O Bicampeonato do Esquadrão em 1956!

Published On 14/05/2015 | A História das conquistas, Histórias
Por Kadw Gommes
Santos, 14/05/2015

O esquadrão santista composto a partir de 1955, que conquistou o estadual daquele ano, consolida-se como o melhor time do futebol paulista e um dos melhores do país com o Bicampeonato em 1956. O quadro santista era espetacular, tanto que, o Santos FC cedeu 6 jogadores a Seleção Brasileira na disputa da Copa América: Jair Rosa Pinto, Formiga, Del Vecchio, Tite e Álvaro. Ainda em 1956, o clube obteve um recorde nacional: sendo o único clube do Brasil a possuir 7 jogadores como campeões do Brasil, defendendo a seleção regional (Paulista): Ramiro, Formiga, Tite, Pagão, Del Vecchio e Pepe.
Naquele ano a cartolagem modelou o estadual com exorbitante número de 19 equipes, que se enfrentaram numa fase de classificação, em turno único. Os dez melhores (pela série azul) disputavam em dois turnos o título de Campeão Paulista. Os dez piores (pela fase branca) definiriam quem cairia para a divisão de acesso.
O Santos FC fez sua estreia 17 de junho, na Vila Belmiro, com triunfo por 1 a 0 sobre a Ponte Preta. Seguiu muito superior a todos seus adversários, e acabou tornando-se campeão invicto na fase classificatória: em 17 Jogos, venceu 13 partidas e empatou 04, recebendo o troféu da FPF “DR. Jorge dos Santos Caldeira”. Com isso, o SFC alcançou 18 jogos invictos, pois somava-se aos 17 jogos do certame de 56, o jogo que iniciou com vitória sobre o Taubaté por 2×1 pela última rodada do campeonato de 55. Na fase seguinte, com mais seis jogos sem ser batido, o Peixe alcançou a marca de 24 jogos de invencibilidade, e levantou mais um troféu na temporada: a Taça Gazeta Esportiva, conhecida como “Taça dos Invictos”.
Entre a fase de classificação e a fase final o SFC conseguiu estabelecer uma de suas melhores séries de vitórias consecutivas, onde iniciou-se com a goleada de 9 a 1 no Linense e encerrou-se com a vitória por 2 a 1 no Juventus, estabelecendo um total de 10 triunfos ininterruptos. Pela fase de classificação o Alvinegro conseguiu grandes vitórias por goleadas, entre elas (além do Linense), o próprio Juventus tomou 4 a 1 na Vila, venceu também o Noroeste por 4 a 0, e na sequencia o Jabaquara por 5 a 0, e obteve êxitos importantes, como contra o SP na vitória por 1 a 0 gol de Del Vecchio. Antes do fim da fase classificatória, um amistoso acabou tornando-se muito importante na história do futebol.
No dia 7 de setembro, em Santo André, o Santos venceu o Corinthians local recebendo o “Troféu Independência”, e a partida entrou para a história, pela participação de um jovem atleta que entrou durante a partida. Um menino de nome Edson. Mais conhecido como Pelé, que logo na estreia, marcou seu primeiro gol.
Na sequência do Paulista, o SFC venceu três dos 04 últimos compromissos. Em outubro começa a fase final do Campeonato Paulista. Com os 10 melhores classificados agrupados na “Série Azul”, disputando o Título em turno e returno. O Santos estreia dia 3, na Vila Belmiro, contra o XV de Piracicaba e obtém bela vitória por 3 a 0. Na continuidade, a equipe seguiu vencendo seus compromissos, foram oito vitorias a partir do primeiro jogo, consecutivas. Parecia que o SFC não seria batido, venceu seus principais concorrentes e adversários: Portuguesa no Pacaembu por 2 a 1, Alfredinho e Urubatão marcaram os gols santista, o Palmeiras por 2 a 1 na Vila, com gols de Alfredinho e Del Vecchio e o São Paulo por 2 a 0 com gols de Álvaro e Jair Rosa Pinto, no Pacaembu.
Mas, es que veio o Corinthians brecando o entusiasmo santista e a equipe conheceu sua primeira derrota.  Não deixando o ritmo cair e nem se abater, na sequencia o Santos emplacou uma boa séria de sete vitorias consecutivas, que o levaram a primeira colocação, seguido de perto pelo São Paulo. Na penúltima rodada, porém, o SFC acabou tropeçando novamente enquanto o SP venceu seu jogo.
Na última rodada, enquanto o Santos venceu o Corinthians por 2 a 1, com gols de Jair e Tite, o São Paulo também venceu o Palmeiras, e com isso, ambos ficaram empatados com a mesma pontuação. O regulamento previa uma partida extra para a decisão do Campeonato e a grande final foi disputada apenas em 1957. Antes da finalíssima, o SFC estava mordido, movido pelos boatos de que o SP subornara seus craques, o técnico Lula mexeu no time, trocando Hélvio e Ivã por Wílson e Feijó. Deixando o time com a seguinte escalação:  Manga; Wilson e Feijó; Ramiro, Formiga e Zito; Tite, Jair da Rosa Pinto, Pagão, Del Vecchio e Pepe.
Na final do Campeonato Paulista de 1956, o Santos apresentando uma atuação firme, sobretudo em sua reação no segundo tempo, triunfou de forma categórica e indiscutível por 4 a 2 diante do São Paulo, que sucumbiu à garra alvinegra e, com isso, a disposição e dedicação santista na finalíssima foi recompensada com a conquista. A contagem foi aberta pelos tricolores logo aos 9 minutos iniciais, mas, não demorou muito para o Santos empatar, ocorrendo 10 minutos depois: Del Vecchio recuperou a bola na defesa são paulina, e arrematou encobrindo o goleiro tricolor que espalmou, a bola sobrou para Pagão que chutou em direção ao gol, no desespero obrigou Mauro a tocar a mão na bola, e cometer penalidade máxima! Feijó cobrou e empatou a partida.
Daí em diante, o jogo seguiu-se equilibrado, mais antes do fim da primeira etapa, o São Paulo conseguiu nova vantagem em 2 a 1. No segundo tempo, superior na partida o Santos consegue o empate com Tite aos 7 min, após boa jogada de Jair Rosa Pinto. A pressão alvinegra continuou, e aos 23 min, em um rápido contra-ataque, Tite lançou Pagão, e já na área, atrasou a bola para Del Vecchio, que atirou forte e inapelavelmente, desempatando a partida. 3×2! No quarto gol, Del Vecchio venceu Mauro (zagueiro do SP) na velocidade e quase da entrada da área com um chute forte, estufou as redes finalizando a partida (4×2) para o campeão absoluto de 1956: Santos FC.
A campanha santista deferiu-se irretocável durante todo o certame, o clube começava seu reinado e mostrou porque era a principal força do estado de São Paulo, em números: em 36 jogos, foram 29 vitorias, 04 empates e apenas 3 derrotas, com um ataque poderoso assinalando 98 tentos, estabelecendo um saldo positivo de 62 gols.
SAIBA MAIS >
O esquadrão da reconstrução e início do reinado (1955/59);
Jogos e Fichas Técnicas do Paulista de 1956;

Fontes e Referencias:
Almanaque do Santos FC;

Blog do Prof. Guilherme Nascimento; 
Jornal ESTADÃO;
Jornal Folha de SP;

 

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