Hegemonia no Profissionalismo!

Published On 11/05/2016 | A História das conquistas
Por Kadw Gommes,
Santos, 11/05/2016

Seria o momento de se reorganizar e mostrar a força de um time que havia sido campeão paulista/15 e encantou o país no segundo semestre de 2015, mesmo com as perdas da Copa do Brasil e não classificação para Copa Libertadores. Para 2016, apesar de sofrer baixas importantes – Marquinhos Gabriel e Geuvânio – a equipe manteve uma forte espinha dorsal com os principais craques, sob comando do técnico Dorival Jr. Com a base mantida o treinador remodelou a equipe na pré-temporada antes do Paulistão/16. Longe do que viveu no início do ano anterior, quando surpreendeu a todos sendo campeão após passar por diversos problemas técnicos e financeiros, o novo momento apontava o Santos FC como um candidato fortíssimo ao título estadual.
A base fora mantida mais houve uma remontagem do elenco, além dos já citados, teve como mudanças a despensa ou negociação de Werley, Leonardo, Chiquinho, Nilson, Leandro, Thiago Ribeiro, Ledesma e Jubal. Para suprir e compor chegaram boas peças, como Paulinho, Joel, Ronaldo Mendes, Lucas Veríssimo (base), Luiz Felipe, Maxi Rolon, Patito (retorno de empréstimo). Muitos acabaram não sendo aproveitados, outros foram importantíssimos e deram sustentação imprescindível ao técnico Dorival JR. Entre outras performances que não treinamento no CT Rei Pelé, um amistoso com o Bahia, na Fonte Nova/BAH, mostrou que uma equipe competitiva com boas novidades era montada para o estadual.
A caminhada começou no dia 30 de janeiro, em pleno templo da centenária Vila Belmiro, e mesmo com boa atuação o resultado não foi o esperado, com gol de Gabriel o Santos só empatou em 1 a 1 frente o São Bernardo. Mas como era esperado, novamente a mescla entre a juventude dos Meninos da Vila (Gustavo Henrique, Lucas Verissimo, Zeca, Tiago Maia, Serginho, Gabriel e Vitor Bueno…) e a experiência de jogadores importantes – David Brás, Renato, Ricardo Oliveira –, além dos imprescindíveis Vitor Ferras e Vanderlei (que jogou todos os 19 jogos no estadual) e outros, faziam do SFC uma equipe aprumada, e conforme nas rodadas seguintes ocorreram dois triunfos: frente a Ponte Preta por 2 a 0 no Moises Lucarelli, gols de Ricardo Oliveira e Gabriel, e diante do Ituano em casa, onde téc. Dorival completou 100 jogos no comando técnico, num 2 a 1 com gols de Gustavo Henrique e novamente Oliveira.
Nas rodadas seguintes dois empates incômodos contra Novorizontino e Palmeiras, até retomar as vitorias com deslumbro no Pacaembu/SP, em dilatados 4 a 1 sobre o Mogi Mirim, com boa atuação do camaronês Joel que marcou duas vezes e Lucas Lima que assinalou um tento. O compromisso seguinte mostrou o único revés do time. Pouco sentido, já que a plasticidade do bom futebol, a forma insinuante de jogar para frente, envolvendo o adversário sob contra-ataques fulminantes, era como de costume a marca santista, e contra o invicto Corinthians a equipe mostraria suas melhores qualidades de dominação. Fazendo da Vila sua principal arma na campanha, o Santos encurralou o rival e logo no início do jogo, Ricardo Oliveira tratou de colocar o peixe na frente. Depois, na segunda etapa, o artilheiro novamente mostrou sua capacidade técnica, quando arrancou e driblou o zagueiro corinthiano Yago que desabou, e com um leve toque por cima do goleiro Cássio fechou o placar em 2 a 0.
Dando continuidade as rodadas, o SFC mostrou eficiência e foi econômico ao vencer por placares mínimos de 1 a 0 os oponentes, primeiro no Pacaembu o Agua Santa com gol de Longuine e depois fora de casa a equipe do XV de Piracicaba com gol de Gustavo Henrique. Na sequência, vieram mais dois empates: contra o Rio Claro fora de casa e na Vila Belmiro contra o São Paulo, quando poupou jogadores atuando com time misto. Depois com grandes atuações emplaca três êxitos consecutivos, dois por goleada assegurando a classificação e a primeira colocação no grupo A: 4 a 1 no Ferroviária (Zeca, Paulinho 2 e Gabriel), 5 a 3 no Capivariano (R. Oliveira 2, Fabricio contra, Vitor Bueno e Gabriel) e 2 a 1 no Audax. No último compromisso da primeira fase, o Santos poupou atletas, e pouco se notava o audacioso Audax, que mais tarde surpreenderia a todos. Já dando mostras abriu o placar na Vila, mas sofreu virada com gols de Léo Citadini e Ronaldo Mendes. Foram ao todo, 15 jogos, com 09 vitórias, 05 empates e uma única derrota.
Pelas quartas de finais, dia 17 de abril, o tradicional São Bento era o adversário do Peixe na Vila Belmiro. Sem grandes dificuldades e demonstrando completa superioridade, principalmente na primeira etapa, o Santos conseguiu triunfo imponente por 2 a 0, numa importante atuação do novo garoto da Vila, Vitor Bueno, que assinalou os dois gols. Em deles, após troca de passes com Gabriel mostrou classe, com um lindo toque para marcar; no outro ponto, Bueno aproveitou bola rasteira de R. Oliveira e empurrou as redes.
Na fase seguinte, válida pelas semifinais, o Palmeiras que vencera o São Bernardo (2 a 0 pelas quartas-final), trazia para os santistas um misto de revanche e rivalidade, construída em função dos enfrentamentos decisivos do ano anterior. A equipe alviverde sob comando do técnico Cuca confiava que podia surpreender os santistas e demonstrava entusiasmo. Porém, domingo à tarde do dia 24 de abril, em Vila Belmiro, o Santos abusou do talento de jogadores como Lucas Lima e Gabriel, e diante de muitas oportunidades de gol, aproveitou e construiu com certa facilidade uma ótima vantagem de 2 a 0, ambos marcados por Gabriel aos 39’ do primeiro tempo e aos 29’ da segunda etapa. Com o resultado, a prélio parecia assegurado, os santistas tocavam a bola de pé em pé esperando a partida encerrar, mas, foi então que em dois lances consecutivos já aos 42’ e 43’, em meio a um apagão da zaga alvinegra, o Alviverde buscou o empate com Rafael Marques e levou pela terceira vez nos últimos dois anos, o confronto para os pênaltis. Nesse momento a torcida ficava nervosa e apreensiva a esperar a definição, principalmente depois que Lucas Lima perdeu a primeira cobrança numa defesa precisa do goleiro palmeirense Fernando Prass. Porém, nas cobranças seguintes brilhou a estrela do eficiente goleiro santista Vanderlei, que defendeu dois lances alviverde. O Santos marcou com David Brás, Zeca e Vitor Ferraz. Faltava a última cobrança, que coube a Fernando Prass chutar forte e colocar para fora, provocando a festa da torcida e jogadores. Era a oitava final consecutiva do Santos FC nos últimos 10 anos. Igualando feitos dos esquadrões de 1955 a 1962, que terminou nesse período os campeonatos estaduais – disputados por pontos corridos a exceção de 1956 – como vice ou campeão.
Pelo primeiro confronto da final, dia 01 de maio, disputado na cidade de Osasco, no estádio José Liberatti, as equipes apresentaram um belíssimo duelo de alto nível técnico e ofensivo. Era a primeira vez que o SFC jogara na cidade e completava marcas geográficas recordes. Na partida, a equipe da casa jogou dentro de sua proposta e teve eficiência na posse de bola, mas o Santos teve atuação mais contundente e acabou com as melhores oportunidades. Num primeiro momento mais incisivo, Vitor Bueno recebeu livre e não aproveitou, acabou deixando para Lucas Lima que chutou mascado. Em duas oportunidades, primeiro recebendo passe de Lucas Lima e depois numa cobrança de falta, o atacante Ricardo Oliveira acertou a trave. Na falta cobrada por Ricardo, Vitor Bueno ainda teve chance mas chutou fraco para defesa de Sidão. A arbitragem de Flavio R. de Souza, também apareceu e acabou prejudicando consideravelmente os santistas – que entre outras coisas – deixou de marcar pênalti claro, no zagueiro santista Gustavo Henrique. Já na segunda etapa, aos 12 min, quem abriu o placar foi o valente Audax com Mike. Em jogada de ataque do Santos, Lucas Lima acabou se machucando e deixando o gramado para entrada de Ronaldo Mendes, ele seria importante pois com um petardo fulminante de fora da área, empatou a partida aos 34 min, deixando tudo indefinido para o segundo encontro, na Vila Belmiro.
Era chegado a data magma de 08 de maio, num domingo à tarde de dia das mães, o templo sagrado de Vila Belmiro recebeu em meio ao seu centenário, a finalíssima do Campeonato Paulista da FPF, que também aniversariava seus 75 anos. Uma bela festa fora montada no estádio pelos santistas, e sabendo respeitar o adversário, mostrando uma misto de humilde, confiança e determinação a equipe do Santos FC entrou em campo para enfrentar o surpreendente e audacioso Audax Osasco do técnico Fernando Diniz. Um adversário que já tinha como feitos eliminar nas quartas o São Paulo com goleada de 4 a 1, e na semifinais o Corinthians com vitória nos pênaltis, e para a decisão não demonstrou qualquer nervosismo para o duelo diante do Santos.
Mesmo numa Vila Belmiro lotada, quando deu início a peleja, os santistas mostraram uma tática pouco comum aos padrões do clube – de certa forma até constrangedora para uma torcida acostumada a ver o time impor total domínio aos adversários no “alçapão”. A dinâmica implantada pelo técnico Dorival Junior, consistia em abrir mão de posse de bola, esperar o adversário tomar as iniciativas e jogar nos contra-ataques. No primeiro tempo, a partida teve atmosfera de nervosismo para os santistas que acompanhavam um time de menor expressão, dentro da Vila, sob tranquilidade tocar a bola com qualidade, colocar o alvinegro de maneira defensiva e ter as principais ações do jogo. Em melhores momentos, a equipe do Audax chegou com perigo ao gol de Vanderlei, geralmente com chutes de fora da área. Num deles o lateral Tchê Tchê acertou a trave e a bola atravessou a área até sair pela linha de fundo. Aos poucos, o Santos tentava equilibrar a partida, era sempre extremamente perigoso nas invertidas. Em um contra-ataque rápido, já aos 44 min, o garoto Vitor Bueno recuperou a bola e se livrou da marcação, tocou para Ricardo Oliveira que avançou, o artilheiro colocou entra as pernas do zagueiro Vitor Bueno e na sequência, chutou firme entre as pernas do goleiro Sidão, para marcar o gol santista. Um gol que dava tranquilidade ao Santos que poderia abusar ainda mais da sua proposta tática.
Na segunda etapa, parecia que pouca coisa havia mudado, a equipe do Audax continuava tendo total domínio de posse de bola, chegando a estar com 70% da mesma grande parte do jogo e o Santos mantinha a tática de jogar pelos contra-ataques. Em alguns momentos, novamente o time de Fernando Diniz levou perigo ao gol santista, acertando novamente a trave, agora com de cabeça. Já o Santos a cada contragolpe, provocava grande expectativa pelo segundo gol, que até saiu com o camaronês Joel, em bela jogada pela lateral com Zeca, mas a arbitragem anulou erroneamente o tento santista. Em outro lance, o Santos avançou com Gabriel que tocou na lateral para Vitor Ferraz, o lateral achou Ronaldo Mendes livre, na frente do gol protegido por um zagueiro, mas o atacante acabou desperdiçando de maneira incrível. Jogando com experiência, o Santos buscava fazer o tempo passar e tornou qualquer intervenção da equipe de Osasco ineficiente, em uma última Vanderlei defendeu. Nada mais ocorreu, era o momento de comemorar: o Santos FC conquistava o Bicampeonato Paulista 2015-2016, o 22º título estadual de sua história, mediante uma belíssima campanha de 19 jogos, 11 vitórias, 07 empates e 01 derrota, marcando 34 gols, sendo o melhor ataque do torneio.
Com a conquista o Alvinegro estabeleceu marcas expressivas e importantes, aumentando a vantagem como maior campeão paulista do profissionalismo (22 títulos), e também tornando-se o maior campeão (21 títulos) desde a fundação da Federação Paulista de Futebol, há 75 anos.

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