Escrita mantida com “Técnica e Disciplina”!

Published On 12/05/2017 | Jogos Históricos
Por Ronaldo Silva,
Santos, 12/05/2017

Empolgante confronto internacional, na Vila Belmiro, entre o Santos versus o Huracán. Os jogadores santistas teriam pela frente a responsabilidade de manter a tradição do clube de alcançar grandes vitórias em jogos dessa magnitude já disputados contra adversários como os uruguaios do Rampla Juniors e os argentinos do Barracas e Atlético Tucumán, que constituíram em grande prestígio ao clube.
O Santos contava com um dos melhores times do Brasil, com seu time completo buscava uma atuação à altura de seu renome e valor. Com um futebol marcado pela técnica e ofensividade de sua linha de ataque temida e reconhecida pelos adversários com Omar, Camarão, Feitiço Mário Seixas e Evangelista. Na meta contava com Athiê, que era considerado o melhor goleiro do país e contava com os eficientes médios Osvaldo e Alfredo.
Considerado um dos grandes clubes do futebol argentino, conquistou quatro títulos nacionais (1921,1922, 1925 e 1928) e o respeito nas canchas argentinas durante a década de 20. O Huracán apresentava um excelente futebol, com a reconhecida classe do futebol portenho. O time excursionava em São Paulo, foi derrotado por Corinthians (2×4) e Palestra Itália (1×2) e conquistou uma vitória sobre um combinado Portuguesa-Guarani (6×3), em que pese as derrotas deixou uma bela impressão para o público paulistano com seu futebol refinado. Dentre os destaques da equipe se encontravam ótimos valores como Pratto, Amadeo, Carricaberry, Spósito, Ferreyra e Chiesa.

O JOGO
O comércio santista fechou as portas mais cedo, com horas de antecedência ao início da partida um grande público se acotovelou nas arquibancadas do estádio da Vila Belmiro para acompanhar este grande confronto internacional. As duas equipes entraram no gramado fazendo saudações ao público presente e coube ao time argentino dar o pontapé inicial. Desde os primeiros movimentos ficou claro o domínio do time santista, com ótima movimentação de sua linha de ataque envolveu a retaguarda argentina. Com apenas 8 minutos, foi assinalado o primeiro gol do Santos por intermédio do ponta-direita Omar após bela jogada individual e finalização perfeita para vencer o goleiro Molteni.
O time da Vila Belmiro seguiu ditando o ritmo e controle da partida. A defesa do Huracán enfrentou sérias dificuldades contra os atacantes santistas que executavam seu futebol agressivo que aliava velocidade e habilidade.  Não tardou para o Santos conquistar seu segundo gol. Aos 15 minutos, num lance de inteligência de Camarão que fez os defensores contrários voltarem as atenções para Feitiço, o hábil meia alvinegro conseguiu ajeitar a bola e num chute à meia-altura no canto esquerdo para entusiasmar a grande assistência presente.
O portenhos, mesmo com a desvantagem de dois gols, não deram a luta como encerrada. Começaram a incomodar o arco defendido por Athiê. Num primeiro lance de perigo Carricaberry arrematou mal e o guardião santista executou uma segura defesa. O quadro visitante seguiu pressionando, aos 25 minutos, numa bela jogada pela direita do arisco ponta-direita Carricaberry que executou belos dribles para centrar com perfeição para o centroavante Chiesa que num belo arremate diminuiu a vantagem santista para 2×1.
Camarão, driblou dois adversários e diante do goleiro Molteni não teve tranquilidade na finalização, e Feitiço, recebeu um centro perfeito de Evangelista e chutou sobre a baliza, tiveram chances claras de ampliar o marcador para o Santos no restante da primeira etapa que terminou com o time alvinegro novamente melhor no gramado e criando problemas ao quadro portenho.
SEGUNDO TEMPO
Primeiros momentos indecisos, com as duas equipes travando uma equilibrada luta com a presença de bastante entusiasmo e pouca técnica. O Santos atacava mais, porém os argentinos produziam avanços rápidos e perigosos que exigiam bastante atenção dos zagueiros Aristides e Meira. Os ponteiros Omar e Evangelista foram bastante acionados e buscaram cruzamentos para Mário Seixas e Feitiço que não conseguiram bons arremates.
Assim decorria a partida, quando o centroavante Chiesa, de fora da área, chutou rasteiro. Athiê defendeu e caiu com a bola para fora da linha do gol. Foi quando os diretores do Huracán resolveram invadir o gramado aos berros e gestos contra o árbitro, pois afirmavam que a bola havia entrado. Sob muitas vaias os jogadores do Huracán foram ordenados a se retirar da partida, a plateia não deixou que os argentinos se deixassem o gramado e após longos 15 minutos de interrupção o jogo foi reiniciado.
Aproveitando a desconcentração dos portenhos em campo, a linha de ataque alvinegra seguiu avançando. Evangelista, próximo da meta, deixou a bola para Feitiço que com precisão chutou para assinalar o terceiro gol do Santos, sob fortes aplausos. O Huracán novamente questionou e houve longa discussão devido a alegação de falta em um dos zagueiros durante a execução da jogada.
O Huracán demonstrava cansaço e seus atletas passaram a apelar para faltas violentas, revidadas pelos santistas. Mário Seixas foi a maior vitíma desse jogo desleal e inclusive trocou socos com um dos médios da equipe argentina. Mas o Santos com sua insaciável busca por gols não se intimidou, para fechar o marcador coube a honra para Mário Seixas, com estilo dominou a bola na área argentina e anotar o quarto gol e mais belo da equipe santista.
Com um belo entardecer na Vila Belmiro, o juiz decretou o final deste movimentado confronto internacional. Justa vitória do Santos, que numa bela exibição conquistou o dilatado resultado por 4×1 sobrepujando outro grande clube platino, numa grande festa para os torcedores que apoiaram a todo instante ao Alvinegro Praiano.

FICHA TÉCNICA
24/07/1930 – Santos 4 x 1 Huracán
Gols: Omar, Camarão, Feitiço e Mário Seixas – Chiesa
Local: Estádio Vila Belmiro, em Santos
Competição: Amistoso
Árbitro: Eduardo Parinello
SFC: Athiê; Aristides e Meira; Osvaldo, Roberto e Alfredo; Omar, Camarão, Feitiço, Mário Seixas e Evangelista. Técnico: Platero
CAH: Molteni; Settis e Pratto; Amadeo, Danil e Echeverria; Carricaberry, Spósito, Ferreyra, Chiesa e D´Alessandro

Fontes e Referências
Almanaque do Santos FC;
Jornal “A Tribuna” de Santos;
Jornal “Correio Paulistano”;
Jornal “O Estado de São Paulo”

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