O 7º título internacional!

Published On 01/05/2014 | A História das conquistas
Por Kadw Gommes
Santos, 01/05/2014

A Competição Internacional.

1998 - Conmebol (7)A Copa Conmebol foi um torneio sul-americano internacional, organizada pela Confederação Sul-Americana de Futebol (Conmebol) nos moldes da Copa da UEFA, e foi disputada de 1992 a 1999. A competição é, segundo a Conmebol, uma das quatro precursoras da atual Copa Sul-Americana.
Em 1998 o Santos conseguiu uma vaga para a competição, por ter sido o vencedor do Torneio Rio-São Paulo em 1997, sendo esta, a primeira e única vez ao qual o clube participou da Copa Conmebol. Mostrando sua força internacional, logo na primeira participação, o SFC acabou tornando-se campeão. Sendo a Copa Conmebol de 1998 o sétimo título internacional da história do Santos FC.
Antes de começar a competição, logo no início da desgastante temporada de 1998, Luxemburgo deixa a direção técnica do SFC antes mesmo de completar seu contrato. Para seu lugar chega Emerson Leão, treinador que conquistou a Copa Conmebol (em 1997) com o Atlético MG em partida tumultuada contra o Lanús/ARG. Além do técnico Leão, chegam ao Santos: o meia Jorginho e o zagueiro Argel. No segundo semestre antes da Conmebol, o atacante Viola, Claudiomiro e o Lateral Athirson fecham o chamado elenco do Peixe.

A Campanha do Santos FC na Copa Conmebol de 1998.

Nas Oitavas de Final, o Santos faz sua estreia contra o Once Caldas (COL), na Vila Belmiro, e após abrir o placar logo no início do jogo com Narciso e sofrer o empate, consegue uma vitória por 2 a 1 com gol de Viola, dando a vantagem para o Peixe para a volta na Colômbia. Na partida realizada em Manizales, um jogo bastante complicado e nervoso, pois depois de perder por 2 a 1 no tempo normal, o SFC somente consegue a classificação nos pênaltis por (3 a 2) diante do Vice-Campeão Colombiano.
contra LDUApós a difícil classificação na Colômbia nos pênaltis, o SFC encaminhasse ao Equador, para enfrentar a altitude de Quito e a forte LDU que compunha a base da Seleção de seu país, e conquistaria naquele período o Bicampeonato Equatoriano (1998/99).
Na primeira partida, após estar perdendo por 2 a 0, o Alvinegro consegue uma reação surpreendente, empatando o jogo em 2 a 2 (com gols de Jorginho e Lúcio). No segundo embate, disputado na Vila Belmiro/SP, o SFC apresenta um grande futebol, e dominando a partida, consegue vencer por 3 a 0 com gols de Claudiomiro e dois de Viola.
Nas Semifinais da competição, o adversário era o entrosado e aguerrido Sampaio Correa, que havia conquistado o Brasileiro da série C e era o atual Bicampeão do Norte do estado (97/98). O tricolor Maranhense vivia grande fase e, tinha como principal arma, a força de sua torcida (chamados de bolivianos, devido as cores do time: amarelo, verde e vermelho). Assim, na primeira partida, o Santos não consegue furar o bloqueio da equipe, mesmo depois de muita peleja, e o Sampaio consegue um surpreendente e entusiasmante empate para sua torcida, por 0 a 0.
sampaio
No jogo da Volta, a torcida abarrota por completo o estádio Castelão, cerca de 95.720 empolgados torcedores conseguiam um feito: o recorde de público em toda história do Maranhão e um dos maiores públicos do Nordeste. Quando a bola rola, para aumentar o entusiasmo da torcida maranhense, Ivan abri o marcador fazendo Sampaio 1×0. A torcida “Boliviana” explodia em emoção, enquanto o Santos tentava se recompor. Não demorou muito, e antes que terminasse o primeiro tempo, o Santos já não só revertia o placar, como vencia com a vantagem expressiva de 3 a 1 (gols santistas foram marcados por Lúcio, Argel e Eduardo Marques). No segundo tempo, o Peixe continuou no ataque, e com gols de Adiel e Viola ampliou a goleada para 5 a 1, obtendo assim, a classificação para a decisão de uma competição Internacional, quase 30 anos depois, como nos tempos de Pelé e Cia.
O Adversário do Peixe na decisão, era o tradicional Rosário Central (ARG), clube hoje clássico da FIFA e que compõe o grupo do “sexto grande” na Argentina. Nos anos de 1990, a equipe de Rosário era a sensação do futebol Argentino e ficou conhecida por seu futebol aguerrido, raçudo e muitas vezes até violento. Também, é um time conhecido por ter uma das torcidas mais fanáticas do mundo. Campeão da Copa Conmebol de 1995 e Vice-Campeão em 1996, Vice-Campeão Argentino em 1999, a equipe era acostumada as disputas, principalmente das Copas Conmebol, pois chegava a final pela terceira vez. Além disso, havia eliminado o também copeiro da competição Atlético MG, que seria Vice-Campeão Brasileiro em 1999. A equipe de Rosário, conta com uma das maiores, mais fiéis e vibrantes torcidas do futebol argentino, conhecidas como Los Guerreiros.

Decisão contra os Argentinos.

hqdefault1No primeiro jogo da finalíssima, realizado na Vila Belmiro/SP, uma partida extremamente nervosa que dava ares de uma guerra premeditada, com muita catimba e violência dos dois times, tanto que no final da partida foram seis expulsões: três do time argentino além dos santistas Viola, Jean e do técnico Emerson Leão. No primeiro confronto entre Brasileiros e Argentinos, no entanto, o Santos se mostra superior ao Rosário Central, tendo o controle na maior parte do jogo e, consegue abrir o placar aos 26 min, após o escanteio de Anderson Lima, que Claudiomiro se adianta e cabeceia firme, fazendo Santos 1 a 0. O Peixe continuou com grandes oportunidades para aumentar a vantagem, como no pênalti em que Athirson acabou desperdiçando. Mais a partida termina mesmo 1 a 0 para o Santos, dando a vantagem para o Alvinegro no jogo de volta na Argentina.

A Batalha de Rosário.

1998 - Conmebol (3)
Sob tiros da polícia argentina, o Alvinegro entrou em campo no Estádio Gigante del Arroyito, com uma superlotação. Com a capacidade oficial para 50.351 lugares, a equipe argentina havia prometido vender apenas 45 mil ingressos, para evitar maiores confusões. Pouco antes do início da partida, 5 mil argentinos simplesmente conseguiram invadir o estádio, driblando os seguranças e sem ao menos terem ingressos. Além dos tiros e da superlotação que o estádio não comportava, o estado do gramado era lastimável, com muitos rolos de papel higiênico atirados nas duas áreas e nas laterais do campo. Ovos também eram atirados em direção aos jogadores do Santos e da polícia argentina. A empolgação e fúria da torcida do Rosário era tão grande, que os policias tiveram que dar 12 tiros para o alto, para os conter um pouco.
A partida somente começou após 40 minutos de atraso, devido ao temor que os santistas sentiam. Temiam por sua segurança, após quase serem agredidos pelos torcedores, se já não bastasse toda essa balbúrdia em torno e dentro do estádio. “Meus jogadores não tinham condições psicológicas para entrar em campo. Não tinham condição nenhuma, nenhuma. São jovens, todos com 20 e poucos anos. Só entramos mesmo porque, se não tivéssemos entrado, poderíamos ter morrido” (Técnico Emerson Leão). Não bastasse os problemas já enfrentados, o Santos tinha apenas 16 jogadores em condições de jogo na grande final, sendo três deles goleiros. Dos 25 jogadores inscritos na competição, quatro foram negociados durante a competição (Baez, Fumagalli, Dutra e Ronaldo Marconato), três estavam contundidos (Argel, Jorginho e Lúcio) e dois estavam suspensos (Jean e Viola). Assim sendo, o Santos foi a campo com os 11 jogadores titulares e apenas 5 suplentes.
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Mesmo com todos esses problemas, descaracterizando uma partida de futebol, logo no início do jogo o Santos foi para cima de Los Canallas (como são conhecidos)! Valentes, os jogadores santistas dominaram o meio-de-campo com uma marcação adiantada e criaram boas chances de gol, impondo-se mais forte no primeiro tempo. Já no segundo tempo, mesmo com o Alvinegro um pouco mais recuado, a precisão de fazer um gol deixou os argentinos alterados e nervosos. Tentaram arranjar um pênalti a qualquer custo, com diversas confusões dentro da área. Empurrões e discussões fizeram o árbitro parar com certa constância o jogo. O empate (em 0 a 0) persistiu, Ficando assim até o apito final, quando finalmente, com muita valentia e garra, o Santos conquistou o título da Copa Conmebol de 1998!
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Terminada a partida, os santistas pouco puderam comemorar, devido a ameaça dos torcedores argentinos em invadirem o campo. Por fim, a campanha santista foi a seguinte: 08 jogos, 04 vitórias, 03 empates e apenas 01 derrota. O ataque do Peixe marcou 14 gols, sendo o atacante Viola, o artilheiro da competição.

Fonte: Revista Conmebol; Revista Lance; Jornal Folha de SP.

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