Como nos bons tempos!

Published On 21/08/2017 | Jogos Históricos
Por Ronaldo Silva,
São Paulo, 22/08/2017

Santos e Corinthians, disputariam um clássico com ambas equipes já classificadas para a próxima fase do Campeonato Brasileiro. Mas os velhos rivais sempre proporcionaram jogos eletrizantes e com ambos os lados em busca da vitória. Os treinadores teriam a disposição todos seus titulares, uma promessa de grande espetáculo no Morumbi.
Pepe daria uma missão ao recém chegado Brecha, com a função de auxiliar Clodoaldo na marcação e encostar no ataque para finalizar ao gol e tramar jogadas com Pelé. O Santos possuía uma equipe muito forte com nomes como Cláudio, Carlos Alberto, Clodoaldo, Pelé e Edu, era a chance do time confirmar a força nos clássicos (havia derrotado Palmeiras e São Paulo) e derrotar o time de Rivellino significaria a demonstração do poderio santista para buscar o título.

O JOGO
Começo nervoso da disputa, coube ao Santos a primeira chance com Brecha atirando para uma defesa de efeito do goleiro Ado. No contra golpe, a resposta do adversário com Rivellino servindo Paulo Borges, falha de Orlando Lelé, mas o chute saiu torto. O ritmo alternado seguiu durante o ínicio do jogo, as duas equipes não demonstravam preocupações defensivas. Havia muito cuidado nas jogadas de meio de campo com Clodoaldo e Brecha vigiando as ações de Rivellino e Sicupira, enquanto Tião ficava recuado para conter Nenê. Pelé era seguido por Vagner em todos os lados.
Aos 15 minutos, Pelé aproveitou um cruzamento de Jair da Costa mas pegou mal na bola, a cabeçada saiu fraca para tranquilidade de Ado. Aos 18 e 20 minutos, Rivellino encontrou espaço para arriscar seu tiro forte e exigiu atenção do goleiro Cláudio. Os dois times tocavam bem a bola, o Santos vivia dos arremates de Brecha e o Corinthians buscava explorar os avanços do lateral direito Zé Maria, mas os atacantes de ambas equipes não conseguiam se destacar. Aos 35 minutos, o centroavante corintiano Mirandinha foi lançado em profundidade, chutou fraco, para fácil defesa do arqueiro santista.
Nos minutos finais, o Santos passou a aproveitar o nervosismo da defesa do Corinthians, através de passes rápidos de Pelé e Brecha que confundiam a retaguarda adversária. Aos 43 minutos, Edu finaliza para grande defesa de Ado, no rebote Jair da Costa, chuta com o gol aberto, mas o lateral Pedrinho evitou o gol santista. Um minutos após, foi a vez de Brecha chutar com perigo, para a defesa de Ado. Empate sem gols na primeira etapa, num jogo equilibrado.
SEGUNDO TEMPO
Apesar de terminar o primeiro tempo no ataque, o técnico Pepe resolveu cuidar da marcação do lado esquerdo com a entrada de Turcão no lugar de Zé Carlos. O Corinthians manteve a mesma equipe, mas Rivellino foi orientado para guardar posição no meio de campo para evitar os avanços de Brecha. O Santos manteve o ritmo forte no ataque, aos 8 minutos, Pelé envolveu Luís Carlos e Vagner como quis e não fosse a recuperação de Zé Maria, teria inaugurado o marcador. Mesmo fora de sua melhor forma, Pelé aparecia mais no jogo.
Finalmente aos 10 minutos, surge o primeiro gol da partida. Pelé, da intermediária, lançou Clodoaldo em profundidade. A defesa corintiana falhou, o volante santista chegou sozinho, dominou a bola e chutou no canto direito da meta de Ado que abandonava o gol. Toda a defesa se preocupou em reclamar um impedimento que não houve, enquanto os jogadores santistas comemoravam no Morumbi.

Clodoaldo chuta para abrir o marcador!

Esse gol deixou a defesa do Corinthians ainda mais intranquila, permitindo ao Santos continuar exercer domínio da partida e explorar as falhas de Luís Carlos e Vagner. Rivellino buscava algo para sua equipe, mas encontrava um sistema defensivo santista bem compacto e seguro. Com as descidas de Nenê pela esquerda, o Santos cresceu, com a participação de Edu no setor. Aos 23 minutos, Nenê lançou Edu pela esquerda, o ponta envolveu Luís Carlos, finalizou na zaga e no rebote a bola sobre para Nenê fuzilar razante de esquerda sem reação do goleiro corintiano.
Logo aos 26 minutos, Jair da Costa parte em velocidade pela direita para cima de seu marcador e toca para o meio da entrada da área, Pelé faz belo corta luz e bola chega a Edu, este num passe perfeito serve Nenê que chuta firme para anotar o terceiro gol do Santos. O Corinthians estava perdido em campo, aos 29 minutos, Edu livre de marcação recebe o passe, pelo alto, na entrada da área adversária. Pelé se deslocou pela esquerda, chamando a marcação, ma Edu permaneceu impassível com a bola no pé. Deu uma gingada para a esquerda e entortou a espinha do zagueiro Luís Carlos e, sem sair do lugar, enfiou o pé embaixo da bola e tocou por cima do goleiro Ado. Uma pintura, magistral gol de Edu para decretar a goleada santista.
O Santos atuou como nos velhos tempos na etapa final, melhor estruturado, soube explorar as falhas da defesa corintiana e construir uma vitória dilatada sobre o rival por 4 a 0. No final, os jogadores santistas fizeram uma grande festa no Morumbi. Edu e Pelé dividiam a preferência como os melhores em campo e a torcida adverária saía do estádio calada e conformada com o resultado.

FICHA TÉCNICA
26/11/1972 – Santos 4 x 0 Corinthians
Gols: Clodoaldo aos 10min, Nenê Belarmino aos 23min e 26min e Edu aos 29min do segundo tempo
Local: Estádio do Morumbi, em São Paulo
Competição: Campeonato Brasileiro
Renda: Cr$ 437.966,00
Público: 58.715
Árbitro: Armando Marques
SFC: Cláudio; Orlando Lelé, Carlos Alberto, Vicente e Zé Carlos (Turcão); Clodoaldo e Brecha; Jair da Costa, Nenê Belarmino, Pelé e Edu. Técnico: Pepe
SCCP: Ado; Zé Maria, Vagner, Luís Carlos (Baldochi) e Pedrinho; Tião e Rivellino; Paulo Borges, Sicupira, Mirandinha e Marco Antônio (Aladim). Técnico: Duque

Fontes e referências:
Almanaque do Santos FC;
Jornal “Folha de São Paulo”
Jornal “O Estado de São Paulo”

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