A Quarta Década (1942-1952)

Published On 01/05/2016 | Décadas
Por Kadw Gommes
Santos, 01/05/2016

ATHIÊ ASSUME A PRESIDÊNCIA
A SEMENTE É PLANTADA
UM NOVO SANTOS IRÁ SURGIR
Era início de uma época de transformações e mudanças no Santos FC, tanto fora como dentro das quatro linhas. E elas começam em 1942, quando fora criado um novo escudo, com as letras SFC entrelaçadas em um fundo branco, e as listras verticais do uniforme, passando a ser horizontais. Retornando ao escudo e uniforme original ao fim da temporada 1944.
Na primeira metade da década de 1940, ocorre uma queda de rendimento técnico da equipe. Foi um período de poucos progressos, as campanhas no estadual não passavam de regulares, terminando entre a 5º e 8º colocação. Era preciso se reorganizar para buscar um fortalecimento. Entre 1937 a 1945, houve uma enorme instabilidade política no Santos, tendo oito presidentes diferentes passando pelo clube. Ficou nítido também que a forma dos dirigentes trabalharem, contratando avulso e de maneira desvairada, podia levar o clube a ruína. É bem verdade que passaram pelo time jogadores consagrados, como Jaú, Ecthevarrieta, Teleco, Caxambu e Dacunto, mas os resultados não foram proveitosos.
Os principais triunfos do Alvinegro Praiano no período ocorrem perante dois tricampeões estaduais: o carioca Flamengo (2 a 0 em 1943) e o mineiro Cruzeiro (4 a 2 em 1944). Cabe falar que nomes importantes passavam a ganhar notoriedade, casos do curinga Grandim (já desde os anos 30), do ponta-esquerda Ruy Gomide, do ponta-direita Cláudio e principalmente do “arquiteto da bola” Antoninho Fernandes.
Estruturalmente o futebol paulista passava a evoluir e caberia aos clubes de fora da capital se adaptarem a nova realidade. Não eram apenas dificuldades internas que motivaram uma queda de desempenho santista. Nessa época, a única renda dos clubes eram as arrecadações, com a construção do estádio do Pacaembu/SP, ocorre um enriquecimento dos times da capital e enfraquecimento dos clubes do litoral paulista. Diante disso, foi fundamental uma reconstrução no clube em todos os aspectos: estrutural, técnico e político.
Embora passando por tamanha instabilidade que não ocorria desde o começo da década de 1920, o Santos FC demonstrou sua força de recuperação, reinventando-se por uma praxe desenvolta de revelar grandes futebolistas. Em 1940, quando acabou em sétimo, sua pior colocação desde 1923, o clube revelou o ponta-direita Cláudio Cristóvão Pinho, que resgataria a história do alvinegro por competições oficiais na Seleção Brasileira, atuando na Copa América de 1942. Nesse ano, uma relevante vitória contra o campeão paraguaio/43, o clube Libertad, por 5 a 1, possibilitou um recorde: o clube torna-se o primeiro brasileiro na história a golear um campeão argentino (1930 – 4 a 1 no Huracán), um campeão uruguaio (1929 – 5 a 0 no Rampla Jrs) e um campeão paraguaio.
Em 1945, iniciou o processo de reconstrução histórica do clube. Reforma que passa diretamente pela presidência do visionário Athiê Jorge Coury, mandatário que mudaria para sempre a história do Santos FC. Com efeito, foram feitos seguidos melhoramentos na Vila Belmiro e como primeira inovação uma excursão ao Norte e Nordeste Brasileiro (1946-47). Na jornada, apresentando o melhor desempenho da história de um clube nestes estados, termina invicto – 15 jogos, 12 vitórias e 3 empates – remontando fama nacionalmente. Na parte técnica do futebol, surgiriam grandes talentos na base, o presidente passou a implantar a nova filosofia de segurar os grandes jogadores. Quando resolvia negocia-los é porque já tinham outros substitutos à altura nas posições. Contratações pontuais também eram feitas, principalmente vindas do futebol carioca. A semente é plantada, uma culminância de bons frutos seria resultado na década seguinte. Fase que a priori inicia com a alquimia santista e posteriormente resulta no maior time da terra.
A realidade do time passou a mudar em 1946, quando terminou o estadual na quarta colocação, depois de alguns anos de baixa produção. Vale ressaltar, o estupendo placar de 4×1 no “Expresso da Vitória” do Vasco, campeão carioca invicto. Em 1947, com as comemorações do 35º aniversário do Alvinegro, a direção do clube promove a “Semana Alvinegra” e convida dois times para amistosos em Vila Belmiro, um deles o então campeão carioca Fluminense. Na partida, a equipe santista dá show, vencendo por 3×1. Entre 1947 a 1950, surgiu uma geração formidável comandada por Oswaldo Brandão, que compunham nomes como Artigas, Hélvio, Nenê, Alfredo Ramos, Ivã, Adolfrises, Alemãozinho, Odair Titica, Antoninho, Pascoal, Nicácio e Pinhegas. Além de Formiga e Tite, que brilharam por toda a década de 50. O goleiro Manga foi outra boa novidade, já em 1951.
Entre 1948 a 1950, foram alcançados dois vice-campeonatos paulistas, mediante desenvoltas apresentações. O craque Antoninho Fernandes, evidencia-se como grande símbolo da década, pela categoria de seu futebol e amor ao clube. Retornaram também conquistas, como a relevante Taça Cidade de São Paulo de 1949, após bater o São Paulo FC, torneio que contava com a participação dos três primeiros colocados do ano anterior no Paulista. Também foi conquistado a Taça das Taças de 1948, frente ao Corinthians, numa disputa entre o vencedor da Taça Cidade de SP e da Taça Cidade de Santos. Em 49, além do estadual, uma excursão ao Rio Grande do Sul, que consta dilatados 4 a 0 sobre o “Rolo Compressor” do Internacional de Nena, Alfeu, Carlitos e cia, e empate em 2 a 2 com o Grêmio.
Nos primeiros anos de 50, campanhas regulares no paulista. Em âmbito interestadual, em 1951, o clube alcançou sua maior conquista até então, trata-se do Quadrangular de Belo Horizonte, vencendo os principais clubes mineiros: Cruzeiro (4×3), América (1×0) e Atlético (2×0). Ademais, outro ocorrente de valor, foi a primeira vitória diante de um clube europeu. Era dia 17/06, o arremate veio com goleada de 4 a 0 ante o Bicampeão Inglês Portsmouth-ING, equipe dotada de selecionados ingleses-escoceses. Em 17/06, agora contra a base do futebol Iugoslavo e campeão nacional Estrela Vermelha-IUG, outra vitória em escore de 3 a 0.
Nos primeiros meses do ano de 1952, o Santos volta a disputar o Torneio Rio-São Paulo, ao qual termina entre as três melhores performances do certame. O primeiro jogo, em 03/02, diante do Botafogo/RJ, representou a estreia do clube no estádio do Maracanã/RJ. Resultados significativos se deram no torneio, como os 4 a 1 diante do esquadrão do Flamengo de Pavão, Dequinha, Joel e Rubens; os 3 a 2 frente ao Fluminense de Castilho, Píndaro, Pinheiro e Orlando; e os abates contra o trio de ferro: 2×0 no Palmeiras, 4×2 no Corinthians e 2×1 no São Paulo. Em nota, um retrospecto importante do SFC em duelos contra o Flamengo, numa incrível marca de 33 anos (1920-53) de invencibilidade, a maior dentre cariocas x paulistas. A crescente de desempenhos santista continuaria na década seguinte.

Fontes e Referências:
Almanaque do Santos FC (Guilherme Nascimento);
Centro de Memória e Estatísticas do Santos FC (Guilherme Guarche);
Livro Time dos Sonhos (Odir Cunha);
ASSOPHIS;
Jornal A TRIBUNA de Santos;

 

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