempo que empregava a velocidade, empregava também, em idêntica dosagem, a técnica. A linha de frente agrupado por Omar, Camarão, Feitiço, Araken e Evangelista, além de Hugo e Siriri, era, ao mesmo tempo, “escola” e “fabrica” de gols. Ao mesmo tempo que dava lições de como produzir um perfeccionista jogo ofensivo, realizava gols aos cachos, demonstrando, dessa maneira, a pratica do que existia quase teoricamente”…

Alfredo Pires, que numa partida pela seleção brasileiro foi alcunhado de “Maravilha Negra” pelos uruguaios.

Militavam nas hostes do Alvinegro jogadores que, com o elevado futebol atuante, ganharam cartaz internacional, tais como Feitiço, Araken, Athiê, Camarão, Evangelista, Alfredo, Osvaldo, Tuffy, David, Júlio, Hugo, Bilu e Omar, integrantes, várias vezes, das seleções de São Paulo e/ou do Brasil ao longo do período.
As façanhas de mérito atestavam a exuberância do esquadrão santista. Grandes jornadas, caminhadas luminosas para a consagração, galgou o Santos F.C., em temporadas seguidas, conseguindo triunfos sensacionais sobre clubes de renome no cenário esportivo nacional e global (nota de Mundo Esportivo). O futebol de impacto do Alvinegro deferiu inúmeras contagens extravagantes no estadual, as maiores foram: 12 x 1 no Ypiranga, 10 x 2 no República, 11 x 2 no Barra Funda, 11 x 3 no Americano, 9 x 3 no São Paulo Alpargatas, 10 x 1 no Guarani, 8 x 3 no Corinthians, 7 x 1 no Sírio, 10 x 0 na Portuguesa, 7 x 1 no Ypiranga, 7 x 1 na Portuguesa, 6 x 2 no Sílex, entre outras. E não menos importantes, os triunfos contra Corinthians (1×0 e 3×2) e Palmeiras (3×2).

Esquadrão retratado pela imprensa Guerin Sportivo, da Itália.

Bem distribuídos harmonicamente, rápidos e mortais, os santistas deferiam em profusão ataques fulminantes e despejavam exorbitante a pelota nas metas desafiantes. A Vila Belmiro era um “espantalho” para qualquer equipe que enfrentasse o Santos… Gols, Gols, Gols… e mais Gols! […] numa insaciável vontade de assinalar tentos que logrou recordes nacionais e internacionais (dizia a circular esportiva). “[…] os santistas romperam com os limites lógicos de tudo que se conhecia de futebol naqueles tempos da busca profissional. Um padrão de jogo técnico, plástico e categórico que escravizava os adversários mais afamados (Almanaque Esportivo, Thomaz Mazzoni).

Partida de 1925, Santos 1×1 Paulistano, na Vila Belmiro.

A equipe de melhor futebol, entretanto, não consumiu o prêmio máximo. Não seria a primeira ou a última vez que o futebol traria uma sina imponderável de justiça, quisera esse fosse um fato isolado, consignando a tormenta dos aficionados e amantes do impactante jogo de dominância. “Longe do centro geográfico das decisões políticas – principalmente naquele tempo em que o único meio de transporte entre as duas cidades era a preguiçosa Maria fumaça –, o time, se não chegava a ser sistematicamente prejudicado, sempre encontrava inúmeras barreiras, algumas insuperáveis, para chegar ao título. Para se compreender a estrutura do futebol naqueles tempos de amadorismo, basta se ater ao que ocorre ainda hoje no futebol de várzea, com primeiro e segundo quadros e árbitros de cada time. Isso mesmo, cada clube tinha um ou mais juízes e podia acontecer de um deles atuar no próprio jogo de sua equipe. Porém, por mais que se aceitasse um sistema absurdo desses, não se admitia que numa decisão de campeonato o árbitro escolhido pertencesse a um dos finalistas. Mas até isso aconteceu contra o Santos…” (parte do texto de Odir Cunha, Era Proibido ser Campeão!)
“Nós éramos um time muito treinado e unido. O Santos daquela época (1926 a 31) foi, talvez, o time mais harmônico do Brasil. Era uma linha tão boa que quando se formava a Seleção Paulista, iam os cinco como titulares. Só não conseguimos chegar ao título porque os times da Capital armavam esquemas fora do campo”, afirmou Araken, já veterano, muitos anos depois.

Feitiço, Araken, Camarão, Omar e Siriri, uma das formações do ataque mais goleadas da história do futebol.

A performática de um modelo de futebol artesanal, lapida o Santos F.C. ao lustro de pioneiro quadro das Américas a assinalar 100 tentos num campeonato oficial, e o recorde mundial por média de gols (6,25 gols/partida), dignificando a campanha de três vice-campeonatos. Atestam que a filosofia rígida da diretoria de punir atos de indisciplina dos atletas, desfalcando o time tenha sido fator determinante, pois afirmava o presidente, Dr. Guilherme Gonçalves: “Penso que no Santos mais vale uma atitude do que um campeonato”. Porém, em maior grau, consta contra os santistas, as péssimas arbitragens que ocorriam principalmente nas fases finais, em especial no ano de 1927, em cenas lamentáveis devido a deplorável atuação de Molinari, na última partida, diante do Palestra Itália, em plena Vila Belmiro. Nessa fase ERA PROIBIDO SER CAMPEÃO!

Entrada dos santistas na primeira partida diante do Vasco, vencida por 5 a 3, na inauguração do estádio São Januário/RJ. O Brasil conhece o Ataque dos 100 Gols.

Mesmo sem aspirar o inédito título paulista, a imprensa nacional noticiou em prumos de exaustão o esquadrão santista como o melhor quadro do Brasil e alcunhou saudosamente o Santos F.C. de CAMPEÃO DA TÉCNICA E DA DISCIPLINA (Jornal O GLOBO). Entre as façanhas do possante time praiano, estão as fastuosas apresentações diante do Vasco da Gama, no Rio de Janeiro, em especial na inauguração do estádio de São Januário/RJ – maior estádio do Brasil na época. A crônica jornalística de O MUNDO ESPORTIVO grafou: “O Santos F.C. era um inferno de pernas e cabeças, controlando a pelota com malicia e classe. O estádio cruz-maltino novinho em folha, regurgitava, na febre dos grandes acontecimentos. Washington Luiz lá estava, pela primeira vez num campo de futebol. Era então, presidente da república. Havia um objeto de desejo no campo, um troféu oferecido ao triunfador, ao qual a torcida e todos presentes esbugalhavam os olhos de desejo”.
Nas partidas ocorrentes no Rio de Janeiro, a equipe santista demonstrou ápices de magnificência apresentação de futebol, com vigente dinâmica técnica e disciplinar, velocidade e distribuição ofensiva, passes e muitos gols, que renderam triunfos por 5 a 3 (na apresentação 1 de São Januário) e 4 a 1 (na solicitada revanche em Laranjeiras) ante os Cruz-Maltinos.
Os cariocas mostraram-se bem nervosos, com atos de violência, enquanto os santistas não revidavam e dominavam por completo os prélios. Desolados depois de perder a primeira peleja na inauguração do próprio estádio, os vascaínos pediram outra peleja… e perderam de novo. Prevalecendo o futebol daquele que melhor praticava no amadorismo a Técnica e a Disciplina.
Por ocasião dos incidentes do jogo entre Paulistas x Cariocas foram punidos Tuffy e Feitiço. O astro Feitiço só retornaria a equipe apenas em 1928. Nesse intervalo de tempo, o Alvinegro venceu mais um Torneio Início. A possante equipe continuou fazendo história pelo período, o formidável quadro santista teve 12 atletas convocados para a Seleção Paulista, alguns elementos na seleção brasileira, e em 1929 conquistou a Taça A Capital, pelo 3º vice-campeonato Paulista consecutivo (1927, 1928 e 1929). Voltou a participar da Liga Santista, através do Santos-Extra e ganhou pela 3º vez o Campeonato de Santos (as partidas do Santos-Extra não são consideradas oficiais). Num retrospecto contra equipes cariocas, de 1925 a 1931, foram 8 vitórias, 2 empates e 2 derrotas. Por falta de uma competição interestadual, jogos como estes definiam a força dos times a nível nacional.

Entre 1928 e 1929, outros dois vice-campeonatos paulistas e a conquista de mais um Torneio Inicio Paulista (APEA).


A SEGUNDA FASE DA DINASTIA:
– FEITOS INTERNACIONAIS
– DIGNIFICANDO O FUTEBOL NACIONAL
– VILA BELMIRO É UM “ALÇAPÃO”
Enorme rivalidade no futebol paulista acentuou-se entre fins dos anos 20 e começo dos anos 30. Os grandes times militavam quadros valorosos e ficaram aptos a promover desafios internacionais. Nessa época de nível elevado, a excelência de futebol do Santos FC se faz notar em apresentações nacionais e em cume valor contra afamados adversários internacionais que valeram feitos e fama ao futebol brasileiro. Entre 1929 a 1931, foram realizadas partidas Internacionais valorosas no campo de Vila Belmiro, tendo grande entusiasmo da cidade e enorme repercussão mundial.

Equipe da primeira vitória Internacional da vida do Santos FC: 1×0 contra os Argentinos, em 1929.

As trajetórias internacionais começaram a ocorrer em 1929, e nelas também se atestava a força do quadro de Vila Belmiro, com belas vitórias e dilatadas contagens. Foi o momento do Santos F.C. estabelecer a primeira vitória internacional: 1 a 0 contra os argentinos. Os uruguaios, que eram vistos como os melhores do mundo na época, vieram ao Brasil para excursionar… o Campeão Uruguaio, Rampla Juniors, vinha de grandes atuações, até que sofreu impiedosa contagem de 5 a 0 imposta pelos santistas. Outras partidas internacionais ocorreriam entre 1930 a 31. Também foram anotadas, goleadas nos amistosos interestaduais e contra a Seleção Paulista, que sofreu 7 a 1, 5 a 0 e 5 a 0.
A equipe sofreria modificações a partir de 1929. Bilu parou de jogar e David Pimenta foi jogar no Fluminense. Para suprir chegaram Aristides e Meira e Osvaldo se fixou na linha média ao lado de Júlio e Alfredo. No ataque com a saída de Siriri e Araken, foi anexado Omar na ponta direita e foi contratado Mario Seixas (após a excursão do peixe a Bahia) que era destaque no futebol baiano. A maior perda foi Araken Patusca, que foi punido por atuar em outra equipe sem comunicar a diretoria e foi suspenso por 3 meses também por defender Bilu e Siriri, estes haviam atuado em outro, no Sud America-URU. Essa suspensão ocorreu no início de setembro/29. Em novembro, os 3 foram anistiados. Mas Siriri e Araken foram embora. Destaque em 30, foi Arthur Friendenreich que fez a 1º partida com a camisa santista, em prélio internacional.
Alguns dos condecorados MAIORES FEITOS DO FUTEBOL BRASILEIRO historicamente, foram protagonizados pelo celebre time do Santos F.C., fomentando a liminar da imprensa esportiva: “Fase de esplendor e glorias incomparáveis, atravessava o Alvinegro []. Seu conjunto harmonioso e potente, ganhava expressão e popularidade por todo este Brasil imenso e, quiçá, os seus feitos eram também conhecidos internacionalmente […]. Com um regime de elementos preciosos, craques na derradeira concepção do vocábulo, figuras eximias do “association” bandeirante e nacional, o Santos colocava-se entre os expoentes de maior projeção do futebol de nosso país […]. Possuidor de um onze renomado, poderoso e quase invencível.

Dois Vultosos Ídolos do Santos FC: Athiê, até os anos 30-40 tido como o melhor goleiro do Brasil; e o lendário centroavante Feitiço, um dos maiores goleadores do SFC. Ambos, cotados para defender a Seleção Brasileira na primeira Copa do Mundo, em 1930.

Foram inúmeros feitos monumentais obtidos, elevando o clube de patamar, colocando-o entre os grandes do futebol nacional e internacional. Pelo estadual, ainda uma terceira colocação em 1930, ano que a Vila Belmiro recebe alcunha de “Alçapão”, com o time terminando invicto em seus domínios. Em 1931, outra grande campanha sendo novamente vice-campeão, registrou-se a temporada santista com mais jogos no amadorismo, marca de 47 partidas. Os maiores resultados nesse período foram: 6 x 1 no Juventus, 5 x 1 no Ypiranga, 5 x 1 no Sírio, 6 x 2 no São Bento, 8 x 2 no Ypiranga; 4 x 0 no Juventus, 7 x 0 no São Bento, 4 x 0 no Germânia, 5 x 0 no Ypiranga, 5 x 1 no Internacional, 8 x 0 no América. Além dos jogos contra Palmeiras (vitórias por 1×0, 4×2 e 2×1) e Corinthians (3×2).

De 1925 a 31, o Santos teve performances por temporadas (entre amistosos e jogos oficiais), que só foram igualadas nos anos 50 e 60. 

Aproveitamentos (%):
Temporada 1925: 74%
com média de 2, 8 gols/jogo.
Temporada 1926: 62, 96%;
com média de 3, 59 gols/jogo.
Temporada 1927: 87, 87%
com média de 5, 27 gols/jogo.
Temporada 1928: 80, 55%
com média de 3, 5 gols/jogo.
Temporada 1929: 83, 33%
com média de 3, 91 gols/jogo.
Temporada 1930: 79, 48%
com média de 3, 15 gols/jogo.
Temporada 1931: 76, 08%; com média de 3 gols/jogo.
No período de 1927-1931, o SFC foi quatro vezes vice-campeão paulista e venceu praticamente todos os jogos interestaduais e internacionais que disputou. Foi a equipe que mais venceu (87 triunfos), mais assinalou gols (331) e a que mais acumulou pontos (140) no futebol paulista. Distribuiu no geral, entre prélios internacionais e nacionais, o recorde de 27 goleadas com mínima diferença de 4 gols – espetáculos de futebol! Foi a primeira equipe brasileira a abater campeões da Argentina e do Uruguai e com dilatada conta de gols: 5 x 1 no Rampla e 4 x 0 no Huracan. E a primeira a golear uma seleção que disputou Copa do Mundo: 6×1 na França.
A primordial façanha santista, uma das maiores já produzidas pelo futebol brasileiro como destacam os jornais nacionais, ocorre na goleada fulminante de 6 a 1 ante a Seleção Francesa, que havia disputado o Campeonato Mundial de 1930. O Alvinegro foi alcunhado de “Seleção Brasileira” pelos franceses e o Jornal “A PLATERIA”, de 31/07 de 1930, redigiu: “O Santos ontem, derrotando o selecionado francês que tão bela figurava fez no torneio mundial de montevidéu, abjugou não só para as suas cores como também para as do nosso país – um triunfo altamente expressivo. A sua vitória principalmente alcançada ontem, ecoará certamente por esse mundo a fora, e o coloca entre os mais pujantes grêmios”. O Santos escrevia no livro de ouro de sua estupenda história esportiva, mais uma página reluzente, mais um trecho esplendido (elaborou a nota esportiva). 

E a França achou que o Santos F.C. fosse a própria Seleção Brasileira. 

Em outro ocorrente de cume valor, denotou-se o triunfo sobre a maior geração do futebol uruguaio, Campeão do Mundo (1930) e Bicampeão Olímpico (1924/28), num resgate de orgulho nacional pleiteando a “maior vitória internacional feita por um clube no amadorismo”. Confirma o Jornal Mundo Esportivo: “[…] Santos F.C. carregando as glorias do esquadrão cem por cento eficiente, mantendo em suas fileiras elementos de maior projeção […], dava alento àqueles que aspiravam a reabilitação do nosso “association”, tal a exuberância com que sempre se distinguiu frente aos mais perigosos adversários estrangeiros. […] um triunfo consagrador, o maior entre os maiores daquela época, para o futebol nacional. […] O Santos elevou com soberania o futebol brasileiro, conquistando uma vitorias das mais estrondosas, contra um litigante quase invencível, tais os seus feitos propagados por todos os recantos do mundo.

O Santos acaba de escrever uma das mais belas páginas de sua história esportiva. Ontem à noite, em seu campo, levou de vencida o fortíssimo quadro uruguaio que sob o nome de Bela Vista, havia, há dias, infligido ao selecionado paulista uma derrota que ecoara dolorosamente em todo o Estado. O público esportivo, entretanto, nutria grandes esperanças de que os nossos valorosos visitantes ainda viessem a conhecer a verdadeira força do futebol paulista.
 O Santos Futebol Clube é afamado pela forma com que geralmente atua frente aos conjuntos estrangeiros que nos visitam, mesmo quando estes são considerados quase invencíveis. E ainda desta vez, o grêmio à cuja testa se encontra o Dr. Guilherme Gonçalves, confirmou merecer plenamente a confiança que nele depositam aqueles que ansiavam por ver reabilitado o nome do futebol local. Os componentes da turma vencedora, assim como aqueles que com tanto acerto a organizaram tornaram-se dignos de administração e da gratidão não só do povo de São Paulo, como do Brasil inteiro”, publicação do Diário de SP, no dia 24 de abril de 1931, sobre o Feito Histórico grafado pelo quadro santista.

Santos + Vila Belmiro, uma combinação alcunhada pela imprensa de “Espantalho” para rivais. A Vila foi alcunhada de Alçação em 1930. Na imagem, quando recebeu iluminação para jogos noturnos.


A torcida do Santos F.C. em 1929, entusiasmada para o festival de gols e jogo bonito.

Diante das façanhas da equipe ao longo das temporadas e das estupendas apresentações internacionais, ao qual o clube ficou invicto ante seleções nacionais e clubes estrangeiros (sejam argentinos, uruguaios, franceses ou norte-americanos); constatou-se que se houve-se uma competição ao qual indica-se o melhor time do mundo, certamente o SFC seria um dos grandes postulantes ao pódio.

Fontes/Referencias: 
Centro de Memória e Estatística do Santos FC;
Almanaque do Santos F.C. (Guilherme Nascimento);
ASSOPHIS (Associação dos Pesquisadores e Historiadores do Santos FC )
Jornais/Revistas: A Tribuna, A Cigarra, Mundo Esportivo, Almanaque Esportivo, O Esporte, O Globo, A Plateia, Estado de SP.

3 Responses to Geração Histórica e Revolução Ofensiva (1926-1931)!

  1. Antônio Linhares says:

    o santos precisa mostrar mais essas histórias. expor mais essas histórias do passado. esse futebol ofensivo e bonito é antigo. lindas histórias assim só o peixe tem

  2. Antônio Linhares says:

    é o maior clube do brasil o santos. mas precisa de uma melhor exposição do seu passado tão glorioso!

  3. Kadwgomes says:

    Obrigado pelos comentários Antonio. Esse incrível esquadrão ficou esquecido pela famosidade de outros, perceba, até retratou-se nesse texto: A fama os esqueceu. Quando o Santos passou a ser um time internacional acabou ofuscando outros grandes de sua história.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *