Chulapa Free

Published On 16/10/2017 | Clássicos e Rivalidades, Jogos Históricos
Por Ronaldo Silva,
São Paulo, 16/10/2017

Apesar da velha máxima futebol que afirma “Clássico é clássico e vice-versa”, toda a imprensa classificava o São Paulo como favorito para o confronto contra o Santos. Eles tinham Dario Pereyra, Muller, o ex-santista Pita, o ainda garoto Raí e o criativo técnico Cilinho. Por sua vez, aquele Santos de Geninho contava com o excepcional goleiro Rodolfo Rodriguez, a categoria de Mendonça, a eficiência do jovem César Sampaio e o oportunismo e a malandragem do artilheiro Serginho Chulapa.

O JOGO
Com rigorosa marcação, o Santos iniciou a partida com a proposta de não proporcionar espaço para os rápidos atacantes do Tricolor. Foram poucos descuidos, com aos 11 minutos, quando Rodolfo Rodriguez foi obrigado a executar duas defesas seguidas. A primeira após chute de Sidney, livre na grande área, quando mandou a bola para escanteio e a outra em cabeçada de Muller depois do escanteio.
Após isto o Santos ganhou a luta pelo meio campo e passou a dominar o clássico. Aos 17, César Sampaio fez um lançamento em profundidade para Serginho, que venceu na velocidade a Adílson. Mas no momento do arremate foi travado por Dario Pereyra. No minuto seguinte, após cruzamento de Mendonça, pela direita, Serginho voltou a ameaçar a meta são paulina com uma cabeçada no travessão
Num ato cênico, Serginho se agarrou ao pescoço de Zé Teodoro e forçou seu terceiro cartão amarelo. Não tardava por vir o primeiro gol do Santos, aos 33, na entrada da área, Nelsinho errou o passe e a bola foi retomada por Luvanor que tocou para Serginho Chulapa chutar de bico e encobrir Rojas. Aos 36, num novo erro da defesa do São Paulo que perdeu a bola no meio de campo, Serginho recebeu e lançou o zagueiro Davi que foi derrubado próximo à pequena área por Dario Pereyra. Muita reclamação são paulina, o juiz assinalou o penal que foi convertido por Mendonça.

Serginho, de bico, abre o marcador para o Santos (Foto: Revista Placar)

Ainda houve tempo para um contra ataque rápido, aos 44, com Chulapa ficando cara a cara com Rojas. Livre, tentou o drible e chutou sobre o goleiro. Período dominado pelo eficiente esquema tático montado pelo técnico santista Geninho com um Santos bem superior.
SEGUNDO TEMPO
Com a vitória parcial, o Santos manteve a tática vencedora e deixou Serginho isolado no ataque e buscou intensificar a marcação e busca pelo contra ataque. O São Paulo, com as entradas de Nei e Raí, se tornou uma equipe mais ofensiva com o avanço de seus laterais e a busca de reagir no clássico. Somente aos 14 minutos surgiu a primeira jogada de perigo ao Santos, com Lê furando a bola na pequena área à frente de Rodolfo Rodriguez. Aos 15, resposta santista com o ponteiro Tuíco chutando forte com Rojas tendo dificuldade para defender.
Num jogo de bate e rebate, o São Paulo achou espaços para tentar o gol. Aos 21 minutos, Nelsinho chutou de perna esquerda, na grande área, e obrigou Rodolfo Rodriguez a mostrar porque é o ídolo da torcida santista com um bela defesa no canto esquerdo. Aos 23, Bernardo de cabeça esbarrou na presença de Rodolfo. O São Paulo abusou de chuveirinhos na congestionada área santista, que não deram resultados.

Serginho sob olhar de Dario Pereyra (Foto: Revista Placar)

O Santos dava ao luxo de seguir optando pelos contra ataque como que acreditando na fragilidade da defesa são-paulina. Aos 43, a repetição da história de um time desesperado à frente. Serginho recebeu livre no meio campo, passou para César Ferreira, livre o suficiente para observar com tranquilidade de César Sampaio pela meia direita. Feito o passe, Sampaio somente esperou a saída de Rojas para consumar a bela vitória santista. Torcida do Santos canta “olé” nas arquibancadas do Morumbi.

Ficha Técnica:
22/05/1988 – São Paulo 0 x 3 Santos
Gols: Serginho Chulapa aos 33min e Mendonça (pênalti) aos 37min do primeiro tempo; César Sampaio aos 43min do segundo tempo
Local: Estádio do Morumbi, em São Paulo
Competição: Campeonato Paulista
Árbitro: Renato Marsiglia
Renda: Cz$ 7.241.000
Público: 26.548 + 2.721 (29.269)
SFC: Rodolfo Rodriguez (c); Heraldo, Celso (Davi), Nildo e Ijuí; César Ferreira, César Sampaio, Mendonça (Édson) e Luvanor; Serginho Chulapa e Tuíco. Técnico: Geninho
SPFC: Rojas; Zé Teodoro, Adílson, Dario Pereyra e Nelsinho; Bernardo, Pita e Lê; Muller, Nei (Raí) e Sidney (Renatinho). Técnico: Cilinho

Fontes e Referências:
Almanaque do Santos FC;
Revista Placar;
Livro “Santos 100 anos, 100 jogos, 100 ídolos”;
Jornal “Folha de São Paulo”

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