A Quinta Década (1952-1962)

Published On 16/05/2016 | Décadas
Por Kadw Gommes
Santos, 16/05/2016 

ALQUIMIA SANTISTA
PELÉ CHEGA À VILA BELMIRO
O MELHOR TIME DA AMÉRICA DO SUL
Entre fins da década de 1940 e começo de 1950, uma nova política é instaurada no Santos FC, a ordem era de manter os craques revelados e buscar contratações pontuais. Período de cume relevância, ao qual reconfigura o clube, fomentando a fase de Alquimia Santista.
A base da equipe duas vezes vice-campeão estadual nos últimos três anos havia sido mantida, e devagar foram surgindo nomes importantes no início da década, casos do goleiro Manga, o zagueiro Formiga e o ponta Tite. Logo se comprovou a força do elenco, com cinco santistas na seleção paulista (Hélvio, Olavo, Antoninho, Odair e Tite), disputando o Brasileiro de seleções em 1952. Pretendendo ser um time que lutaria por títulos nos próximos anos, organiza-se uma comissão com quatro membros para contratações de jogadores. Grandes nomes continuavam aparecendo, como do lendário médio central Zito, do polivalente Ramiro e dos atacantes: Walter Marciano (relacionado entre os 40 pré-convocados para o Mundial de 1954), Álvaro, Vasconcellos (boêmio e goleador implacável), Del Vecchio e o lendário canhão da Vila Pepe.
As mudanças nos resultados em campo foram notórias e gradativas. Também ocorreram evoluções no aspecto estrutural, pois as obras em Vila Belmiro haviam sido finalmente terminadas e novos patrimônios vão sendo construídos, como um ginásio de esportes, visando buscar novos associados e aumentar a receita do clube. Mediante filosofia vigente, os bons desempenhos foram acontecendo e, aos poucos, o Santos FC começava a se restabelecer numa potência do futebol brasileiro. A excelência de futebol faria o clube reinar na América do Sul e no Mundo.
Num balanço histórico é perceptível as desenvolturas que se acumulavam nos anos de 1950. Depois de um vice-campeonato no estadual, o clube conquistou o Quadrangular de Belo Horizonte em 1951 batendo nos três grandes do futebol mineiro (Cruzeiro, América e Atlético). No Torneio Rio-São Paulo de 1952, terminaria entre os três melhores, com grandes resultados frente ao Flamengo, Palmeiras, Corinthians, Fluminense e São Paulo.
Os bons êxitos não foram apenas nacionais, também ocorrendo contra estrangeiros, prélios que ratificaram o brilho santista para grandes duelos internacionais. Já com retrospecto de belíssimas apresentações contra equipes sul-americanas e seleções nacionais, faltava ao currículo santista embates contra clubes europeus. Assim, entre 1951-53, o SFC passou a enfrentar afamados adversários da Europa, times que haviam vindo ao Brasil para disputar a Copa Rio. Em 1951, triunfos sobre dois grandes adversários europeus, campeões nacionais e bases de selecionados: 4 a 0 no Portsmouth-ING e 3 a 0 no Estrela Vermelha-IUG. Já em 1953, deferiu 6 a 3 perante os violinos do Sporting Lisboa-POR, time base do selecionado luso e tetracampeão português.
O ano de 1954 foi mais um ano importante e de escolhas fundamentais para a construção do maior clube do mundo (dinastia 1955-1970) e maior time de todos os tempos (esquadrão 1960-1965). Inicia com o clube fazendo sua primeira excursão internacional, em solo argentino, obtendo resultados proveitosos. No Brasil, na vitória de 3 a 2 contra o Botafogo/RJ de Garrincha, o então auxiliar Lula assume o comando técnico do SFC. Além de amplo conhecimento de futebol, o treinador tinha propensão a trabalhar com atletas jovens, tendo méritos ao aliar juventude e experiência em campo. Lula foi o grande responsável pela consolidação da máquina que começaria a engrenar, ele formaria duas grandes gerações santistas. Nesse ano, o Santos chegou perto do título estadual, assumindo a ponta por momentos, vencendo duas vezes o campeão SCCP (2×0 e 4×1), mas revezes contra equipes do interior interromperam o sonho.
Entre 1955-56, postulando um esquadrão renomado de altos valores técnicos (craques da seleção paulista e brasileira), o Santos FC consegue seu primeiro Bicampeonato Paulista. O título de 1955, é obtido de forma traumática após uma longa espera, quando finalmente Pepe marca o gol decisivo na última rodada, dando vitória por 2 a 1 sobre o Taubaté. Na época o elenco santista compunha de jogadores formados na base e jovens promessas, todas intervencionadas por Lula, que junto de Modesto Roma (diretor de futebol) e Athiê Jorge Coury (presidente) formavam um trio magnífico. O título de 55 tinha sido conquistado no começo de 1956, e nesse mesmo ano, a equipe passou a contar com mais craques, como o excepcional Pagão, Urubatão, Feijó e o argentino Negri, ficando mais aprumado. Em março, vem a conquista do primeiro título internacional oficioso, o Torneio Internacional da FPF, com vitorias sobre Boca Juniors-ARG, Nacional-URU e Newell’s Old Boys-ARG. Para conquistar o Bicampeonato estadual/56, o Santos cumpriu bela campanha e superou na finalíssima o forte São Paulo, pelo placar de 4 a 2, numa virada incrível. Ainda nesse ano, chega em Vila Belmiro, trazido por Waldemar de Brito, o menino Pelé. Com o futuro Rei do futebol o possante esquadrão alvinegro passa a postular um modelo futebol brilhante e extremamente ofensivo.
Era iniciada a Era de Ouro do Futebol Brasileiro (1958-1970). Época opulente que também coincide com o reinado do Santos FC, que houvera começado em 1955. A Seleção Brasileira passaria a ter o alvinegro como uma base e modelo de futebol ao longo do período, e contando com Zito, Pepe e Pelé no escrete canarinho, conquistou a primeira Copa do Mundo, em 1958, na Suécia. Naquele ano, o mundo conheceu o atleta do século, e com o Rei do futebol o SFC estabelece inúmeros recordes nacionais e mundiais. Formando uma das maiores frentes da história (Jair, Pelé, Pagão e Pepe), o quadro santista conquista com total esplendor o Campeonato Paulista/58. O poderoso ataque foi autor de inúmeras goleadas e marcou o número recorde de 143 gols! Já em 1959, ocorre o primeiro título do Torneio Rio-São Paulo, após triunfo de 3 a 0, diante do Vasco da Gama. Na época, a competição gozava de grande prestigio, formando os agrupamentos dos grandes clubes do eixo SP-RJ. No mesmo ano, também ocorre o primeiro Campeonato Brasileiro (Taça Brasil de 1959), ao qual o time santista, mesmo favorito, acaba vencido pelo Bahia/BA na final. O mesmo ocorre no Paulista.
Diante do prestigio dos santistas campeões do mundo, principalmente do menino Pelé, da força do quadro de jogadores, era chegado momento oportuno do Santos FC traçar rotas mundiais. Assim, durante todo ano de 1959, o clube se aventura nos gramados internacionais: Américas Sul, Norte e Central em janeiro e fevereiro, e em maio pela primeira vez na Europa. Em cada apresentação um espetáculo de futebol que deixava a plateia estrangeira enlouquecida, registrando as mais impressionantes vitorias, como ante a Inter de Milão com incríveis 7 a 1, ou na conquista do troféu Teresa Herrera ofertando 4 a 1 no Botafogo, além do Barcelona/ESP que foi trucidado em pleno estádio Camp Nou num dilatado placar de 5 a 1, entre outros importantes resultados. A cada jornada traçada pelo globo terrestre: México, Espanha, Itália, França, Argentina… conquistas e condecorações, e na sala de troféus do clube as taças se acumulavam. Confirmando período triunfante e prestigio internacional, o Santos FC torna-se o único dos clubes brasileiros que excursionou pelas Américas e Europa na década de 1950, a ser eleito por um estudo estrangeiro, a melhor equipe da América do Sul (trabalho estrangeiro da Revista Futbol).
ROTINA DE EXCURSÕES DO ALVINEGRO PRAIANO A PARTIR DE 1959:
Janeiro a fevereiro: excursão pelas Américas,
Março, abril e maio: Torneio Rio-São Paulo,
Junho e julho: excursão pela Europa,
Agosto e dezembro: Campeonato Paulista.
Alguns fatos irrefutáveis demonstram porque o Santos passou a ser o melhor time do Brasil nos anos de 1950, além de principal esquadrão da década (1955-1959), em prova de um modelo de futebol impactante. 1. Maior campeão paulista da década, vencendo quatro vezes o estadual (em 1955, 1956, 1958 e 1960). Além de vencer uma vez o Torneio RJ-SP (1959), ser vice-campeão da Taça Brasil (1959) e vice dos estaduais (1957 e 59). 2. Base da seleção brasileira desde 1956, na Copa do Mundo/58, em todo período, obtendo maior parcela de atletas selecionados. 3. Modelo de futebol ao qual buscava a seleção brasileira. 4. Bateu recordes estaduais como o melhor ataque do futebol paulista na história (1959) e como campeão (1958). Recordes nacionais por jogadores campeões com a seleção brasileira e paulista no mesmo ano (1957). 5. Foi a equipe que mais jogou e a que mais marcou gols na história por uma temporada (1959). 6. Deferiu triunfos internacionais incontestáveis, aspirando taças superando campeões nacionais e esquadrões conceituados da época. 7. Foi a única equipe lembrada pelos críticos estrangeiros e apontado como a melhor da América do Sul.
A partir de 1961, depois de conquistar o Bicampeonato Paulista e o primeiro Campeonato Brasileiro (Taça Brasil), passou a ser escolhido ano a ano, 1961, 62, 63… como o melhor clube do mundo, superando o lendário Real Madrid. Alguns anos depois, outros trabalhos de pesquisa mundial (como a France Football e a El Gráfico), ainda mais importantes, abrangentes e prestigiados, apontariam o Santos FC como maior time da história.

Fontes e Referências:
Almanaque do Santos FC (Guilherme Nascimento);
Centro de Memória e Estatísticas do Santos FC (Guilherme Guarche);
Livro Time dos Sonhos (Odir Cunha);
ASSOPHIS;
Jornal A TRIBUNA de Santos;

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