O primeiro título Brasileiro!

Published On 23/12/2015 | A História das conquistas
Por Kadw Gomes

Há alguns anos o Santos vinha dando mostras da grandeza do seu incomparável esquadrão, com formidáveis apresentações fora e dentro do país, conquistando títulos e apresentando um futebol magico e irresistível. O Alvinegro já formava a base da Seleção Brasileira e contava com a espinha dorsal do time que conquistaria o mundo tempo depois, consolidando uma das melhores linhas de ataque da história, que costumava massacrar adversários, formada por Dorval, Mengálvio, Coutinho, Pelé e Pepe – além de Zito.
Através de excursões pela América do Sul e Europa no começo e meio do ano, sob recorrentes aplausos e elogios do público e imprensa estrangeira, a equipe assegurou algumas taças, aumentando a galeria de troféus do clube: Triangular de Costa Rica, Pentagonal de Guadalajara, Bicampeonato do Torneio de Paris e Torneio Itália. Com essas apresentações, parte da crítica internacional, principalmente francesa, já considerava o Santos o melhor time do mundo. No final da temporada, a equipe ainda conquistaria o Bicampeonato Paulista (1960-61).
Porém, somente com a conquista do Campeonato Paulista de 1960, que o clube havia assegurado a segunda qualificação de sua história ao Campeonato Brasileiro (Taça Brasil), em 1961. A competição nacional era o principal objetivo do ano, possibilitaria confirmar em absoluto a condição de melhor time do Brasil, além de uma vaga na Copa dos Campeões da América (Taça Libertadores) em 1962.
Na sua primeira participação, em 1959, o Santos havia conseguido chegar na decisão da recém-criada Taça Brasil, perdendo o título para o Bahia. Naquele ano, diante da primeira Copa dos Campeões da América para 1960, houve a necessidade da criação de um Campeonato Brasileiro, um título máximo em âmbito nacional, com finalidade de indicar um representante do Brasil na competição continental.
Como assim foi pleiteado pelo então presidente João Havelange na época, que afirmou:
“O Brasil necessitava de um campeão brasileiro de clubes para representar o país na América do Sul”. Cumprindo o que ficou decidido no 30º congresso ordinário da CONMEBOL, realizado em 05 de março de 1959, em Buenos Aires, em que apenas o campeão de cada país sul-americano poderia participar do torneio continental.
Concordante as súmulas dos anais CBD/CBF, ao qual afirmam Campeão Brasileiro – Taça Brasil. Em 1961, a Taça Brasil de Clubes, organizado pela CBD (Confederação Brasileira de Futebol), reuniu 17 estados, com 16 campeões estaduais e o Palmeiras Campeão Brasileiro de 1960. Os campeões dos estados de São Paulo e de Pernambuco, por qualificação, assim como na edição anterior, entravam na fase de Semifinais.
Para consumar o primeiro título brasileiro, o Santos jogou 34 jogos no Campeonato Paulista, na época com cinco clubes grandes e outros médios tradicionais, um dos campeonatos mais fortes do mundo, sendo campeão com 22 vitórias, 06 empates e 06 derrotas. Depois teria de disputar a fase nacional, conforme retrata o jornal Manchete Esportiva, de Ney Bianchi, sobre a revolucionaria Taça Brasil de João Havelange, o estadual era a primeira fase eliminatória e contaria pontos para o campeonato nacional. Ou seja, seriam 38 jogos para conquistar o título máximo do Brasil, pois era o único caminho possível na época. Um caminho de mais jogos, que muitos outros campeonatos futuros.
Classificado diretamente às semifinais, por ser o Campeão Paulista de 1960, o Santos fez sua estreia na Taça Brasil dia 11 de novembro daquele ano, contra o America-RJ, que havia eliminado o Palmeiras Campeão Brasileiro de 1960. O notável quadro Campeão Carioca (DF) contava com jogadores do nível de Pompéia, Djalma Dias, Jorge, Amaro e João Carlos – provavelmente o melhor America da história.
Em São Januário/RJ ocorre o primeiro jogo, perante um bom público entusiasmado para incentivar o America, que atuando inteiramente defensivo e de maneira violenta, num campo cheio de lama, após abrir o placar (Nilo aos 5′) de forma polemica, manteve a partida equilibrada no primeiro tempo, empatando em 1 a 1 (Coutinho igualou aos 26′). Na etapa complementar, contudo, os cariocas sucumbiram e foram submetidos ao show santista, vitória numerosa por 6 a 2. João Carlos até empatou aos 11′, mas com uma atuação espetacular de Pelé (recuado pro meio, assinalou aos 5′ e aos 27′) e Pepe (marcou aos 30′, 35′ e 40′) pela esquerda, municiados de Zito e Dorval, os santistas foram aplaudido até pela torcida do Campeão Carioca.
Por tratar-se do magnifico quadro santista, a imprensa deu enorme favoritismo para o confronto da volta, dia 19 de novembro. No entanto, o America-RJ surpreendeu os santistas, que não conseguiram ter boa atuação. Numa peleja ao qual Pelé foi expulso por Armando Marques, com placar mínimo de 1 a 0 os cariocas triunfaram em plena Vila Belmiro/SP. O regulamento previa uma 3º partida em caso de igualdade de pontos.
Em 21 de novembro, ocorreu no estádio Pacaembu/SP, o terceiro e decisivo jogo. Nessa desforra, o Santos foi categórico e voltou a dar espetáculo com notória superioridade frente o campeão carioca. Logo no início, Pelé sofreu e cobrou pênalti, Pompeia defendeu, Coutinho na sobra marcou. Aos 9’ o America empatou com Quarentinha, aproveitando rebote de Mauro. Com mais volume, o Santos seguia martelando e buscando a vantagem, o quadro carioca se defendia. Somente ao 34’, Pelé recebeu de Mengálvio, fintou W. Santos e arrematou, Pompeia espalmou, o próprio Pelé no rebote chutou para a meta desguarnecida. A peleja encerrou 2 x 1 no primeiro tempo.
Desarticulando o sistema defensivo do America, com movimentação e velocidade, o Santos imprimiu um dos seus melhores desempenhos no segundo tempo. Logo aos 8’, Mengálvio passou a Pelé, este penetrou em velocidade e tocou na saída de Pompeia, 3×1! Com 21 minutos, Pelé driblou Djalma e lançou Dorval, que entrou na área e chutou cruzado: 4 a 1! Dez minutos depois, Pepe sofreu pênalti, ele mesmo cobrou com violência sem chances para o arqueiro (imagem, 5×1!). Ainda deu tempo de Dorval, aos 44′, driblar Amparo, avançar e centrar rasteiro para Coutinho, livre, empurrar para as redes fechando a dilatada conta de 6 a 1. Com esse resultado, classificando-se para a decisão contra o Bahia numa possível revanche.
Contando com uma grande equipe, numerada de bons valores, o ‘Esquadrão de Aço’ do Bahia presumiu-se como a maior força do futebol nordestino e uma das maiores do país: havia se tornado o primeiro Campeão Brasileiro e representante da recém-criada Copa Libertadores. Ainda conquistaria o Pentacampeonato Baiano consecutivo entre 1958-62. Os baianos, alinhavam craques eternizados na história do clube, como Nadinho, Henrique, Alencar, Marito, entre outros. Os santistas sabiam bem das qualidades do adversário, afinal fora surpreendido em 59, mas também era convicto que seu “scratch” era uma máquina harmoniosa de futebol, com futebolistas que pareciam peças de uma engrenagem perfeita.
Em 22 de dezembro de 1961, ocorre o primeiro jogo da decisão, numa peleja bastante equilibrada no estádio da Fonte Nova/BA. Apesar da disposição dos baianos, o Santos com gol marcado por Coutinho (após tabelar com Pelé), logo aos 3 minutos, conseguiu um importante empate em 1 a 1. Grande público compareceu ao espetáculo, como noticiou na época a Gazeta Esportiva na descrição: “Perante a maior assistência reunida em um campo de futebol nessa cidade”. A partida obteve renda recorde para época, de Cr$ 7.441.400,00 e, os torcedores que ali comparecem, puderam ver muita luta e entrega por parte das equipes, em um duelo que não deixou a desejar e o empate foi o resultado justo.
A segunda disputa aconteceu dia 27 de dezembro, no alçapão da Vila Belmiro/SP. Para esse confronto Lula escalou o Santos com Laércio; Lima, Mauro, Calvet e Dalmo; Zito e Tite; Dorval, Coutinho, Pelé e Pepe. Enquanto o Bahia formou com Nadinho; Hélio, Henrique, Vicente e Florisvaldo; Pinguéla e Alencar, Nilsinho, Didico, Mário e Marito.
Quando a bola rolou, impondo-se e dominando completamente o adversário, principalmente na primeira etapa, o Santos logo cria três oportunidades de gol, mas o goleiro baiano Nadinho se destacava. Tendo por vezes até oito elementos na defesa, o Bahia resistiu bem até os 25 minutos, quando Henrique cometeu falta em Pelé. Após a cobrança de Pepe, a bola encaminha-se até Coutinho, que toca para Pelé, o camisa 10 ajeita com classe o couro e mesmo caindo chuta firme abrindo o placar: 1×0!
Cinco minutos depois, Pelé toma a bola de Florisvaldo e o dribla, arranca, passa magistralmente por Pinguela e Henrique, na saída do goleiro chuta firme vazando a meta de Nadinho (um golaço 2×0!). O espetáculo continuou um minuto depois, quando de novo Pelé tabelou com Coutinho, este recebeu e chutou forte para a defesa do goleiro, na sobra o Rei só empurrou para as redes (3×0)! Aos 33’, Coutinho recebeu de Pelé, passou por dois adversários e chutou de pé esquerdo quadrando a redonda no canto esquerdo da meta baiana.
No segundo tempo, a peleja foi menos movimentada com o Santos administrando o resultado. Porém, ainda ocorrem dois pontos. Aos 16 minutos, novamente a dupla infernal: Coutinho passou para Pelé, que devolveu na frente para o centroavante, este levou a melhor sobre o zagueiro e apenas chutou categórico para as redes, um espetacular 5 a 0. Florisvaldo conseguiu o tento de honra baiano aos 45.
Ao final do cortejo uma estrondosa goleada santista de 5 a 1, com atuação perfeita da dupla Pelé (artilheiro da competição marcando 3 vezes neste jogo) e Coutinho. Sob comemorações e festa, o Sr. Paulo Machado de Carvalho fez a entrega ao Sr. Athiê Jorge Coury, presidente do Santos, de uma cobertura de flores, oferecida pelo Sr. Tancredo Neves então primeiro ministro. O Santos Futebol Clube conquistava o primeiro Campeonato Brasileiro de sua história e dava início a maior hegemonia da história do futebol nacional.

Categórica e insofismável a vitória obtida pelo Santos sobre o Bahia, conquistando a III Taça Brasil. A atuação do alvinegro no primeiro tempo levou-o à grande conquista. Resistiu muito o Tricolor baiano, mas foi impotente diante da classe superior do bicampeão paulista. Perante 20 mil pessoas, o Santos encerrou da forma mais brilhante possível a sua campanha em 1961 (Jornal a Gazeta Esportiva edição do dia 28/12/1961).

Fontes e Referencias:
Dossiê, Unificação dos Títulos Brasileiros a partir de 1959 (Odir Cunha e José Carlos Peres);

CBF (Confederação Brasileira de Futebol);
Jornal a Gazeta Esportiva, Manchete Esportiva, Estado de SP, Folha de SP e O Cruzeiro.

One Response to O primeiro título Brasileiro!

  1. Mayara Fernandes says:

    Muito legal as informações desse primeiro título, pois não se tem todos os vídeos dessa época. Achei que ficou faltando só a foto do time campeão.