O Hexacampeonato Brasileiro da Máquina!

Published On 10/12/2014 | A História das conquistas, Histórias
Por Kadw Gommes
Santos, 10/12/2014
Atualizado, 10/12/2016

Em 1968 o Santos FC voltava a praticar seu magnifico futebol de maneira irresistível e espetacular. O time conquistou absolutamente tudo que disputou equivalente aquela temporada, sendo Bicampeonato Paulista, Campeonato Brasileiro, da Supercopa Sul-Americana e Recopa Mundial. Além de todos os torneios oficiosos. Naquele ano, a “Máquina Santista” chegava ao apogeu da segunda geração de craques e remanescentes na década de 1960, recomposta por Cláudio, Carlos Alberto, Ramos Delgado, Joel Camargo, Rildo, Clodoaldo, Pelé, Edu, Toninho Guerreiro, entre outras feras, confirmaram a maior hegemonia nacional, consagrando o Santos como primeiro Hexacampeão Brasileiro/Nacional da história (1961/62/63/64/65/68).
Após cumprir sua função, a Taça Brasil de Clubes (1959 a 1968) durante um período de intersecção, começava a dar lugar a um novo formato de Campeonato Brasileiro. Desde 1967 era disputado o Torneio Roberto Gomes Pedrosa (ainda organizado pelas federações paulista e carioca), em 1968 organizado pela Confederação Brasileira de Futebol, também conhecido como Taça de Prata, contou com a participação de 17 clubes, com 7 estados representados. Na primeira fase, os 17 participantes, jogaram todos contra todos, em turno único, divididos em 2 grupos A e B (um de 8 e outro de 9) para efeito de classificação. Sendo o saldo de gols critério de desempate. A competição nacional chegava a uma formula de sucesso sob todos os aspectos: média de público, jogos de alto nível, credibilidade e excelente cobertura da mídia. O RGP foi uma evolução da Taça Brasil.
Na primeira fase, o Santos FC fez sua estreia pelo grupo B em um domingo, dia 8 de setembro, quando foi até Curitiba, enfrentar o Atlético PR, e acabou derrotado por 3 a 2. Uma partida que parecia teoricamente fácil, já que o Atlético PR havia feito péssima campanha no estadual de 1967. Porém, o time reformulou-se com grandes jogadores como Djalma Santos, Belline, Gildo, Nair e Zé Roberto. Além de vencer o Santos, o CAP acabaria com um honroso quinto lugar.
Apesar da estreia com derrota (que em toda a competição foram apenas três), o Campeonato era longo, possibilitando uma recuperação do time, que ocorreu, logo na partida seguinte: com gols de Edu e Toninho Guerreiro, o Santos venceu o Flamengo por 2 a 0 no Maracanã (RJ), com público de 78.022 pessoas, terceiro maior da edição Nacional de 68. Seguiu compromisso em SP, no estádio do Pacaembu, empatando por 0 a 0 no clássico com o Palmeiras. Em seguida, venceu o Fluminense por 2 a 1 no Morumbi, com gols de Pelé e Toninho. Seguiu, com um empate, contra o Bangu por 1 a 1, no Pacaembu.
A derrota para o Vasco por 3 a 2 no Maracanã, na sexta partida, deixou o Santos com 6 pontos ganhos em 6 jogos disputados, situação inferior à do próprio Vasco e embolado com Grêmio, Atlético MG e São Paulo. Porém, a partir da vitória na sétima rodada sobre o arquirrival Corinthians, por 2 a 1 de virada, com gols de Toninho e Pelé, o time deslanchou na Competição. O Corinthians até então, estava invicto com 5 vitórias iniciais seguidas de um empate, mais, acabou derrotado pelo Santos.
Depois da vitória contra o rival, o Santos engrenou seu grande futebol no nacional, e o Bahia sentiu isso como nenhum outro, sofrendo a maior goleada da competição: 9 a 2 com um Santos espetacular e arrasador! Toninho Guerreiro fez 4 gols, Pelé 3 gols, Negreiros e Douglas um gol cada. Dando continuidade, venceu a Portuguesa e Cruzeiro por 2 a 0. A partida diante do time mineiro, por sinal, levou a campo dois dos melhores times do país, e o triunfo do SFC (escalado com Cláudio, Carlos Alberto Torres, Ramos Delgado, Marçal e Rildo; Clodoaldo e Negreiros; Toninho Guerreiro, Douglas/Edu, Pelé e Abel) deu extrema moral ao time. O Cruzeiro, de Orlando Fantoni, tinha alguns jogadores de extrema categoria, como Tostão, Dirceu Lopes, Natal, Piazza, Procópio, Evaldo e Zé Carlos – um timaço! Repare, que desses jogadores, seriam cinco titulares da Seleção Brasileira, na Copa de 1970: Carlos Alberto Torres, Piazza, Clodoaldo, Tostão e Pelé. Sem contar Edu, que também atuou no Mundial do México.
Dando sequência aos compromissos, o SFC empata com o São Paulo por 0 a 0, vence o Internacional fora de casa por 3 a 1 (com recorde de público: 57.000 pessoas cantaram “Parabéns a você” no aniversário de Pelé, e o aniversariante retribuiu marcando um gol). Seguiu com êxito, sobre o Náutico por 3 a 0, Toninho, Edu e Pelé marcaram, empatou com o Atlético MG no Mineirão por 2 a 2, e por fim, venceu o Grêmio por 3 a 1, com gols de Carlos Alberto, Pelé e Toninho, garantindo a classificação antes da última rodada.
O Santos terminou a primeira fase com uma grande campanha, sendo o primeiro do grupo B, com 22 pontos. Em 16 jogos disputados, o time obteve 9 vitórias, 4 empates e apenas 3 derrotas. O segundo do grupo foi o Vasco, com 20 pontos. Com isso, ambos se classificaram para a Fase Final. No outro grupo, Palmeiras com 24 pontos e Internacional com 20 pontos (pelo critério de desempate), pelo segundo ano consecutivo foram os outros times classificados do agrupamento A. No Quadrangular Final, novamente jogando-se todos contra todos, em turno único, com o clube com o maior número de pontos nessa fase, sendo o Campeão.
Na fase final (Quadrangular decisivo), a primeira rodada foi favorável aos paulistas. Enquanto o Palmeiras venceu o Vasco por 3 a 0, no Morumbi, o Santos visitou e derrotou o Internacional, no estádio Olímpico por 2 a 1.
A partida em Porto Alegre foi complicada, com o Santos sendo dominado no primeiro tempo, pelo time gaúcho, que apresentou mais volume e domínio da partida. Porém, quem abriu o placar foi o alvinegro, aos 32 min: jogada de Edu que tocou para Toninho, que só encostou para Pelé com um toque sutil empurrar para as redes. Contudo, a reação colorada não tardou, quatro minutos depois de sofrer o gol, o Internacional impôs seu ritmo, e empatou a partida.
Quando a bola rolou no segundo tempo, o Santos voltou melhor, obtendo as melhores oportunidades, ainda mais quando Antoninho (técnico do SFC) substituiu Lima por Negreiros aos 37 min, possibilitando ao Alvinegro criar ainda mais chances. O jogo parecia caminhar para um empate, mais aos 41 min, Toninho foi calçado por Jorge Andrade, dentro da área e o arbitro Roberto Goicochea assinalou o pênalti. Carlos Alberto então cobrou e garantiu a importante vitória do Santos.
Na segunda rodada da fase final, o Palmeiras de Dudu e Ademir da Guia favorito se isolaria na liderança em caso de vitória contra o Santos. No outro jogo, o Vasco venceu o Internacional por 3 a 2, e ficou com dois pontos e saldo negativo de 2 gols, e na última rodada, enfrentaria o Santos no Maracanã.
No Morumbi, muita expectativa para o embate decisivo no clássico entre Santos e Palmeiras, que reservou uma grande partida por parte do alvinegro. O Santos dotado de todas as jogadas mais importantes, dominou e mandou no jogo com categoria e brilhantismo. Embora, no primeiro tempo, tenha terminado 1 a 0 apenas, gol do ponta Abel, aos 14 min: após jogada de Edu, conseguiu marcar na sobra e quase sem ângulo, abrindo a contagem.
Na segunda etapa, o Santos não apenas continuou superior, como também, passou a ser mais objetivo, embora tenha aumentado a vantagem, somente aos 35min com Edu, após aproveitar o rebote da falta cobrado por Pelé, atirando forte e rasteiro no canto esquerdo. O alvinegro queria mais, e com facilidade o 3º gol não tardou, aos 43 min: com Toninho Guerreiro, aproveitando rebote do goleiro palmeirense e pondo números finais ao jogo. As invertidas santistas, ocorriam de todas as formas, e em momento algum o SFC forçou o ritmo da partida, deixando nítida a superioridade nas manobras e toques de bola. Um resultado que acabou deixando-o em ótima situação para a rodada final.
Na última rodada do Quadrangular decisivo, todos os times tinham chances matemáticas de serem Campeões, desde que, o Santos perde-se seu jogo, contra o Vasco da Gama. Na partida em porto alegre, O Internacional acabou vencendo o Palmeiras por 3 a 0, resultado que acabou lhe assegurando o vice-campeonato da competição pelo saldo de gols, já que tinha os mesmos dois pontos do Palmeiras.
Na noite de 10 de dezembro, todas as atenções estavam voltadas a partida decisiva no maracanã. Para este jogo, os santistas vieram concentrados e cientes, sabendo ser o grande favorito à conquista, já que com um simples empate, já garantiria o sexto título nacional na década, o Hexacampeonato Brasileiro do Santos.
A partida tão aguardada, não reservou surpresas, e o Santos que se mostrou impetuosamente superior no jogo, precisou apenas do primeiro tempo para liquidar a peleja e o título: aos 14 min, Pelé tocou para Toninho que chutou firme no canto, abrindo o placar. Com total normalidade, seguiu o SFC dono das principais ações, mostrando que seus onze jogadores formam um esquadrão magnifico. Perto do fim da primeira etapa, aos 38 min: Pelé que fazia partida primorosa, empolgando a plateia carioca, limpa a zaga vascaína e chuta forte no canto, fazendo o segundo gol santista. Aos cariocas, coube tentar a segunda colocação para garantir sua primeira participação na Libertadores.
No segundo tempo, Bianchini, que minutos depois foi expulso de campo (após trocar agressões com o goleiro Claudio que também foi expulso), diminuiu para o Vasco, 2 a 1. O espetáculo do primeiro tempo foi suficiente, o jogo terminou assim e, com isso, o Peixe obteve o melhor ataque (37 gols assinalados), Toninho Guerreiro foi o artilheiro da competição (com 18 gols) e o Santos FC conquistou o sexto título Brasileiro de sua história no Maracanã.
Santos e Internacional, Campeão e Vice-campeão, a princípio representariam o Brasil na Libertadores, chegando a ser anunciado pela CBD (Confederação Brasileira de Desportos) antes das finais, mais depois a entidade voltou atrás na decisão. Assim em 1969, o Brasil não teve representantes na Copa Libertadores da América.




Confira a campanha e todas as fichas técnicas:
http://acervosantosfc.com/torneio-roberto-gomes-pedrosa-1968/
Fontes/Referencias:
Dossiê, Unificação dos Títulos Brasileiros a partir de 1959 (Odir Cunha e José Carlos Peres);
Almanaque do Santos FC (Guilherme Nascimento);
Jornal a Gazeta Esportiva;
Jornal Folha de SP.

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