Nascimento do clube mais importante da história do futebol mundial!

Published On 27/01/2015 | A história do clube
Por Kadw Gommes
Santos, em 27/01/2015
Atualizado, 14/04/2016

Para tratar da fundação de um clube de futebol, queira V.S comparecer, no dia 14, às 20 horas, ao salão do clube Concórdia á Rua do Rosário, nº 10. Santos, 5 de abril de 1912.
“São aproximadamente 14 horas de um domingo, 14 de abril de 1912. Na antiga Rua do Rosário, numero 10 (hoje Rua João Pessoa), então se reúnem para fundar um time de futebol. Entre eles, está o futuro ídolo Adolpho Millon Junior, então com apenas 18 anos. Vários nomes são sugeridos – e em seguida rejeitados – como África Football Club, associação esportiva Brasil e concórdia futebol clube, este ultimo por iniciativa de Álvaro de barros fontes, em homenagem ao clube que emprestara seu salão para que aquela reunião pudesse se realizar. Ate que Antonio de Araujo cunha sugere: “por que não chamarmos nosso clube de Santos Football Club?”. Eram 22h33. Acabara de ser fundado o Santos, primeiro clube paulista a adotar o nome de sua cidade com absoluto sucesso.”

Sob o signo do ataque

Os fatos acontecem por acaso, a vida é um turbilhão de imponderabilidades, ou há uma força misteriosa que dá sentido às coisas e escreve o destino bem antes que ele aconteça? Será que os jovens Raymundo Marques, Mário Ferraz de Campos e Argemiro de Souza Junior podiam imaginar a dimensão do que estavam começando quando, no dia 5 de abril de 1912, convocaram outros colegas de Santos – todos estudantes ou funcionários de empresas de comércio – para uma reunião a fim de fundar um clube de futebol? Dizia a circular: “Para tratar da fundação de um clube de futebol, queira v.s. comparecer, no dia 14, às 20 horas, no salão do Clube Concórdia, à rua do Rosário, n.º 10.”
Entre os sonhos loucos da juventude, poderiam sonhar em criar um time que um dia fosse chamado de o melhor de todos os tempos? Certamente não, quando contaram os presentes e constaram que haviam comparecido apenas 39 rapazes (dentre eles muitos que formariam nos primeiros times do Santos e alguns, como Millon e Arnaldo, que em menos de dois anos estariam defendendo a Seleção Brasileira). Raimundo Marques, que morreria seis anos depois, vítima da “gripe espanhola”, abriu a seção falando da necessidade de Santos ter um time de futebol, visto que o futebol na cidade, depois de um início promissor, tinha sido completamente abandonado.
Desde que em novembro de 1902 Dick Martins trouxera a primeira bola de São Paulo, comprada por 15 cruzeiros, e que o primeiro jogo fora realizado na cidade, na manhã do dia 1.º de novembro de 1902, surgiram o Americano, o Internacional e equipes menores, como uma chamada Santos F.C., mas com a transferência do Americano para São Paulo, o Internacional perdeu o rival e o entusiasmo pelo esporte – justo ele, Internacional, autor da proeza de vencer pela primeira vez um time da capital, o Ypiranga, e também de participar do primeiro jogo internacional em Santos, quando foi derrotado por 6 a 1 pela Seleção da Argentina em 14 de julho de 1908.
A verdade é que a desativação dos clubes anteriores fez atrair para aquela reunião no Concórdia os Patusca do Paulistano, os Cross do Internacional, enfim, todos os craques, os abnegados, os empreendedores do futebol santista. O novo clube nasceria sem dinheiro, já que seus sócios eram jovens praticantes do esporte, mas com a garra e a energia própria da mocidade. E se chamaria…
“África” foi a primeira sugestão, rejeitada por Raimundo Marques depois de consultar o plenário. Em seguida sugeriu-se “Brasil”, nome também não aprovado. Álvaro de Barros Fontes quis fazer média com o clube que emprestara o salão para a reunião e arriscou “Concórdia”, mas se já existia um clube com este nome, pra que outro? Foi então que propuseram“Santos Futebol Clube”. Um silêncio, seguido de fortes aplausos aprovou adotar-se o nome da cidade, uma cidade menor que as grandes capitais, mas que através de seu porto, um dos mais maiores do país, se ligava e se abria ao mundo, destemida e curiosa. Raimundo Marques pôde então concluir: “Meus senhores, acaba de ser fundado o Santos Futebol Clube.” Eram 14 horas e 33 minutos do domingo, 14 de abril de 1912.
Assim nasceu o Santos, sob o signo de Áries. Ao pesquisar as características deste signo, descobre-se que um dos três animais mitológicos que o caracteriza é a fênix, a ave que renasce das cinzas. Em um conhecido site de astrologia na Internet está escrito: “Seu impulso o leva a fazer coisas talvez impossíveis para outros signos… Nele, a ação vem antes do pensamento, vive em movimento contínuo… É empreendedor, idealista, conquistador… As palavras que podem ser associadas a ele são: virilidade, vitalidade, luta, ação.”
Para a astrologia, enfim, Áries é o signo do ataque, mas também aquele que pode passar muito tempo na hibernação e depois ressurgir com brilho intenso, intercalando momentos sublimes. Independentemente de nossas crenças na trajetória apontada pelos astros, há maneira mais adequada de definir o Santos, um time que é, mesmo, a vocação para o ataque a vital e histórica força do clube. Cair no lugar comum de dizer que um time nasceu predestinado para vitórias e conquistas é menosprezar a própria essência do futebol. Todas as equipes de maior tradição têm vitórias e títulos em seu currículo, assim como, por mais espetaculares que tenham sido, longos e amargos períodos de estiagem. Mais de dez e mesmo mais de 20 anos sem ganhar um título importante são quarentenas dolorosas que todos os grandes clubes já tiveram de cumprir. Não é pelo acúmulo de títulos que se julga o esplendor de uma equipe, mas pela importância e pelo fulgor destas conquistas.
Afinal, de cada campeonato terá de sair um campeão, por mais medíocre que este campeonato seja. Poucos campeões, entretanto, serão lembrados pela vida afora por sua magia, beleza, agressividade, pela coragem de seu jogo. Poucos conseguirão unir arte e eficiência e continuarão a ser lembrados como um exemplo de que o futebol pode se aproximar da perfeição. Dentre os poucos, um superou a todos – e ainda supera, pois a história é viva e prossegue através dos tempos: e este é o mesmo que os jovens Raimundo Marques, Mário Ferraz de Campos e Argemiro de Souza Junior resolveram fundar naquele longínquo abril de 1912.

Fontes e Biografias:
Centro de Memória e Estatísticas do Santos (Guilherme Guarche);
Santos FC, o Time dos Sonhos (Odir Cunha);
Santos 100 anos, 100 jogos e 100 ídolos (Odir Cunha e Celso Unzelte);
Jornal A Tribuna de Santos.

One Response to Nascimento do clube mais importante da história do futebol mundial!

  1. Carlos Campos says:

    Quem nasceu para reinar , rei sempre será.
    Sem comentários.

    Saaaaaaannnnnnnnttttttttttttttoooooooooooos

    Eterno campeão.

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