O Hexacampeonato Brasileiro da Máquina!

Published On 10/12/2014 | A História das conquistas, Histórias
Por Kadw Gomes

Mesmo com a sumptuosidade de jogos e competições, a temporada 1968 foi uma das mais vencedoras da história do Santos.
Após passar por uma reformulação no elenco entre 1965-66, e conseguir no ano seguinte montar um novo esquadrão Campeão Paulista, o Alvinegro continuou a praticar seu magnifico futebol de maneira irresistível e espetacular em 1968. O time conquistou absolutamente tudo que disputou equivalente aquela temporada, sendo Bicampeonato Paulista, Campeonato Brasileiro, da Supercopa Sul-Americana e Recopa Mundial. Além de todos os torneios oficiosos.
Naquele ano, o Santos chegava ao apogeu da segunda geração de craques e remanescentes na década de 1960, recomposta por Cláudio, Carlos Alberto, Ramos Delgado, Joel Camargo, Rildo, Clodoaldo, Edu, Toninho Guerreiro, Pelé que chegava a fase de “Mito”, entre outras feras. Confirmando a maior hegemonia nacional, consagrando o Santos como primeiro Hexacampeão Brasileiro/nacional da história (1961, 62, 63, 64, 65 e 68).
Após cumprir sua função, a Taça Brasil de Clubes passou por um período de intersecção, até começar a dar lugar a um novo formato de Campeonato Brasileiro. Desde 1967 era disputado o Torneio Roberto Gomes Pedrosa (organizado pelas federações paulista e carioca), sendo ainda a Taça Brasil a competição mais valorizada por dar vaga na Libertadores.
Em 1968, porém, o Torneio Roberto Gomes Pedrosa passou ser organizado pela Confederação Brasileira de Futebol, também conhecido como Taça de Prata, sendo a principal competição do Brasil, e contou com a participação de 17 clubes, com 7 estados representados. Na primeira fase, os 17 participantes, jogaram todos contra todos, em turno único, divididos em 2 grupos A e B (um de 8 e outro de 9) para efeito de classificação. Sendo o saldo de gols critério de desempate. A competição nacional chegava a uma formula de sucesso sob todos os aspectos: média de público, jogos de alto nível, credibilidade e excelente cobertura da mídia.
Na primeira fase, o Santos fez sua estreia pelo grupo B em um domingo, dia 8 de setembro, quando foi até Curitiba, enfrentar o Atlético PR, e acabou derrotado por 3 a 2. Partida que parecia teoricamente fácil, já que o Atlético PR havia feito péssima campanha no estadual de 1967. Porém, o time reformulou-se com grandes jogadores como Djalma Santos, Belline, Gildo, Nair e Zé Roberto. Além de vencer o Santos, acabaria com um honroso quinto lugar.
Apesar da estreia com derrota (que em toda a competição foram apenas três), o Campeonato era longo, possibilitando uma recuperação do time, que ocorreu logo na partida seguinte: com gols de Edu e Toninho Guerreiro, o Santos venceu o Flamengo por 2 a 0 no Maracanã/RJ, com público de 78.022 pessoas, terceiro maior dessa edição nacional. Seguiu compromisso em São Paulo, no estádio do Pacaembu, empatando por 0 a 0 no clássico com o Palmeiras. Em seguida, venceu o Fluminense por 2 a 1 no Morumbi/SP, com gols de Pelé e Toninho. Depois veio um tropeço, empate ante o Bangu (1 a 1), no Pacaembu.
A derrota para o Vasco por 3 a 2 no Maracanã, na sexta partida, deixou o Santos com 6 pontos ganhos em 6 jogos disputados, situação inferior à do próprio Vasco e embolado com Grêmio, Atlético MG e São Paulo. Porém, a partir da vitória na sétima rodada, sobre o arquirrival Corinthians em 2 a 1 de virada, com gols de Toninho e Pelé, o time deslanchou na Competição. O Corinthians estava invicto com 5 vitórias iniciais seguidas de um empate, até que enfrentou o Santos, seu calvário.
Depois da vitória contra o rival, o Santos engrenou seu grande futebol no nacional, e o Bahia sentiu isso como nenhum outro, sofrendo a maior goleada da competição: um 9 a 2 espetacular e arrasador! Toninho Guerreiro fez 4 gols, Pelé 3 gols, Negreiros e Douglas um cada. Na continuidade venceu a Portuguesa e Cruzeiro, ambos por 2 a 0.
Na partida diante do time mineiro, foram a campo dois dos melhores times do país. O triunfo do Santos (Cláudio, Carlos Alberto Torres, Ramos Delgado, Marçal e Rildo; Clodoaldo e Negreiros; Toninho Guerreiro, Douglas depois Edú, Pelé e Abel) deu extrema moral e confiança na equipe para as rodadas seguintes. Isso porque o Cruzeiro, treinado por Orlando Fantoni, tinha jogadores de extrema categoria, como Tostão, Dirceu Lopes, Natal, Piazza, Procópio, Evaldo e Zé Carlos – um esquadrão! Dessa partida, jogada dia 13 de outubro, seriam cinco titulares da Seleção Brasileira na Copa de 1970: Carlos Alberto Torres, Piazza, Clodoaldo, Tostão, Edú e Pelé.
Dando sequência aos compromissos, o Santos empata com o São Paulo por 0 a 0 no Morumbi/SP, vence o Internacional fora de casa por 3 a 1 (recorde de público: 57.000 pessoas cantaram “Parabéns a você” no aniversário de Pelé, e o aniversariante retribuiu marcando um gol). Na sequencia, ocorre o êxito sobre o Náutico por 3 a 0, Toninho, Edu e Pelé marcaram, o empate com o Atlético MG no Mineirão por 2 a 2 e, por fim, a vitória ante o Grêmio por 3 a 1, com gols de Carlos Alberto, Pelé e Toninho, garantindo a classificação antes da última rodada.
Terminando a primeira fase com uma grande campanha, o Santos era o primeiro do grupo B, com 22 pontos. Em 16 jogos disputados, o time obteve 9 vitórias, 4 empates e apenas 3 derrotas. O segundo do grupo foi o Vasco, com 20 pontos. Assim, ambos se classificaram para a Fase Final. No outro grupo, Palmeiras com 24 pontos e Internacional com 20 pontos (e o critério de desempate), pelo segundo ano consecutivo foram os outros times classificados do agrupamento A. No Quadrangular Final, novamente jogando-se todos contra todos, em turno único, com o clube com o maior número de pontos nessa fase, sendo o Campeão.
Na fase final – Quadrangular decisivo -, a primeira rodada foi favorável aos paulistas. Enquanto o Palmeiras venceu o Vasco por 3 a 0, no Morumbi, o Santos visitou o Internacional, no estádio Olímpico/RS.
A partida em Porto Alegre mostrava-se complicada, com o Santos sendo dominado no primeiro tempo pelo time gaúcho, dos destaques Scala, Elton, Claudiomiro, Canhoto, entre outros, performando mais volume e melhores invertidas no ataque, tendo o goleiro Cláudio muito trabalho. A solução encontrada pelo técnico Antoninho (SFC) foi mandar o time atuar nos contra-golpes. Aos 21′, o juiz deixa de assinalar um pênalti claro em Toninho. (…) equilibrando o jogo, veio o desafogo aos 32 minutos. Bonita jogada de Edu na direita, cruzando à Toninho, que abaixa-se deixando a bola para Pelé, este na categoria apenas empurrou o couro para as redes: 1×0! A gauchada silencia por quatro minutos, até que Elton arremata de longe e empata para o Inter.
Quando as equipes retornaram no segundo tempo, quem voltou melhor foi o Santos, obtendo as melhores oportunidades. Melhorando ainda mais quando o técnico Antoninho substituiu Lima por Negreiros aos 37′, possibilitando ao time criar ainda mais chances na base da troca de passes. Agora era o Inter quem se segurava na defesa. A peleja parecia caminhar para um empate, até que aos 41 minutos, Toninho foi calçado por Jorge Andrade, dentro da área e o arbitro Roberto Goicochea assinalou o pênalti. Carlos Alberto cobrou e garantiu a importante vitória do Santos.
Na segunda rodada da fase final, o Palmeiras de Dudu e Ademir da Guia, com certo favoritismo, se isolaria na liderança em caso de vitória contra o Santos. No outro jogo, o Vasco venceu o Internacional por 3 a 2, fazendo dois pontos com um saldo negativo de 2 gols. Na última rodada, o Cruz-Maltino enfrentaria o Santos no Maracanã/RJ.
No Morumbi, dia 08 de dezembro, muita expectativa foi criada entorno do embate decisivo no “clássico saudoso” Santos x Palmeiras, com a imprensa anunciando o jogo como final antecipada. E tão logo Armando Marques autorizou o inicio, observou-se a categoria do Alvinegro (Cláudio; Carlos Alberto, Ramos Delgado, Marçal e Rildo; Clodoaldo e Lima; Edu, Toninho, Pelé e Abel, depois Manoel Maria), dotando de vasto repertorio e movimentação. Ao Palmeiras, vice-campeão da Libertadores naquele ano, cabia duas coisas: anular Pelé fosse na força ou no jeito, e aproveitar o oportunismo de Artime, algo declarado pelo técnico Filpo Nuñez.
Encontrando dificuldades na marcação Alviverde feita por Dudu, Baldochi e Nelson, o Santos usava o balanço ofensivo e a individualidade dos craques. A movimentação de Pelé e o jogo em profundidade nas pontas, vinham as principais chances criadas. Aos 14 minutos, Edu fez boa jogada e cruzou, Toninho “furou”, Abel quase na linha de fundo conseguiu arrematar a bola, que bate em Chicão e no travessão, antes de ir pro fundo das redes: gol chorada, que abria os espaços, 1×0!
Mantendo-se superior e com mais objetividade, apesar da mudança palmeirense (Servilio no lugar de Marco Antonio), o Santos envolvia o rival e intensificava as oportunidades de ampliar. Algo que só ocorreu aos 35 minutos: falta cobrado com violência por Pelé, a bola desvia na barreira, sobrando para Edu deferir chute forte e rasteiro no canto esquerdo: 2×0! Sete minutos depois, sem deixar de pressionar, Toninho Guerreiro aproveitou rebote do goleiro palmeirense Chicão e completou a contagem: 3×0! As invertidas santistas, ocorriam de todas as formas, em momento algum o Santos forçou o ritmo da partida, deixando nítida a superioridade nas manobras e toques de bola. Um resultado que acabou deixando-o em ótima situação para a rodada final.
Na última rodada do Quadrangular decisivo, todos os times tinham chances matemáticas de serem Campeões, desde que o Santos perde-se seu jogo, contra o Vasco da Gama. Em porto-alegre, o Internacional acabou vencendo o Palmeiras por 3 a 0, resultado que acabou lhe assegurando o vice-campeonato da competição pelo saldo de gols, já que tinha os mesmos dois pontos do Palmeiras.
Na noite de 10 de dezembro, todas as atenções estavam voltadas a partida decisiva no Maracanã/RJ, com público estimado em 55 mil pessoas. Bastaria um simples empate, que já garantiria o sexto título nacional do Santos na década, o Hexacampeonato Brasileiro. Sabendo ser o grande favorito à conquista, os santistas (Cláudio; Carlos Alberto, Ramos Delgado, Marçal e Rildo; Clodoaldo e Lima; Edu, Toninho e depois Douglas, Pelé e Abel, Laércio) estavam concentrados e cientes para empenhar o melhor futebol em campo.
A disputa não reservou surpresas, e o Santos que se mostrou impetuosamente superior no jogo, precisou apenas do primeiro tempo para liquidar a peleja e o título: aos 14 min, Pelé tocou para Toninho que chutou firme no canto, abrindo o placar. Com total normalidade, seguiu o SFC dono das principais ações, mostrando que seus onze jogadores formam um esquadrão magnifico. Perto do fim da primeira etapa, aos 38 min: Pelé que fazia partida primorosa, empolgando a plateia carioca, limpa a zaga vascaína e chuta forte no canto, fazendo o segundo gol santista. Aos cariocas, coube tentar a segunda colocação para garantir sua primeira participação na Libertadores.
No segundo tempo, Bianchini, que minutos depois foi expulso de campo (após trocar agressões com o goleiro Claudio que também foi expulso), diminuiu para o Vasco, 2 a 1. O espetáculo do primeiro tempo foi suficiente, o jogo terminou assim e, com isso, o Peixe obteve o melhor ataque (37 gols assinalados), Toninho Guerreiro foi o artilheiro da competição (com 18 gols) e o Santos FC conquistou o sexto título Brasileiro de sua história no Maracanã.
Santos e Internacional, Campeão e Vice-campeão, a princípio representariam o Brasil na Libertadores, chegando a ser anunciado pela CBD (Confederação Brasileira de Desportos) antes das finais, mais depois a entidade voltou atrás na decisão. Assim em 1969, o Brasil não teve representantes na Copa Libertadores da América.




Confira a campanha e todas as fichas técnicas:
http://acervosantosfc.com/torneio-roberto-gomes-pedrosa-1968/
Fontes/Referencias:
Dossiê, Unificação dos Títulos Brasileiros a partir de 1959 (Odir Cunha e José Carlos Peres);
Almanaque do Santos FC (Guilherme Nascimento);
Jornal a Gazeta Esportiva;
Jornal Folha de SP.

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