Desempenhos de Aproveitamento de pontos no Brasileiro

Published On 27/10/2017 | Estatísticas
Por Kadw Gomes,
Santos, 27/10/2017

Além de uma das histórias mais bonitas e vencedoras, o Santos também possui uma incrível constância histórica no Campeonato Brasileiro.
Octacampeão Brasileiro, sete vezes vice-campeão, 11 vezes finalista, 19 vezes entre os quatro primeiros e 42 vezes entre os dez primeiros lugares, terceiro maior e melhor pontuador da história, único pentacampeão consecutivo, entre outros recordes e marcas, o Santos é dono de uma história magnifica na maior competição do Brasil. Estatísticas que podem ser esmiuçadas de diversas formas. Como em aproveitamentos de pontos. 
É importante entender o que os números refletem. A quantidade de pontos nem sempre significa ser o melhor ou maior, as vezes nem o aproveitamento deles. Isso porque as competição tem diversas formas de disputa. Inúmeras variação desde 1959.
Por exemplo, o maior campeão é o Palmeiras com 9 títulos, mas não aparece nem entre os cinco maiores pontuadores, enquanto o maior pontuador é o São Paulo, que tem 6 títulos. O Santos é o segundo maior Campeão Brasileiro (8 títulos) e o terceiro maior pontuador historicamente. Assim, em termos de constância (títulos + pontos feitos) o Alvinegro é o mais bem sucedido.
Os melhores desempenhos em termos de aproveitamentos dos pontos do Santos, assim como a quantidade adquirida ao longo da história, representam a REGULARIDADE HISTÓRICA ou CONSTÂNCIA HISTÓRICA do clube:
MELHORES DESEMPENHOS DE PONTOS
ANO    P    J    V    E     D   GM  GS  MGM  MGS   AP%
1963   1º   40   40   00   00  150  40  3,75  1,00  100%
1964   1º   60   50   10   00  200  50  3,33  0,80  91,66%
1965   1º   40   30   10   00  110  40  2,75  1,00  87,5%
1968   1º   19   12   40   30  440  20  2,31  1,05  73,68%
1961   1º   50   30   10   10  180  60  3,60  1,20  70%
1962   1º   5  30   10   10  150  70  3,00  1,40  70%
1984   9º   20   11   60   30  390  16  1,95  0,80  70%
1980   7º   18   11   30   40  290  12  1,61  0,66  69,44%
1983   2º   26   13   10   30  450  28  1,73  1,07  69,23%
1976  21º  13   60   50   20  140  10  1,07  0,76  65,38%
1981   9º   17   80   60   30  270  12  1,58  0,70  64,70%
2004   1º   46   27   80   11  103  58  2,23  1,26  64,49%
1982   7º   18   90   50   40  270  16  1,50  0,88  63,88%
2003   2º   46   25   12   90  930  60  2,02  1,30  63,04%
1974   3º   27   13   80   60  410  25  1,51  0,92  62,96%
2016   2º   38   22   50   11  590  35  1,55  0,92  62,28%
1973   6º   37   17   12   80  560  29  1,51  0,78  62,16%
1993   5º   20   90   70   40  350  26  1,75  1,30  62,5%
1994   9º   25   13   50   70  360  22  1,44  0,88  62%
1995   2º   27   15   50   70  520  40  1,92  1,48  61,72%
2002   1º   31   17   60   80  590  41  1,90  1,32  61,29%
Na história do Campeonato Brasileiro, o melhor desempenho em termos de aproveitamento de pontos do Santos é do time de 1963, formado por Gilmar, Lima (Ismael), Mauro (Joel), Calvet (Haroldo) e Dalmo (Geraldino); Zito e Mengálvio; Dorval, Coutinho, Pelé e Pepe. É também o melhor aproveitamento de um time na história da competição!
Dos seis melhores desempenhos do Alvinegro, cinco são justamente do esquadrão Pentacampeão Brasileiro consecutivo (1961 a 65) – eleito o melhor time da história do futebol mundial em enquete internacional feita com europeus e sul-americanos.
Nesse período as competições eram mais curtas (entre 4 a 6 jogos), em confrontos eliminatórios entre os campeões estaduais. Formula similar ao Mundial de Clubes, que reúne campeões continentais. Fato que torna o desempenho em cada edição uma faca de dois gumes: uma campanha vencedora leva ao cume, enquanto uma campanha mediana faz o desempenho despencar. Afinal, como se pode ver, mesmo os anos de 1959 e 1966, que o Time de Branco foi vice, não estão entre os melhores.
Aos depreciadores da fase do Campeonato Brasileiro como Taça Brasil (uma das tantas nomenclaturas), pelo curto número de jogos, não deveriam também dá tanta importância ao Mundial de Clubes. Porque colocar estrelas acima do distintivo num título com um jogo, dois ou três no máximo? Outro exemplo é as Copas do Mundo de seleções. No título de futebol mais cobiçado do planeta, o campeão das quatro primeiras edições (30/34/38/50) só realizou 4 partidas. Na média de todas as Copas do Mundo realizadas o campeão jogou 5,6. Em 10 edições da Taça Brasil, o campeão disputou 5,9 jogos. Ora, se nas competições mais importantes não se precisou jogar uma infinidade de vezes, prova-se que esse critério é irrelevante para avaliar a importância de uma competição. Mas enfim…

O ponta-esquerda Edu. Craque do time de 1968 e dos anos 70.

Na incrível campanha de 1968, quarta melhor da história, o Santos fez uma quantidade maior de partidas (19 jogos), era outro sistema de disputa. Essa edição é a primeira do ranking depois do lendário time Pentacampeão. Naquele ano, a Máquina de Branco formada por Cláudio, Carlos Alberto, Ramos Delgado, Joel Camargo e Rildo; Lima e Clodoaldo; Abel, Toninho, Pelé e Edú foi arrasadora! Grande campanha em toda competição, na fase final venceu Internacional (2×1), Palmeiras (3×0) e Vasco (2×1).
Os desempenhos dos anos 70 e 80 são os mais curiosos. Isso porque as posições nem sempre correspondem ao aproveitamento dos jogos. Algo explicável pelas formulas mirabolantes de disputa vigente nesses anos. Em 1976, por exemplo, sem duvidas o time mais fora do padrão: o Santos caiu logo na 2º fase da disputa, mas o aproveitamento foi de 65,38% nos jogos. Nessa década, a melhor colocação foi em 1974, um 3º lugar, aproveitamento de 62, 96%, ainda com um timaço (Marinho, Carlos Alberto, Clodoaldo, Edu, Pelé e outros cobras).
Enquanto que, na década de 1980, o Santos teve seu melhor aproveitamento de pontos em 1984, sua colocação foi um 9º lugar. 1980, 1981 e 1982 também foram edições relevantes. Porém, a melhor performance santista por colocação aglutinado aos pontos foi 1983, quando chegou a decisão do Brasileiro. Ao vencer na semifinal o Atlético/MG de Reinaldo (2×1 e 0x0), o Santos tornava-se aquela altura o clube que mais chegou entre os dois primeiros lugares – assim como é ainda hoje.
Na década de 90, o Alvinegro teve proveitosas aspirações de pontos. Em três anos seguidos uma boa marca: 1993, 1994 e 1995, quando passou na semifinal em virada histórica (5×2) sobre o Fluminense e foi vice-campeão brasileiro perdendo a final para o arbitro Marcio Rezende de Freitas. Alguns anos depois viria o retorno as glórias…

 

Logo no inicio do século XXI, o Santos fez história sendo: o primeiro Bicampeão do novo milênio. A conquista de 2004, vencida no sistema de pontos corridos, é a melhor do clube em termos de aproveitamento de pontos (64,49%) na nova era. Em 2002, ainda na disputa por mata-matas, com triunfo na final ante o Corinthians (2×0 e 3×2), o Santos fez renascer o seu Futebol Arte (61,29%). Em termos de pontos, não menos importante foi 2003 (vice-campeão), com 64,04% dos pontos consumidos. O último grande desempenho foi recente, na edição de 2016 (2º lugar).
Assim, como se percebe, o Santos conseguiu historicamente: 1 desempenho com 100%, 2 acima de 90% e 3 superiores a 80%. Em 7 edições obteve um aproveitamento de 70 % ou mais. Em 21 edições do Campeonato Brasileiro, o Santos conseguiu pelo menos 60%, que representa 37,5% com essa media mínima nas 56 edições que disputou.

Fontes e Referências:
Almanaque do Santos FC (Guilherme Nascimento);
Centro de Memória e Estatística do Santos FC.

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