O Supercampeão do Brasil!

Published On 28/01/2016 | A História das conquistas
Por Kadw Gommes
Santos, 07/05/2014
Atualizado, 28/01/201628

Campeão de tudo que disputou equivalente a temporada passada (Paulista, Brasileiro, Libertadores e Mundial), triunfando sobre os maiores oponentes possíveis: Botafogo de Garrincha, Peñarol de Pedro Rocha e Benfica de Eusébio, além dos fortes times do campeonato estadual. Formando um conjunto fabuloso de craques, mundialmente conhecido e elogiado mundo afora como um dos maiores clubes do planeta, o Santos FC tentaria repetir os grandes feitos na temporada de 1963.
Logo nos primeiros meses do ano, o clube assegurou o Bicampeonato Brasileiro (edição de 1962) e, ao mesmo tempo, o Torneio Rio-São Paulo de 1963 (dividido com o Botafogo), dando mostras do que viria ocorrer naquela temporada. O cronograma de excursões internacionais seguiu, assim como a rotina de títulos: foram conquistados o Bicampeonato da Libertadores (sobre o Boca Juniors) e o Bicampeonato do Mundial Interclubes (diante do Milan). Nesse ínterim, faltou apenas o estadual, mas o time atingiu a invejável marca de nove campeonatos oficiais vencidos seguidamente, entre 1961 a 1963.
A temporada de 1963, só acabaria em 1964, com a disputa do almejado Campeonato Brasileiro (Taça Brasil), competição que asseguraria sobre todos os aspectos ao Santos FC, sua condição de maior clube do país. Pois, com o tricampeonato o alvinegro conquistaria em definitivo o troféu da Taça Brasil, recebendo alcunhas de “Supercampeão do Brasil”. Sendo esta, a 10º conquista em 11 competições oficiais disputadas. A quinta edição da Taça Brasil de Clubes (Campeonato Brasileiro), alcançou ainda mais representativa, pois contou com os estados de Goiás e Brasília integrados: passando a ter 20 estados representados, com os respectivos campeões estaduais, sendo que, os times dos estados de SP e do RJ (Guanabara) por qualificação, entram na fase Semifinal do certame.
O primeiro oponente do Santos FC então bicampeão da competição, era o melhor time do futebol gaúcho na época, o Grêmio: vencedor da Chave Sul, a equipe marcou época no futebol gaúcho, pois conquistou oito campeonatos estaduais nos anos de 1960. Era o atual Bicampeão do estado 1962/63 e, conquistaria ainda, o Heptacampeonato Gaúcho consecutivo. Em 16 de janeiro de 1964, ocorreu no temível estádio Olímpico/RS o primeiro encontro, com renda recorde em Porto Alegre (Cr$ 21.327.000,00) e público de 50 mil pessoas. Esbanjando-se de todo seu futebol mágico e ofensivo, o Santos mesmo na casa alheia se impôs vencendo o tricolor gaúcho por 3 a 1, com gols de Coutinho (2x) e Pelé. Ambos por sinal, estavam endiabrados como de costume, nessa partida proporcionaram um lindo lance de pura técnica e plástica, uma tabelinha da dupla que não resultou em gol, mais em aplausos dos gaúchos.
1964 - Taça Brasil 1963 - Santos 4 x 3 Grêmio (2)

2º jogo da Semifinal, contra o Campeão Gaúcho! (Foto/Acervo Jornal Gaúcho)

Na partida de volta realizado no estádio do Pacaembu/SP, o Santos tomou as iniciativas, e começou vencendo com gol de falta de Pepe, embora tempo depois, o Grêmio com toda sua tradicional raça ousou reação surpreendente: chegando a estar vencendo por 3 a 1. Mas, depois do deslumbro santista que culminava com a vitória parcial gremista, o Alvinegra também reagiu de maneira fulminante e imponente virando para 4 a 3, com três gols marcados por Pelé, sendo um deles de maneira sensacional. O jogo também ficou marcado por Pelé ter ido jogar no gol, depois da expulsão de Gilmar perto do fim da partida. Com a vitória o SFC obteve a classificação e novamente enfrentaria o Bahia, reeditando as finais de 1959 e 1961.
A primeira partida da decisão, foi realizado em 25 de janeiro de 1964, no estádio do Pacaembu/SP, numa apresentação das mais emblemáticas do Alvinegro: o Santos dominou e encurralando o adversário desde o início, acabou goleando por exorbitantes 6 a 0, mesmo com toda disposição do Bahia. No primeiro gol, coube a Pepe de falta abrir o placar após desvio na zaga baiana. Pelé de pênalti aumentou, terminando assim o primeiro tempo. O domínio santista do 1º tempo, manteve-se na segunda etapa, e com mais contundência: Coutinho tratou de fazer 3º, pouco tempo depois Mengálvio aumentou, após passe do gênio da área. Pelé de pênalti voltou a ampliar a contagem, e finalmente Pepe, que com velocidade pela linha de fundo quase junto do gol, arrematou finalizando o massacre.
Embora tenha sofrido acachapante goleada em São Paulo, o tricolor baiano só precisava vencer o segundo duelo para forçar o terceiro jogo nas finais da Taça Brasil. Porém, em 28 de janeiro de 1964, no estádio da Fonte Nova/BA completamente lotado, o Santos FC novamente foi bem superior ao adversário, e com facilidade construiu vantagem de 2 a 0, com gols de Pelé em cada tempo. Assim, o Tricampeonato Brasileiro conquistado possibilitou ao Santos FC ser coroado com a alcunhas de “Supercampeão Brasileiro”, dando ao Peixe a posse definitiva do troféu da Taça Brasil de Clubes. O SFC na época era o maior Campeão Brasileiro/Nacional do país e, tornou-se o primeiro clube Tricampeão Nacional/Brasileiro consecutivo (1961/62/63), conquistando a competição pela primeira vez de modo invicto com 100% de aproveitamento.
(Jornal a Gazeta Esportiva edição do dia 29/01/1964).
Com dois a zero sobre o Bahia, na revanche desta noite no estádio da “Fonte Nova” (superlotado), o Santos F.C. sagrou-se tricampeão da Taça “Brasil”. Foi uma vitória merecida, sob todos os aspectos, pois o Santos, sem contar o retrospecto, foi infinitamente superior ao outro finalista nas duas partidas pela taça, ou seja, a de hoje e aquela de sábado, que terminou 6 a 0 para os praianos. Hoje, mesmo levando em conta que o Bahia esteve melhor do que em São Paulo, o Santos poderia ter obtido um placar ainda mais dilatado e sem dúvidas chegaria até uma goleada se se empenhasse nesse sentido e não jogasse com tanta tranquilidade como jogou. Foi novamente muito superior, mais ainda no segundo tempo e fez por merecer, não apenas a vitória pura e simples, mas sobretudo o honroso galardão de super-campeão do Brasil.

Confira a campanha completa e todas as fichas técnicas: 
http://acervosantosfc.com/taca-brasil-1963/
Fontes e Referencias:
Dossiê, Unificação dos Títulos Brasileiros a partir de 1959 (Odir Cunha e José Carlos Peres);
Jornal a Gazeta Esportiva;
CBF (Confederação Brasileira de Futebol);
Jornal Folha de SP;

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