I. Amadorismo e Pré-Era de Ouro do Futebol Nacional

Published On 14/12/2015 | Artigos
Por Kadw Gommes
Santos, 14/12/2015

A Importância histórica do Santos FC é definida através de suas contribuições, façanhas e legados notáveis, estabelecidos e alcançados ao longo da história. As participações e colaborações ativas no desenvolvimento do futebol, nos âmbitos nacional e internacional, elevaram o clube a um patamar representativo e importante mundialmente. Tornando assim, o Santos FC um clube com valor inestimável e de grande prestigio para a história do futebol em todos os tempos.
Sabemos que o futebol, assim como todo e qualquer processo da história é evolutivo, e causa importantes impactos num meio social. Assim, em 1913, mesmo não sendo mais escravos de direito, com a Lei Áurea sancionada, os negros eram de classes sociais inferiores, e não tinham as mesmas condições das pessoas de cores brancas. Nesse contexto, o futebol nasceu elitista, um esporte para as classes oligarcas que não admitiam a presença de setores populares na prática esportiva, ou seja, não permitiam que negros participassem dos clubes e jogos. Com isso, perceba que além do lado esportivo, se destaca o lado humanitário/solidário da história santista, com as primeiras contribuições a sociedade global através do esporte.
Estas ações, também causam impacto no futebol e dependem num processo evolutivo do contexto histórico. A pratica de negros nesse esporte, permitiu que atletas como Pelé e Garrincha, tempos depois pudessem desenvolver e popularizar o futebol. O Santos FC, foi um clube que logo nos primeiros anos de vida, em 1913, buscou combater o racismo e promover a integração racial, jogando em prol disso (como no amistoso vencido por 5×0 diante do São Vicente AC, em comemoração aos 25 anos da abolição da escravatura) e integrando atletas negros (e pardos) a sua equipe principal (como Milton de Lima, Esmeraldo e Anacleto Ferramenta).
Outra atitude solidária do clube, com ações que foram além do esporte, ocorreu quando o SFC jogou em benefício das crianças belgas em 1915, prejudicadas devido aos conflitos na Europa, também ajudou nesse mesmo ano através de partida diante do Palestra Itália, vencida por 7×0, na arrecadação de fundos para as pessoas devido à seca do nordeste brasileiro.
O Santos FC, no transcorrer de sua história mostrou incontestavelmente porque é um clube tão importante para o futebol brasileiro e mundial. Logo no amadorismo, o clube foi um dos principais responsáveis pelo desenvolvimento do futebol brasileiro, sendo uma base do futebol nacional na primeira década de competições oficiais. Em 1919, ano da primeira conquista oficial da Seleção Brasileira, o Sul-Americano de Seleções (atual Copa América), o SFC foi o clube com o máximo de selecionados possíveis, entre eles o capitão e um dos principais jogadores do escrete canarinho: o craque Arnaldo Silveira.
No final da década de 1910, onde foi o momento mais importante em termos de desenvolvimento e estabilização, pois trata-se de um período de autoafirmação ao futebol brasileiro, o SFC foi o clube que mais cedeu selecionados. Foram 9 convocações de santistas no total: Arnaldo Silveira (3), Adolpho Millon (2), Haroldo Dominguez (2), Constantino (1) e Castelhano (1). Em 1927, o Santos era uma base da Seleção Paulista (12 atletas selecionados), e através de seu ataque extraordinário, que contava com a revelação Araken Patusca, o único craque paulista na primeira Copa em 1930, e o grande centroavante Feitiço (além de Omar, Camarão, Siriri e Evangelista), mostrou a força do DNA ofensivo brasileiro, revolucionando o modelo ofensivo do futebol de época, sendo o primeiro clube a marcar 100 gols por uma competição na América do Sul, com o recorde mundial de 6,25 gols por jogo num torneio oficial.
A história de crescimento, força e estabilização do Santos FC no futebol, se confunde e é análogo com a história da própria Seleção Brasileira e futebol brasileiro. O Brasil chegou aos anos de 1950, com apenas 3 conquistas de Copa América, e nas Copas do Mundo seu melhor resultado foi o vice-campeonato de 1950. Enquanto que outras Seleções, como por exemplo: Uruguai, Argentina, Itália e Alemanha já haviam se estabelecido potencias, seja formando uma geração de craques, ou conquistando Copas do Mundo e Torneios Continentais. Entre a primeira Copa do Mundo em 1930, e a Copa de 54, o SFC revelou dois atletas que foram selecionados: Alfredo Ramos e o craque símbolo santista Araken Patusca, respectivamente. Em 1942 teve a revelação Cláudio como seu jogador na Copa América.
O Regime do Profissionalismo, ocorreu em 1933, e o Santos defensor dessa pratica, realizou a primeira partida profissional, em partida realizada na Vila Belmiro. Em 1955, o SFC aceitou participar de uma Liga no Peru, competição oficiosa que tinha como objetivo arrecadar fundos para pesquisas e tratamento de doenças, como o câncer – os jogos do alvinegro foram um sucesso!
Ainda nos anos de 1950, antecedendo a primeira conquista mundial do país, entre 1955/56 o Santos que contava com um esquadrão na época, ainda sem o Rei Pelé, voltou a ceder selecionáveis a competição Sul-Americana. Em 1956 o Alvinegro formou uma das bases do país com 5 jogadores convocados, foram eles: Jair Rosa Pinto, Formiga, Del Vecchio, Tite e Álvaro. Nesse mesmo ano, o clube obteve um Recorde Nacional! Sendo o único clube do Brasil a possuir 7 jogadores como campeões do Brasil, defendendo a seleção regional (Paulista): Ramiro, Formiga, Tite, Pagão, Del Vecchio e Pepe. Em 1957 mais dois santistas compuseram o grupo na Copa América, entre eles Pelé com apenas 16 anos de idade. Em 1959, assim como em 1957, a Seleção Brasileira acabou sendo Vice-campeã do torneio, e o Santos cedeu 3 jogadores ao Brasil. Além desses, os santistas nos Pan-Americanos: 7 no total.

 

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