A Terceira Década (1932-1942)

Published On 13/04/2016 | Décadas
Por Kadw Gomes

A GLÓRIA DO CAMPEÃO
TRIUNFOS SOBRE CAMPEÕES DA AMÉRICA PLATINA
NA ÂNSIA DE SUBIR A QUEDA
Eram tempos em que o futebol se apresentava em meio à confusão de entidades e clubes, com o advento do profissionalismo (1933) gerando enorme agitação esportiva. Nessa fase, cabe dizer que os clubes paulistas não se preparam bem para a nova dinâmica e passaram por problemas. Corrobore assim, processo de administrar que, depois de cinco anos jogando em alto nível, a equipe praiana tenha baixado de produção no último ano do amadorismo (1932). Nem mesmo o arremate de 7 a 1 sobre o Corinthians, retomou o ânimo do time. A falta de Feitiço foi notória acarretando a regressão. Nesse ínterim, o Campeonato Paulista foi interrompido pela revolução constitucionalista.
Embora irregular em 1932, a resultante de campanhas a partir da primeira participação em 1913, do período somado desde a primeira edição do estadual (1902-32), condicionava o Santos como quarto clube de melhor performance na história do futebol paulista no Amadorismo. Em 279 jogos foram 279 pontos conquistados. 123 vitorias, 644 gols marcados, com saldo de 181 tentos. 79 reveses e 463 gols sofridos.
Deferiu a equipe santista pelos anos seguintes buscando dias melhores pelo novo futebol, agora de ordem profissional. Cabe dizer que numa data magma, coube ao Santos FC e ao templo de Vila Belmiro, a primazia de registrar a primeira partida sob regime profissional em 1933. Nesse mesmo ano, o clube participou do primeiro torneio interestadual do futebol brasileiro, o Torneio Rio-São Paulo. Em nota, belas vitorias contra o Fluminense (4×3 e 2×1), e uma nova goleada perante o alvinegro da capital, em contagem de 6 a 0. Em 1934, assim como no ano anterior, o time acabou entre os cinco melhores no estadual. Na apresentação mais esplendida, ocorre em prélio interestadual, diante do Vasco de Leônidas da Silva, Domingos da Guia e Fausto, então melhor time do país, na Vila Belmiro. Nesse duelo, não bastou os 4 a 1, o alvinegro colocou o cruz-maltino na roda.
Antes do certame estadual de 1935, buscando melhor entrosamento e adequações na equipe, o Santos FC trilhou uma excursão proveitosa ao Rio Grande do Sul ao qual agregou bons ocorrentes. Pela rota ao Sul, destaque para a presença de Arthur Friedenreich atuando com a imaculada camisa branca. No regresso, o time treinado pelo ex-jogador Bilú, postulava um modelo de futebol e estava melhor preparado. Embora não crédulo na confirmação do primeiro título, a confiança voltava-se para um trabalho correto que seria de ser recompensado.
A composição emérita de uma equipe aguerrida e bastante solida, compactuou com uma remodelação ao longo da disputa, desta o retorno do craque Araken Patusca, o fortalecimento técnico, as antes conjecturas que fizeram o Santos FC conseguir uma campanha excepcional no estadual de 1935. Em 12 partidas, o time obteve 09 vitórias e sofreu um único revés, assim, sob todos os méritos, conquistou o primeiro Campeonato Paulista. O título veio após a vitória por 2 a 0 diante do Corinthians, na capital, em pleno Parque São Jorge. Terminando com o melhor ataque com 32 tentos e a melhor defesa sofrendo apenas 12 gols. A boa fase deu continuidade nacionalmente, mas os maiores feitos vieram em âmbito internacional. Entre 1936-38, o SFC estabeleceu triunfos sobre argentinos e paraguaios: foram repercutidos os 4 a 3 nos professores do Estudiantes/ARG e os 5 a 1 no vice-campeão paraguaio Libertad/PAR.
A recompensa do brio em partidas contra estrangeiros ocorreu em 1938, pois completou-se uma composição pioneira de sucessos sobre clubes de maior respaldo da tríade da América Platina: Argentina, Uruguai e Paraguai. O Santos tornou-se o primeiro clube brasileiro a ter em seu histórico internacional, triunfos sobre um Campeão Argentino (abateu os consagrados Huracán e Estudiantes), um Campeão Uruguaio (o primeiro estrangeiro campeão nacional vencido foi o Rampla Juniors) e num ultimo tiro o Campeão Paraguaio (Libertad). É bem verdade que a boa fase seguiu até 1937, quando conquistou mais um Torneio Início.
Campanhas medianas foram recorrentes ao time nos anos seguintes da década. Certamente dois pontos motivaram um enfraquecimento: 1. Foi notório que o clube saiu de suas origens de revelar bons nomes e buscar jogadores no futebol amador da cidade. 2. Ao invés disso, contratou muito e gastou de forma desnecessária, não obtendo resultados satisfatórios.
Apesar de se esperar muito e o time fazer pouco, houve também êxitos significativos, como os procedentes sobre o refundado São Paulo (estaduais: 4×0 em 36, 4×1 em 37, e 5×1 em 41), a Portuguesa bicampeã da outra Liga (2×1 em 38), e diante dos velhos conhecidos Corinthians (3×2 no estadual de 36) e Palmeiras (3×2 no estadual de 39). Nos duelos interestaduais, vitorias contra Flamengo (2×0 em 37), Botafogo (3×2 em 38) e America (3×2), além de vencer o campeão mineiro invicto de 1938, futuro bicampeão, o Atlético MG de Kafunga e Guará, por 2 a 0, no primeiro encontro entre as equipes. Prélios relevantes, reafirmando que a equipe continuava batendo de frente contra os grandes times.
Em síntese da década, cabe ressaltar que a fulgência de craques e a numeração de matches vencidos, em maior peso de um título estadual, foram de grande agrado. Futebolistas com alto valor técnico do nível de Araken, Moran, GradimMario Seixas, Mario Pereira, Junqueirinha, Tom Mix, Agostinho e Silvio Hoffman, como os tácticos e/ou disciplinados Sacy, Meira, Jango, Victor, Raul (goleador importantíssimo), Logu (ponteiro de números expressivos), Marteletti (incansável), Neves (cotado a Copa de 38) e o goleiro Cyro (ídolo fundamental), nomes estes que enumeraram a seleção paulista, fizeram valer a praxe de um bom futebol e a tradição do Campeão da Técnica e da Disciplina. E os valores continuavam com Ruy e Claúdio para a década seguinte.
Em transcurso, deferiu-se o futebol paulista trazendo significativas mudanças estruturais e políticas. Numa época em que, a única fonte de renda eram as arrecadações, a construção do estádio Pacaembu, nos anos de 1940, provocou uma lacuna entre os clubes da capital e os da cidade de Santos. Nesse ínterim, as equipes litorâneas se afunilaram mais não conseguiram equipara-se ao trio de ferro.

Fontes e Referências:
Almanaque do Santos FC (Guilherme Nascimento);
Centro de Memória e Estatísticas do Santos FC (Guilherme Guarche);
Livro Time dos Sonhos (Odir Cunha);
ASSOPHIS;
Jornal A TRIBUNA de Santos.

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