A Segunda Década (1922-1932)

Published On 11/04/2016 | Décadas
Por Kadw Gomes

PRIMEIRO ESQUADRÃO HISTÓRICO
REVOLUÇÃO OFENSIVA
CAMPEÃO DA TÉCNICA E DA DISCIPLINA
Foram tempos difíceis os primeiros anos da segunda década (1921, 1922 e 1923). Em decorrência as derrotas, nem mesmo a classificação para o 2º turno do Campeonato Paulista era obtida. Foram conquistadas apenas taças em partidas únicas, que serviam como consolo para os jovens dirigentes e a torcida que se formava.
O cenário passou a mudar em 1924, com o clube terminando em 4º lugar no estadual, goleando bons adversários (como nos 7 a 0 sobre o Internacional e os 7 a 1 na Portuguesa) e triunfando sobre as grandes equipes: 2×0 no tricampeão Corinthians e 1×0 no poderoso Paulistano, numa Vila Belmiro repleta de alvinegros. No ano seguinte, com a crise se alarmando no futebol paulista, o estadual teve apenas um turno, e o Santos voltou a igualar sua melhor performance com outro 4º lugar.
Retornando a 1922, registrou-se o ano do centenário da Independência do Brasil e fatos curiosos traçaram o calendário do Santos FC. Nesse ano, o clube enfrentou três seleções sul-americanas: Chile, Paraguai e Argentina. Se apresentando em combinados, entre estes num combinado Santos-Argentina, mas as partidas não são consideradas oficiais (pelo Almanaque oficial do clube, escrito por Guilherme Nascimento).
Nesses primeiros anos, a defesa santista era uma das mais vazada do estadual, mas com as chegadas de Tuffy e Athiê (goleiros de seleção paulista e brasileira), David que passou a complementar Bilú (ambos defenderam a seleção paulista), OsvaldoHugo, Júlio e Alfredo (também jogadores de seleção paulista e brasileira) compondo a melhor linha média já formada, o alvinegro passou a ter uma defensiva solida e um meio consistente, sendo o time menos vazado do estadual no período de 1928 a 31.
A rivalidade no futebol paulista entre fins dos anos 20 e começo dos anos 30, foi uma das mais acentuadas historicamente, todos os grandes times mostraram quadros valorosos e se sentiram aptos a promoveram até mesmo desafios internacionais. E foi justamente nessa época de nível elevado, ao qual ocorre a crescente de excelência de futebol do Santos FC, em que o clube superou rivais em termos de apresentações e modelo de futebol.
A resultante de bons desempenhos entre 1924-1925, ocorreu, principalmente, pelo surgimento de alguns craques importantíssimos. Em 1923, surgiu o genial Araken Patusca, e em 1924 Omar, Siriri e Camarão foram integrados ao elenco santista. Paulatinamente o time foi ganhando entrosamento, numa linha de frente lendária que se formava. Mas uma perda foi bastante sentida, entristecendo os santistas, a nota fica por conta do falecimento de Ary Patusca, principal goleador da primeira década.
Ainda em 1925, o Santos mostrou bom desempenho contra adversários cariocas, a se mencionar os 4 a 1 no Botafogo, 3 a 1 no America e no empatou no RJ com o Flamengo (2 a 2). A primeira excursão interestadual foi em 1926, com jogos em Curitiba. Nesta, a inauguração do estádio do Atlético PR, com vitória por 3 a 0 sobre o campeão paranaense. No mesmo ano, em dezembro, a conquista do Torneio Início Extra (a primeira vez que o Santos usou camisas brancas, conquistando uma inédita competição de âmbito estadual).
Marcando o início da segunda geração de lendas da história santista, o ano de 1927 tem a consolidação do ataque dos 100 gols e a formação do primeiro grande esquadrão. O centroavante Feitiço chegou para agrupar a linha de frente que revolucionou o modelo ofensivo de época no futebol paulista. Apesar de uma brilhante campanha, que consta de 12 goleadas e um modelo de futebol técnico, categórico, plástico e disciplinado, que tornou o Santos o primeiro time Sul-Americano a fazer 100 tentos em um campeonato oficial e o recorde mundial por média de gols (6,25 gols/partida) numa edição de torneio, o estadual não teve o encerramento que se esperava.
Pela filosofia rígida da diretoria de punir atos de indisciplina dos atletas, o time ficou desfalcando, mas sobretudo com uma procedência desastrosa da arbitragem o Santos acabou sendo muito prejudicado, principalmente na última partida, diante do Palestra Itália – quando se tinha como certa a conquista. De 1925 a 1931, foram 8 vitórias, 2 empates e 2 derrotas num retrospecto contra equipes cariocas. Por falta de uma competição interestadual, jogos como estes definiam a força dos times a nível nacional.
Embora sem conquistar o primeiro estadual, o esquadrão de ouro foi noticiado como o melhor time do Brasil recebendo alcunhas de CAMPEÃO DA TÉCNICA E DA DISCIPLINA pelos jornais. Acontecimento notório, foi a inauguração de São Januário/RJ (o maior estádio do Brasil em 1927), ao qual o Santos mostrou magnifica apresentação de técnica-disciplina futebolística, com triunfos sobre o Vasco por 5 a 3 e 4 a 1. No final de 27, Feitiço foi suspenso pela direção santista, retornando a equipe apenas em 1928. Nesse intervalo de tempo, o Alvinegro venceu mais um Torneio Início (1928).
A possante equipe continuou fazendo história pelo período, o formidável quadro santista teve 12 atletas convocados para a Seleção Paulista e em 1929 conquistou a Taça A Capital, pelo 3º vice-campeonato Paulista consecutivo (1927, 1928 e 1929). Voltou a participar da Liga Santista, através do Santos-Extra e ganhou pela 3º vez o Campeonato de Santos (as partidas do Santos-Extra não são consideradas oficiais).
Entre 1929 a 1931, foram realizadas partidas Internacionais valorosas no campo de Vila Belmiro, tendo enorme repercussão nacional e grande entusiasmo da cidade. Nesse momento, o Santos estabeleceu a primeira vitória internacional: 1 a 0 contra os argentinos. Em 1930, acontece a primeira partida de Arthur Friedenreich pela equipe praiana. A direção do clube mandou confeccionar um uniforme de seda com o escudo em veludo para o El Tigre. A primordial façanha santista, ocorre numa goleada fulminante de 6 a 1 ante a Seleção Francesa, que havia obtido um terceiro lugar na Copa do Mundo daquele ano, com o Alvinegro sendo alcunhado de Seleção Brasileira pelos franceses.
Outro ocorrente de cume valor é o triunfo sobre a maior geração do futebol uruguaio, Campeão do Mundo (1930) e Bicampeão Olímpico (1924/28), na maior vitória internacional feita por um clube no amadorismo (segundo jornal Mundo Esportivo). Diante das façanhas da equipe e das estupendas apresentações internacionais em que o clube ficou invicto ante seleções, argentinos e uruguaios, constata-se que se houve-se uma competição ao qual indica-se o melhor time do mundo, certamente o SFC seria um dos postulantes ao pódio.
Durante esse período de 1926-1931, o SFC foi quatro vezes vice-campeão paulista e venceu praticamente todos os jogos interestaduais e internacionais que disputou. Foram inúmeros feitos monumentais obtidos, elevando o clube de patamar, colocando-o entre os grandes do futebol nacional. Pelo estadual, ainda uma terceira colocação em 1930, ano que a Vila Belmiro recebe alcunha de incontestável alçapão, com o time terminando invicto em seus domínios. Em 1931, outra grande campanha sendo novamente vice-campeão, registrou-se a temporada santista com mais jogos no amadorismo, marca de 47 partidas. Em 1932 uma nova fase irá se iniciar.
1927 – Vice-campeão, um ponto atrás do Palestra Itália. Fez o jogo decisivo contra o mesmo Palestra, na Vila Belmiro, e mesmo precisando apenas do empate para ficar com o título, perdeu por 3 a 2, após atuação criminosa do árbitro palestrino Antero Mollinaro.
1928 – Vice-campeão, dois pontos atrás do alvinegro da capital.
1929 – Vice-campeão, novamente só atrás do outro alvinegro.
1930 – Se ganhasse a última partida, diante do alvinegro paulistano, provocaria outro jogo pelo título. Detalhe: ainda perdeu dois pontos por se recusar a jogar no campo do Atlético Santista. Acabou na terceira posição.
1931 – Vice-campeão, dois pontos atrás do São Paulo da Floresta. Detalhe: novamente perdeu dois pontos por se recusar a jogar no campo do Atlético Santista.

Fontes e Referências:
Almanaque do Santos FC (Guilherme Nascimento);
Centro de Memória e Estatísticas do Santos FC (Guilherme Guarche);
Livro Time dos Sonhos (Odir Cunha);
ASSOPHIS;
Jornal A TRIBUNA de Santos. 

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *