Um passo do Hexa

Published On 08/10/2017 | Clássicos e Rivalidades, Jogos Históricos
Por Ronaldo Silva,
São Paulo, 08/10/2017
Atualizado em 10/10/2017

Santos e Palmeiras, vencedores na rodada inicial da Fase Final do Campeonato Brasileiro, disputariam um confronto onde o vencedor teria situação privilegiada para conquistar o título. Durante o torneio, as equipes se enfrentaram num clássico sem abertura de contagem.
O time santista se concentrou na Chácara Nicolau Moran, o técnico Antoninho teria a disposição todos os titulares e prometia uma equipe ofensiva para vencer o clássico. Em contrapartida, o Palmeiras apresentava preocupação com a presença do futebol rápido e técnico que o time liderado por Pelé, o técnico Filpo Nuñez classificava as partidas contra o Santos como um “acontecimento especial”

O JOGO
Tão logo iniciou a partida, já se podia observar que o Santos estava levando vantagem sobre o seu adversário. Pelé, como se fosse considerado a única peça importante do Santos, era cuidadosamente vigiado pelos homens da defesa palmeirense. Não deixar Pelé jogar perto ou dentro da área e utilizar o oportunismo de Artime para vencer a partida pareciam ser os caminhos palmeirenses.
Ora fazendo um passe a um companheiro melhor colocado, ora partindo com a bola dominada. Pelé, bem auxiliado por Lima e Edu, pode levar perigo a meta de Chicão, aproveitando a indecisão dos adversários, que pareciam não saber mudar o esquema tático. Explorar o jogo pelas pontas foi outro modo encontrado pelo Santos para criar situações perigosas.
Numa ação pela direita, Edu chegou ao fundo do campo e depois de vencer Ferrari, cruzou a bola alta para o meio da área. Toninho perdeu a oportunidade de arrematar, indo a bola para a esquerda. Abel, porém, dominou-a quase em cima da linha de fundo e atirou alto. Chicão avançou um pouco mas a bola, chutada por Abel, passou pelas suas costas bateu na trave, rebateu nos pés do próprio goleiro e foi às redes.

Toninho vence disputa contra a zaga palmeirense (Foto/ Jornal A Tribuna)

A partir daí, o Palmeiras se descontrolou ainda mais, falhando seguidamente na troca de passes e nos chutes à distância. Por sua vez, o Santos deixava o adversário entrar no seu campo para então surpreendê-lo em contra-ataques rápidos, orientados quase sempre por Lima e Pelé. Até o final do primeiro tempo, o Santos desperdiçou várias oportunidades de gol, pois Toninho não estava em boa forma técnica.
SEGUNDO TEMPO
Sem forçar demais o jogo, o Santos se aproveitava dos erros do Palmeiras para aumentar seu domínio, utilizando os pontas Edu e Abel para abrir a defesa palmeirense. Para dar cobertura aos laterais, Nélson era obrigado a largar a marcação de Pelé, que se aproveitava disso para criar situações de perigo na área adversária. O técnico Filpo Nuñez colocou Servílio para atuar ao lado de Artime, mas a alteração não deu resultado.
Aos 35, houve uma falta na entrada da área do Palmeiras, Pelé e Edu tomaram posição para a cobrança e correram juntos. Mas foi Pelé quem chutou a bola, batendo na barreira saiu à esquerda, onde Edu a apanhou e, da entrada da área, atirou rasteiro no canto oposto sem defesa.
Finalmente, aos 43, Manoel Maria numa boa jogada pessoal, fintou Ferrari e invadiu a área. Depois de limpar o lance, atirou forte. Chicão interceptou a bola, mas deixou-a escapar. Toninho aproveitou o rebote e encerrou a contagem.
A vitória do Santos aconteceu com normalidade e nasceu tão espontaneamente, que não admite nenhuma sombra de dúvida. Com enorme categoria e admirável espírito de luta, sem forçar o ritmo da partida, mas deixando a nítida impressão de superioridade nas manobras e toques de bola. O time santista assumia a liderança da fase final do campeonato nacional, se aproximava de sua sexta conquista.

Sob os olhares de Ademir da Guia, Abel executa uma linda bicicleta! (Foto/Jornal Estadão)


Ficha Técnica:
08/12/1968 – Santos 3 x 0 Palmeiras
Gols: Abel aos 14min do primeiro tempo; Edu aos 35min e Toninho aos 42min do segundo tempo
Local: Estádio do Morumbi, em São Paulo
Competição: Campeonato Brasileiro
Renda: NCr$ 231.390,00
Público: 36.278
Árbitro: Armando Marques
SFC: Cláudio; Carlos Alberto, Ramos Delgado, Marçal e Rildo; Clodoaldo e Lima; Edu, Toninho, Pelé e Abel (Manoel Maria). Técnico: Antoninho
SEP: Chicão; Eurico, Baldochi, Nélson e Ferrari; Dudu e Ademir da Guia; Marco Antônio (Servílio), Artime, Tupãzinho e Serginho. Técnico: Filpo Nuñez

Fontes e referências:
Almanaque do Santos FC;
Jornal “O Estado de São Paulo”;
Jornal “Folha de São Paulo”

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *