História das Conquistas


Festa do Título (17)

Por Kadw Gomes
Fundado numa tarde de domingo, no dia 04 de abril de 1912, por jovens idealistas, o Santos Futebol Clube nasceu predestinado a formação e projeção de craques, aos grandes espetáculos, feitos históricos e aos grandes títulos.
Na época amadora o DNA ofensivo já era notável, surgiram os primeiros craques e duas excepcionais gerações, 1916-1919 e 1926-1931. Contando com figuras renomadas, como Millon, Haroldo, Arnaldo Silveira, Ary Patusca, Athiê, Feitiço, Araken Patusca, entre outros, o SFC estabeleceu feitos monumentais, contribuições à Seleção Brasileira e foi noticiado pela imprensa como o melhor time do Brasil (O GLOBO) e um dos maiores do mundo (MUNDO ESPORTIVO). Em 1927, recorde sul-americano de 100 gols num campeonato oficial adjunto recorde mundial de 6,25 gols por jogo.
Nessa época o SFC obteve triunfos diante do que maior existia no soccer global. Como nos dilatados 6 a 1 ante a seleção da França, e os 2 a 1 na base do Uruguai Campeão do Mundo e Bicampeão Olímpico. O nível de excelência demonstrado pelo jogo dos santistas, ainda no amadorismo, revelou traços de um clube revolucionário. Porém, longe das decisões políticas no futebol paulista, brecado por arbitragem e um certo excesso de preciosismo dos dirigentes, a Máquina de gols não conseguiu ser campeão estadual. De consolo apenas taças de menor apreço.
Em transcurso deferiu-se o futebol paulista em agitação e com grandes mudanças na década de 1930. Nesse ínterim, a Vila Belmiro (estádio Urbano Caldeira) se torna um incontestável alçapão. O regime profissional foi instituído no Brasil em 1933. Contando com o retorno do craque Araken Patusca, um time aguerrido, forte coletivamente e sem interferências extracampo, o SFC venceu seu primeiro Campeonato Paulista (LPF) em 1935, derrotando na finalíssima o SCCP em plena casa do arquirrival. Como na década anterior, outros feitos internacionais foram estabelecidos, com pioneirismo de êxitos sobre campeões nacionais da América Platina. Na ânsia de subir, porém, o clube acabou retrocedendo sua performance de competitividade (1937-1945). Nesse período, o clube se caracterizou como quarta força do futebol paulista.
Os novos tempos traziam significativas mudanças estruturais e políticas para o Santos FC. A única fonte de renda eram as arrecadações, a construção do estádio Pacaembu/SP, nos anos 40, significou uma lacuna entre os clubes da capital e os da cidade de Santos. Campanhas relevantes como os vice-campeonatos estaduais de 1948 e 1950, assim como jogadores de qualidade do naipe do Arquiteto da Bola, Antoninho Fernandes, foram importantes, mas os títulos só retornaram na década de 1950. Começaria um processo revolucionário na história do SFC, iniciado quando Athiê Jorge Coury assumiu a presidência (1945), sendo o principal responsável pela nova dinâmica na política, ao lado de Modesto Roma. As obras em Vila Belmiro foram terminadas, novos patrimônios foram sendo feitos e o aumento das receitas eram significativos.
Entre fins da década de 1940, uma excursão nacional foi significativa (Norte/Nordeste Brasileiro), o time alcançou bons momentos (1948/50) e a semente havia sido plantada: os craques revelados não eram mais vendidos e as contratações seriam pontuais.
A Alquimia Santista é iniciada. Lula é efetivado como técnico, ele é o modelador da máquina. Após aprimoramentos, resultou-se um Santos FC com futebolistas excepcionais conquistando um Bicampeonato Paulista 1955/1956. Parte da imprensa fomentava-o Melhor Time do Brasil, dado elenco de atletas de seleção paulista e brasileira, maior fluxo de grandes jogadores do futebol nacional: Helvio, Ivã, Urubatão, Zito, Formiga, Tite, Jair Rosa Pinto, Del Vecchio, Vasconcellos e Pepe. Com a chegada de Pelé em 57, a elevação de patamar do SFC e do futebol brasileiro que conquista a primeira Copa do Mundo em 1958. O Alvinegro com o trio de selecionados (Pelé, Pepe e Zito), naquele ano de ouro, também obteve outro Campeonato Paulista/58, depois o Torneio Rio-São Paulo de 1959.
O futebol brasileiro atingi o apogeu, consolida-se como o maior do mundo. A Era de Ouro do “soccer” nacional (1958-1970) teve um protagonista dentre os clubes: o Santos FC.
No período de 1960 a 1969, uma miríade de jogadores: Gilmar, Mauro Ramos, Ramos Delgado, Calvet, Joel Camargo, Orlando Peçanha, Carlos Alberto Torres, Dalmo, Rildo, Lima, Mengálvio, Zito, Clodoaldo, Coutinho, Pepe, Dorval, Pagão, Toninho, Edu… aliados ao Rei Pelé, coloca o Santos FC no cume do futebol mundial. Gerações (60-65 e 67-69) que consolidam a Maior Dinastia do Futebol, abusando de um futebol perfeccionista, ofensivo e inefável. Os tratados deuses negros que paralisaram guerras e embelezaram a arte futebolística. Torrente interminável de êxitos, legitimou o clube como um dos mais laureados do globo terrestre: 2 Mundiais Interclubes/62-63, Recopa Mundial/68, Supercopa Sul-Americana/68, 2 Copa Libertadores da América/62-63, 6 Campeonatos Brasileiros/61-62-63-64-65-68, 8 Campeonatos Paulistas/60-61-62-64-65-67-68-69 e 3 Torneios Rio-São Paulo/63-64-66. Nesse contexto, não foram apenas conquistas que se patentearam, o Alvinegro foi a base da Seleção Brasileira nas 3 Copas do Mundo conquistadas (1958, 1962 e 1970). Grande Embaixador do Futebol através de excursões pelo planeta, façanhas inigualáveis, popularizando o futebol.
Na década de 1970, o clube conquistou títulos em dois momentos, com grandes equipes. Na primeira metade da década, mantendo um time de craques a encantar o mundo (Cejas, Carlos Alberto Torres, Marinho Peres, Clodoaldo, Jair da Costa, Edu, e o expoente maior Pelé), foram noticiadas as maiores excursões, o maior impacto global, feito por um clube de futebol na história, era o intangível Santos Globetrotters. Embora a badalada equipe tenha deixado escapar o Brasileiro de 1974, obteve êxito no Campeonato Paulista de 1973. Foi o último título de Pelé no clube, que se despede do futebol no gramado de Vila Belmiro em outubro de 74. Além do Rei, perdeu outros craques, e uma terrível instabilidade nos cofres e na política se instala, as tradicionais excursões passam a ocorrer em menor frequência. O SFC entra numa crise técnica e existencial. Após alguns anos, porém, em meio aos problemas, sucede-se uma geração brilhante de jogadores das categorias de base que se tornam protagonista. Sob tutela do técnico Chico Formiga, os “Meninos da VilaPita, Juary, Rubens Feijão, Toninho Vieira, Zé Carlos, Joãozinho, Nilton Batata, João Paulo, junto dos experientes Clodoaldo e Aílton Lira, recolocam o Santos FC na rota das conquistas, vencendo com brilhantismo, ritmo discoteca, o longo Campeonato Paulista de 1978.
O clube parecia retroceder anos seguintes com a política dos dirigentes ao investir em jogadores experientes. Mas os atletas mostraram qualidade, com efeito na primeira metade dos anos 80. Após o insucesso no Paulista/82, o time se remodelou e consolidou-se como um dos mais fortes do Brasil, chegando ao vice-campeonato Brasileiro de 1983, retornando a Libertadores e conquistando o Campeonato Paulista de 1984. Serginho Chulapa se notabiliza como o grande artilheiro, e Rodolfo Rodriguez vira a muralha santista. Muitos atletas chegaram à Seleção Brasileira nessa época. Márcio Rossini, Toninho Carlos, Dema, Pita, Paulo Isidoro, Zé Sérgio e João Paulo. Depois pouco se faz até metade da década de 1990, quando o Santos encantou o país, sendo o melhor time do Brasil em 1995, na figura do craque Giovanni, além de Edinho, Narciso, Marcelo Passos, Jamelli e etc., mas, por caprichos da arbitragem acabou vice-campeão Brasileiro. Pouco tempo depois o clube voltou a se destacar chegando ás semifinais do Brasileiro de 1998 e conquistando dois títulos: o Torneio Rio-São Paulo/97 e a Copa Conmebol/98. Em 2000, recebeu da FIFA o título de Maior Clube do Século XX nas Américas e um dos cinco clubes mais notáveis do mundo.
A nobre instituição santista passou a aposta na sua virtude e propensão, presente desde os primórdios, evidenciada no século XXI: apostar na revelação da base. Assim, as grandes conquistas retornaram, e com elas o esplendor do futebol arte. Entre 2002-04, uma geração de alto nível se aprumou, a segunda geração de “Meninos da Vila”. Robinho, Diego, Elano, Renato, Léo e Alex, no gol Fabio Costa, faturaram dois Campeonatos Brasileiros (2002 e 2004), trilhando praxes das grandes conquistas do Santos FC, e levaram o clube a finalíssima da Libertadores/2003. Os títulos que ocorreriam posteriormente, mostraram times menos brilhantes, mas que tiveram total apreço, por retornar à sala de troféus do alvinegro, triunfos estaduais com o Bicampeonato Paulista (2006/07). Foram presentes também campanhas relevantes: nacionais e internacionais.
No período 2010-12 formou-se a terceira geração de “Meninos da Vila” e novamente o clube entre os maiores do mundo. Para 2010, Robinho retornou à uma equipe que contava com jovens craques como Neymar e P.H. Ganso. O Alvinegro regeu seu futebol imponente, ofensivo e irreverente para conquistar o Campeonato Paulista e a inédita Copa do Brasil daquele ano. Em 2011, com uma mescla entre a juventude de Neymar, Ganso, Rafael, Danilo, e a experiência de Edu Dracena, Durval, Léo, Arouca e Elano, o Santos FC formou excelente time e conquistou a Copa Libertadores da América pela terceira vez, além do Bicampeonato Paulista. A equipe só não conseguiu assegurar o terceiro Mundial. No ano seguinte, 2012, a terceira geração de meninos cumpriu seu ciclo, conquistando o Tricampeonato Paulista e a Recopa Sul-Americana.
A quarta geração então formada com Gabriel, Geuvânio, Vitor Bueno, Tiago Maia, Zeca e Gustavo Henrique; incorporando retorno de ídolos do passado, como Renato, Elano e Ricardo Oliveira, além de Lucas Lima e outros nomes, rendendo conquistas do Bicampeonato Paulista/2015-16, tornando o Santos FC o grande campeão do profissionalismo paulista. A base do Santos FC (Neymar, Felipe Anderson, Tiago Maia, Zeca, Gabriel) ajudaria ainda a Seleção Brasileira conquistar o Ouro Olímpico, em 2016.
A HISTÓRIA DAS CONQUISTAS contextualiza as glórias do Santos Futebol Clube:

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Competições Mundiais:


Mundial de Clubes 1962
Mundial de Clubes 1963
Recopa Mundial 1968


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Competições Continentais:


Copa Libertadores da América 1962
Copa Libertadores da América 1963
Copa Libertadores da América 2011
Supercopa Sul-Americana 1968
Copa Conmebol 1998
Recopa Sul-Americana 2012


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Competições Nacionais:


Campeonato Brasileiro 1961
Campeonato Brasileiro 1962
Campeonato Brasileiro 1963
Campeonato Brasileiro 1964
Campeonato Brasileiro 1965
Campeonato Brasileiro 1968
Campeonato Brasileiro 2002
Campeonato Brasileiro 2004
Copa do Brasil 2010


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Competições Regionais:


Torneio Rio-São Paulo 1959
Torneio Rio-São Paulo 1963
Torneio Rio-São Paulo 1964
Torneio Rio-São Paulo 1966
Torneio Rio-São Paulo 1997


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Competições Estaduais:


Campeonato Paulista 1935
Campeonato Paulista 1955
Campeonato Paulista 1956
Campeonato Paulista 1958
Campeonato Paulista 1960
Campeonato Paulista 1961
Campeonato Paulista 1962
Campeonato Paulista 1964
Campeonato Paulista 1965
Campeonato Paulista 1967
Campeonato Paulista 1968
Campeonato Paulista 1969
Campeonato Paulista 1973
Campeonato Paulista 1978
Campeonato Paulista 1984
Campeonato Paulista 2006
Campeonato Paulista 2007
Campeonato Paulista 2010
Campeonato Paulista 2011
Campeonato Paulista 2012
Campeonato Paulista 2015
Campeonato Paulista 2016

ESPECIAIS:
O terceiro tricampeonato paulista;