A Sexta Década (1962-1972)

Published On 12/11/2017 | A história do clube, Décadas
Por Kadw Gomes

O MELHOR TIME DE TODOS OS TEMPOS
PROTAGONISTA DA ERA DE OUTO DO FUTEBOL BRASILEIRO
DINASTIA SANTÁSTICO
Iniciando um período absolutamente brilhante, uma miríade de craques lendários associados ao Rei, coloca o Santos F.C. no cume do futebol mundial.
A equipe assombrou o mundo pelo seu jogo espetacular, revolucionado com o Futebol Arte e o DNA ofensivo. A formação (4-2-4 que podia virar 4-3-3) era com Gilmar, Lima, Mauro, Calvet e Dalmo; Zito e Mengálvio; Dorval, Coutinho, Pelé e Pepe; no banco o técnico Lula. Anos depois, numa enquete histórica promovida pela El Gráfico, com opiniões de europeus e sul-americanos, esse time seria conceituado como o melhor de todos os tempos.
A maior sequencia de títulos seguidos já feita por um time brasileiro ocorreu entre 1961 a 63, o Santos conquistou nove títulos em sequencia. No Brasil o Time de Branco foi esmagador, conquistando um Pentacampeonato Brasileiro inigualável (1961, 62, 63, 64 e 65) e cinco Campeonatos Paulistas (1960, 61, 62, 64 e 65). Além, claro, de três Torneios Rio-São Paulo (1963, 64 e 66).
Na América do Sul, tornou-se o primeiro brasileiro Bicampeão da Copa Libertadores (1962 e 63), superando os grandes esquadrões sul-americanos: Peñarol-URU (2×1, 2×3 e 3×0) e Boca Juniors-ARG (3×2 e 2×1). No Mundo, consagrou-se como o primeiro time da historia Bicampeão Mundial Interclubes (1962 e 63), derrotando dois gigantes europeus: Benfica-POR (3×2 e 5×2) e Milan-ITÁ (2×4, 4×2, 1×0) – em um dos momentos mais grandiosos da história, em dois dias mais de 260.000 pessoas superlotaram o Maracanã para ver o Santos. Uma etapa que culminou na hierarquia triunvirato: nesse período, o Santos tornou-se o maior campeão do Brasil, da América do Sul e do Mundo.
Nesse ínterim, coube ainda contribuir para a Seleção Brasileira conquistar o Bicampeonato da Copa do Mundo. Sete jogadores (Gilmar, Mauro, Zito, Mengálvio, Pelé, Coutinho, Pepe) do Santos que já tinham sido campeões mundiais interclubes, integraram o elenco campeão no Chile.
Com a fama de melhor equipe do planeta, irradiavam convites de todas as partes do globo, não havia quem não quisesse testemunhar o Santos. E devido ao pouco valor financeiro na Libertadores com uma violência e deslealdo inerente, a corrupção e manipulação nas disputas da Conmebol, o Santos se viu prejudicado e preferiu excursionar pelo mundo. Situação aproveitada pela CBD que usufruía dos craques santistas na seleção brasileira.
Quebrando recordes de renda e publico o time encantava plateias do mundo todo. Entre 1964-65 o Santos chegou a superar as grandes forças da ultima copa do mundo vencidas pelo Brasil (além de toda a geração chilena, inclusiva a La U do Ballet Azul por 3×0, goleou por 6×4 a Tchecoslováquia vice-campeã mundial). Na Europa os santistas ficaram conhecidos como os Grandes Mestres do Futebol.
Ao fim de 1966 (depois do recorde de decisões nacionais consecutivas e recuperar o prestigio do futebol brasileiro em jogo de vingança contra os portugueses), o Alvinegro entrou numa fase de renovação. O técnico agora era Antoninho Fernandes e após remodelações na equipe surgiu a Máquina de BrancoCláudio, Carlos Alberto, Ramos Delgado, Joel Camargo, Rildo; Clodoaldo e Negreiros; Abel, Toninho, Pelé e Edú. O Santos tratou de enumerar outra serie de conquistas impressionantes.
A hegemonia foi impressionante. A Máquina de branco alcançou o feito do terceiro Tricampeão Paulista do Santos no profissionalismo (1967, 68 e 69). Se não bastasse, ainda conquistou o Hexacampeonato Brasileiro em 1968, com uma campanha impecável. Até hoje o Santos é o único clube a conquistar seis títulos brasileiros numa década. Nas excursões internacionais dessa época o clube venceu grandes representantes de Alemanha (5×4 München campeão alemão-67) e Itália (final da Recopa), sobressaindo-se o futebol técnico ante a imposição física, de duas potencias da Copa vencida pela Inglaterra.
Fase esplendorosa. Em 1968 (ano que venceu tudo que disputou: oficiais e oficiosas), pela terceira vez em sua historia, o Santos conquistava um titulo nacional e internacional numa mesma temporada, recorde entre clubes brasileiros. Varreu em pleno El Cilindro a Academia do Racing-ARG (3×2), aspirando a Recopa Sul-Americana de Campeões. A conquista qualificou para algo ainda maior, uma disputa a nível mundial: a Recopa Mundial. Numa batalha duríssima, em pleno estádio Giuzeppe Meazza, na Itália, o Santos venceu a Internazionale por 1×0 e foi proclamado o Campeão dos Campeões Mundiais.
Desbravando novas rotas o Santos se transformava no Grande Embaixador do Futebol. Quando excursionou pelo continente africano as recepções foram apoteóticas. E o mais incrível acontecimento de um clube no futebol ocorreu: o Santos paralisou duas guerras (Congo e Biafra) em solo africano na mesma excursão. Ainda naquele ano, a CBD delegou João Saldanha para o comando técnico da Seleção Brasileira nas Eliminatórias. E o treinador faz o simples: convoca nove atletas do esquadrão santista. As Feras do Santos, ou de Saldanha, arrasam classificando o Brasil para a Copa.
O ano seguinte é dedicado ao futebol brasileiro. A seleção muda de técnico, Zagallo é quem assume alterando também na escalação da equipe. Com um elenco de base santista (Carlos Alberto, Joel Camargo, Clodoaldo, Pelé e Edu) o Brasil forma a melhor seleção da história e conquista o Tricampeonato da Copa do Mundo em 1970, assim como a posse definitiva da Taça Jules Rimet. O Santos é o grande protagonista da Era de Ouro do Futebol Brasileiro.
A dinastia Santásticos é a mais vencedora da história do futebol brasileiro e uma das maiores da história. Nessa etapa o Santos alcançou a façanha de ser o maior campeão nacional e internacional, maior campeão do Brasileiro, Libertadores e Mundial (numa década foram 23 títulos oficiais conquistados). Em uma década, o Alvinegro cedeu o número recorde de 18 convocações em três Copas do Mundo (1962, 66 e 70). 
Mas nem tudo fora um sonho. Fora de campo o clube havia feito a compra do parque balneário (em 1965). De início se imaginou-se uma coisa, mas acabou sendo outra: um pesadelo, as dividas se acumulavam. E tudo que arrecadava em dólares nas excursões se perdia buscando pagar dívidas hipotecarias. O resultado final desse processo foi uma crise técnica e financeira a partir da metade dos anos 70.

Fontes/Referencias:
Centro de Memória e Estatísticas do SFC;
Almanaque do Santos FC (Guilherme Nascimento);

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *