O Mundo aos seus pés – (1962)

Published On 14/02/2017 | História das Excursões
Por Kadw Gomes
Santos, 14/02/2017

Em 1962 o calendário Alvinegro foi muito apertado e exaustivo. Novos interesses envolvidos fizeram com que o Santos diminuísse sua média de excursões internacionais. A razão era a busca pelas inéditas conquistas da Copa Libertadores da América e do Mundial Interclubes, torneios que o futebol brasileiro ainda não possuía.

Coutinho e Pelé comemoram: Santos foi o primeiro time brasileiro campeão da América!

Cada época tem um contexto ou conceito de valor e é necessário entendimento. Pois, nem sempre o Santos FC teve desinteresse pela Libertadores como muitos costumam pensar. A Liga dos Campeões da UEFA nem sempre foi o maior torneio de clubes do mundo. Para o Alvinegro torna-se o “melhor time do mundo” ele precisou provar de forma racional, ou seja, com juízos de fato e de valor, cumprindo todos os requisitos da época, fomentando uma obra completa. E para isso deu muita importância a Libertadores e ao Mundial nesse início. Depois foi que, por uma série de fatores, se dava mais prestígio, moral, dinheiro, e era um conceito de valor maior, as excursões internacionais. Cabe dizer ainda que o futebol sul-americano era nivelado com o Europeu, os clubes do velho continente não eram superiores como hoje, pelo contrário, havia uma propensão maior ao talento sul-americano.
Na década de 1960 o melhor futebol do mundo era o brasileiro. O Brasil era o atual Bicampeão Mundial e seria Tri no México, em 1970. Tínhamos Pelé, Garrincha e tantas outras lendas – a Europa era aqui! O Campeonato Paulista, a Taça Brasil (depois o Torneio RGP) e o Torneio Rio-São Paulo, tinham uma importância incomensurável, para melhor compreensão, os torneios internos do Brasil eram maiores que os da Itália, Inglaterra, Espanha, França, Portugal, etc.
Nada de ufanismo como se pode pensar hodiernamente olhando o passado de forma anacrônica. Vivíamos um tempo de ouro do nosso futebol, foi a maior grandeza de época da história de um país no “soccer” mundial. A Era de Ouro do Futebol Brasileiro foi inigualável. Seja pelas conquistas, pelos esquadrões, pela reunião de craques num mesmo período ou por nosso talento tradicional…
Via de regra, uma época tão gloriosa necessita atender a várias vertentes. Por exemplo, atualmente observou-se a seleção espanhola ser a melhor do mundo, o Barcelona dominar tudo, os times espanhóis dominaram as competições da UEFA, os melhores jogadores atuando na Espanha, ou seja, o futebol espanhol vivendo seu “auge”. Pois bem, entre 1958 a 1970, o Brasil obteve um Tricampeonato Mundial de futebol, assegurando a posse da Jules Rimet, possuía uma variedade de craques jamais reunida em outra país e, claro, teve um clube protagonista a personificação da pujança e opulência do futebol brasileiro: o Santos Futebol Clube. Poderíamos pensar, e o Botafogo? Bom, faltou ao Glorioso mais glórias, mais triunfos internacionais de valor, popularizar mais o futebol, talvez tenha faltado parar guerras, são muitos os motivos aos quais não o colocam na magnitude do Santos.
Mas para ser mesmo o melhor, necessita-se de comprovação, fatos. Não adianta dá uma de Inglês, se achar o melhor, e ser eliminado pelos EUA no primeiro Mundial que disputa, ou ainda, ter uma Copa do Mundo com gol irregular. Ou ser um Wolverhampton/ING, que apesar de vencer o Honved/HUN, jamais ganhou a Copa dos Campeões da Europa – embora tenha sido um propulsor da criação. Assim, também não satisfazia ao Santos apenas vencer os maiores adversários do mundo dentro da casa deles, não bastava o jornal L’Equipe, que idealizou a Copa dos Campeões da Europa e o Mundial Interclubes, afirmando que o Santos era “Le mellor del monde”, tinha que, em algum momento, também oficializar tudo isso.
Dessa forma, conquistar a Libertadores da América e o Mundial Interclubes tornaria o Santos ainda mais poderoso. Racionalizava uma condição “teórica” que já colocava o SFC como o “melhor time do mundo” e abriria mais portas para excursões globais nos próximos anos, o principal mérito esportivo da época.

Pois bem, mantendo o cronograma dos anos anteriores, apesar do novo objetivo maior pelos títulos internacionais oficiais, o Alvinegro cumpriu meta e desfilou na América do Sul. Jogando pelo Equador, nos dias 07 (estreia) e 14 de janeiro, respectivamente o Santos venceu o maior campeão do equador na década, o Barcelona (6 a 2), em Guayaquil, e a LDU (6 a 3), em Quito. Depois o time atuou pelo Peru, onde obteve triunfos diante do Alianza Lima (5 a 1), Universitário (5 a 2), Sporting Cristal (5 a 1) e Deportivo Municipal (3 a 2).
No Uruguai, dia 31 de janeiro, o Santos enfrentou o potente Nacional, em Montevidéu, no estádio Centenário com lotação de 40 mil pessoas. Naquele ano, os “uruguaios Bolsilludos” foram semifinalistas da Libertadores e, na década de 1960, apesar de não terem o mesmo sucesso do rival Peñarol (a quem o Alvinegro venceria na decisão continental de 62), chegariam em 3 finais – 64, 67 e 69 – continentais e conquistariam os nacionais de 1963, 1966 e 69. Para este confronto, o SFC formou com Laércio; Olavo e Décio Brito; Lima, Calvet (Formiga) e Zito; Dorval, Mengálvio (Tite), Coutinho (Pagão), Pelé e Pepe (Getúlio). Num jogo tumultuado e nervoso, com os uruguaios abusando de faltas e vistas grossas do arbitro Juan Armental, que ainda expulsou Dorval e Zito por reclamações, o Alvinegro conseguiu superar bravamente o Nacional pelo placar de 3 a 2, com gols de Dorval, Pelé e Pagão.
Depois de vencer uma das mais fortes gerações uruguaias, o Santos seguiu sua rota pela a Argentina, onde defrontou-se com outro esquadrão possante, o do Racing de Avellaneda dia 03 de fevereiro. Ou seja, num intervalo de três dias, o Alvinegro encarou os maiores rivais do Brasil. Pela qualidade do futebol portenho, a incomparável rivalidade Brasil x Argentina, jogando no Monumental de Nuñez com mais de 50 mil argentinos gritando incessantemente, uma vitória contra o Racing Club, Campeão Argentino, seria mesmo um feito “monumental”, como o próprio nome do estádio do duelo.
Para este jogo, Lula escalou Laércio (Gylmar); Lima, Olavo, Calvet e Décio Brito; Zito (Getúlio) e Mengálvio (Tite); Dorval, Coutinho (Pagão), Pelé e Pepe. Já o Racing jogou com Negri, Bianco (Silas), Anido (Cielinkski) e Messias; Peano (Marsetta) e Sacchi; Corbata, Pizutti, Mansilla (Cardenas), Sosa e Belém. O arbitro foi Juan Carlos Pradaude.

A fanática torcida do Racing entusiasmada (a esquerda). Mengálvio faz as saudações iniciais (a direita).

Sem dúvidas, uma das torcidas mais fanáticas do mundo é a do Racing. E quando o campeão precisou jogar honrando o país, partiu das arquibancadas a força de “La Academia” para tentar pressionar, abafar o rival na defesa e definir rapidamente o confronto. Aos argentinos parecia um sistema perfeito, qualquer adversário sucumbiria aquele clima e ao futebol vibrante do time que tem as coras da Argentina, mas o Santos não gostava de ser pressionado, que o oponente ditasse as regras do jogo, e tudo não passou de teoria. Assim, foi o Alvinegro que tomou a iniciativa do jogo, inaugurando o marcador logo aos dois minutos, com Coutinho. O mesmo Coutinho fez 2 a 0 aos nove, e dois minutos depois Pepe ampliou para 3 a 0. Talvez tenha sido a única vez que a torcida do Racing tenha ficado calada, não queriam aceitar que em 11 minutos o conceituado campeão argentino perdia por 3 a 0, em casa. Cielinski, que havia entrado no lugar do zagueiro Anido para tentar mudar o jogo, acabou marcando um gol contra aos 43 minutos, elevando o marcador para 4 a 0. Antes de terminar o primeiro tempo, porém, aproveitando a acomodação do Santos, Sosa marcou o primeiro gol para os argentinos.
A honra do futebol argentino estava em jogo. Era um confronto entre o Campeão da Argentina x Campeão do Brasil, com os portenhos sendo os anfitriões. Assim, Cárdenas entrou no lugar de Mansilla, para aos quatro minutos marcar o segundo do Racing. Oito minutos depois e Belém fez o terceiro, incendiando o estádio. O empate iminente eletrizou os argentinos, que passaram a cantar alto, fazer pulsar o estádio. Porém, o Santos era calculista, frio nos momentos decisivos e, aos 19 minutos, em um contra-ataque, Pelé marcou o quinto gol santista. O Racing, então, desandou um pouco, principalmente na defesa, Coutinho aproveitou e ampliou para 6 a 3 aos 23’. Em uma partida aberta, de muitos gols, uma nova reação argentina não seria impossível. Mas, o ponta-esquerda Pepe, tratou de arrematar forte e fazer 7 a 3, dez minutos depois.
Fazendo passar o tempo, Lula fez algumas substituições, colocou Gylmar, Getúlio, Tite e Pagão.  Nada que mudasse o panorama do jogo, desde metade da segunda etapa o Santos atuava com categoria, com plasticidade, dando aula no campeão argentino, tocando bola de pé em pé. Para completar, aos 42 minutos, Pepe marcou mais um gol, encerrando com inacreditáveis 8 a 3 a contagem do esperado confronto entre os times campeões de Brasil e Argentina. E o Santos ainda teve o reconhecimento dos arquirrivais, nos 10 minutos finais, quando foi aplaudido pelos torcedores portenhos, tendo um reconhecimento jamais visto. Em tão pouco tempo, portando, abater uruguaios e argentinos era uma demonstração inquestionável de quem melhor praticava o futebol na América do Sul. Uma façanha espetacular!

A confirmação oficial de que o Santos era o melhor time do mundo, ocorreu entre 18 de fevereiro e 11 de outubro, com as conquistas da Copa Libertadores da América, abatendo o Peñarol-URU (2 x 1, 2 x 3 e 3 x 0), e do Mundial Interclubes, superando o Benfica-POR (3 x 2 e 5 x 2).
Sete dias depois de conquistar o título mundial, o Santos foi à França, enfrentar o Racing, diante de 42 mil pessoas superlotando o estádio Parque dos Príncipes, em Paris. Na primeira fase, os santistas tiveram certa dificuldade, sofrendo o primeiro gol e empatando com Pepe de falta. Mas, com apenas 10 minutos do segundo tempo, em meio aos grandes lances de sua ofensiva magistral, já estava desenhado o show santista, Pelé marcou duas vezes. No segundo gol, o camisa 10 passou por quatro adversários e chutou na saída do goleiro da seleção francesa Taillander, para ouvir aplausos do público. Lima marcou o quarto gol santista aos 30 minutos, o Racing até fez o segundo aos 40’, mas logo em seguida Pagão, completando esplendida jogada de Pelé, fechou o marcador em 5 a 2, e novamente o público aplaudiu intensamente. Outra vez o Santos deixava Paris com sua imagem de Reis do Futebol.
Querendo mais alguns dólares o Santos aceitou o convite do Hamburgo SV, campeão germânico de 1960 e da Copa DFB Pokal em 63, para um duelo dia 20 de outubro, em Hamburgo, na Alemanha. Na equipe alemã existiam vários destaques, o time era a base da seleção alemã na Copa/62, dentre estes jogadores Kurbjuhn, Werner, Kreuz, Reuter e, sobretudo, Uwe Seleler (maior ídolo e nascido em Hamburgo, o baixinho, valente e ágil participou das Copas do Mundo de 58/62/66/70). O Santos, mesmo sem Zito, Gilmar e Pepe, buscou o empate em 3 a 3. Reuter fez o primeiro aos 6 minutos e, Pelé empatou aos 10’, mas Reuter voltou a marcar para o Hamburgo aos 22. Pelé empatou aos 4′ do segundo tempo, mas Seeler voltou a colocar o Hamburgo na frente aos 25′. Só aos 40 minutos veio o empate definitivo, com Coutinho.
Alguns jornais brasileiros e críticos da imprensa chegaram a noticiar que o Santos cancelaria sua excursão e voltaria ao Brasil depois da partida na Alemanha. Pois o time estava extenuado, com alguns desfalques, e evitaria a possibilidade de sua faixa de campeão do mundo ser carimbada. Porém, a equipe teve de fazer mais um jogo, na Inglaterra, contra o Sheffield, quinto colocado no campeonato inglês, partida para qual já tinham sido vendidos 60 mil ingressos e que seria realizada apenas dois dias depois do jogo em Hamburgo.
A presença do Santos FC foi muito celebrada pelos ingleses. A maioria dos 92 clubes da Liga Inglesa premiou alguns de seus jogadores com ingressos da partida. Naquele jogo, pelo time santista Gilmar e Pepe retornaram, mas Calvet e Dorval não puderam jogar, foram substituídos por Formiga e Pagão. Lula escalou o time com Gilmar; Mauro e Dalmo; Olavo, Formiga (Zé Carlos) e Lima; Pagão, Mengálvio, Coutinho, Pelé e Dorval.

A velocidade e a troca de passes do time do Santos superou a imposição física dos ingleses.

E toda aquela reverencia foi só até a bola rolar, iniciado o prélio o Sheffield mostrava que usaria de todas as armas para ser o time que venceu o campeão do mundo. E apelou com jogo violento para conter a velocidade do Santos, principalmente em Pelé, sob vistas grossas do arbitro frances Michel Kitabdjian. Apesar disso, aos dois minutos, Pelé recebeu bom passe de Mengálvio, tabelou com Pagão, e municiou Coutinho que abriu a contagem, 1×0! Atrás no placar o time inglês buscou o empate, obrigando Gilmar a fazer grandes defesas. Mas depois da pressão inicial o Santos voltou a ter o domínio do jogo e, aos 27’, novamente Pelé deu belo passe para Coutinho, que deslocou o goleiro da seleção inglesa Springer, marcando seu segundo tento, o segundo do Santos.

Hat trick de Coutinho! Ingleses no chão, completamente batidos!

Com a vantagem de 2 a 0 no placar ocorre certa acomodação (ou cansaço?) santista, que acabou sofrendo empate, gols de Griffin aos 29’ e Layne aos 32’, com falha do seu sistema defensivo. A equipe do Sheffield era robusta, jogadores altos e fortes que apelava faltosamente, embora também tivessem técnica, depois do empate a equipe inglesa foi empurrada pela torcida para uma possível virada. Porém, sucumbiu perante a classe da dupla infernal do Santos: Coutinho, após superar três zagueiros, desempatou aos 40 minutos. Quatro minutos depois, Pelé sofreu pênalti de Kay, e ele mesmo cobrou para fazer 4 a 2.
Não ocorreu gols na segunda etapa. Até perto dos 30 minutos, o Sheffield chegou a pressionar forte, perdeu até mesmo um pênalti logo aos dois minutos com Griffin, que viu Gilmar praticar grande defesa. Mas aquela correria desorganizada dos ingleses nada adiantava, o Santos sabia envolver o adversário, prender a bola com categoria e esperar o tempo passar. Ao final do jogo, aplaudido pelo público, os jogadores santistas foram acompanhados pelos ingleses até a entrada dos vestiários, quando receberam cumprimentos e trocaram as camisas. Esta última imagem, dos inventores do futebol saudando o melhor time do mundo, marcou a despedida do Santos naquela excursão. O time deixou a Inglaterra e retornou ao Brasil de forma emblemática.
Uma exibição tão aclamada pelo público britânico só poderia ser reverenciada pela imprensa inglesa. E justamente teve manchetes dos principais jornais. O Dayly Sketch (por David Jack), escreveu que “O jogo do Santos é uma radiante demonstração da arte e do poder desse esporte”. Sobre Coutinho, definiu-o como “mescla perfeita do artista da bola e do goleador assassino”. Para o The Guardian (segundo Eric Todd), “quando alguém considera os superlativos que dedicamos a alguns avantes ingleses, vê a futilidade de encontrar os que convém a Pelé”. O jornal Daily Mail (por Briam Ames), descreveu assim: “Vejo e não acredito. A elite de ébano do futebol mundial nos transportou ontem para uma nova dimensão no esporte… as testemunhas do que ocorreu em Sheffield dirão a seus filhos e netos que o futebol dos brasileiros chega ao sobrenatural”.
A delegação santista volta para o Brasil.  Com inúmeras goleadas e grandes triunfos, em 05 de dezembro conquista mais um Campeonato Paulista, na verdade um Tricampeonato/60-61-61, com goleada de 5 a 2 ante o São Paulo FC.
Mas o ano ainda não tinha acabado…

1962 foi um ano muito glorioso para o nosso futebol, a seleção brasileira havia conquistado o Bicampeonato Mundial no Chile, o Santos FC o campeonato Mundial de Clubes. Mas o mundo estava numa queda de braço, vivia-se sob tensão no auge da Guerra Fria, com o Brasil em meio a experiência do parlamentarismo.
Bom, final de ano, a Seleção da URSS com a fama do seu “futebol cientifico”, primeiros campeões da Europa, partem para um giro na América do Sul preparatório para os jogos Olímpicos de Tóquio (1964). Nasce então a possibilidade de enfrentar o Brasil, os soviéticos queriam ter a oportunidade de enfrentar os brasileiros em expressão máxima – o Santos era o objeto de desejo. Athiê Jorge Cury, Presidente do SFC (1945/1970), Deputado Federal (PDC), percebe uma grande oportunidade para o Alvinegro ganhar uma bolsa bem recheada, 80% da arrecadação líquida da partida. Assim, de imediato propõe aos dirigentes sovieticos uma partida no Maracanã, certamente para uma plateia de ao menos 60 mil pessoas.
Mas as questões esportivas estavam em segundo plano. Tudo era movimentado pelo jogo politico, e o clima “esquerda x direita” estava completamente manifestado por todo mundo e no Brasil não era diferente. Carlos Lacerda (UDN), Governador da Guanabara, proíbe a realização da partida no Maracanã, em acordo com a Federação Carioca de Futebol, sob alegação que o amistoso prejudicaria a arrecadação dos jogos do final de semana do Carioca. Assim, a busca foi o Pacaembu.
Em São Paulo, entretanto, os motivos políticos novamente são postos em prática. Wadih Helou, Laudo Natel e Delfino Faccina se unem para impedir o amistoso. A justificativa era que o Campeonato Paulista estava em sua fase final. Nesse ínterim, propagandas comunistas, outras manifestações e provocações, e o comunicado: “Se quiserem jogar, que joguem na Vila Belmiro”. Bom, eis uma bela “dor de cotovelo” com opressão, reacionarismo, pois um dos três grandes tinha sido cogitado para fazer um amistoso e fora descartado. As colunas esportivas pejoravam dos dirigentes (Propaganda comunista com futebol? Se ainda fosse o Bolshoi”) e Mendonça Falcão (FPF) entra firme na dividida e decreta: haverá jogo no Pacaembu! E assim ocorre, dia 10 de dezembro, os soviéticos chegam e enfrentam o Santos, abrem o placar com Valery, mas sofrem a virada com gols da dupla Coutinho e Pelé. Em gesto de simpatia, oferecem ao Santos um Troféu, um símbolo de desenvolvimento esportivo na URSS. Cabe lembra que, dois anos depois, Waldih Helou e Laudo Natel estavam de braços dados com os militares e fizeram carreira política na ARENA, um sendo deputado estadual e outro Governador do estado.

Dessa forma, além da Quadrupla Coroa na temporada, recorde inigualável com os títulos estadual, nacional, continental e mundial, foram obtidas grandes vitórias e façanhas nas excursões pela América do Sul e Europa. Foram 16 jogos, 11 vitórias, 02 empates e apenas 03 derrotas. Num total de 75% de aproveitamento, assinalando 60 gols, ou seja, o maior ataque de todos os tempos assinalou mais de 4 gols por jogo.

Fontes e Referencias:
Centro de Memória e Estatística do Santos FC;

Livro Time dos Sonhos (Odir Cunha);
Almanaque do Santos F.C. (Guilherme Nascimento);
Blog do Prof. Guilherme Nascimento;
ASSOPHIS (Associação dos Pesquisadores e Historiadores do Santos FC );
Crédito de imagens da partida contra o Sheffield (Brian Smith);
Jornais Folha de SP e Estado.

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