Desfile do maior time do mundo pela América e Europa – (1963)

Published On 08/03/2017 | História das Excursões
Por Kadw Gomes
Santos, 08/03/2017

Se em 1962 o ano foi perfeito, 1963 foi igualmente espetacular. O Santos F.C. atingiria uma marca invejável e jamais igualada de nove campeonatos oficiais vencidos em sequência.
Nos primeiros meses do ano a rotina de jogos do Santos pela América do Sul foi iniciada em 23 de janeiro, no estádio Nacional de Santiago, no Chile, com vitória sobre o Campeão Chileno Colo Colo, por 2 a 1, gols de Pelé e Dalmo, perante um público de 70 mil pessoas.
Depois o time foi ao Peru, dia 30 de janeiro, e obteve outros triunfos significativos, como na incrível goleada de 8 a 3 ante o Deportivo Municipal e, em especial, no estádio Nacional de Lima dia 02 de fevereiro: o adversário era o Alianza Lima, Bicampeão Peruano, e o Santos venceu por 2 a 1, com gols de Pelé, após bonita jogada, e Pepe, com um chute forte. A última partida da excursão ocorreu no retorno ao Chile, enfrentando o Club Naval, goleada santista por 5 a 0, Tite aos 23’, Pagão aos 33’ e Pelé aos 38′ do primeiro tempo; Pelé aos 3’ e Nenê aos 11’ do segundo tempo, foram os autores dos tentos.
No dia 5 de maio de 1963, os santistas Gylmar, Lima, Zito, Dorval, Mengálvio, Coutinho, Pelé e Pepe entravam em campo novamente. Porém, não era para defender a camisa do Santos, mas da Seleção Brasileira. Pela primeira vez o Brasil enfrentava a seleção da Alemanha e obteve a primeira vitória do confronto. Oito jogadores do Santos levaram a Seleção Brasileira a vitória, juntamente de Eduardo (Corinthians), Roberto Dias (São Paulo) e Rildo (Botafogo). O forte selecionado alemão dotava de craques como Schnelinger, Schulz, Seeler, entre outros, saiu na frente com Werner (de penalti) aos 44′ do primeiro tempo. Na segunda etapa, aos 25 minutos, em rápido contra-ataque, Coutinho recebeu passe de Pelé na entrada da área e empatou a partida em um belo chute no canto esquerdo do goleiro alemão. Dois minutos depois, em outro rápido ataque, Pelé acertou no angulo da equipe alemã e desempatou a partida, 2×1!
Mesmo com certo cansaço, antes do início do Campeonato Paulista de 1963, o Santos conseguiu realizar uma proveitosa excursão pela Europa: foram 4 países visitados e 10 jogos realizados. A estreia ocorreu dia 25 de maio, na França, num empate (1 a 1) com um dos times mais fortes da Europa, o Partizan Belgrado Campeão da Iugoslávia. O Partizan era o time do Exército Popular de Libertação da Iugoslávia, que combateu os nazistas durante a 2ª guerra Mundial. De 1961 a 1966 o esquadrão iugoslavo (sérvio) venceu quatro nacionais e fez várias campanhas de destaque na Copa dos Campeões da Europa, sendo finalista em 66.
Quando esteve na Alemanha fazendo 04 jogos, o Santos iniciou dia 29 de maio, vencendo a Seleção de Niedersachsen por 3 a 2. Fez seu segundo compromisso em 02/06, no estádio Rot-Weiss, abatendo o time mais popular do país, o Schalke 04 de Horst, Klodt e do craque Libuda, por 2 a 1. Coutinho e Pelé foram os grandes destaques, com dribles e jogadas de efeito, ambos também fizeram os gols do Alvinegro na partida.

O esquadrão do Santos na Alemanha. Em pé: Lima, Dalmo, Geraldinho, Calvet, Mauro e Laércio. Agachados: Dorval, Pagão, Coutinho, Pelé e Pepe.

Em 05 de junho, o poderoso esquadrão do Eintracht Frankfurt (do trio Krees, Lindner e Stein), que havia sido campeão alemão em 59, vice-campeão da Europa em 60 e seria vice-campeão alemão em 1963, em pleno Frankfurt Stadium, provou mais uma vez da superioridade e qualidade do Santos. Como de costume Pelé foi magistral, assinalou quatro gols, dois deles abusando na arte do drible, Coutinho fez um, a partida terminou num excepcional 5 a 2 e os santistas aplaudidos de pé! Apesar de já existir o Campeonato Alemão, foi em 1963 a formação da Bundesliga, uma liga organizada e forte economicamente, a primeira edição teve 16 clubes. Além de Schalke 04 e o Frankfurt, fundadores do campeonato, o Stuttgart era outro dos times germânicos mais importantes.

Pelé (marcado) controla a bola e espera a passagem de Dorval (ao fundo).

No dia 08 de maio, em Neskar Stadium, para um público de 50 mil pessoas, Lula escalou o Santos com Laércio; Mauro e Geraldino; Dalmo, Calvet e Lima; Dorval, Pagão (Mengálvio), Coutinho, Pelé e Pepe (Nenê). O VfB Stuttgart, um dos quatro melhores times da Alemanha naquele ano, queria surpreender o melhor time do mundo e, passados 20 minutos, conseguiu com Reiner, fazendo vibrar a torcida alemã. Com um futebol força, certa violência e garra os “Die Roten”, liderados por Sieloff (que jogou as Copas do Mundo de 66 e 70) mantiveram o resultado de 1 a 0 na primeira fase. Mas o Santos voltaria aceso na segunda etapa, nem o muro de Berlim seguraria a ofensiva santista, mordida pelo jogo de atraso dos alemães, e com Pelé aos 22’, Dorval 35’ e Coutinho aos 38’, o Santos mais uma vez deixou a Alemanha intocável e com vitória.
As melhores performances nos desafios internacionais do Santos ocorreram na Alemanha. Pois, quando compromissou na Itália, teve dois agravantes: o cansaço pelo grande número de jogos em curto período; e já estava em meio as disputas de Libertadores e do Mundial Interclubes, naquele ano eram os grandes objetivos ainda da temporada internacional. Contudo, conseguiu ótima vitória (4 a 3) sobre a AS Roma no estádio Olímpico. Porém, muito devido as atuações abaixo da média – derrotado por Inter, Milan e Juventus – a repercussão emula era indagar se o time do Santos tinha perdido seu encanto e deslumbramento?
A resposta foi dada em campo pelo Esquadrão Branco que, provando seu valor de melhor time do mundo, conquistou com brilhantismo o Bicampeonato da Copa dos Campeões da América/62-63 e o Bicampeonato do Mundial Interclubes/62-63, abatendo os esquadrões de Boca Juniors, da Argentina (3 x 2 e 2 x 1), e Milan, da Itália (2 x 4, 4 x 2, 1 x 0), respectivamente.

O Maior Time de Todos os Tempos na decisão da Libertadores, contra o Boca Juniors-ARG, em La Bombonera.

E com as brilhantes performances internacionais, as inúmeras conquistas nacionais, continentais e mundiais, e um futebol de outro planeta, que traduzia perfeitamente a arte e a magia do futebol brasileiro, a imprensa mundial se derretia pelo Santos F.C. “Desde há muito acompanhando o Santos pela Europa, julgo-a a melhor equipe do mundo, superior, inclusive, áquela famosa do Honved” (Gabriel Hanot, editor do L’Équipe, idealizador da Liga dos Campeões). Sim, nesse momento o Santos é imbatível. Não me parece viável que algum time possa vencê-lo” (Vittorio Pozzo, técnico Bicampeão Mundial pela Itália em 1934 e 38). “O Brasil tem também o melhor time do mundo” (France Football, França). São alguns testemunhos do esquadrão branco.
Aproveitamento acima de 68% nas partidas internacionais (excursões e competições oficiais) teve o Santos F.C. na temporada 1963. Foram 22 jogos, 14 vitórias, 02 empates e 06 derrotas. Com 58 gols assinalados, o magistral ataque teve média de 2, 63 gols/jogo. 
O cartaz espanhol ao lado, mostra o C.F. Barcelona, da Espanha, hoje considerado por muitos o melhor time do mundo, honrado de enfrentar o Santos F.C., na época o melhor time do mundo, descrito como “Campeon del Mundo Inter-clubes”.

Fontes e Referencias:
Centro de Memória e Estatística do Santos FC;

Livro Time dos Sonhos (Odir Cunha);
Almanaque do Santos F.C. (Guilherme Nascimento);
Blog do Prof. Guilherme Nascimento;
ASSOPHIS (Associação dos Pesquisadores e Historiadores do Santos FC );
Cartaz do jogo contra o Barça cedido por Marcelo Fernandes;

Jornal Estado de S. Paulo.

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