Feitiço – 1927-1932/1936

Published On 25/01/2016 | Ex-Atletas, Ídolos
Por Gabriel Santana
Santos, 14/03/2014
Atualizado, 25/01/2016

Luiz Macedo, mais conhecido como Feitiço, foi um dos maiores jogadores da história santista.
Filho de Luís Fernandes Macedo e Florisbela Pedroso Macedo, e irmão do também jogador santista, Osvaldo, Feitiço nasceu no dia 29 de setembro de 1901, na região da Consolação em São Paulo, que inclui a atual Bela Vista, onde se localiza o famoso bairro do Bixiga.
Sua vida futebolística começou cedo, logo aos 13 anos. Jogou pela primeira vez no Futebol de Várzea, onde começou a mostrar seu valoroso futebol. Fez seus primeiros jogos pelo Jaceguai, clube de várzea do Bixiga.
Em 1916, começou a atuar pelo Ítalo Lusitano, time de várzea melhor estruturado, da região de Pinheiros.
E foi na época da várzea, que Luiz Macedo virou “Feitiço”. Ganhou o famoso apelido devido a uma torcedora que quando o via jogar nos campos da várzea paulistana, sempre dizia: “O Luizinho quando joga parece que tem feitiço nos pés”.
Mas foi na extinta Associação Atlética São Bento, da capital paulista, que Feitiço começou a ganhar um grande destaque nacional. Atuou na equipe de 1922 até 1925, sendo o artilheiro do Campeonato Paulista em 1923, 1924 e 1925. No ultimo ano, além da artilharia, levou o São Bento a conquista da competição.
O título de Campeão Paulista, rendeu a Feitiço seu primeiro salário como jogador: uma carroça. Foi a única recompensa que o craque conquistou na equipe paulistana.
Após conquistar a taça do Estadual, Feitiço afastou-se dos gramados, e começou a ganhar a vida trabalhando com a sua nova carroça, onde realizava entregas pelas ruas de São Paulo.
No início de 1927, Feitiço conheceu um dos fundadores do Santos, Antônio Araújo Cunha, que o convidou a ingressar no Alvinegro Praiano. O craque relutou no começou, e depois de muito insistir, Feitiço aceitou o convite, e retornou ao futebol.
No Santos, consagrou-se definitivamente. Repetiu o mesmo feito na artilharia, e foi o goleador máximo do Campeonato Paulista três vezes: 1929, 1930 e 1931.
No Estadual daquele mesmo ano, de 1927, o Santos realizou 16 jogos e exatos 100 gols, com a média de 6,25 gols por jogo. A linha de ataque formada por Omar, Camarão, Feitiço, Araken e Evangelista ficou conhecido como “Ataque dos 100 gols”, e entrou para a história do futebol brasileiro.
E nessa mesma temporada, o time da Vila realizou 29 jogos e marcou 172 gols, sendo 50 de Feitiço.
Tinha como jogada preferida a bola cruzada em diagonal para a área adversária, quando partindo em velocidade, de frente para o gol, desferia cabeçadas fortes e colocadas.
Raçudo e genioso, envolveu-se em um episódio que acabou interrompendo sua passagem pelo Santos. Atuando pela Seleção Paulista, em um jogo contra a Seleção Carioca, Feitiço teria desafiado o até então Presidente da República. Após a marcação de um pênalti para os cariocas, os paulistas se revoltaram. O presidente Washington Luis, que por intermédio de um emissário, exigia que os inconformados deixassem os cariocas efetuar a cobrança:
“O exmo. Sr. Dr. Presidente da República mandou dizer aos paulistas que deixem bater o pênalti para que a partida possa continuar” e então o avante Feitiço retrucou com certa aspereza: “Pois diga ao Sr. Dr. Presidente que ele manda no Brasil, mas quem manda no Selecionado Paulista, somos nós”. O pênalti foi batido, mas sem o time paulista em campo, que acabou perdendo pelo placar de 2 a 1.
Oito dias depois, em uma tumultuada assembleia, Feitiço e o goleiro Tuffy, também do Santos e da Seleção Paulista, foram afastados do clube, em nome da política da “técnica e da disciplina”. Feitiço só voltou a atuar pelo Santos em julho de 1928.
Ficou na Vila Belmiro até 1932, quando retornou as suas origens, o bairro Bixiga.
No fim de 1932, após alguns meses parado, Feitiço foi atuar pelo Corinthians, onde não teve muito sucesso. Em 1933, acertou sua ida para o Peñarol/URU, e novamente ganhou grande destaque.
Encantou os uruguaios, e foi convidado para atuar pela Seleção do Uruguai, onde atuou em alguns jogos não oficiais. Por pouco, não se naturalizou uruguaio.
De férias, em 1936, atuou pelo Santos em um amistoso contra um Combinado entre Portuguesa Santista e Jabaquara, e marcou um gol.
Antes de encerrar sua brilhante carreira, atuou ainda pelo Vasco, Palestra Itália e São Cristóvão-RJ.
O São Vicente Atlético Clube, time da baixada santista, antigamente tinha o nome de Feitiço Atlético Clube, em homenagem ao grande Feitiço.
Seu companheiro de ataque, Araken Patusca, o definiu como o mais raçudo e valente centroavante que ele conheceu.
O exímio artilheiro faleceu junto aos amigos na Associação dos Veteranos em São Paulo no dia 23/08/1985, aos 83 anos.
Até hoje é um dos maiores artilheiros do Santos e do país, com mais de 400 gols registrados.
É o 5º maior artilheiro da história do Santos, com 214 gols.

• Jogos e gols:
1927 – 22 jogos e 50 gols;
1928 – 12 jogos e 14 gols;
1929 – 22 jogos e 39 gols;
1930 – 35 jogos e 48 gols;
1931 – 41 jogos e 49 gols;
1932 – 18 jogos e 13 gols;
1936 – 01 jogo e 01 gol;
Jogos – 151
Gols – 214

Fichas Técnicas:
03/04/1927 – Palestra Itália 2 x 3 Santos
Gols: Araken, Feitiço e Camarão; Serafine e Miguelzinho.
Local: Estádio Parque Antártica, em São Paulo.
Competição: Amistoso (Taça Cruz Azul)
Palestra Itália: Primo; Bianco e Pepe; Serafine, Amílcar e Xingo; Tedesco, Imparato, Miguelzinho, Imparato II e Perillo. Técnico: Amílcar Barbuy
Santos: Ballio; David e Américo; Alfredo, Júlio e Hugo; Evangelista, Camarão, Feitiço, Araken e Siriri.
– Feitiço estreia no Santos marcando gol e faturando uma taça amistosa.
14/08/1927 – Comercial 3 x 4 Santos
Gols: Feitiço [4]; Marino [2] e Vespú
Local: Rua Tibiriçá, em Ribeirão Preto, São Paulo.
Competição: Campeonato Paulista
Árbitro: Orlando Cavalott
Comercial: Jota, Milani e Taiam; Domingos, Chiaverini e Constantino; Lulú,Waldomiro, Nico, Vespú e Marino.
Santos: Tuffy; Bilu e David; Hugo, Júlio e Alfredo; Omar, Camarão, Feitiço, Araken e Evangelista.
– Marca os 4 gols da virada sobre o Comercial de Ribeirão Preto.
08/07/1928 – Portuguesa 0 x 4 Santos
Gols: Camarão [3] e Feitiço.
Local: Rua Cesário Ramalho, em São Paulo
Competição: Campeonato Paulista
Árbitro: Eneas Sgarzi
Portuguesa: Tuffy; Raposo e Machado; Américo, Nonô e Salvador; Delphim, Vasques, Giby, Carrapicho e Petrone.
Santos: Athiê; Bilu e Aristides; Hugo, Júlio e Alfredo; Omar, Camarão, Feitiço, Araken e Evangelista.
– Em 21 de junho, o Santos concede anistia a Feitiço, e esse jogo marcou a volta do craque após a polemica com o Presidente.
24/04/1929 – Santos 1 x 0 Deportivo Barracas Bolívar-ARG
Gols: Feitiço aos 23min do primeiro tempo.
Local: Estádio Vila Belmiro, em Santos.
Competição: Amistoso
Árbitro: Chicão
Assistentes: Petronilho e Pedro Thomaz
Santos: Athiê; David Pimenta e Aristides; Osvaldo, Julio e Alfredo (Hugo); Siriri, Camarão, Feitiço, Araken e Evangelista.
Deportivo: Diaz; Cherro e Moyano; Clemente, Amadei e Cellico; Simonsini, Rivarola, Landolfi, Marassi e Luna.
– Na primeira vitória contra um time estrangeiro, Feitiço deixou sua marca.
02/07/1932 – Santos 5 x 1 Portuguesa
Gols: Logu [2], Victor Gonçalves, Feitiço e Mário Seixas; Carioca
Local: Estádio Vila Belmiro, em Santos.
Competição: Amistoso
Árbitro: Antenor Davila e Amadeu Derito
Santos: Athiê (Victor); Bompeixe e Amorim; Agostinho, Floriano e Alfredo; Victor, Camarão, Feitiço, Mário Seixas e Logu.
Portuguesa: Teixeira (Valdemar); Raposo e Machado; Barros, Duilio e Xaxá; Gumercindo, Chocolate (Carioca), Manduco, Pixo e Luna.
– Ultima partida de Feitiço, antes de se transferir para o Peñarol-URU.
05/03/1936 – Santos 4 x 1 Combinado Portuguesa Santista/Jabaquara
Gols: Tupan [2], Antenor e Feitiço; Chiquinho.
Local: Estádio Vila Belmiro, em Santos.
Competição: Amistoso (Taça Carlos de Barros)
Árbitro: Alzemiro Ballio
Santos: Cyro; Neves e Agostinho; Ferreira, Ruenda (Dino) e Jango; Antenor, Araken, Feitiço, Tupan e Sacy. Técnico: Bilu
Combinado: Tadeu; Monte e Pepino; Ruiz, Dino e Argemiro; Xincha, Armandinho, Chiquinho, Tim e Gildo.
– Em férias, Feitiço participa da partida amistosa.
Fontes e Referências:
Centro de Memória e Estatística do Santos;
Almanaque do Santos;
Livro “Feitiço do Bixiga”; 

Livro “100 anos, 100 jogos e 100 ídolos”;
 

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