A Reconquista!

Published On 02/01/2017 | Jogos Históricos
Por Ronaldo Silva
Santos, 02/01/2016 

Apenas 90 minutos separavam o Santos do título paulista tão perseguido por longos 20 anos.
O Alvinegro Praiano realizou uma excelente campanha que não deixou dúvidas de sua superioridade perante os demais concorrentes do torneio.
A ansiedade e uma pitada de drama fez parte desses últimos momentos para a partida derradeira contra o Taubaté em plena Vila Belmiro, após a equipe santista desperdiçar duas oportunidades de sagrar-se campeã, caso vencesse o fraco São Bento, em São Caetano do Sul, e o Corinthians, na Vila Belmiro, porém, o Santos foi derrotado em ambos compromissos.
Na última rodada teria que vencer o Taubaté para evitar uma melhor de três contra o próprio Corinthians que jogaria contra seu arquirrival Palmeiras.
Para esta última partida, o técnico santista Lula fez algumas mudanças na equipe base do campeonato com a entrada do goleiro Manga no lugar de Barbosinha, o ingresso de Urubatão e Negri no meio-campo substituindo Zito e Vasconcelos, no ataque saiu Alfredinho para ceder lugar a Pepe. O Taubaté era uma equipe muito bem treinada por Aimoré Moreira, apesar de não estar na luta pelas primeiras colocações prometia realizar seu melhor para tentar um resultado positivo dentro do Alçapão da Vila, contrariando o favoritismo santista.

O JOGO
Como era de se esperar um grande público compareceu ao estádio da Vila Belmiro para acompanhar a tão sonhada reconquista do título paulista. Quando o Santos entrou no gramado com seu uniforme imaculadamente branco foi recepcionado com grande festejo de sua torcida que buscava passar confiança para o time que vinha de duas derrotas.
O início do jogo demonstrou um Santos nervoso que buscava com prudência romper o rigoroso bloqueio estabelecido pela aguerrida equipe do Taubaté que não possuindo responsabilidade na partida passou a pressionar o time alvinegro e controlava a partida.
O cenário se manteve até aos 15 minutos quando Tite cobrou um escanteio, Del Vecchio falhou no pulo e Álvaro num salto perfeito cabeceou forte para fazer um belo gol, inapelável para o goleiro Floriano e inaugurar o placar a favor do Santos. Festa e alívio na Vila Belmiro, com este resultado o alvinegro praiano se aproximava desta tão sonhada conquista.

Álvaro abriu o placar no início do jogo (Foto/Gazeta Esportiva)

O restante do primeiro tempo apresentou domínio dos comandados de Lula que atuaram com muita fibra, mas acostumados a um futebol bonito e repleto de estilo sentiram dificuldades para manusear a bola num ritmo de velocidade e técnica. Porém neutralizaram as chances criadas pelo Taubaté no início da partida e ao término desta etapa foram muito aplaudidos pela torcida santista.
SEGUNDO TEMPO
Reiniciada a partida, o time santista iniciou demonstrando certa monotonia que foi explorada pelo inteligente Aimoré Moreira que ordenou que os jogadores do Taubaté atuassem com agressividade.
Com apenas 9 minutos da etapa final, Berto recebeu passe de Durval, manobrou rápido e atirou violentamente no canto direito sem chances para Manga, um silêncio estarrecedor fez-se notar na Vila Belmiro apenas inferior àquele da final da Copa do Mundo de 1950, no Maracanã, devido ao número menor de espectadores.
O Santos imediatamente procurou partir para o ataque, um personagem passou a sobressair com liderança e fazendo jus à sua experiência este era o argentino Negri que passou a chamar o controle do balão e municiar os demais companheiros do ataque alvinegro em busca do segundo tento.
Através da velocidade, o time alvinegro passou a buscar se livrar dos marcadores do Taubaté que a cada minuto se retraía mais na defesa. Mas não havia dúvida da superioridade, maior consistência e técnica do time santista.
Aos 20 minutos, o jovem ponteiro esquerdo Pepe numa jogada individual passou por um adversário, deslocou-se para o centro, iludiu outro adversário e chegou à área onde tirou Porunga com uma queda de corpo e atirou firme às redes, conquistando o segundo gol do Santos. Intensa comemoração no velho alçapão santista, o título se aproximava.
Com a animação das arquibancadas, o time santista conseguiu manter o domínio territorial e técnico, enquanto o Taubaté lutava para evitar uma contagem maior no placar, com o goleiro Floriano realizando grandes defesas.
O Santos, com destaque para a grande partida de Ramiro e Urubatão no setor defensivo, através de muita fibra e espírito de luta não permitiu mais que o time do Vale do Paraíba chegasse à meta de Manga.
Exatamente aos 45 minutos, o árbitro João Etzel no movimento característico decretou o apito final que deu início a uma enorme comemoração na Vila Belmiro entre os jogadores, dirigentes e com invasão da torcida santista, os campeões foram carregados nos ombros para celebrar o título paulista após longos 20 anos de espera.
O jornalista Antônio Guenaga, do Jornal A Tribuna, assim descreveu a festa: “Os torcedores irmanaram-se. Dessa ou daquela classe. Ricos ou pobres. Todos juntos se abraçaram, se beijaram e sambaram no mesmo ritmo, como se fosse um único corpo. Moças, velhos, crianças, saltaram para o campo com faixas bandeiras (…) dando vida ao campeão de 1955”.

FICHA TÉCNICA:
15/01/1956 – Santos 2 x 1 Taubaté
Gols: Álvaro aos 15min do primeiro tempo; Berto aos 9min e Pepe aos 20min do segundo tempo.
Local: Estádio Vila Belmiro, em Santos
Competição: Campeonato Paulista 1955
Renda: Cr$ 350.670,00
Árbitro: João Etzel
SFC: Manga; Hélvio e Feijó; Ramiro, Formiga e Urubatão; Tite, Negri, Del Vecchio, Álvaro e Pepe. Técnico: Lula
ECT: Floriano; Rubens e Porunga; Arati, Manduco e Zé Américo; Sílvio, Durval, Berto, Manteiga e Hélio. Técnico: Aymoré Moreira

Fontes e Referências:
Almanaque do Santos FC;
Jornal “O Estado de São Paulo”;
Jornal “Mundo Esportivo”;
Jornal “A Tribuna”;
Jornal “A Gazeta Esportiva”;
Jornal “Diário da Noite”;
Site “www.celiopegoraro.blogspot.com.br”

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