Antes da América, o Bi-Paulista (2011)!

Published On 19/12/2016 | A História das conquistas
Por Kadw Gomes
Santos, 19/12/2016

Numa temporada ao qual eram enormes as expectativas e objetivos, foi fundamental que com a saída de atletas importantes o Santos FC fizesse uma remodelação na equipe para almejar todos os títulos em 2011.
A equipe já não era a mesma do título da Copa do Brasil. O Santos passou a sofrer com a saída de seus atletas: Robinho retornou ao Manchester City, André foi negociado com o Dínamo Kiev e Wesley foi para o Werder Bremen. O time também trocou de técnico – saiu Dorival Junior e veio Adilson Batista. Outra baixa seria a de Ganso, que sofreu uma grave contusão, desfalcando o Alvinegro por um bom tempo. E por fim, quem quase deixou a Vila foi Neymar, mas um trabalho árduo de bastidores, somado a uma providencial interferência de Pelé, manteve o craque no Brasil.
A ambição faz parte da composição de um vencedor. A cada trajeto cumprir metas, independente de perdas, uma de cada vez, sabendo tomar as decisões mais corajosas e sabias. Esse foi o compromisso do Santos no ano em que foi o melhor time paulista e das Américas….
Por mostrar uma equipe talentosa, de futebol bonito, alegre e ofensivo no ano anterior, a exigência no Santos projetava um time que mantivesse o Futebol Arte. Mas por muitas vezes apresentar uma defesa desguarnecida, a ideia era de um time solido na defesa também. Para amenizar as perdas, ainda em 2010, havia subido o lateral-direito Danilo e, em novembro, a diretoria repatriou Elano, ídolo da segunda geração de ouro da Vila e que estava no Galatasaray (TUR). Além desses dois, que formariam a equipe campeã continental, foram contratados Aranha, Charles, Jonathan e Diogo. Retornaram de empréstimo Robinho e Maikon Leite, e subiram da base: Anderson Carvalho, Dimba, Tiago Alves e Emerson. Era ano de Libertadores, e o estadual seria um “laboratório” a condicionar o clube, posteriormente, como melhor time da América do Sul.
O Campeonato Paulista é a competição mais forte do Brasil nos primeiros meses do ano. A grandeza de Santos, Corinthians, São Paulo, Palmeiras, somado ao crescimento técnico de equipes como a Ponte Preta e outros que costumam surpreender, além do valor financeiro e a competitividade, torna isso evidente e irrefutável.
O Alvinegro inicia o ano tendo como principal compromisso defender seu trono no futebol paulista. Em janeiro, nas primeiras rodadas do estadual, a equipe coloca em pratica começando de forma arrasadora: 4 a 1 no Linense (na estreia dia 15 de janeiro), 3 a 0 no Mirassol e 4 a 2 no Grêmio Prudente. O técnico Adilson Batista parecia manter o padrão, a força do ataque continuava a mesma, onze gols em três jogos. Na sequência, pela quarta rodada, um duelo bonito, com duas viradas, seis gols, no empate com o São Caetano (3×3), mas evidenciando a necessidade de ajustes defensivos.
Com os craques na Seleção Brasileira, para o clássico contra o São Paulo, na Arena Barueri, o Santos foi a campo com um time misto e triunfou com autoridade por 2 a 0 dando “Olé” nos minutos finais. Tal como Robinho no ano passado, Elano estreio em clássicos muito bem, comandando a vitória com a ajuda dos suplentes. O goleiro são-paulino Rogério Ceni ficou inconformado com a derrota.
Nas rodadas seguintes o Santos desandou. Os maus resultados apareciam e não era surpresa, a equipe claramente era montada de forma errada. Num time de jogadores ofensivos, muitos volantes não potencializam a equipe. Dos cinco jogos que fez, venceu apenas o Noroeste por 2 a 0, na Vila Belmiro, tendo outros 3 empates e uma derrota para o Corinthians, no Pacaembu. Nesse ínterim, o técnico Adilson é demitido e o interino Marcelo Martelotte assume o grupo.
Após resultados ruins, a equipe voltou a boa fase nas três rodadas seguintes sob batuta de Marcelo. O Santos venceu com predominância por 2 a 0 o Oeste (fora); 3 a 0 a Portuguesa, na Vila Belmiro, com gols de Neymar (2) e Léo; e deferiu 2 a 1 no Botafogo, novamente na Vila, no retorno de P.H. Ganso, que assinalou um tento, Elano marcou o outro. Depois voltaram tropeços, em meio as vitórias sobre Mogi Mirim (3×1) e Ituano (3×2), faltava pulso forte no time. A diretoria então sabiamente contrata Muricy Ramalho.
Sob comando de Muricy, que assumiu em 10 de abril, o time não perdeu mais no estadual. Ele fez seu primeiro jogo diante do America, ao qual o Peixe empatou, na sequencia o treinador comandou o triunfo do Santos contra o Paulista por 3 a 0, na Vila, classificando-se para a próxima fase da competição. Terminando em quarto lugar na primeira fase, o Santos fez 19 Jogos, marcando 40 gols e consumindo 11 triunfos, com 5 empates e 3 revezes.

Nas quartas de final, dia 23 de abril, por ter melhor campanha, o Santos jogou na Vila Belmiro tendo como adversário a Ponte Preta. As equipes vieram a campo com propósitos definidos. A Macaca buscava se proteger e jogar no contra-ataque, já o Santos mostrou mais ímpeto procurando o gol, e fazendo valer sua técnica alcançou o objetivo aos 23’ da primeira etapa. Elano deu passe para Neymar, o camisa 11 tirou os marcadores da jogada, puxou para a canhota e chutou forte no ângulo esquerdo, marcando bonito o único tento da partida. No outro duelo de quartas, no Morumbi, o São Paulo vence (2-0) a Portuguesa e classifica-se para disputar com o SFC uma vaga para a final.

Pela fase Semifinal, dia 30 de abril, mais uma vez num mata-mata o Santos estava diante do São Paulo, que tinha a vantagem de jogar no Morumbi. Nessa partida o Alvinegro formou com Rafael; Jonathan, Edu Dracena, Durval, Léo (Alex Sandro); Arouca, Danilo, Elano (Adriano), Paulo Henrique Ganso; Neymar, Zé Eduardo (Bruno Aguiar). Técnico: Muricy Ramalho. O São Paulo possuía uma equipe forte, treinado por Carpegiani, tinha Rogério Ceni, Miranda, Alex Silva, Ilsinho, Casemiro, Rivaldo, Marlos, Dagoberto. Nesse jogo a torcida são-paulina lotou seu estádio com 45 mil pessoas na esperança de ir à final e sair da fila de seis anos sem título estadual.
Muita movimentação desde os primeiros minutos no San-São. Logo aos 2’, Zé Eduardo toma a bola de Alex Silva, Neymar pega a sobra, avança e chuta, Rogério Ceni defende e a bola pega na trave. Aos 5’, foi a vez do São Paulo, com Marlos abrindo espaço e chutando travado por Dorval. A partida seguia equilibrada, as equipes jogavam aberto e expondo um ótimo futebol ofensivo. Nos 18’, Ganso organiza jogo e lança intercalando com Neymar, a bola chega à Leo, que penetra na área e atira forte para Rogério fazer grande defesa. O São Paulo respondeu com Dagoberto (2x), Ilsinho e Jean, entre 31 e 33’, fazendo o goleiro Rafael se destacar. Ele faz defesas incríveis em sequência. A primeira parte encerra.
Veio o segundo tempo e quem volta melhor é o Santos. Aos 15’, Ganso recupera a bola na defesa do SP, chama a marcação para si, e cruza para Elano empurrar de cabeça a redonda para as redes, no contrapé de Ceni – sem reação. Os meninos fazem grande jogada e ocorre novo ponto do Santos nos 27’. Ganso lança Neymar em profundidade, que leva a marcação para a lateral. Neymar para, espera, olha e devolve a pelota na entrada da grande área para o camisa 10 santista chegar batendo com categoria no canto. Miranda, Rogério, Alex Silva e Xandão apenas observaram a bola balançar as redes, num Morumbi silenciado. Perto do fim, o Santos teve chance para aumentar com Neymar, cara a cara com o camisa 01 são-paulino, mas o santista atirou por cima. O SP tentou diminuir com Fernandão, mas sem sucesso.

Pelo terceiro ano seguido o SFC estava na final do Paulistão. Agora para uma revanche com o Corinthians que no mesmo dia jogou no Pacaembu e obteve êxito ante o Palmeiras em decisão por pênaltis. A primeira partida da final ocorreu dia 08 de maio, no Pacaembu, e depois de muita luta os Alvinegros terminaram empatadas em 0 a 0.
Para a decisão, na Vila Belmiro, uma semana depois, o Santos foi a campo com Rafael; Jonathan (Pará), Edu Dracena, Durval e Léo (Alex Sandro); Adriano, Arouca, Elano e Alan Patrick (Rodrigo Possebon); Neymar e Zé Eduardo. Técnico: Muricy Ramalho. Quando a bola rolou o SFC buscou sufocar o Corinthians, aos 5’, Jonathan fez bela jogada e cruzou para Neymar, livre, cabecear para fora. Dois minutos depois, Arouca lançou Léo que chutou forte por cima. Até que aos 16’, Léo deu chutão, a bola sobrou na lateral para Zé Love, ele olha e enfia na área, Arouca se antecipa a zaga e manda para as redes. Pouco tempo depois, Arouca pegou a sobra após escanteio e arrematou a bola na trave. Aos 39’, Alan Patrick recebeu sozinho na cara do gol e mandou por cima. Três minutos depois e Neymar também ficou cara a cara com Júlio Cesar, mas quis enfeitar e desperdiçou chance clara. O Santos foi arrasador na primeira fase, teve oportunidade de sair com vantagem larga.
Precisando do gol, o Corinthians veio mais perigoso na segunda etapa, enquanto o Santos passou a preferir os contragolpes. Com 15’, Rafael teve de fazer grande defesa em chute violento de William. Aos 37’, Zé Love chamou a marcação e abriu para o camisa 11 santista na ponta esquerda. Neymar domina e vai para cima da defesa, devagar ele avança, Chicão é quem faz a cobertura, mas o santista observa e chuta despretensiosamente a bola, ao qual Júlio Cesar tenta defender mas aceita, vagarosamente ela entrelaça nas redes, Santos 2×0!  Enquanto isso Neymar faz festa, tira a camisa e vai comemorar sendo abraçado pelos companheiros. A partida parecia encerrada, mas, um minuto depois, o SCCP diminuiu com Moraes numa falha coletiva da defesa santista. Porém, o Santos mostrou-se maduro, competente, soube administrar a vantagem, quando aos 48 minutos, o arbitro Flávio de Oliveira assinalou o fim da partida. Era a vingança ante o rival e pela 19º vez, quem dava a bola era o Santos no Campeonato Paulista, sendo Bicampeão (2010-2011).
Futebol vistoso, compacto no ataque e na defesa e bem exercido, mantendo o padrão ofensivo, o Santos FC estava praticamente preparado para o cenário internacional. Foram 23 jogos, 14 vitórias, 6 empates e três derrotas. O time marcou 45 vezes, novamente tendo o melhor ataque do torneio, Elano foi destaque na artilharia (). A defesa também sofreu poucos gols, o Santos teve saldo de 24 GP. Depois de alguns ajustes, na temporada seguinte o SFC buscaria o recorde de três tricampeonato paulista profissional.

Fontes e Referências:
Centro de Memória e Estatística do Santos FC;
Almanaque do Santos FC;

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