As Américas em Preto e Branco pela terceira vez!

Published On 22/06/2015 | A História das conquistas
Por Kadw Gommes
Santos, 22/06/2015
Atualizado, 22/06/2016

A trajetória do Santos FC na Copa Libertadores da América de 2011 iniciou-se dia 15 de fevereiro em San Cristóbal, na Venezuela. Sob o comando de Adilson Batista (técnico Vice-Campeão da competição em 2009), o Santos estreou no (Grupo 5), com um empate por 0 a 0 contra o Deportivo Táchira/VEN. No jogo seguinte, contra o Cerro Porteño/PAR, na Vila Belmiro/SP o Santos encaminhava a sua primeira vitória no torneio, que acontecia pelo placar de 1 a 0 com gol marcado por Elano de pênalti, mas aos 47 min do segundo tempo, o time viu a vitória escapar, após penalidade cometida por Edu Dracena e convertida pelos paraguaios, empatando o jogo em 1 a 1. O terceiro jogo do Santos que ocorreu contra o tradicional Colo Colo/CHI, em Santiago no Chile, colocou a prova o futuro daquela equipe de jovens (como Neymar, Ganso, Danilo e o goleiro Rafael) mesclada por jogadores experientes e remanescentes (caso de Elano e Léo). O Santos acabou perdendo de virada por 3 a 2 e ficou em situação complicada. Em três jogos, apenas 2 pontos somados e a classificação para a segunda fase ficou ameaçada. Sendo assim, o Alvinegro não tinha outra alternativa se quisesse permanecer na competição a não ser vencer o duelo seguinte contra o mesmo Colo Colo/CHI, desta vez na Vila Belmiro, em São Paulo.
Na partida de volta, pelo returno da primeira fase do torneio, Adilson Batista não era mais o técnico do time, para o seu lugar havia chegado o comandante Muricy Ramalho que teve uma breve conversa com o grupo e no jogo assistiu ao lado do presidente Luís Álvaro, enquanto o interino Marcelo Martelotte foi o encarregado de comandar a equipe para aquela importante batalha. Antes do jogo a torcida deu total apoio e também cobrou dos jogadores. Quando a bola rolou no emocionante duelo que acabou se tornando tenso e nervoso, o Santos entrou com vontade e garra, fazendo 3 a 0 com certa facilidade, com gols de Elano de falta, Danilo após tirar do goleiro e mandar no canto e Neymar com um golaço driblando todo time chileno e tocando por cima do goleiro. Após marcar, o atacante acabou sendo expulso (pelo uso de uma máscara). A partir daí o que parecia ser uma vitória tranquila tornou-se um jogo de suspense e tensão, o Alvinegro perdeu ainda mais dois jogadores por expulsão: Zé Eduardo (que revidou agressão de um chileno) e Elano já no banco de reservas (acusado de atirar uma toalha no técnico adversário). Com jogadores a menos em campo, o Santos passou a defender-se até o fim, conseguindo manter a vitória, sob forte pressão feita pelo Colo Colo que conseguiu ainda diminuir para 3 a 2.
Para a partida seguinte, Muricy Ramalho assumiu a equipe com a responsabilidade de vencer, já que um empate resultaria na desclassificação antecipado do time. O Santos veio a campo para enfrentar o Cerro Porteño/PAR com os três desfalques que foram expulsões na partida anterior e o jogo, caprichosamente, aconteceu justamente dia 14 de abril, data em que o Santos comorava 99 anos. O novo técnico de filosofia defensiva e trabalho mudou a tática da equipe, fortalecendo a marcação em todos os setores. O jogo acabou sendo a arrancada do SFC na competição, no primeiro tempo, aos 11 minutos o lateral Danilo abriu o placar, com um chute forte de fora da área, colocando o Santos em vantagem e a partida caminhou assim até o termino da primeira etapa. Logo no início do segundo tempo, Paulo Henrique Ganso que teve uma grande atuação no jogo, deu uma boa assistência ao veloz Maikon Leite que tocou na saída do goleiro, aumentando a vantagem para 2 a 0. Nos momentos finais, aos 47 minutos o Cerro diminuiu para 2 a 1 mais o Peixe assegurou a vitória, passando a estar com boas chances de classificação, para isso, bastava vencer em casa o Deportivo Táchira no jogo seguinte.

Danilo fez um lindo gol na decisiva vitória contra o Cerro Porteño, em jogo válido pela primeira fase!

No jogo decisivo realizado no Pacaembu/SP o Alvinegro conseguiu uma grande atuação contra os Venezuelanos do Deportivo Táchira, a convincente vitória começou com Neymar chutando firme no canto, depois Jonatham com chute forte da lateral do campo ampliou, e por fim, Danilo fechou a conta e assegurou a classificação pelo placar de 3 a 1 (com o Cerro Porteño em primeiro). Com isso o SFC, terminou como 9º melhor colocado da primeira fase, num total de 16 equipes classificadas.

Na fase de mata-matas da Copa Libertadores a equipe de Vila Belmiro já estava bem amadurecida, afinal havia superado diversos problemas na primeira fase e o técnico Muricy Ramalho teve tempo suficiente de implantar sua filosofia de trabalho para as fases de mata-matas da competição continental.
O primeiro embate decisivo das fases eliminatórias, ocorreu dia 27 de abril e o adversário foi o aguerrido América do México. Numa partida difícil e complicada, o Santos conseguiu vencer pelo placar mínimo de 1 a 0 com gol de Paulo Henrique Ganso, que com sua categoria acertou o canto do goleiro adversário, após jogada de Neymar. Enquanto se superava na Libertadores, o clube avançava no Paulista eliminando o São Paulo pelas Semifinais da Competição em pleno Morumbi.
Depois de vencer a partida decisiva pelo estadual a maratona de jogos continuou, a equipe seguiu viagem de 10 horas a temida altitude de Querétaro no México e, depois de muita dificuldade, por circunstâncias do tempo chegou ao estádio de La Corregidora. Numa partida complicadíssima o Santos contou com uma exibição inesquecível do jovem goleiro Rafael e da defesa santista que garantiram um 0 a 0 suadíssimo, conquistando a classificação as quartas de finais, na base da “superação” a palavra de ordem no grupo.
Depois da classificação complicada na Libertadores, o time enfrentava o Corinthians para ser campeão paulista, pelo segundo ano consecutivo. Mais ainda no primeiro jogo da final, Paulo Henrique Ganso sentia uma contusão na coxa e teve que passar seis semanas de recuperação. Sem seu camisa 10 cerebral, as ameaças cresciam na Libertadores e pelas quartas de final da Competição Continental o Santos enfrentou o colombiano Once Caldas (algoz do time nas quartas de final de 2004) como adversário, tendo outra viagem complicada, de várias horas, até Manizales na Colômbia.
Numa partida que teve uma grande exibição santista, principalmente do endiabrado Neymar, o Peixe não se intimidou com a violência dos colombianos e, na casa do adversário, conseguiu uma importante vitória por 1 a 0 com gol de Alan Patrick (substituto de ganso), após jogada de Neymar. Depois disso a maratona de jogos continuou, novamente o time tinha compromisso importante no paulista, e com uma vitória sobre o Corinthians (por 2 a 1) conquistou o Bicampeonato Estadual.
No jogo de volta pela fase eliminatória da Libertadores, a partida ocorreu no estádio do Pacaembu/SP, e o já “Campeão Paulista” Santos fez 1 a 0 com Neymar, e teve a chance de aumentar a vantagem com ele de novo, mais desperdiçou a cobrança de pênalti. Com isso, o Once Caldas cresceu e pressionou o Alvinegro nos momentos finais, conseguindo empatar a partida, o nível de concentração do grupo era enorme, e o Santos aguentou o resultado e carimbou a vaga para as Fases Semifinais.
Para a fase Semifinal da Copa Libertadores da América, o Santos reencontrou o Cerro Porteño/PAR que tinha a vantagem de decidir em casa. No primeiro jogo no Pacaembu/SP, o Alvinegro fez uma grande partida e teve grandes oportunidades de sair com boa vantagem, chegando muitas vezes a frente, pressionando o adversário, tanto que depois de jogada sensacional de Neymar pela ponta-esquerda, ele fez um cruzamento preciso que encontrou a cabeça do capitão Edu Dracena e coube a ele (se redimindo do seu erro no primeiro encontra na primeira fase), marcar o gol decisivo, que garantiu a vitória por 1 a 0 e vantagem para o jogo de volta.

O capitão Edu Dracena marcou o gol da vitória que deu a vantagem nas semifinais!

No Paraguai pela partida de volta, um clima hostil típico da competição Sul-Americana cercou o Santos, tanto a delegação quanto os torcedores passaram por momentos complicados em suas recepções, experimentando um pouco do “lado negro” da competição. Dentro de campo, o jogo começava com alta dose de adrenalina e o Peixe mostrou sua força, logo no começo do jogo, Zé Eduardo desviou de cabeça a falta cobrada por Elano e encerrou um jejum de gols que já durava dois meses. A situação melhorou ainda mais após falha do goleiro paraguaio e o segundo gol do peixe. O Cerro diminuiu para 2 a 1, mas Neymar, no último lance da primeira etapa, entortou os zagueiros paraguaios e tocou no canto do goleiro aumentado a vantagem para 3 a 1. Com a vantagem, o Peixe acabou relaxando no jogo e, apesar do time paraguaio pressionar bastante e empatar a partida, o SFC garantiu a classificação e a vaga a final da Libertadores depois de 8 anos e, o oponente, seria o forte e tradicionalíssimo Peñarol do Uruguai, justamente o time contra o qual o Santos conquistou sua primeira Libertadores da América, em 1962.

A primeira partida da final foi disputada no lotado estádio Centenário, em Montevidéu. Mais de 50 mil torcedores entusiasmados tentaram empurrar o gigante Peñarol para a vitória, mais encontraram um Santos resistente, consciente e dando pouquíssimas oportunidades de gols aos donos da casa. Quando a bola entrou na meta santista. O assistente assinalou o claro impedimento. Pelo lado santista mesmo com boas chegadas ao ataque e boas invertidas na meta adversaria, o goleiro uruguaio impediu que o Santos saísse em vantagem. O resultado de 0 a 0 transportava grandes emoções para o estádio do Pacaembu/SP na semana seguinte.
No primeiro tempo do jogo, o Santos começou disposto e atacando bastando, parecendo que logo conseguiria construir uma vantagem no placar. Logo no início, aos 3 min, Elano cobrou a falta e Durval subiu mais que todo mundo para cabecear, mais o goleiro Sosa protegeu bem. Logo em seguida mais um lance de perigo, o meia Elano acertou um forte chute de fora da área que foi defendido novamente pelo goleiro. Neymar também teve chance, após passe precioso de Ganso, mas furou. O astro santista esteve sempre cercado por três jogadores. Aos poucos, porém, sem conseguir manter a intensidade o Santos foi cedendo espaços ao Peñarol que equilibrou a partida e causou alguma insegurança aos santistas com investidas rápidas sempre a partir dos pés de Martinuccio. Com Paulo Henrique Ganso que voltava de contusão, mais já aparecia com os habituais belos passes, conseguiu uma enfiada perfeita para Neymar, quando ele se preparava para entrar na área, foi seguro por Alejandro González. A falta, bem próxima da risca da grande área, foi bem batida por Elano. O goleiro Sosa, mais uma vez, colocou para fora. Aos 33min, Ganso de novo: bonito passe para Zé Eduardo, que acertou a rede, mas pelo lado de fora. Léo também teve uma oportunidade ao invadir a área, com o goleiro batido, e errar o alvo. A peleja continuou até o fim da primeira etapa e, assim como no primeiro jogo, a partida terminou empatada no primeiro tempo, em 0 a 0.

Neymar abriu o caminho para o Tricampeonato da América!

Na volta para a segunda etapa complementar, os jogadores santistas voltaram focados e cientes do grande momento que passavam e o Santos começou a Conquistar a Libertadores logo no início do segundo tempo, no primeiro minuto, Arouca avançou desde a intermediária ofensiva, tocou para Ganso e recebeu toque magistral de calcanhar, encontrou uma brecha na defesa e foi arrancando, desequilibrado, encontrou Neymar, que com um espaço curto, enfiou o pé direito na bola, firme, e estufou as redes do gol defendido por Sosa. O Pacaembu explodia em emoção! Mais de 40 mil pessoas presenciaram o momento antológico de uma equipe vencedora, era a confirmação de um novo momento do futebol brasileiro, da nova geração de Meninos da Vila. Em seu camarote no Pacaembu, Pelé vibrava, reverenciando seu sucessor. Em campo, o craque alvinegro e seus companheiros comemoravam o primeiro gol. O Peixe não cessou sua pressão e Neymar em um lance incrível pedalou e arriscou de fora da área, a bola passou muito perto, por cima do gol. Com vantagem, a equipe de Muricy Ramalho encontrou espaços para ampliar, a diferença técnica entre os times era enorme. O Santos, tinha espaços para matar o jogo. O Peñarol tinha dificuldades para sair jogando. O Santos continuava em cima, muito melhor, trocando passes, colocando os uruguaios na roda e foi então que aos 23 min, Elano deu passe para o Danilo, que proporcionou o momento ápice daquela decisão, o Lateral arrancou pela direita, deixou o marcador para trás, cortou para dentro e com o pé esquerdo, chutou no canto direito do goleiro, Santos 2 a 0 no Peñarol. Emoção da torcida, vibração e muita festa nas arquibancadas.

Danilo fez o 2º gol na finalíssima diante do Peñarol!

Mas a história da final ainda pregaria um drama ao Santos, em bola cruzada por Estoyanoff, Durval se antecipou mal, colocando contra as próprias redes. Era a esperança em que o competitivo Peñarol precisava para se agarrar, mais o Peixe continuou melhor, tendo chances de ampliar a vantagem, mais Ganso e Zé Eduardo no mesmo lance, e Neymar num contra-ataque desperdiçaram. O Santos administrou o resultado, não havia tempo para mais nada, era o fim cessante de uma longa espera e da consagração de um time que brilhava desde 2010, e de um Santos Tricampeão da Libertadores em 2011 com um futebol belíssimo de uma nova geração vitoriosa.

Tricampeão da Libertadores!

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