O 2º Tricampeonato Paulista (1967-68-69)!

Published On 02/04/2016 | A História das conquistas
Por Kadw Gommes
Santos, 02/04/2016

Já não se havia mais dúvidas de que a máquina retomava seu apogeu, inerente as grandes performances do elenco que, assim como era rotina há alguns anos, seria a base da maior seleção de todos os tempos, o Brasil das feras de Saldanha e da Copa do México em 1970. Assim, as perspectivas para 1969 eram as melhores possíveis diante de um Santos FC então Bicampeão Paulista 67-68, recheado de craques lendários, almejando o seu segundo Tricampeonato Paulista na década. Nesse ano, o legado santista chega a um estágio de mito perante a história, alcançando feitos incomparáveis para qualquer outro clube no planeta.
Durante um breve tempo de 1966/67, criou-se por parte da mídia sensacionalista, histórias de que o grande Santos havia acabado, que Pelé não era mais Pelé, e mesmo depois do Santos voltar a praticar um excelente futebol, surgiram ainda, declarações de que o Santos não era mais o mesmo de alguns anos atrás. O ano de 1969 demonstra não apenas equivoco, mas uma contradição histórica por parte destes. Pois, foi justamente nessa data que o clube alcançou a eternidade. Não bastava ser o maior clube do mundo, alcançar a hegemonia e conquistar o mundo, além de popularizar o futebol e apresentar espetáculos em todo planeta (…), o SFC ainda imortalizaria seu legado.
OS DEUSES SANTISTAS PARALISAM GUERRAS NA ÁFRICA
Logo no começo da temporada, uma excursão jogada entre janeiro e início de fevereiro, entraria definitivamente para a história do SFC e do esporte mundial. Numa personificação de que o Santos FC era tratado como a presença dos deuses da terra, ocorre a paralisação de duas guerras no continente Africano, para que o Alvinegro pudesse jogar, após armistício das partes nos conflitos. Nesse ínterim, dos nove jogos que fez, o time venceu seis e perdeu apenas um, com destaque para três vitorias contra seleções nacionais. Após essa epopeia, pensando no estadual para reforçar o possante elenco, a diretoria promove as contratações do zagueiro-central Djalma Dias e do Ponta-direita Manoel Maria.
   Saiba mais: As guerras foram paralisadas para o Santos jogar (1969)!
NOVO FORMATO, VELHO DESFECHO
De volta ao Brasil, o SFC inicia os compromissos no almejado e difícil Campeonato Paulista. Para melhor fundamentar, um ano antes (1968), o Palmeiras havia passado sufoco para não cair de divisão, e tanto São Paulo quanto Corinthians, enfrentavam filas, de 12 e 15 anos respectivamente. Em 14 de fevereiro, o time santista faz valer sua ofensividade e estreia com goleada por 6 a 2 sobre o XV de Piracicaba. Para aquele ano, a cartolagem tentava a todo custo impedir o tricampeonato santista e facilitar um provável título corinthiano ou ainda tricolor, e o método utilizado era facilitar para ambos, e dificultar para o Peixe. O certame foi divido em dois grupos: no grupo que continha o Santos; estavam Palmeiras, Portuguesa, além da Ferroviária (time mais qualificado do interior). No outro grupo, Corinthians e São Paulo sem fortes adversários. Todos se enfrentariam em turno e returno e os dois melhores de cada grupo se classificariam para um Quadrangular Final.
Sabendo ignorar as possíveis dificuldades, o Alvinegro continuou arrasador sob destaques do trio Edu, Pelé e Toninho, com goleadas sobre a Portuguesa, dia 22, por 4 a 1, e quatro dias depois um 3 a 0 diante da Ferroviária. A vitória contra o Paulista por 2 a 1, coloca definitivamente o SFC na ponta e, demonstra, uma classificação encaminhada. Após revés contra o Guarani, partida que Pelé desperdiçou um pênalti, a tabela marca o clássico contra o São Paulo no Morumbi. E com gols de Pelé, Edu e Jurandir (contra), o Santos vence com elegância por 3 a 0. Na sequência mais três vitorias consecutivas, na última destas em Vila Belmiro, nos 2×1 sobre o América FC, ocorre o último jogo de Pepe no SFC.
Após nova derrota e recuperação imediata (4×1 no Botafogo RP), o time vence a Portuguesa Santista por 3 a 1, com três gols de Pelé, e com o recesso do paulista, a equipe segue para Cuiabá, onde conquista o Quadrangular local dos 250 anos da cidade. Um tropeço contra o Corinthians na volta e em meio a mais uma interrupção no Campeonato, o clube viaja para a América do Sul, onde conquista a Supercopa Sul-Americana com a vitória sobre o Racing (ARG), por 3 a 2, gols de Toninho (2) e Negreiros, em Avellaneda/ARG.
Pelo segundo turno, da fase de classificação, a equipe continuou em grande fase, com a ofensiva que tinha os dribles de Edu, a eficiência de Toninho e a majestade de Pelé, vencendo e convencendo: 3 a 2 na Portuguesa, 3 a 0 no Juventus, 1 a 0 no São Paulo, 3 a 2 no Paulista, 5 a 1 no Botafogo RP e 1 a 0 no Guarani. Mas, passou a jogar em alguns momentos, com time misto e não utilizar sempre todos os titulares, a motivação nos grandes jogos não era a mesma com equipes menos qualificadas. Com isso, ocorrem alguns tropeços inesperados, como as derrotas para Port. Santista e Ferroviária, além de empates com América, XV de Piracicaba e São Bento. Mas em nenhum momento teve sua classificação ameaçada e, passada a primeira fase, confirmou-se o previsto, Corinthians e São Paulo passaram e Santos e Palmeiras não se complicaram.
QUADRANGULAR FINAL: “É HORA DA DECISÃO, CUIDADO COM O SANTOS!”
 Pela primeira rodada das finais, dia 08 de junho, no Morumbi, Santos e Corinthians promoveram um belíssimo duelo, principalmente pelas performances dos santistas. Por algum período do jogo, acreditou-se numa partida equilibrada, mas foi então que a dupla Pelé e Edu passou a desequilibrar e resolver tudo no primeiro tempo. Aos 25 min, jogada desconcertante de Edu ao qual entortou dois defensores e cruzou, a bola sobrou para Toninho que lançou à Pelé, ele matou a bola no peito e com leve toque, tirou dois corinthianos, sem deixa-la cair deferiu chute forte no canto de Lula, abrindo placar num gol antológico! Passados sete minutos depois, Pelé entrou na área após tabelar com Edu, e tomando a frente do adversário, fulminou as redes corinthianas. No terceiro gol, outra obra de arte, está feita por um dos maiores dribladores da história: aos 43 min, Edu chama dois corinthianos para dançar pela ponta-esquerda, ele leva o primeiro que fica sem reação, dá dois dribles desconcertante no segundo, na sequencia atira um petardado certeiro no canto proposto ao goleiro, aumentando a vantagem. Bastou o primeiro tempo, ao fim o Santos venceu por 3 a 1.
Nos outros jogos, o primeiro dia 11 de junho, o Palmeiras recebeu o São Paulo e venceu por 1 a 0. Na rodada seguinte o São Paulo descontou com triunfo sobre o Corinthians por 3 a 2, dia 15. Antes de enfrentar o Palmeiras, numa final antecipada, o Santos cedeu 80% do time (Gilmar, Carlos Alberto, Djalma Dias, Joel, Rildo, Clodoaldo, Edu e Pelé) à Seleção Brasileira. Não era um amistoso qualquer em questão, valia o orgulho do futebol nacional, ferido após a Copa de 1966. Também era a despedida da lenda do gol, Gylmar. E o adversário, eram os próprios campeões do mundo, a Inglaterra que sucumbiu na técnica dos brasileiros, por 2×1. Terminada a partida, os santistas retornaram as atenções as finais do Paulista.
  Saiba mais: Recuperando o orgulho do futebol brasileiro (1969)!
Realizada numa quarta à noite, a partida do dia 18 de junho, no estádio Parque Antártica, foi uma plena demonstração da superioridade técnica e tática do Santos diante da academia do Palmeiras. O técnico santista Antoninho montou um esquema que neutralizou o meio campo alviverde e se valendo da linha de ataque formada por Edu, Toninho e Pelé, construiu os tentos do placar. Perfeito na defesa e dono do meio campo, o Santos contou muitas vezes apenas com Edu e Pelé na frente. A contagem foi aberta, aos 23 min da primeira etapa, quando Rildo cruzou encontrando Pelé que sobrepôs à defesa e cabeceou no canto oposto do goleiro. O placar só mudou na etapa complementar, aos 20 min: Edu invadiu a área pela ponta direita, passou por dois defensores e de frente para o gol estufou as redes na saída de Chicão. Por fim, aos 32 min, Negreiros passa a bola à Pelé, este domina com categoria e lança Toninho que corajosamente tromba com a defesa e o goleiro palmeirense, e mansinho… a gorduchinha encontra o gol. Após o terceiro tento, o Santos teve chance de aumentar e até voltou a marcar com Pelé, mas o bandeirinha acabou anulando um gol legal, a partida terminou mesmo 3×0 para o Alvinegro.
“INVENTEM OUTRO CAMPEONATO, QUE ESSE JÁ É NOSSO!!”
Em 21 de junho, num sábado à noite, para decidir o Paulista-69, entraram no gramado do Morumbi, os quadros de Santos (formou com Cláudio; Carlos Alberto, Ramos Delgado, Djalma Dias e Rildo; Clodoaldo e Negreiros; Edu, Toninho, Pelé e Abel. Técnico: Antoninho) e do São Paulo. Pela terceira vez na década (1962-67-69), o alvinegro era o pesadelo no caminho do tricolor que buscava sair da fila, para isso necessitava vencer pela diferença de 3 gols. Façanha praticamente impossível, principalmente pela plena maturidade do time do Santos, que se valeu da vantagem, preferiu não arriscar e apenas tocou a bola. Procurando se impor, os são-paulinos ficaram nervosos e em meio ao afobo, acabaram dando plenas chances ao SFC de tirar o zero do marcador por intermédio de Edu (no 1º tempo) e Toninho (na 2º etapa). Ao fim, a partida acabou mesmo em 0 a 0, e o Santos FC tornou-se Tricampeão Paulista (1967-68-69) pela segunda vez em sua história. O time marcou 63 gols em 29 jogos. Pelé foi artilheiro santista, com 23 gols. Num misto de emoção e desabafo ele ainda declarou: “INVENTEM OUTRO CAMPEONATO, QUE ESSE JÁ É NOSSO!!”
Ainda em junho, fechando o semestre mítico, três dias após conquistar o estadual, o Santos FC viajou para Milão, onde tornou-se o primeiro e único clube brasileiro Campeão dos Campeões Mundiais. Na ocasião, venceu a Internazionale por 1 a 0, em pleno estádio Giuseppe Meazza. Os europeus fugiram de um novo confronto e a Taça ficou em Vila Belmiro.

OS GRANDES ACONTECIMENTOS DO SANTOS NO ANO DE 1969:
    Paralisação de Guerras no continente africano; 
   
Tricampeão Paulista 1967-68-69;
   Campeão dos Campeões Mundiais;
•    Time base da Seleção Brasileira; no que ficou conhecido como “As Feras de Saldanha”.
•    Triunfo da SeleSantos perante a Inglaterra (2 a 1), atual campeão da Mundo, no episódio que devolveu o orgulho ao futebol brasileiro;
   Pelé chegaria ao MILÉSIMO GOL.
Fontes e Referências:
Almanaque do Santos FC (Guilherme Nascimento);
Livro Time dos Sonhos (Odir Cunha);
Blog do Prof. Guilherme Nascimento;
Jornal Folha de SP;
Jornal ESTADÃO;

 

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