Apogeu, decadência e Redenção (1971-2000)

Published On 08/09/2015 | A história do clube

Santos Globetrotters (1971 a 1973).

37DEDF9086A5415DAE1A8D4FF5CDC25A

Logo nos três primeiros anos da década de 1970, o Santos FC realizou excursões ao redor do globo terrestre de uma maneira tão extraordinário e nostálgica, que provavelmente nenhuma outra equipe do futebol Sul-Americano e até mesmo global, tivera feito ou ousou a fazer na história do futebol mundial. Propagou-se ainda mais pelo mundo, como o grande embaixador do futebol brasileiro – em alguns casos até embaixador de outros países – colhendo e notabilizando o prestigio planetário adquirido com a geração do “Time dos Sonhos” dos anos de 1960, que dominaram o futebol mundial e, consequente também, dos atletas santistas que formaram a base da Seleção Brasileira no Tricampeonato Mundial no México: Joel Camargo, Carlos Alberto Torres, Clodoaldo, Edu e Pelé.
lll56l5ll6
O Santos era uma grande atração do futebol mundial, acoplado a isso estava o fato do futebol brasileiro viver seu ápice, o momento mais glorioso e, o Peixe, ser um dos principais responsáveis. Com isso, além do quadro santista ser formado por craques sagrados e históricos, todos queriam ter a oportunidade de testemunhar, tocar e ver principalmente a figura de um Rei, que caminhava para sua despedida no futebol. A cada apresentação dos santistas o que se noticiava e presenciava-se eram estádios completamente lotados, fanatismo extremo, delírios aos olhos de expectadores, recordes de públicos, gritarias e correrias, acontecimentos dignos de comparações a um fenômeno mundial, idolatria eufóricas por onde passava, o alvinegro viveu tempos de beatlemania! Nunca na história observou-se tamanho alvoroço de multidões fanáticas para ver atletas de um time de futebol. Assim sendo, vamos viajar nessa segunda parte da epopeia (a primeira foi na década de 1960) com a indumentária do time de branco, nas aventuras internacionais mais extraordinárias feitas por um clube de futebol ao redor do mundo!

O SFC popularizando o futebol francês
Em 1971 o SFC começa sua rota vencedora pelas Américas, em 21 jogos foram 15 vitorias, 5 empates e apenas uma derrota, triunfando sobre adversários Sul-Americanos, Europeus, Combinados e algumas Seleções Nacionais. Nesse ano mesmo ano, a nobreza do clube se faz notada mais uma vez! O Santos foi convidado a fazer um jogo beneficente para ajudar na descoberta da cura contra o câncer, em 31 de março, contra o combinado dos dois maiores clubes franceses, na época: Saint-Étienne – Olympique de Marselha. A partida terminou empatada em 0 a 0, após empate, os jogadores foram para as cobranças de pênaltis. A atriz Brigitte Bardot, símbolo sexual da época, estava presente. (Os cobradores seriam Pelé, Lima, Rildo e Léo Oliveira. Briggitte ainda acompanhava a partida e alguns dizem que a presença da atriz francesa desconcentrou os cobradores santistas, que perderam três penalidades). Os franceses usaram o Santos FC para popularizar o futebol francês, o clube foi um objeto diplomático no país, chegaram a desfilar com a Taça Jules Rimet, em plena a capital de paris.
santos-x-oriente-petrolero-bolivia-o-maior-espetaculo-do-mundo-02A cada parada nos Campeonatos aos quais disputava, o Santos partiu mundo afora propagando-se pelo mundo como um espetáculo aonde quer que fosse como uma grande atração global, aqui destaca-se uma imagem numa partida feita na América do Sul, na parada do Paulista-71, o Santos venceu seus dois compromissos na Bolívia.
O Santos FC continuou sua trajetória pelo globo terrestre em 1972, onde permaneceu se apresentando nas Américas (6 jogos, 2 vitórias e 6 empates) e, em seguida, pelo continente europeu. Um fato importante a se comentar é que, desde de 1969 o SFC não mais excursionava pela Europa e com o futebol brasileiro no auge, conquistando a terceira Copa do Mundo em 1970, sob apresentações magistrais de Pelé e sendo o Santos base do país e o clube mais conhecido e respeitado do futebol Sul-Americano, todos queriam ter a oportunidade de presenciar os atletas santistas e principalmente o Rei do futebol – talvez para ter certeza que era humano – e na Europa não era diferente, com isso, foi inevitável a retomada de excursões do SFC pelo velho continente. E não foi apenas pelo velho continente que o SFC apresentou seu futebol Arte, o clube tornou-se o primeiro clube Brasileiro a jogar em todos os Continentes possíveis: América (Sul, Central e Norte), Europa, Ásia, África e Oceania.
1972 - A Camisa BrancaMuitos foram os fatos curiosos e extraordinários, ocorridos nas apresentações internacionais do Santos nesse ano de 1972, a começar pela primeira partida na Europa, que ocorreu em Birmingham (Inglaterra) sob frio e neve, em 21 de fevereiro contra o Aston Villa/ING. FAÇA-SE A LUZ PARA O SANTOS JOGAR! Com a greve dos mineiros ingleses, não há carvão para gerar eletricidade para o estádio Villa Park, com isso, os organizadores tomam providencias para conseguir geradores próprios (provisórios), de forma que consiga iluminar o campo, mais não tiveram o êxito desejado. Contudo, o público que comparece ao estádio quebra o recorde de arrecadação numa partida de futebol! Sem se importar com a pouca iluminação – queriam de toda forma ver o imaculado time de branco. O peixe como sempre audacioso e sem medo de se expor, joga mesmo sem as condições necessárias, embora Pelé tenha reivindicado que não havia capacidade de continuar a partida, parando o jogo em alguns momentos.
Os santistas eram idolatrados e apreciados em cada país onde jogavam, o Rei Pelé era visto como um deus vivo, com o fanatismo inconsequente do público, e foi assim que, depois de vencer o Sheffield Wednesday-ING por 2 a 0, o Santos chega a Dublin, capital Irlandesa para enfrentar o Combinado Bohemians/Drumcondra-IRL. Pela primeira vez o Santos visita Eire, e uma multidão superlota o estádio local, que tem a presença ilustre do primeiro ministro Jack Lynch. No jogo viu-se uma partida equilibrada, o SFC abriu o placar e chegou a sofrer uma virada, porem conseguiu vencer a partida (3 a 2 para o alvinegro), a comoção do povo tomou conta no 3º gol santista feito por Alcindo, a torcida invadiu o campo, para comemorar o gol do Santos! Pelé observando a multidão entrando em campo corre para o vestiário, a partida é encerrada com muito tumulto! Na sequência, a partida é na Bélgica, e novamente ocorre o mesmo, a loucura toma conta das pessoas, uma multidão que não conseguia entrar no estádio usa de força e derruba os portões, muros e invadem o estádio, no jogo (terminou 0 a 0, Santos e Anderlecht) os torcedores sentavam ao redor do campo, não havia espaço suficiente nas arquibancadas, algo sufocante restringindo a segurança da partida.
1441322_782649861806717_2384885560484542423_nEm seguida, o SFC parte para a Itália, chegando a Roma “A cidade eterna”, para enfrentar a AS Roma no estádio Olímpico. Os organizadores do estádio, organizam-se mau ou não se prepararam para tamanha loucura! Fazendo com que, longas filas fossem formadas, cerca de 42 mil pessoas conseguem pagar seus bilhetes (tem garantias nas arquibancadas). No entanto, ainda havia uma multidão acoplada tentando entrar, e não teria a garantia de comportar a todos, a paciência dos italianos se esgota e acabam invadindo o estádio, muitos são os feridos nessa partida como fato lamentável, cerca de 25 mil pessoas entram a força, superlotam para acompanhar o Santos vencer por 2 a 0 a tradicionalíssima Roma.
Depois disso, ainda na Itália, o Santos parte para Nápoles e consegue outra vitória por 3 a 2 frente ao Napoli de Zoff, Sormani, Altafini e outros cobras. No meio do Paulista de 1972, o SFC faz mais 4 jogos na Europa e Ásia, não precisa comentar que a presença ilustre de reis, ministros e pessoas importantes apreciaram e reverenciaram o clube, somados a isso multidões enlouquecidas a cada partida, o SFC acabou vencendo todos os jogos desse período.
Uma nova parada no final do 1º turno do Camp. Paulista-72 e o Santos parte para mais uma turnê mundial, está será bem extensiva em termos territoriais, uma das maiores feitas pelo clube, o Peixe faz apresentações em países da Ásia, Oceania e América do Norte, ao fim de tudo o Santos recebe uma premiação honorifica, a relevante porem esquecida: “Fita Azul Internacional”. Confira:

Santos FC de 1973/74.

O-último-Esquadrão-com-Pelé-73-74
O Grande time do Santos FC da primeira metade da década de 1970, que contava com muitos craques e sobretudo com o Rei Pelé ainda em boa forma, deixou a desejar…. Poderia ter conquistador mais títulos, mostrado um futebol mais empolgante, mais terminou com apenas uma conquista, a do Campeonato Paulista em 1973 e um terceiro lugar decepcionante no Camp. Brasileiro de 1974, quando na fase final era tido como um grande favorito. O fim desse projeto de esquadrão se encerrou com o adeus de Pelé no futebol em 1974.
Poderia um time que contava com Cejas, Carlos Alberto Torres, Marinho Peres, Clodoaldo, Jair da Costa, Alcindo, Cláudio Adão, Edu e Pelé, decepcionar? Bom, talvez essa não seja a palavra certa para definir o SFC da primeira metade da década de 1970, seria prepotente dizer que decepcionou, porem deixou a desejar e muito…. Por muitos momentos o SFC foi empolgante, mostrou um grande futebol e teve vitorias convincentes, goleando até mesmo grandes adversários. Chegou a conquistar o Campeonato Paulista em 1973 com ímpeto, mesmo que dividido, com a Portuguesa, mais o sentimento desse time que tem todas as ressalvas para ser chamado de esquadrão é que poderia ter vencido mais, conquistado mais, empolgado mais…
Não há dúvidas das qualidades do time santista, tanto que em março foram convocados os atletas para a Copa do Mundo de 1974 e o SFC teve os seguintes selecionados: Marinho Peres, Clodoaldo, Carlos Alberto Torres e Edu. O Rei do futebol ainda tinha condições de sobra para disputar mais uma Copa, no entanto manteve sua decisão de não participar. Pelé queria mais um título, jogaria apenas até outubro, durante 10 meses de despedidas, uma em cada estádio brasileiro. Com uma boa campanha na primeira fase, o favoritismo santista era grande na fase final do Brasileiro de 1974, a revelação Cláudio Adão era uma sensação do momento, e com o retorno de Marinho Peres e Edu, a recuperação de Clodoaldo e Carlos Alberto Torres, poucos duvidavam que a decisão não seria mesmo na última rodada do quadrangular, no Morumbi, entre Santos e Cruzeiro. E como previsto, bastava uma vitória santista sobre o Cruzeiro e um tropeço do Vasco diante do Inter, que culminaria no título do Peixe…
No entanto, as coisas não foram como se esperava, o Santos não existiu contra o Cruzeiro no Morumbi/SP, em menos de meia hora o time mineiro fazia 3 a 0 e despachava para longe o sonho santista e o desejo do Rei. Foi um decepcionante golpe a derrota por 3 a 1 frente aos mineiros. O Santos acabou terminando o Campeonato Brasileiro em 3º lugar, e o time aos poucos era desfeito com os atletas santistas sendo vendidos aos clubes estrangeiros, principalmente depois da despedida de Pelé no futebol, era o começo de novos tempos para o Santos – tempos difíceis.

Campeão Paulista de 1973.

1973 - Campeão PaulistaO Campeonato Paulista de 1973 apresentou um novo formado de disputa. Naquela edição do torneio, cada turno indicaria um campeão, e os campeões de cada turno se enfrentariam numa final de partida única. O Santos conquistou o 13º título Paulista aquele ano (junto com a Portuguesa que levantou seu segundo título).
O quadro santista era composto não apenas de um excelente time, mais de um grande elenco, repleto de grandes jogadores, muitos de seleções, com destaque para: Cejas (grande goleiro Argentino que virou ídolo no SFC), Carlos Alberto Torres (capitão do Tri em 1970 e excelente zagueiro/lateral) Marinho Perez (zagueiro de seleção e capitão em 1974, comprando no segundo semestre de 1972 com o propósito de compor e acabar com os problemas defensivos do time), Zé Carlos, Vicente, Clodoaldo (extraordinário médio central campeão mundial em 1970) e Turcão; Jair da Costa (que jogou a Copa de 1962 e veio da Internazionale/ITA), Alcindo (que disputou a Copa do Mundo de 1966) Cláudio Adão e Manoel Maria (jovens promessas e bons jogadores) Brecha, Eusébio, Edu (o sensacional habilidoso ponta, tricampeão em 1970) e Pelé (ainda em grande fase, foi como sempre a estrela do time naquele estadual).
A campanha do Peixe ao longo do Campeonato foi excelente com: 12 vitorias, 8 empates e apenas 3 derrotas. Marcou 31 gols e sofreu 11 (tendo um saldo positivo de 20 gols). O Rei Pelé terminou como artilheiro da competição, marcando 11 gols e, conquistando seu último título com a camisa do Santos FC.

Continuando o Santos Globetrotters…

19567849235
A continuidade do Santos pelo mundo no ano de 1973, começou em fevereiro, com mais uma turnê mundial e um roteiro bem exótico: Austrália, Oriente Médio, Norte da África e Europa (em 13 jogos disputados, foram 8 vitorias, 2 empates e 3 derrotas). Um destaque importante a ressaltar é que o SFC jogou quase um mês sob o sol escaldante do deserto, e embarcou para a Europa em fevereiro, final de inverno.
10314690_656350584448112_7898767198875095349_n
A cada apresentação dos santistas podia se ver a comoção, adoração e idolatria do público que comparecia sempre, superlotando os estádios, sendo por assim dizer rotineiro a invasão das pessoas para ver o Santos jogar! Em uma dessas partidas, o Santos venceu por 1 a 0 a equipe do Hilal Ondurman (SUD) no Sudão. Nessa partida, devido à baixa renda da população local, cobrou-se menos de US$ 1,00 pelo ingresso. A renda da partida foi de US$ 55.000, para um público de 65 mil pessoas, cerca de 10 mil entraram no estádio sem pagar. Nesse dia, a torcida ficou à beira do gramado. Houver superlotação, já que o estádio tinha capacidade para 45 mil. A partida demorou a acabar, pois a todo momento os torcedores entravam no gramado para tentar se aproximar dos santistas.
As cenas de euforia, idolatria, fanatismo, loucura e desespero para ver e acompanhar o Santos de Pelé era algo comum e frequente, por diversas vezes os públicos não apenas superlotavam os estádios, quase sempre quebrando recordes de renda e público local, mais também invadiam sem pudor, até mesmo na base da violência e da insensatez, ninguém conseguia se conter quando se noticiava a presença do Santos de Pelé. No final do mês de maio o Peixe faz diversas partidas na América do Norte, mais precisamente nos EUA. Foram 10 jogos contra equipes europeias, centro-americanas e claro, norte-americanas. O destaque é que o Santos consegue vencer todos os seus jogos, muitas vezes goleando, fazendo o espetáculo para delírio dos expectadores que acompanhavam o fenômeno mundial em campo…. Até que, retorna ao Brasil para começar seus compromissos no Campeonato Paulista e posteriormente, no Campeonato Brasileiro.
Durante o 2º turno do Camp. Nacional, o Santos aproveitou e realizou dois importantes amistosos: contra a Seleção do Chile e contra o Huracán (Campeão Argentino). Contra o Chile, a partida é cheia de lendas, histórias envolvendo sangue, sofrimento e muitos gols.
pin
Em meio a prisões, torturas, sangue e morte, aconteceu, no Estádio Nacional de Santiago, no Chile, um dos mais infames episódios da História do Futebol. Avesso a isso, e como uma resposta repudiando ao episódio lamentável o Santos foi a campo, mostrou seu grande futebol diante do ditador Pinochet e humilhou sua Seleção Nacional. A história remete-se ao dia em que o Santos enfrentou a ditadura e fez Pinochet se curvar…
Estava programado pelas partidas eliminatórias da Copa do Mundo de 1974 o jogo entre Chile x U.R.S.S. no estádio Estádio Nacional de Santiago. Mesmo após empatar por 0x0 em Moscou, a forte Seleção Soviética poderia vencer o bom time chileno de Figueroa e Cazsely, em Santiago. Porém, os dirigentes soviéticos recusavam-se a jogar num estádio transformado em campo de concentração, onde os militares chilenos prenderam, torturaram e mataram (no centro do gramado, 4 em 4 presos de cada vez) intelectuais, artistas, sindicalistas, socialistas e comunistas, entre eles o compositor Victor Jara (que além de compositor, era músico, teatrólogo, jornalista e comunista). Os soviéticos afirmavam que jogariam em qualquer lugar no Chile, menos no Estádio Nacional de Santiago. No entanto, o Presidente da FIFA, o inglês Sir Stanley Rous, nem quis ouvir os argumentos soviéticos e manteve o jogo no Estádio Nacional. A União Soviética prometeu e cumpriu: não viajou até Santiago. Sendo assim, o Chile iria classificar-se para a Copa da Alemanha sem jogar, como de fato, aconteceu.
pinoc
Mas, os dirigentes da Federação Chilena de Futebol, em sintonia com os militares golpistas, queriam uma festa para celebrar a vitória do Chile frente aos “comunistas soviéticos”. E para não ficar sem futebol, convidaram o Santos FC para enfrentar o Selecionado Chileno, com a TV local transmitindo para a Europa e América. Para o desgosto do ditador Pinochet, o jogo terminou com uma grande goleada santista – 5×0, estragando a festa preparada pelos cartolas e militares chilenos e sendo uma saborosa vingança daqueles que abominam a violência e a brutalidade (lembrando episódio semelhante acontecido em Berlim, nas Olimpíadas de 1936, onde o atleta negro Jesse Owens ganhou medalha de ouro nas provas de atletismo, com Hitler no estádio).
1973-Santos 4x0 Huracan (ARG)
Na outra partida, em Buenos Aires na Argentina, novamente o Santos postula um grande futebol e aplica uma goleada de 4 a 0 no Huracán/ARG, humilhando o Campeão Argentino.
Os gols santistas, foram marcados por: Edu, Pelé, Nenê e Léo Oliveira.

Popularizando o Futebol Norte-Americano.

USA
O Peixe jogou 56 vezes nos Estados Unidos. A primeira partida foi um empate por 1 a 1 com o Milan, em 1965, em reedição da decisão do Mundial Interclubes, três anos antes.
Ao longo da história, o Santos FC tornou-se o clube brasileiro que mais disputou partidas nos EUA, e contra Norte-Americanos, e também o que mais venceu.
Na década de 1970, ajudou a popularizar o futebol nos EUA em amistosos contra o Cosmos, time de NY onde Pelé encerrou sua carreira. Em 2010, inaugurou o estádio do RB New York, que fica em New Jersey – derrota por 3 a 1.

O Adeus de Pelé no futebol e a crise existencial do Santos FC …

rei-pele-despedida-sfc-blog-dna-santastico-6Vivia o epilogo da saga Pelé e sua despedida, que ocorre em 1974. Após a despedida do Pelé o SFC entrou numa crise existencial. Depois de 1.116 jogos, desde 1956, o Rei do Futebol se despedia do Santos. A partida histórica que marcou o último jogo de Pelé na Vila Belmiro aconteceu há 40 anos, no dia 2 de outubro de 1974.
O primeiro turno do Campeonato Paulista chegava ao fim e na partida escolhida para a despedida, o Peixe ia encarar a Ponte Preta no Estádio Urbano Caldeira. Pessoas de todo o Brasil e do mundo fizeram questão de testemunhar esse momento histórico. A mídia internacional se fez presente.
O jogo foi marcado pela cena emocionante: o Rei ajoelhou no centro do gramado, agradeceu e depois de saudar o público, seus companheiros e adversários, partiu em uma volta olímpica na casa que o projetou para o mundo. Pelé saiu da Vila em um carro do Corpo de Bombeiros seguido por milhares de fãs que gritavam seu nome. Era o fim de um ciclo no futebol; a despedida do maior jogador de todos os tempos. O Santos venceu a Ponte Preta por 2 a 0, com gols de Cláudio Adão e Geraldo (contra). O Alvinegro Praiano formou com: Cejas; Wilson Campos, Bianque, Vicente e Zé Carlos; Léo Oliveira e Brecha; Cláudio Adão, Da Silva, Pelé (Gílson) e Edu. O técnico era Elba de Pádua Lima, o Tim. Mas a despedida do Santos FC foi só no campo, porque o Rei, além de estar sempre presente nas ações e iniciativas do clube, deixa claro que o Peixe nunca sai do seu coração.
Curiosidades:
Pelé voltou a vestir a camisa do Peixe no dia 7 de dezembro de 1975, no empate em 1 a 1 contra o Bahia em partida do Torneio Governador Roberto Santos, em Salvador.
E no dia 1º de outubro de 1977, o rei jogou sua última partida com a camisa do Santos FC, em disputa contra o time norte-americano do Cosmos, em Nova York.

 Meninos da Vila (1978 a 1979).

11102914_786141838135652_8807316837080150174_n (1)A questão econômica começou a ser sentida com a ausência das tradicionais excursões que ocorriam em menor frequência, outro problema que ocasionava eram os calendários absurdos montados pela FPF e a CBF na década de 1970. Em meio a problemas citados, gradativamente o clube entrou numa crise técnica e financeira. O auge da crise ocorre entre 1976 (terrível situação financeira começava a se aflorar) e começo de 1978, resultando em brigas nas arquibancadas com os torcedores revoltados e o time com maus resultados nas competições. Mais foi nesse período tenebroso que a capacidade de reinvenção e de superar dificuldades do clube entrou em cena, surgiram os “Meninos da Vila” (Pita, Juary, Rubens Feijão, Claudinho, Toninho Vieira, Zé Carlos, Joãozinho, Nilton Batata, João Paulo e Ailton Lira).
O Santos tinha na presidência do clube Rubens Quintas, como vice de futebol profissional, José Ely de Miranda, o Zito, como diretor de futebol, José Rubens Marino, entre outros nomes importante, e foi com esse grupo administrativo que o Peixe tentou buscar uma solução para o mal momento vivido e, assim, apostou numa velha forma de sucesso: contar com garotas da base, que a partir daquele ano, seria batizada para sempre na história do clube. O técnico Chico Formiga, sabendo da impossibilidade da diretoria de buscar grandes reforços para o time, foi buscar na base santista uma solução, e foi apostando seu futuro em garotos que de modo, surpreendente, o SFC conquistou o longuíssimo Campeonato Paulista de 1978 (terminado em 1979), apresentando um futebol em ritmo de discoteca, a garotada santista jogava por música, o lema era “canta, dança e joga”, o Santos foi a sensação do futebol brasileiro.
O técnico Formiga implantou um trabalho brilhante, postulando sua filosofia aos jogadores promovidos da base, como Juary, Nilton Batata, João Paulo e Rubens Feijão, deu subsídios necessários ao futuro craque Pita para integrar o elenco de cima, que formou uma dupla de craques no meio campo com Aílton Lira, e depois durante o ano foi subindo outros garotos, como: Zé Carlos, Toninho Vieira, Cardim, Claudinho e Célio. O time engrenou durante o Campeonato Paulista, virou a sensação da competição. Os garotos ganharam personalidade e conjunto, jogavam de igual para igual frente ao poderoso Corinthians de Sócrates, Zé Maria, Wladimir e Cia., atropelavam o São Paulo de Waldir Peres, Serginho e Zé Sérgio, e batiam os fortíssimos times de Campinas, comandados por Careca, Zenon, Renato, Dicá, Lúcio, Carlos, Oscar e etc. A consagração final ocorreu batendo na decisão o forte São Paulo (Campeão Brasileiro em 1977), enchendo de orgulho e renovando as esperanças e satisfações alvinegras.

Campeonato Paulista de 1978.

104049O Campeonato Paulista de 1978 foi o mais longo de todos os Campeonatos promovidos pela FPF (Federação Paulista de Futebol), iniciado em 20 de agosto de 1978 e terminando em 28 de junho de 1979. Para conquistar o título e levar o enorme troféu do certame para a Vila Belmiro, o Santos jogou o incrível número de 56 partidas (o campeonato teve 3 turnos, mais semifinal e final) vencendo 26 jogos, empatando 16 e perdendo 14 partidas, marcando 80 e sofrendo 47 gols. Como já foi descrito anteriormente, esse time campeão ficou conhecido como a primeira geração dos “Meninos da Vila” devido a juventude da equipe capitaneada pelo guerreiro Clodoaldo. Os grandes destaques da equipe, foram o centroavante Juary (artilheiro do Campeonato com 29 gols), Pita, Nilton Batata, João Paulo e Ailton Lira, além de outros bons nomes. O peixe praticava um futebol envolvente e alegre, ofensivo e rápido, típico da história do clube com os garotos que até hoje sobem ao time principal. A pressão para manter o nível de conquistas, e em paralelo, para o surgimento de um novo Pelé, eram cruciais para mergulhar o clube numa crise que parecia não ter mais fim. Talvez por isso, várias “promessas” da categoria de base eram logo comparadas ao Rei do Futebol, o jovem Cláudio Adão foi o caso mais emblemático. Com isso, esse time foi também o primeiro a conquistar um título sem a presença do Rei Pelé que houvera encerrado sua carreira no clube em 1974, a última conquista havia sido no Camp. Paulista de 1973.
1461875_823577761058726_8298106725162849974_nAs decisões do Campeonato Paulista de 1978 ocorrem apenas no ano de 1979 e, foram o momento de coroação ao melhor time do certame, o Santos venceu o primeiro jogo por 2 a 1 no Morumbi/SP (dia 24/06) com gols de Juary e Pita. Na segunda partida um empate em 1 a 1 (dia 24/06) novamente no Morumbi/SP. A terceira e decisiva partida ocorreu no dia 28 de junho de 1979, perante um público de 80.488 espectadores, numa noite fria de inverno no estádio do Morumbi/SP.
O Santos veio a campo, com: Flávio; Nelsinho Batista, Antônio Carlos, Neto (Fernando) e Gilberto Sorriso; Zé Carlos, Toninho Vieira e Pita (Rubens Feijão); Nilton Batata, Juary e Claudinho. O técnico era o saudoso Francisco Ferreira de Aguiar, o popular Chico Formiga. E com esse saudoso time, o Peixe sagrava-se Campeão Paulista referente ao ano de 1978, com a torcida santista que lotou as arquibancadas vibrar intensamente com os meninos craques, sendo este o 14ª título estadual da história santista.

Santos um dos melhores times do futebol brasileiro (1983 a 1984).

Depois de péssima campanha no Paulista de 1982, o presidente santista Milton Teixeira, aplicou um investimento em contratações de jogadores de qualidade e experientes, promovendo contratações importantes que reforçaram o time para o Campeonato Brasileiro de 1983. Chegaram na Vila Belmiro: Serginho Chulapa, Paulo Isidoro, Dema, Lino. E foi assim que, com um time competitivo e com jogadores calejados, o SFC transformou-se num dos melhores times do Brasil nesse período, conseguindo campanhas relevantes e enfrentando de igual para igual, os grandes times do começo da década, casos do Flamengo de Zico, Atlético MG de Reinaldo e da Democracia Corinthiana.
1983
Um grande time que mostrou um futebol competitivo e experiente, com qualidade e muita pegada, esse era o Santos de 1983 que chegou à final do Camp. Brasileiro, terminando com o Vice-Campeonato. A defesa santista com o goleiro Marolla, os zagueiros Toninho Oliveira, Marcio Rossini, Toninho Carlos e Gilberto Sorriso, tinha segurança e solides, o meio com Dema e Lino mostrava proteção defensiva e Paulo Isidoro e Pita eram craques, que cadenciavam e criavam jogadas com qualidade, na frente a rapidez de João Paulo que também era artilheiro e, sobretudo, a figura do matador Serginho Chulapa, grande ídolo santista, e um artilheiro nato. A qualidade desse quadro santista foi medida contra os melhores times do país na época, e o SFC mostrou que era uma equipe para bater de frente com qualquer adversário.
Os embates que se intensificaram ocorreram, primeiro na semifinal da Taça de Ouro, onde o Santos eliminou o Atlético MG de Reinaldo (2 a 1 em SP e 0 a 0 em MG), que era uma das bases da Seleção Brasileira de 1982 e, depois na decisão, quando dominou o jogo no Morumbi/SP, diante do Flamengo de Zico (vencendo por 2 a 1), onde poderia ter saído com uma vantagem melhor. Na segunda partida o SFC sucumbiu, pegou um gol logo aos 40 segundos, e depois que o juiz deixou de marcar um pênalti claro em Pita, não deu para o Peixe. Naquele ano, o SFC que tinha uma das quatro maiores torcidas do país, conseguiu o recorde entre clubes paulistas com a maior média de público de uma edição do Campeonato Brasileiro, levando uma média de 49.306 pagantes por jogo no campeonato de 1983.
Recorde no Campeonato Brasileiro: Primeiro clube a disputar Oito decisões de Campeonato Brasileiro (as finais ocorreram nos anos de 1959, 1961, 1962, 1963, 1964, 1965, 1966 e 1983).

Feios, sujos e malvados

10825256_747110682047303_544046290_o
Esta é uma expressão que o escritor José Roberto Torero utilizou para definir o time do Santos Campeão Paulista em 1984. Aqueles jogadores fugiam do padrão santista. Depois de ver seus Meninos da Vila caçados em campo e roubados pela arbitragem – revolta que chegou ao clímax em 1983, quando Arnaldo César Coelho garfou o Alvinegro na final do Brasileiro, no Maracanã –, o torcedor queria um time menos ingênuo, com jogadores mais durões, malandros e até violentos (comenta o historiador Odir Cunha).
Com a base mantida de 1983, o Santos começou o ano com grandes expectativas. No Campeonato Brasileiro, liderou com autoridade nas duas primeiras fases, porém, na terceira fase, ficou em 3º lugar no grupo, e não obteve uma nova classificação. Já na Taça Libertadores, as coisas foram diferentes. Após 19 anos sem disputar a competição internacional, o Santos foi eliminado na 1º fase. O fato abalou o elenco, porém, mantiveram-se firmes!
As grandes perdas da equipe foram a transferência de João Paulo para o Corinthians, e a de Pita para o São Paulo. Dois craques que já haviam conquistado o Estadual de 1978 pelo Alvinegro, e agora envergariam as camisas de dois concorrentes diretos ao título. Mas, há males que vem para o bem. A negociação de Pita com o São Paulo envolveu dois jogadores que defendiam o time do Morumbi, e foram utilizados como “moeda de troca”. Com isso, o meio-campista Humberto e o ponta Zé Sérgio, vieram para a Vila Belmiro, e conseguiram um fantástico entrosamento com o centroavante Serginho Chulapa, o principal jogador da equipe. Com uma boa “espinha dorsal”, o Alvinegro precisava de um goleiro. Rodolfo Rodriguez, já com grandes passagens pela Seleção do Uruguai, foi o escolhido, e desembarcou na Vila Belmiro logo no primeiro mês de 1984.
Aquela equipe do Santos tinha os zagueiros Márcio e Toninho Carlos que chegaram a atuar pela Seleção Brasileira, assim como os meio-campistas Dema e Paulo Isidoro e o atacante Zé Sérgio. Além disso, contava com as defesas espetaculares de Rodolfo Rodrigues e dos gols de Serginho Chulapa, ambos em grande fase. O time tinha sua filosofia baseada na garra, vontade e dedicação dos jogadores e, foi assim, durante o Campeonato Paulista de 1984, onde o Santos foi quase sempre vencendo seus compromissos em casa e empatando fora, aflorou-se e depois de uma belíssima campanha enfrentou e venceu a democracia Corinthiana de Sócrates, por 1 a 0 com gol de Serginho Chulapa, artilheiro da competição, resultado que garantiu o título Paulista de 1984 ao Santos FC.

Campeonato Paulista de 1984.

10735763_747110672047304_952651805_nO Campeonato Paulista de 1984 foi disputado por pontos corridos, embora na última rodada Santos e Corinthians, as duas melhores equipes do Campeonato, tenham protagonizado uma final direta pela conquista estadual, onde o Alvinegro de Vila Belmiro, com o triunfo de 1 a 0 sagrou-se Campeão. Coma a base mantida do time finalista da Taça de Ouro em 1983, e com algumas trocas de jogadores, o SFC conseguiu impor um futebol eficiente, numa equipe que ficou conhecida como: “Feios, sujos e malvados”. A expressão se deu, devido ao time ser formado por jogadores experientes e que costumavam não levar desaforo para casa, uma equipe que fugiu dos padrões santistas mais que, no entanto, mostrou-se vencedora, garantindo o Campeonato de 1984 ao Santos FC. A campanha santista foi muito regular, em 38 jogos: foram 22 vitorias, 13 empates e 3 derrotas. O ataque santista balançou as redes 54 vezes e Serginho Chulapa, foi o artilheiro da Competição (com 16 gols marcados). A defesa santista que contava com zagueiros de seleção, e o excepcional goleiro Rodolfo Rodrigues, que proporcionou um dos lances mais históricos do futebol, sofreu apenas 19 gols. O peixe chegou a ficar 15 partidas invicto, o que lhe foi agraciado com a Taça dos Invictos, prêmio do jornal esportivo “A Gazeta Esportiva”.

Ao final da década de 1980 notou-se que foi marcada também, como um período ao qual o Santos revela bons jogadores e alguns craques, mais sem recursos para mantê-los, é obrigado a perder os jovens promissores. Os craques santistas, que tiveram mais destaque de um modo geral, no período, foram: Rodolfo Rodrigues, Marcio Santos, Serginho Chulapa, Dunga, Paulo Isidoro, Dema, Lino, Zé Sérgio. Todos estes, chegaram a atuar por suas Seleção Nacionais.

Entre 1983 a 1985 destaque para os duelos entre Santos x Futebol Uruguaio.

10383890_747963671961212_9202767539244198430_n
Ao longo da trajetória santista, é fácil notar que o futebol uruguaio sempre está presenta na vida do Santos FC. Para se comentar alguns casos importantes, podemos se atenuar com as duas finais de Copa Libertadores vencidas pelo alvinegro diante do Peñarol/URU (em 1962 e 2011), além dos craques uruguaios que vestiram a imaculada camisa branca, como Hugo de Léon e, sobretudo, o lendário goleiro Rodolfo Rodrigues. Na primeira metade da década de 1980, o SFC teve apresentações relevantes contra o Futebol Uruguaio.
Primeiro no ano de 1983, onde o Peixe disputou a Taça Vencedores da América, que foi um triangular que envolveu os clubes: Peñarol, Nacional e o Santos. Todas as partidas foram disputas no lendário estádio Centenário, em Montevidéu (Uruguai). Com duas vitorias, primeiro diante do Nacional (por 2 a 1) e, em seguida na decisão, contra o todo poderoso Peñarol Campeão da Libertadores e do Mundial, o Santos conquistou a competição bastante prestigiada, que foi retrata com ênfase pela imprensa uruguaia, com a surpreendente vitória santista. Na segunda apresentação santista, que ocorre no ano de 1985, o Santos com problemas financeiros, aceita o convite da Federação Japonesa de futebol e viaja rumo ao Oriente. A competição, a Copa Kirin de Clubes, que garantia ao vencedor uma premiação extra de 30 mil dólares. Na competição, o Santos consegue uma grande campanha: em 05 jogos, 04 vitorias e um empate. Na decisão o Peixe enfrenta a Seleção Uruguaia e triunfa com propriedade, com goleada por 4 a 2, conquistando a Competição no Japão.
Devido a excelente campanha, após o termino da competição a Federação Japonesa de futebol convidou o SFC a participar do Torneio Toyota, em dezembro. Após a conquista, contudo, o Santos seguiu para os EUA, dando continuidade a suas excursões internacionais, agora pela América do Norte.

Popularizando o Futebol Chinês.

1989 - Excursão a China

Para um clube que se promove como um Embaixador do Futebol, como se ver notoriamente na história santista, o peixe segue os rumos mais visionários. Assim, o Santos FC de Sócrates foi convidado para divulgar o futebol brasileiro nas terras de Mao. Pela 1ª vez um grande clube brasileiro visitava a China. Os chineses fizeram de tudo para agradar e divulgar os brasileiros… A excursão santista era anunciada como a “Competição da Amizade”. E ao final de cada partida os melhores atletas do SFC em campo, eram premiados com finíssimos vasos de porcelana chinesa… um prêmio de uma riqueza cultural inestimável. Nicanor de Carvalho (Técnico), Sócrates, Ernani, César Sampaio, Sérgio Guedes, Juary, receberam a condecoração.
1989 - Excursão a China (2)
Dessas partidas na China, destaque para o jogo entre Santos x Fosham F.T. da China, onde o Peixe se tornou o primeiro clube atingir a marca de 4.000 jogos disputados com sua equipe principal no dia 29/08/1989. O alvinegro atuou em diversas cidades chinesas, além de Honk Kong (pela 3ª vez – 1970, 1972 e 1989).
Sócrates: A grande atração do Santos FC no final da década de 1980.
socrates a atração santista

Decadência e Renascimento.

el reconstrução
O período entre 1986 a 1989 pode ser visto, como um dos mais ruins tecnicamente da história do Santos, o clube atravessava uma grande crise financeira e os resultados dentro de campo eram negativos. As melhores campanhas foram a conquista do 1º turno do Paulista-86, que resultou depois num 4º lugar, e ainda no estadual, um 3º lugar no ano seguinte.
No Campeonato Brasileiro campanhas deprimentes, e eliminações precoces na Supercopa Libertadores (competição disputada a partir de 1988 entre os campeões da Libertadores), eram bastante sentidas na Vila. Assim, o momento era de uma recuperação do clube, necessitava-se uma reciclagem e uma conduta que levasse o Santos de volta as conquistas e o prestigio, mais até lá, foi um processo duradouro – a fila foi a mais dolorida da história por sinal: de 1984 a 1997/98 sem títulos, para alguns até 2002.

“Política pés no chão” e Redenção (1991 a 94).

Uma das coisas mais perfeitas são as múltiplas filosofias acopladas e bem definidas que envolvem a atmosfera Santos FC. Uma das mais importantes é a capacidade de reinvenção e superação diante de dificuldades, algo presente no DNA santista. Provavelmente se não fosse, relevante essa capacidade, o sonho teria acabado logo nos primeiros anos da história desse clube. No entanto, com persistência de forças que não se sabe de onde enervam o SFC sempre se levanta, recompõe-se e volta ao seu estado de grandeza natural – muitas vezes surpreendendo.
Depois de uma sentida crise existência com a perda do Rei do futebol, uma terrível crise financeira assolada por anos e anos, e diante de uma crise técnica sem times competitivos por alguns períodos, o Santos se mostra um fenômeno, um caso a ser estudado. Ora, um time que é massacrado pela mídia, prejudicado pela arbitragem e sendo de um litoral paulista, ter todo esse peso no futebol mundial e essa capacidade de se reerguer, sem dúvida é algo incomensurável a qualquer outro time do futebol. A expressão “contra tudo e contra todos” se faz notória na vida do Santos FC que já não precisa provar mais nada, nem a sua torcida e nem ao futebol.

De volta as Conquistas, alguns Feitos Históricos e Recordes.

A segunda metade da década pode ser vista e encarada como um processo de recuperação do prestigio santista, pois nesse período as coisas começavam a mudar na vida do clube, foi um processo lento e até mesmo sofrido para a torcida. Mais como em todo clube, os altos e baixos tendem a ocorrer em algum momento e, o que medirá e se intensificará, para demonstrar e traduzir a grandeza de um clube é a forma de como o respectivo clube se comporta e reage, perante as dificuldades e crises, a forma de como supera os momentos difíceis e se reerguer com ímpeto e perseverança.
Nesse novo momento o SFC retorna as conquistas, somados e acoplados a história construída consegue intensificar alguns recordes e feitos históricos. Novos craques nascem e esquadrões são feitos, tornando o SFC um clube competitivo e forte, capaz de disputar nas cabeças todas as competições ao qual participa. Mesmo com bons times e totais chances de títulos, grandes conquistas de primeira escala não foram reconquistadas, seja por que não era o momento para acontecer, por incapacidade do time e até mesmo por injustiças em momentos importantes. O conforto veio com as conquistas do Torneio Rio-São Paulo e a da Copa Conmebol, pouco para um clube da envergadura do Santos, mais que de certa forma, deixava o torcedor esperançoso e renovava as esperanças de um futuro mais glorioso – que ocorrerá no século XXI.

Time de Guerreiros (Santos de 1995).

PLACAR 95

O Santos do Campeonato Brasileiro de 1995 era um time formado por jogadores até então pouco conhecidos e que não davam segurança ao torcedor. O técnico, também não exigia um currículo dos mais atraentes. A equipe chegou à quinta rodada sem vitorias, acabou perdendo jogos desanimadores para Vasco e Internacional na primeira etapa. Parecia à premissa de mais um ano difícil em que o Santos seria novamente, como nos últimos anos, um mero coadjuvante naquele Campeonato. Mais só parecia…
Para todos os santistas que viveram e que ouviram sobre, aquele ano de 1995 causa diferentes sensações, sentimentos e lembranças. Boas como na virada histórica diante do Fluminense/RJ e o fato do time voltar a ser um dos protagonistas no cenário nacional; mais também, principalmente de inconformação e injustiça, devido a atuação desastrosa do arbitro na final contra o Botafogo/RJ. O fato, é que será para sempre um Campeonato lembrado, assim como o exército brancaleone que se formou naquele ano, sobretudo, na figura de Don Giovanni (10), chamado de Messias pela torcida santista. Eram tempos difíceis, épocas de vacas magras, desde 1984 o Santos vivia um hiato, não levantava títulos, a cada ano a esperança se renovava, mais nada parecia mudar. Para aquele Campeonato em especial, o Santos foi de um time aparentemente desacreditado a “Melhor Time do Brasil em 1995”. O time de Cabralzinho (técnico do Santos) tomou forma na segunda fase, engrenou na competição mostrando um futebol competitivo e eficiente com jogadores importantes em suas participações, como o goleiro Edinho; no setor defensivo Marcelo Silva, Ronaldo, Narciso e Marcos Adriano. Na proteção no meio Carlinhos e Gallo; na criação e no ataque com Jamelli, Robert, Macedo, Camanducaia e Marcelo Passos, com destaque para Giovanni que despontava aos 23 anos. Assim, o Santos conseguiu boas e expressivas vitorias, chegando nas fases finais da competição.
giovanni-messiasNa Semifinal contra o Campeão Carioca Fluminense/RJ, comando pelo atacante Renato Gaúcho não seria nada fácil, e não foi mesmo. O Santos abriu o placar com Giovanni, mais sofreu a virada e acabou perdendo (4 a 1 no estádio Maracanã no primeiro jogo da Semifinal). Parecia o fim, teve dois jogadores expulsos que eram fundamentais, Robert e Jamelli. Teria que vencer por três gols de diferença na volta em SP. O Jogo Semifinal entre Santos e Fluminense, no estádio do Pacaembu/SP, não foi apenas um dos maiores jogos da versão 95 do Santos. Foi um dos maiores jogos da história do futebol brasileiro. O Santos entrou em campo destinado e obstinado a vencer, com um time ofensivo, a garra santista foi notória em todo o jogo e, com apoio total da torcida que lota o estádio Pacaembu, cantando sem parar e empurrando o time, o SFC numa apresentação memorável venceu o Fluminense/RJ por 5 a 2 numa atuação magistral do craque Giovanni. Na decisão, o Santos perde o primeiro jogo para o Botafogo/RJ por 2 a 1 no Maracanã/RJ, na volta bastaria uma simples vitória no Pacaembu/SP, para conquistar o Campeonato Brasileiro de 1995, ela certamente aconteceu, ou melhor, iria acontecer, não fosse a atuação desastrosa do árbitro Marcio Rezende de Freitas que impediu o título de um time de guerreiros!
Recordes no Campeonato Brasileiro: Em 1995 o SFC tornou-se o primeiro Clube Brasileiro a ter cinco vezes o melhor ataque do Campeonato Brasileiro e o que mais teve no século XX (1961.1964.1968.1973.1974.1995). Além disso, tornou-se também o primeiro clube a disputar Nove decisões de Campeonato Brasileiro (finalista das edições de 1959, 1961, 1962, 1963, 1964, 1965, 1966, 1983 e 1995).

Santos de 1997 a 1998.

1998 - Em campoO momento de redenção e recuperação do Santos FC começa a se aflorar e intensificar-se aos poucos, com o clube voltando a ser um dos grandes times do país no período de 1995 a 98, sendo competitivo e brigando regulamente por conquistas. Essa nova fase da vida do clube começa no ano de 1995, está é a data chave de um renascimento e revigoramento da grandeza do Santos FC, de um processo ao qual o clube se reerguer no Cenário Nacional.
Entre 1997 e 1998 o Santos volta a conquistar títulos, primeiro no Torneio Rio-São Paulo de 1997 onde o clube tornou-se o maior campeão da competição com o Pentacampeonato (1959, 1963, 1964, 1966 e 1997). No ano seguinte a reconquista de uma competição internacional, a Copa Conmebol, sendo este o sétimo título internacional da história santista. Mais do que isso, a esperança se renova com o Peixe mostrando um grande futebol, que o levaram as semifinais do Brasileiro de 1998, onde terminou em terceiro no certame.

Torneio Rio-São Paulo de 1997.

1997 - Rio-São Paulo (6)

Há muito tempo uma competição não conseguia a proeza de realizar tantos sonhos entalados na cabeça do torcedor como fez o Rio-São Paulo de 1997. O time santista exibiu um futebol valente e bonito, como não fazia desde que Giovanni foi para o Barcelona. Os mais saudosistas logo alertaram para o fato de que o Peixe é o maior papão de títulos do torneio Rio-São Paulo ao todo, cinco: 1959, 1963, 1964, 1966 e 1997.
A Conquista de 1997 demarca também, uma nova fase no Santos, com o clube voltando a comemorar um título, que não vinha desde 1984. A campanha santista foi digna de uma grande equipe (time base: Zetti, Anderson Lima, Sandro, Ronaldão, Dutra; Marcos Assunção, Piá, Vágner, Robert, Macedo e Alessandro), que enfrentou grandes adversários e conseguiu superá-los com propriedade. O primeiro grande duelo foi contra o Vasco da Gama, na época um esquadrão, que naquele mesmo ano conquistaria o Campeonato Brasileiro. Na sequencia o Peixe enfrentou outro esquadrão, o Palmeiras da parceira Parmalat, time que contava com muitos craques e também conquistaria diversos títulos no período. Na decisão outro grande time, o Flamengo de Sávio e Romário e, este duelo, terminou sagrando o Santos o Rei do Rio-São Paulo em pleno o Maracanã/RJ.

Copa Conmebol de 1998.

1998 - Conmebol (7)

Em 1998 o Santos conseguiu uma vaga para a Copa Conmebol (torneio oficial da Confederação Sul-Americana de Futebol), por ter sido o vencedor do Torneio Rio-São Paulo em 1997, sendo esta a primeira e única vez ao qual o Peixe participou da competição internacional e, na sua única participação, acabou sagrando-se Campeão. Sendo a Copa Conmebol de 1998 o sétimo título Internacional da história do Santos FC.
Durante a competição o SFC mostrou-se uma equipe sempre consistente e forte, apresentando um futebol aguerrido e vibrante ao longo da campanha, contra todos os seus adversários: Once Caldas/COL (2×1, 1×2 e 3×2 nos pênaltis), LDU/EQUA (2×2 e 3×2), Sampaio Correa/MA (0x0 e 5×1) e Rosário Central/ARG (1×0 e 0x0). Esta competição Internacional acaba tornando-se histórica, curiosa e bastante festejada na história santista. Na decisão o SFC teve que mostrar toda sua força, que transcendeu o futebol, com os argentinos promovendo literalmente uma verdadeira guerra e batalha. O Santos é o único time brasileiro tetracampeão internacional na Argentina e, ainda se tornou também, o único clube brasileiro a conquistar em dois anos, três vezes o título de Campeão Interestadual (entre estados) e Internacional (entre países), isso ocorreu também em 1962/63, 1963/64 e por fim, 1997/98.

O Clube que mais marcou gols na história do futebol mundial.

PLACAR 98 (2)
O DNA ofensivo é algo essencial, presente e atuante ao longo da vida do Santos FC. Desde seus primórdios dos tempos do ataque de 1916/19 e 1927/29, passando pelos times das décadas de 1950/60 e 1970, até o século XXI, com uma nova geração de Meninos da Vila, como em 2004 (ano onde se tornou o clube com mais gols em uma edição de Brasileiro) e 2010 (ano onde se tornou o clube com mais gols em uma edição de Copa do Brasil). No final do século XX o Santos tornou-se o primeiro clube brasileiro a ter 21 jogadores a ultrapassar a marca dos 100 gols pelo clube. Mais do que isso, o Santos FC tornou-se em 1998 o primeiro clube do futebol mundial a marcar 10.000 gols. Um Recorde Mundial!
Os grandes jogadores santistas do período, foram: Zetti, Paulinho McLarem, Guga, Narciso, Giovanni, Viola, Assunção.

Um Século na Primeira Divisão.

11934318_892803850811318_22718972_n
Mesmo passando por momentos difíceis algumas vezes ao longo da história, o SFC conseguiu terminar o Século XX sem disputar nenhuma divisão inferior em todos os campeonatos ao qual disputou. Sempre, o clube esteve na primeira divisão.
Vale ressaltar com ênfase, que conseguir permanecer na primeira divisão é uma grande façanha, um feito histórico, pois são diversos os gigantes do futebol mundial que já foram rebaixados em seus campeonatos locais. Outra ressalva importante é, que ao longo de toda sua história, ou seja, até o ano de 2015 ao qual é relato esse texto o Santos FC jamais caiu de divisão, permanecendo-se sempre nas séries mais importantes de todos os campeonatos em que disputa.

O Maior do Século XX nas Américas FIFA.

acervo2
O Santos FC foi eleito, no ano 2000, o Melhor Clube do Século XX nas Américas e um dos notáveis clubes do futebol mundial pela FIFA. Em 11 de dezembro, a FIFA divulgou através de sua revista Bimestral, uma lista oficial na qual constavam os maiores clubes do futebol no Século XX. Além dos clubes, a FIFA se pronunciou sobre os grandes jogadores, elegendo Pelé (Maior jogador da história do Santos), o maior jogador do Século XX.
Com essa condecoração e reconhecimento da FIFA, o Clube viu reconhecido a sua gloriosa trajetória e contribuição para o desenvolvimento do futebol, em todo o planeta. As Conquistas e Legados do Santos FC, durante todo o século XX, foram incomparáveis, ganhando dois Mundiais Interclubes, uma Recopa Mundial, duas Copa libertadores da América, uma Supercopa Sul-Americana, uma Copa Conmebol, seis Campeonatos Brasileiros, 15 Campeonatos Paulistas e cinco Torneios Rio-São Paulo. Além das Conquistas, o Santos apresentou ao mundo, o mítico Esquadrão dos anos de 1960, comandado pelo maior jogador da história e tantos outros notáveis jogadores – Bandeiras da nossa história, que juntos, formaram um dos maiores e mais consagrados times da história do futebol mundial. O clube estabeleceu contribuições importantes, sendo a construção de um país Tricampeão Mundial de futebol na “Era de Ouro” (Período mais importante do futebol brasileiro). Foi o clube brasileiro com mais Campeões Mundiais no século XX, um verdadeiro patrimônio do futebol brasileiro e fez diversos feitos, recordes e façanhas, como a paralisação de guerras na África e se tornar o clube com mais gols na história do futebol mundial.

Fontes/Referencias: Diário do Litoral; ASSOPHIS; Revista Placar; Almanaque do Santos FC (Guilherme Nascimento); Blog do Professor Guilherme Nascimento; FIFA; globoesporte.com, Livro Santos FC 100 anos, 100 Jogos, 100 Ídolos (Odir Cunha) e Revista Lance.

 

 

 

5 Responses to Apogeu, decadência e Redenção (1971-2000)

  1. Felipe Carvalho says:

    Parabéns pelo texto maravilhoso ACERVO HISTÓRICO, vocês são o melhor site do Santos na internet! O Santos foi o clube que popularizou o futebol brasileiro, essas histórias confirmam, tantas loucuras para verem o maior time do mundo jogar!!! Por essas histórias, agente percebe a grandeza do clube, MUITO MASSA MESMO! SENSACIONAL!

  2. Felipe Carvalho says:

    O Rio-SP de 97 e a Copa Conmebol 98 foram os primeiros títulos que eu vi… No mais, o Santos mostra que sempre tem capacidade de se levantar, reerguer mesmo, é característica nossa!

  3. Gustavo Tavares says:

    Sensacional os textos! Muito bom trabalho de pesquisas… mostra, grandes acontecimentos do clube nessas 3 décadas, a importância do clube pro futebol mundial, a superação após a despedida de Pelé, muita curiosidade da história do clube. Principalmente, nas excursões internacionais. Estou ansioso para os textos de outras décadas. Deve dar um trabalhão pesquisar isso tudo ! Parabéns!

  4. João Lucas says:

    Dicas muito boas, obrigado e parabéns pelo artigo e site!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *