Alfajor!

Published On 31/10/2016 | Jogos Históricos
Por Ronaldo Silva
Santos, 31/10/2016

A cidade de Buenos Aires organizou um torneio quadrangular reunindo grandes equipes do futebol mundial, competição essa, batizada de Copa Amistad. Foram reunidos em primeiro lugar os dois clubes mais populares da Argentina, os eternos rivais Boca Juniors e River Plate, e como atrações internacionais duas equipes entre as mais famosas do futebol mundial, nada menos que Santos e Real Madrid.
Para a primeira rodada, foi marcada a partida inaugural envolvendo uma reedição da final da Taça Libertadores da América de 1963, colocando frente a frente o Santos versus o aguerrido Boca Juniors. Um detalhe que gerou comentários durante a organização da Copa Amistad foi a prévia renúncia do grande Real Madrid em enfrentar o Santos, algo que se sucedeu durante toda a década de 60, já que o clube merengue nunca se encorajou de enfrentar o esquadrão santista de Pelé.

O JOGO
O Santos partiu para disputar o quadrangular com uma equipe renovada em relação as suas últimas aparições em campos argentinos, havia uma grande expectativa por parte da imprensa e do público local de como se sairía essa nova formação de Lula com a presença dos recém chegados na Vila Belmiro, dentre eles o promissor lateral-direito Carlos Alberto, o clássico zagueiro Orlando e o habilidoso ponta-esquerda Abel.
No lado do Boca Juniors, algumas ausências sentidas para o confronto como o goleiro Roma, os médios Rattín e Sacchi e o meia direita Ángel Rojas que estavam na Seleção Argentina, mas contava com o apoio de sua fanática torcida que compareceu em grande número para incentivar sua equipe.

O Santos não tomou conhecimento do Boca Juniors! (Foto/Revista El Gráfico)

Às 14:59, entrou em campo o time santista todo vestido de branco e carregando a bandeira argentina, do outro lado já os esperava o Boca Juniors. Desde os primeiros segundos ficou clara que a partida teria um dono ou melhor um “Rei” que com apenas 45 segundos já realizou a primeira trama com Coutinho e quase o placar era inaugurado. O Santos seguiu criando oportunidades uma atrás da outra levando a zaga argentina ao desespero buscando de todas maneiras encontrar alternativas para parar Pelé, Coutinho e cia.
A abertura do placar era questão de tempo e após um passe de Coutinho entre Rilo e Silveira encontra Pelé que num chute raso de direita estufou as redes do gol de Errea. O time alvinegro mesmo vencendo continuou a dominar a partida, seu segundo gol surgiu, aos 26 minutos, num belo cruzamento de Abel pelo lado esquerdo que Pelé entre os zagueiros argentinos junto a marca do pênalti num plástico movimento subiu para realizar uma cabeçada perfeita que foi parar no canto direito sem chances para o arqueiro argentino, arrancando efusivos aplausos das tribunas do estádio de Nuñez.
O Boca Junios ainda assimilava o segundo gol sofrido quando dois minutos depois Pelé recebeu uma bola e se desvencilhou de um marcador e num toque profundo encontrou a entrada livre do coringa Lima que não teve dificuldades para fazer o terceiro gol santista e determinar o placar final deste primeiro tempo de total domínio dos comandados de Lula numa exibição exuberante do Santos.
Para a segunda etapa de jogo, o Santos continuou a dominar a partida sob a coordenação do capitão Zito e combinações perfeitas entre Coutinho e Pelé conseguiu mesmo com uma vantagem de 3 gols ter mais oportunidades que a equipe argentina. Pelé, para variar, se encontrava numa tarde muito inspirada e começou a travar um duelo particular com o volante uruguaio Silveira que buscou de todas as maneiras tentar intimidar o craque santista que em nenhum momento se preocupou com os pontapés e provocações sofridas.
Somente aos 27 minutos, que o Boca Juniors conseguiu diminuir o marcador após uma disputa pelo alto entre Mauro e Rojas com a bola sobrando nos pés de Menéndez que emendou um voleio no arco defendido por Gylmar. Os 15 minutos finais da partida se tornaram eletrizantes com a torcida do Boca cantando cada vez mais alto, a pressão argentina  aumentou com Rojas chutando uma bola rente a trave e uma grande intervenção de Gylmar após conclusão de Pianeti. Mas o Santos sabia como reagir nessas situações, primeiro num contra-ataque que Pelé seguia em direção ao gol e foi seguro por Simeone e logo em seguida numa outra grande jogada do Rei que encontra Coutinho não aproveitou a chance.
O Boca Juniors, faltando dois minutos para o término do jogo, ficou com um jogador a menos quando Rojas foi expulso pelo árbitro Roberto Goicoechea que já se preparava para decretar o final da partida e no minuto seguinte Coutinho numa cabeçada em que estava livre na área após um certeiro cruzamento de Lima decreta os números finais desse grande clássico sul-americano que termina em 4×1 para o Santos para alívio do time argentino que saiu no lucro devido a magnífica atuação de Pelé e toda equipe alvinegra.
O time alvinegro estreou com uma grande vitória no quadrangular, teria pela frente o River Plate no próximo confronto, com direito a um autêntico chocolate, ou melhor, um delicioso “alfajor” sobre o Boca.

Ficha Técnica:
08/08/1965 – Boca Juniors-ARG 1 x 4 Santos
Gols: Pelé aos 10min e aos 26min e Lima aos 28min do primeiro tempo; Menendez aos 27min e Coutinho aos 44min do segundo tempo.
Local: Estádio Monumental de Nuñez, em Buenos Aires, Argentina.
Árbitro: Roberto Goicochea
Expulso: Alfredo Rojas (BJ)
Boca Juniors: Errea; Silvero, Marzolini e Simeone; Rilo e Silveira; Almir, Menendez, Alfredo Rojas, Gonzaléz e Pianeti. Técnico: Rossi
Santos: Gilmar; Carlos Alberto, Mauro, Orlando e Geraldino; Zito e Lima; Dorval
(Toninho), Coutinho, Pelé e Abel (Pepe). Técnico: Lula

Fontes e Referências:
Almanaque do Santos FC;
Revista “El Gráfico” (Argentina);
Jornal “O Estado de São Paulo”;
www.historiadeboca.com.ar;

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