A virada histórica em La Bombonera!

Published On 12/11/2014 | Histórias, Jogos Históricos, Taça Libertadores
O Campeão de Tudo em 1962
O Santos FC foi o primeiro clube brasileiro a conquistar a Copa Libertadores da América em 1962, em outra decisão memorável contra o temido e poderoso, Peñarol do Uruguai. Aquele ano foi histórico para o Santos e para o futebol brasileiro, o clube foi no mesmo ano Campeão Estadual, Nacional, Continental e Mundial. Recorde, jamais igualado por outra equipe brasileira na historia. Craques como: Gilmar, Mauro, Zito, Mengálvio, Coutinho, Pelé e Pepe, todos Bicampeões Mundiais com o Brasil no Chile em 62, seguiam formando a base de uma equipe avassaladora e insaciável que vencia tudo que disputava.
Campeão de tudo que disputou em 1962, o Santos chegava a Copa Libertadores de 1963, como o grande Campeão da última edição Sul-Americana e Campeão Brasileiro daquele ano. Novamente, para mais um embate memorável contra o Botafogo de Garrincha. Assim como aconteceu pelo Campeonato Brasileiro de 1962, agora um duelo Internacional, valido pelas Semifinais da Copa Libertadores de 1963. No dia 4 de novembro, no estádio do Pacaembu – SP, o primeiro jogo termina com um empate em 1 a 1, com gol de Pelé, para o Santos. Na segunda partida disputada em 11 de novembro, novamente no Maracanã, o Santos faz um jogo de deuses aplicando 4 a 0 no Botafogo e classificando-se para a grande decisão da Copa Libertadores (Copa dos Campeões da América) do ano de 1963, contra o Boca Juniors (ARG).
A Campanha Continental do Atual Campeão
Depois de eliminar o Botafogo, o Santos chega a decisão Continental, e mesmo com certo favoritismo pelo futebol apresentado, o grupo comandado pelo técnico Lula, sabia que não teria vida fácil para levantar outra taça, como relata o próprio Rei Pelé no filme Pelé eterno. “o Brasil era então o pais do otimismo, e ganhar títulos no esporte passou a ser obrigação”, lembra. “foi Bicampeão Mundial de futebol, de basquete, ou seja, era quase uma obseção ser Bicampeão Mundial. então havia certa pressão para que o Santos também fosse Bicampeão Sul-Americano. “ Na decisão o adversário era o sempre temido, Boca Juniors (ARG).
O Grande Adversário Argentino
O Boca Juniors (ARG) era a grande Base da Seleção Argentina nos anos 60, cedeu quatro jogadores a Copa do Mundo em 1962, mais 6 na Copa de 1966, seria naquele período (anos 60) Tetracampeão Argentino. Na Copa Libertadores, o clube Xeneizes venceu os três jogos que disputou em seu mítico estádio, La Bombonera e sobretudo eliminou o Peñarol (URU), na Semifinal. O clube vivia um momento especial para o futebol portenho, pela primeira vez na história um time Argentino chegara à decisão da Copa dos Campeões da América (Copa Libertadores). O Boca contava com grandes jogadores como: Marzolini, Orlando Peçanha, Simeone, Rojas, Antonio Rattin, Sanfilippo e Gonzaléz. Alem disso, jogaria o segundo jogo da finalíssima em seu estádio, a mítica La Bombonera.
A decisão histórica entre Santos (BRA) e Boca Juniors (ARG) parte I
No estádio Maracanã, dia 4 de novembro, o primeiro grande jogo da decisão da Copa dos Campeões da América (Copa Libertadores) de 1963. O Santos se impôs na partida, mostrou rapidamente a força ofensiva que tinha formada por um dos maiores ataques da história e abriu 3 a 0, com dois gols de Coutinho e um de Lima. Mais no decorrer da partida, acabou sofrendo dois gols, deixando escapar importante vantagem para o jogo de volta na Argentina.
A decisão histórica entre Santos (BRA) e Boca Juniors (ARG) parte II. O Bicampeonato Continental Invicto conquistado em La Bombonera.
Dia 11 de novembro de 1963, estádio La Bombonera, na Argentina, segundo jogo da decisão da Copa dos Campeões da América (Copa Libertadores), entre Santos (BRA) e Boca Juniors (ARG). A representação Santista entrava a campo sobre clima hostil e intimidador feito pela torcida Xeneizes. ”Jogar em La Bombonera não era brincadeira. A pressão da torcida e a gritaria eram enormes quando entramos” explica Pelé. O ponta-esquerda Pepe, também falou sobre o jogo na Argentina e completou: “O estádio estava lotado, a torcida gritava, nos xingava. Ganhar do Boca Juniors lá, na casa deles, não era coisa para equipe normal.” O Ambiente pesado não era apenas da torcida, os Argentinos do Boca, fizeram forte marcação aos brasileiros do Santos, e sobretudo principalmente a Pelé, dando trabalho ao arbitro Frances Marcel Albert Bois.
O Boca Juniors chegava e criava perigosas invertidas ao ataque no primeiro tempo, principalmente com Sanfilippo, que eram contidas sobe excelentes intervenções do Goleiro Gilmar, do Santos. No primeiro tempo um jogo truncado e de pegada forte, com boas chances para os dois lados que terminou empatado. O resultado era favorável ao time paulista, mais do lado dos Argentinos só a vitoria interessava, precisavam vencer para forçar o terceiro jogo. Começava-se o segundo tempo do jogo, a torcida continuava a empurrar o Boca, e logo aos dois minutos da segunda etapa, Sanfillippo abre o placar, para delírio da torcida Argentina. O resultado que forçaria terceiro jogo e fazia a torcida dos Xeneizes balançar o estádio.
Com todo aquele clima, aquele ambiente, a forte marcação, até desleal algumas vezes, o resultado favorável aos Argentinos e o Esquadrão do Boca em La Bombonera, parecia caminhar a vitoria dos Xeneizes. O ponta-esquerda Pepe fala que havia um detalhe a se levar em consideração ao que se caminhava a partida como relembrou. “Um a zero, e aquela galera toda vibrando, o estádio quase vindo abaixo. O campo era ruim, o adversário era forte e jogava duro. Tudo estava contra. Só que tinha uma coisa: era o santos que estava do outro lado. “o Santos de Pelé.
O time Santista não se deixou intimidar por toda aquela situação e ambiente criado dentro do estádio, e Pelé principalmente, chamou para si a responsabilidade de colocar o Santos no jogo. O camisa 10 do Santos, sofreu ao longo do jogo diversas faltas, teve seu calção rasgado após forte dividida com um adversário, mais coube a ele com ajuda do fantástico “Time de Branco” os lances que dariam ao Santos o Bicampeonato Sul-Americano. No primeiro lance, quatro minutos depois do gol Argentino, Pelé, enfiou um passe para o Gênio da área, Coutinho, este então chuta forte e empata o jogo, para então comemorar de forma exaltada, esbravejando sua raiva e felicidade na comemoração, sobe vaias que ecoavam no estádio advindo da torcida argentina. “foi um jogo diferente, com muita provocação, e a vibração foi por isso”, relembrou o camisa 9 do Santos, Coutinho.
O Santos retoma o controle e confiança na partida, passa a controlar o jogo, mais a emoção e vibração maior, ficariam contidas até os 37 minutos do segundo tempo. Coube a Pelé, o jogador mais caçado em campo, em uma jogada com Coutinho, que desta vez retribui com passe para Pelé, este faz jogada de Rei, dribla o zagueiro Brasileiro Orlando, fazendo a zaga Argentina ficar sem ação, e da entrada da área, chuta no canto e fuzila o goleiro Nestor Errea que cai sem chances. “ele deu um drible que deixou o Peçanha quadrado”, brinca Pepe.
Pelé, o Rei do futebol, esbravejava em sua comemoração ao ver a bola no fundo das redes, saltava, com diversos pulos e não se continha a comemorar, com seus companheiros que o abraçavam a uma comemoração de uma vitoria merecida e heroica, onde vencera aquele momento, o melhor time das Américas. Não restava mais tempo, nem tão pouco o time Argentino tinha reação para igualar. O Santos FC trazia para o Brasil uma dura e merecida taça, depois de um jogo memorável contra um adversário fortíssimo, era o Bicampeão Continental do país, das Américas, O Santos FC estabelecia e consolidava seu domínio continental, para mais tarde trazer o Bicampeonato Mundial contra o Milan (ITA), na decisão da Copa Intercontinental (Mundial Interclubes) em 1963.

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