A segunda geração de Meninos da Vila (2002/04)


Assim como em 1978, a história se repetiria no Santos FC, agora no começo do século XXI, com o clube vivendo um período tumultuado: sem títulos e com poucos recursos financeiros, um fato que incomodava os dirigentes e deixava a torcida revoltada. Nesse período eram comuns, as faixas nas arquibancadas de cabeça para baixo, protestos e badernas feitas por torcedores que se mostravam inconformados.
O Peixe vivia uma fila dolorida sem conquistas importantes, para muitos a última conquista relevante ocorrera com o Paulista de 1984, e as conquistas do Torneio Rio-SP e da Copa Conmebol não eram suficientes, para suprir a necessidade de um clube tão grandioso e vencedor, faltava uma conquista a altura da magnitude do Santos FC. A busca incessante por conquistas relevantes, fez com que a diretoria fizesse loucuras, com elencos caros recheados de medalhões, e mesmo assim, não davam os resultados almejados. Somados a isso, tinham os sucessivos fracassos nos momentos decisivos, deixando todos indignados e sem paciência. Como as perdas do Brasileiro de 1995 de forma injusta, a eliminação no Brasileiro de 98 e Paulista de 2001 para o Corinthians, além da perda do paulista de 2000 para o SP, com isso, a situação ficou insustentável, e parecia que a crise não teria mais fim…
Com os fracassos sucessivos, o clube tenta solucionar o problema trazendo o técnico Cabralzinho, que havia feito um belíssimo trabalho em 1995. O treinador começa a modelar um trabalho, efetiva como titulares os desconhecidos Elano e Renato, trouxe o atacante Willian da equipe de base e prepara o planejamento para 2002, tendo como prioridade profissionalizar o meia Diego e um garoto chamado Robinho, que não era aproveitado pelo técnico Sérgio Farias no sub-20. Mas novamente o contrato do treinador não é renovado. Em abril de 2002 o Santos encerraria sua participação no torneio Rio-SP empatando com o Bangu, depois teria que enfrentar um hiato de quatro meses sem partidas oficiais. Com a falta de dinheiro em caixa e sem alternativa, o presidente na época Marcelo Teixeira começa a enxugar a folha salarial, o clube passava a não mais contar com medalhões.
leao-20022Com esse cenário desmotivador é contratado o técnico Emerson Leão. O treinador consegue implantar sua filosofia com os meninos, os jovens Diego e Robinho ganham espaço e mostram personalidade, Elano que estava para ser dispensado, fica a pedido de Leão, o treinador também pede a contratação do zagueiro Alex, que estava em período de testes.
O Santos então consegue uma campanha relevante no Campeonato Brasileiro, se classificando com a última vaga, para a Segunda Fase do certame. Foi justamente na fase de mata-matas, contra os adversários mais fortes, nos momentos mais importantes, que a nova geração de craques santistas passou a desenvolver um futebol empolgante, de dribles, velocidade e versatilidade, que encantava dando espetáculo a cada jogo. A partir dali, Diego e Robinho que eram as estrelas do time, Renato e Elano na criação, as “Torres Gêmeas” Alex e André Luís na defesa, os laterais Maurinho e Léo no apoio, o goleiro Fábio Costa, o capitão Paulo Almeida e o atacante Alberto, fizeram daquele time, um esquadrão histórico! Que recolocou e trouxe ao Santos FC a volta as grandes conquistas.
o-reves-para-o-santos-de-diego-no-brasileiro-de-2002-marcou-a-passagem-do-jogador-no-sao-paulo-1351622093745_700x500Na segunda fase o Santos postula seu espetáculo de magia com os meninos, o Peixe tomou forma e aflorou um futebol ofensivo, rápido e mortal.
Nas quartas o adversário era o poderoso São Paulo, dono da melhor campanha na primeira fase, os meninos não tomaram conhecimento e venceram as duas partidas. No primeiro jogo na Vila Belmiro, com gols de Alberto (que falou ao fim do jogo: “Mais um dia de alegria na Vila!”), Robinho (que fez mais um bonito gol naquele campeonato) e Diego (que comemorou horrores em resposta a torcida Santista!) vitória por 3 a 1. Na partida de volta no Morumbi, depois de estar perdendo, o Santos vira no segundo tempo, e vence por 2 a 1 com gols de Léo e Diego.
greNa sequência foi a vez do copeiro Grêmio, uma equipe mais aguerrida que talentosa, mais outro grande adversário que contava com grandes jogadores, e o Santos com Robinho inspirado, eliminou com classe os gaúchos.
No primeiro duelo, com bonitas jogadas e três golaços, dois de Alberto (um chute forte no primeiro e de letra no segundo!) e um de Robinho – uma obra de arte do menino craque. O Santos vence o Grêmio por expressivos 3 a 0 na Vila –  ficando barato pelo volume de jogo do time. Em dia inspirado da dupla de ataque, Robinho e Alberto. No segundo encontro, derrota por 1 a 0 no Sul.
O momento ápice da equipe e dos meninos ocorre numa decisão histórica, contra o arquirrival Corinthians, na primeira partida o Santos vence com propriedade por 2 a 0 no Morumbi/SP lotado, na segunda partida com Robinho deitando e rolando o Santos consegue outro triunfo e conquista de forma brilhante o Campeonato Brasileiro de 2002.
Poster de Campeão (1)
Os meninos queriam mais, e foram além, chegando na decisão da Libertadores em 2003, e em 2004, já sem Diego, mas com Robinho e Elano fazendo a diferença, conquistam novamente o Campeonato Brasileiro por pontos corridos (46 jogos, 27 vitórias, 8 empates e 11 derrotas, sendo o recordista de gols em uma edição com 103 gols assinalados), tornando-se o primeiro a conquistar dois Brasileiros no século XXI, sob comandado de Wanderley Luxemburgo, e consagrando de vez essa geração vencedora.
santos capeão 2004

 

One Response to A segunda geração de Meninos da Vila (2002/04)

  1. marysantos says:

    Por onde anda o grande professor Antonio Barbosa, preparador físico, gostaria de ter mais informações deste profissional.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *