O epilogo Internacional da maior geração da história – (1965)

Published On 24/03/2017 | História das Excursões
Por Kadw Gomes
Santos, 24/03/2017

A mais brilhante geração de futebol em todos os tempos chegava ao epilogo na temporada 1965.
Continuou o processo de reformulação do elenco. O time-base do Santos foi ainda mais reforçado, alinhou o ciclo final da geração Bicampeã Mundial com novos contratados. Naquele ano vieram o lateral direito Carlos Alberto Torres (do Fluminense), o quarto-zagueiro Orlando Peçanha (tornou-se uma lenda no Boca, da Argentina, retornava ao Brasil), o ponta Abel (do America-RJ), o goleiro Cláudio (do Bonsucesso-RJ), entre outros nomes.
O ano começou com o título do Torneio Rio-São Paulo valido pela temporada anterior. Depois o Santos embarcou para Santiago, no Chile, local onde disputou um hexagonal com os principais times chilenos, o River Plate-ARG e a poderosa Seleção da Tchecoslováquia. O Hexagonal do Chile – em alguns casos Octogonal – foi um torneio tradicional e muito cobiçado nos anos de 1960, por geralmente reunir algumas das principais equipes do mundo e até seleções, além dos grandes times locais.
O futebol chileno estava em alta e vivia um momento especial. Além de sediar a Copa do Mundo de 1962, ao qual a seleção do Chile terminou em terceiro lugar, os principais clubes nacionais dispunham de três esquadrões, era uma geração poderosa. Pelo Torneio Hexagonal, essas equipes tinham a vantagem de jogar em casa, todas as partidas foram disputadas no estádio Nacional em Santiago. E o Santos iniciou dia 13 de janeiro enfrentando a primeira grande equipe local, já conhecida dos santistas pela semifinal da Libertadores vencida em 63, era a Universidade Católica de Villarroel, Isella, Ballares, Tobar, Gallardo e do ídolo maior Fouilloux. E a partida se desenhou de forma complicada, os chilenos foram melhores na primeira etapa vencendo por 1 a 0, gol de Ramirez. Porém, no segundo tempo, o Santos voltou com toda disposição, empatando aos 8’, numa jogada pessoal de Pelé. Continuou pressionando até que, Toninho, aos 30’, recebeu livre e decretou a vitória santista, de virada, por 2 a 1.

                       Pelé e Masopust.

O próximo compromisso registrou-se em 16 de janeiro, quando os expectadores presentes no estádio Nacional do Chile, acompanharam aquela que foi considerada a “Partida do Século XX no Chile”, num dos maiores espetáculos de futebol em todos os tempos. Ainda com alguns jogadores que enfrentaram o Brasil na Copa de 1962, como Populhar, Pospihal, Kavnasck, o genial Masopust, a Seleção Tcheca continuava uma das mais fortes do mundo. Do outro lado, o Santos FC escalado com Gylmar; Ismael, Modesto, Haroldo e Geraldino; Zito (Mengálvio) e Lima; Dorval, Coutinho (Peixinho), Pelé e Pepe (Toninho), uma base da seleção brasileira, representando ainda um dos maiores, se não o maior, time do mundo.
O grande duelo começou esbanjando o aspecto técnico, jogo estudado no meio campo com comportamento parecido das equipes, assim como os uniformes, fato que fez o árbitro chileno Rafael Hormazabal interromper a partida aos 11 minutos, pedindo ao capitão Zito a troca de uniforme do Santos. Após 7′, com calções azuis, o SFC volta a campo. A bola rola e o Alvinegro, depois de criar algumas chances, consegue o gol aos 27 minutos. Num contra-ataque, Coutinho e Pelé trocam passes rápidos, envolvendo a defesa adversaria, Coutinho recebe o passe de Pelé, avança sozinho e marca (1 x 0)! A resposta da seleção cientifica foi rápida, e aos 32’, empata a partida com Masny. O Santos aparentemente se desequilibrou, logo na saída de jogo, a seleção tcheca recuperara a bola, Masopust lança Rath, livre, para decretar a virada. Então os europeus passam a jogar retraídos, tentando segurar a vantagem. Mas o Santos criava inúmeras oportunidades, a pressão já durava cinco minutos, quando Pelé surpreendeu o goleiro Schmueker com um belo chute direto para o gol, empatando já nos acréscimos.
Quando inicia o segundo tempo o Santos volta melhor, logo aos 5’, Pelé dribla dois defensores, passa para Dorval, solto, desempatar (3 x 2)! A Tchecoslováquia, apostando nos contragolpes, consegue novo empate aos 18’. Dessa vez o Alvinegro não se abalou, dois minutos depois, Coutinho aproveita lançamento preciso de Zito, fica de frente a Schmueker, e não perdoa, 4 x 3! Algumas substituições são feitas por ambas as equipes, os Tchecos ficam melhores, aos 37’, Kadraba volta a empatar. Porém, a felicidade dos europeus durou pouco. Cinco minutos depois, Pelé assinala novamente, com um lindo petardo de fora da área. Já nos acréscimos, Pelé recebeu a bola no meio de campo, fintou todos os adversários que encontrou pela frente, até parar no fundo das redes, decretando: Santos 6 × 4 Seleção da Tchecoslováquia! Ao final da partida, a torcida aplaudiu de pé o espetáculo. Um jornal definiu a sensação que a partida deixou com o título: “Em nenhum lugar do mundo se viu um futebol assim”.
Com empolgação jornais se deleitavam a testemunhar o espetáculo. Na foto: manchete da Gazeta Esportiva.
Diante do River Plate-ARG, na terceira partida, um jogo atípico. O Santos teve o domínio das ações, fez 1 a 0 com Pelé aos 16, e parecia iniciar uma goleada, mas, no minuto seguinte, o River empata e de forma incrível vira ainda na primeira fase, com gols do atacante Laliana, em contragolpes certeiros. O Santos conseguiu empatar (Toninho aos 36’) e novamente teve amplo controle, parecia que venceria quando bem entende-se, porém, relaxou, e viu os argentinos fazerem o terceiro com o atacante Mas. Aquela derrota ficou engasgada, porém, o Santos teria a oportunidade de revanche, em novos enfrentamentos após o torneio no Chile.
Outra grande força chilena, certamente a mais tradicional delas, o Colo-Colo de Ortiz, Moreno, Jimenez e Hernan Alvarez (atacante recordista de gols numa temporada chilena, 37 tentos), já era o clube mais campeão do país (9 títulos nacionais), havia conquistado os títulos de 1960 e 1963 (ano ao qual anotaram um recorde de 103 gols no campeonato chileno) e era um desafiante forte e conhecido do Santos FC, no estádio Nacional com 70 mil pessoas, pelo duelo do dia 29 de janeiro.
O Colo-Colo conseguiu ficar na vantagem de 2 a 1 na primeira fase. Aos 11’, marcou com Moreno, depois recuou e sofreu empate santista aos 28 minutos, quando Zito recuperou a bola no meio-campo e lançou Dorval, que fintou Derli e chutou cruzado. Aproveitando contra-ataques, os chilenos voltaram à frente do placar aos 33’, com Jimenez. Em notável reação o Santos passou a executar predomínio no segundo tempo, mas sempre sendo parado pela violência adversária. Zito driblou dois defensores e começou jogada com elegância entregando a Pelé, este entrou na área, fintou Cruz e em seguida Derli, mas foi violentamente derrubado, pênalti não marcado pelo árbitro. Os jogadores santistas reclamaram, Peixeinho acabou expulso. Com apenas 10 jogadores o Santos aumentou extraordinariamente sua pressão, principalmente, pelo lado direto com Dorval, já que no centro Pelé estava vigiado. Todavia desperdiçando grandes oportunidades. Aos 16’, porém, Zito lançou com maestria Dorval nas costas de Gonzales, o ponta-direita santista avançou para dentro da área e arrematou forte para marcar (2 x 2). Aos 31’, outro pênalti para o Santos não assinalado, Pelé foi agarrado na área faltosamente. Já perto do fim, Lima cruzou para o amortecer do peito de Toninho Guerreiro, que esperou o goleiro movimentar e marcou, definindo a vitória de virada do Santos, 3 a 2.
Para trazer a taça do Hexagonal do Chile na bagagem, competição rendosa por dólares e disputada por pontos corridos, o Santos que já tinha vencido a poderosa Seleção da Tchecoslováquia (vice-campeã do mundo há um ano e meio), teria na última partida seu maior desafio dentre as equipes chilenas, defronta-se com o talentoso “Ballet Azul” da Universidad de Chile. Certamente o maior esquadrão da história das equipes chilenas.
A popular La’U era formada por Astorga; Eyzaguirre, Hodge, Contreras e Villanueva; Danoso e Alvarez (Campos); Arraya (Gangas), Olivares, Marcos e o histórico craque Leonel Sanchez. Na década de 1960, a brilhante equipe aspirou cinco títulos nacionais (1962, 64, 65, 67 e 69), e foi base do selecionado chileno na Copa sediada pelo país em 62. No estádio Nacional, em Santiago, com mais de 70 mil expectadores, o Santos foi a campo com Laércio, Joel e Geraldino; Lima, Haroldo e Zito; Dorval (Peixinho), Mengálvio, Toninho, Pelé e Pepe (Ismael).

A partida começou com total domínio santista, foi assim que em jogada trabalhada, Dorval abriu o placar logo aos 2 minutos. Lima (SFC) fez falta em Leonel Sanchez (LAU) aos 12’, iniciando uma confusão ao qual acabou com a expulsão de ambos. O jogo ficou aberto e valendo-se de maior compostura técnica, o Santos condicionou sua pressão com ataques contínuos que fizeram a defesa chilena ficar em constante perigo. Aos 35 minutos, Pelé carregou antes do meio campo, passou por todos os adversários, e atirou um petardo certeiro no ângulo da meta defendida por Astorga, um golaço! Na segunda etapa o Santos diminuiu mas manteve a pressão, conseguindo marcar o terceiro com 29 minutos, numa falha do zagueiro e do goleiro, Zito aproveitou a bobeira e assinalou.
As equipes puderam ter novas desforras pela Libertadores pelo Grupo 2. No Chile, La Ballet Azul de Universidad foi vencida ferozmente por 5 a 1; na partida de volta no Brasil, nova vitória dos Santásticos por 1 a 0.
Portanto, na temporada internacional de 65, o Santos conseguiu triunfar diante de duas das três principais forças da última Copa do Mundo. Abateu a forte geração chilena e a própria seleção da Tchecoslováquia do futebol cientifico (Campeã da EURO-60, vice-campeã do Mundo-62 e da EURO-64), sendo o Alvinegro a principal potência, como base da seleção brasileira bicampeã mundial no Chile.
Em 04 de fevereiro, ocorreu a primeira “pugna sul-americana” tida como revanchismo contra o River Plate, em pleno Monumental de Nuñez com quase 73 mil pessoas, e o ponta-esquerda Pepe, aos 18 minutos do segundo tempo, decretou o triunfo do Santos por 1 a 0, silenciando o estádio. Dessa forma, brasileiros e argentinos num verdadeiro “confronto de egos”, foram para a desforra definitiva dia 09 de fevereiro, no mesmo Monumental de Nuñez. Com a presença do vice-presidente da Republica, os Ministros do Exterior e da Guerra, e mais de 60 mil pessoas em Buenos Aires. O River escalou Gatti; Bonzuck (Minore), Griffo, Sainz e Varacka; Caapp (Lettiere) e Sarnari; Solari, Delem, Más e Lalliana. Enquanto o Santos formou com Laércio (Gilmar); Joel Camargo e Geraldino; Lima (Ismael), Haroldo e Zito; Dorval (Gilberto), Mengálvio, Toninho, Pelé e Pepe (Peixinho).
Os argentinos começaram exercendo uma forte pressão, contudo, sabendo equilibrar a partida, o Santos abriu o placar com Pelé, que aproveitou a bobeira da zaga e com misto de habilidade e oportunismo mandou a bola para as redes. Aos 9 minutos, recebendo um magistral passe de Pelé, o ponta-esquerda Pepe ficou a feição para marcar o segundo. Sob grande desanimo da torcida argentina, o River voltou à carga e conseguiu diminuir aos 19′, com Lallane. Não demorou muito, entretanto, o entusiasmo argentino, pois aos 27′, Pelé marcou o terceiro cobrando pênalti. Aproveitando passe de Solari, o brasileiro Delém colocou novamente o River no jogo, aos 37′. Para o segundo tempo, o Santos veio com Gilmar no lugar de Laércio, Ismael substituindo Mengálvio, Lima foi para o meio. Aos 25 minutos, Toninho deu excelente passe para Pepe, que deferiu potente chute de esquerda, estabelecendo 4 a 2. Os argentinos reagem, aos 38′, mais um gol com Delém, mas novamente o Santos deixa o Monumental como vencedor.
Da Libertadores (5 x 1 na La’U e 2 x 1 no Universitário-PER) o Alvinegro vai até Caracás, na Venezuela. E depois de vencer o Dep. Galicia por 3 a 1, o Santos enfrentou o esquadrão – “tramposo” – do Independiente-ARG na final do Torneio IV Centenário de Caracas (“Pequena Taça do Mundo”). Foi um jogo bastante truncado na primeira parte e acabou sem gols. No segundo tempo, porém, o Santos não entrou na “catimba” argentina, balançou as redes aos 4 minutos, por intermédio de Toninho. O quadro brasileiro continuou atacando intensamente e, aos 10’, com um tiro fortíssimo novamente Toninho marcou (2 x 0)! Pelé, que já vinha sendo ovacionado por suas magnificas jogadas individuais, recebeu lançamento amortecendo a bola no peito por alguns instantes, para depois arrematar forte, num belo tento seguido de aplausos da plateia. Aos 35’, Dorval venceu a defesa em velocidade e cruzou, Pelé completou de cabeça e decretou a goleada por 4 x 0! A partida foi presenciada por 40 mil pessoas e teve renda recorde de $ 525.400 bolívares.
Na segunda parte da excursão, pelas Américas Sul e Norte, após empatar com o campeão paraguaio Olímpia (2×2) em Assunção, nitidamente fadado de bola, o Santos novamente empatou (1 x 1), agora com o AC Milan, em New York, Estados Unidos, dia 11 de junho. Teve seis dias de descanso, até partir para o México e depois Guatemala, ao qual num intervalo de três dias venceu a Universidade del México (2 x 1) e o Aurora (3 x 1), Toninho, Pepe e Dorval foram os nomes dos gols. Depois o time foi a Venezuela, conseguiu êxito frente a seleção da Venezuela num gol solitário de Abel.
Passados um mês e cinco dias da última partida na Venezuela, estava marcado no calendário Alvinegro compromissos pela Quadrangular de Buenos Aires/65, na Argentina. A competição foi organizada pelos maiores clubes do futebol portenho, Boca Juniors e River Plate, que fizeram convite aos dois maiores times do mundo, Santos FC e Real Madrid CF. A ideia era fazer uma grande celebração de futebol na Argentina.
E o palco das partidas era o estádio Monumental de Nuñez, que já não parecia tão temível para os santistas, na verdade, La Bombonera também não seria, de um jeito ou de outro historicamente o Santos obteve mais vitórias com mando do seu primeiro adversário do quadrangular, o Boca Juniors (são 3 êxitos contra 2 reveses). E no dia 08 de agosto, ironicamente o estádio do River estava lotada de fanáticos ‘bosteros’, quando o Santos foi a campo com a seguinte formação: Gilmar; Carlos Alberto, Mauro, Orlando e Geraldino; Zito e Lima; Dorval (Toninho), Coutinho, Pelé e Abel (Pepe). O Boca Juniors de Errea; Silvero, Marzolini e Simeone; Rilo e Silveira; Almir, Menendez, Alfredo Rojas, Gonzaléz e Pianeti, era um esquadrão histórico, base da seleção Argentina e atual campeão nacional/64, conquistaria ainda o Bicampeonato em 1965.
Começa o prélio e na primeira etapa o Alvinegro iniciava com todo vigor, criando inúmeras oportunidades, o gol seria questão de tempo. E após um passe de Coutinho entre Rilo e Silveira a bola encontra Pelé, que num chute raso de direita, estufou as redes do gol de Errea (1 x 0)! Aos 26’, cruzamento preciso de Abel pelo lado esquerdo, Pelé subiu entre os zagueiros argentinos, junto a marca do pênalti, plasticamente realizou uma cabeçada perfeita direcionando a bola com força no canto direito do arqueiro argentino, 2 x 0! O tento arrancou efusivos aplausos das tribunas do estádio de Nuñez. O Boca Junios ainda assimilava o segundo gol sofrido, quando dois minutos depois Pelé recebeu uma bola e se desvencilhou de um marcador e tocou magistralmente ao coringa Lima, que não teve dificuldades para fazer o terceiro gol santista e determinar o placar final do primeiro tempo.
O Santos continuou a dominar a partida na etapa final, sob a coordenação do capitão Zito e combinações perfeitas entre Coutinho e Pelé. Mas foi o Boca aos 27’ que marcou, através de Menéndez. Os 15 minutos finais da partida se tornaram eletrizantes, com a “torcida bostera” cantando cada vez mais alto, a pressão argentina aumentou e Gylmar teve de praticar grandes defesas. O Alvinegro, porém, soube administrar a empolgação do rival e aproveitar contra-ataques. Em um desses, já no último minuto do prélio, Lima cruzou para a área e a bola encontrou Coutinho, livre, este cabeceou para decretar o “alfajor” de 4 x 1 no clássico sul-americano.
Como nos anos anteriores, na temporada internacional de 1965 o Santos trilhava o caminho que fazem dele, historicamente, o clube com história mais lustrosa dentro do futebol Argentino. Entre tantas façanhas, deferiu a maior goleada sobre um campeão do país (8 a 3 no Racing), é o que mais jogou e o que mais venceu, além de único a conquistar quatro títulos oficiais em solo portenho. Destas, conquistou em 63 o Bicampeonato da Libertadores em plena La Bombonera, e no ano anterior, no Monumental de Nuñez, obteve sua primeira Libertadores! Na construção dessa história brilhante contra os tradicionais rivais estava o dia 12 de agosto, um estádio Monumental fazendo jus ao nome, para receber o Santos de Lula, escalado com Gilmar; Carlos Alberto, Mauro (Joel), Orlando e Geraldino; Zito e Lima; Dorval (Toninho), Coutinho, Pelé e Abel (Pepe).
Sobre o oponente tradicionalíssimo, os anos de 1960, do River Plate, parecem pouco expressivos porque o time não conquistou o Campeonato Argentino. Algo equivocado, como é descrita pelo próprio clube. O River, além dos craques, como os que enfrentaram o Santos (Gatti; Bonczuk ou Minore e Grispo; Sainz, Cap e Matosas; Solari ou Montiveri, Sarnari, Lallana, Delem e Cubilla), foi incrivelmente sete vezes vice-campeão argentino: 1960, 62, 63, 65, 66, 68 e 69. Além de vice-campeão da Libertadores em 1966. Talvez tenha faltado sorte, um detalhe, mas, o que se sabe de fato, é que os ‘Millonarios’ sempre foram muito competitivos na época e fizeram de tudo para vencer o Santos, feito que seu arquirrival não conseguia.
Tal como contra o Boca, o Santos impõe historicamente ao River Plate vantagem dentro da própria argentina: são 5 vitórias e 3 derrotas. A “freguesia argentina” teve um novo capitulo dia 12 de agosto de 1965…
Excelente foi o desempenho dos dois esquadrões sul-americanos, numa partida que teve emoção até o seu encerramento. Os primeiros minutos demonstravam um Santos mais agressivo e veloz, com predomínio ofensivo. Entretanto, o River Plate – então líder do campeonato argentino – se mostrou preciso e soube aproveitar a única chance que teve, aos 8 minutos, numa falha da defesa santista, inaugurando o marcador com Sarnari. Ficar atrás no placar não abalou o Santos, que continuou melhor, acentuado seu domínio, principalmente com grande atuação de Zito e Lima. Passaram apenas dois minutos para o empate, Coutinho tabelou com Pelé, o centroavante recebeu na frente e atirou forte vencendo Gatti (1 x 1)! O Alvinegro manteve-se na ofensiva, um trabalho de passes perfeitos, Zito distribuía com perfeição, e as jogadas de ataque eram constantes e perigosas. Aos 22 minutos, Zito começou a jogada e entregou a Pelé no avanço, o camisa 10 enfiou em profundidade para Dorval, que não desperdiçou e colocou o Santos em vantagem (2 a 1)!
Se na primeira fase o Santos foi bem superior aos argentinos, podendo ter obtido um placar mais elástico, o segundo tempo foi todo do River que jogou pressionando os brasileiros. Foi momento de comprovar a grande força defensiva dos santistas, recuperada da falha inicial, pois suportaram com autoridade a pressão. Zito passou a atuar como líbero e foi um gigante nos desarmes e cobertura, dando sustentação principalmente a Carlos Alberto e Mauro Ramos, estes dois com auxílio de Orlando e Geraldino fizeram um “ferrolho”. E com isso, o Santos ainda teve contra-ataques perigosos, o jogo foi intenso até o fim. Quando o Santos FC pode comemorar mais um título em solo Argentino, agora do Quadrangular de Buenos Aires. Isso porque o Real Madrid acovardou-se de enfrentar o Santos FC no que a imprensa mundial chamou de “O Grande Confronto do Século XX”.

Uma das formações do Santos no Quadrangular de Buenos Aires. Em pé: Carlos Alberto, Zito, Geraldino, Orlando, Gilmar e Mauro. Agachados: Dorval, Lima, Coutinho, Pelé e Abel.


Fontes e Referencias:
Centro de Memória e Estatística do Santos FC;
Livro Time dos Sonhos (Odir Cunha);
Almanaque do Santos F.C. (Guilherme Nascimento);
Blog do Prof. Guilherme Nascimento;
ASSOPHIS (Associação dos Pesquisadores e Historiadores do Santos FC );
Jornal Estado de S. Paulo.

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