O Primeiro Bicampeonato pós Era-Pelé – (2007)

Published On 18/12/2017 | A História das conquistas
Por Kadw Gomes

A fila de títulos estaduais havia terminado no ano anterior. Mas o trabalho da equipe montada por Vanderley Luxemburgo esteve abaixo das expectativas, mesmo com o quarto lugar no Brasileiro e a classificação para a Libertadores. Em 2007 a confiança retornava apesar de algumas perdas, ocorrendo uma remodelagem na compostura técnica e no entrosamento dos jogadores.
As saídas mais sentidas foram do zagueiro Luís Alberto e do atacante Reinado. Em contrapartida, contratações modestas foram apresentadas em consentimento do “pofexor”. Reforços na defesa, com o jovem destaque das seleções de base Adaílton e o experiente Antônio Carlos; no meio-campo, do Figueirense veio Rodrigo Solto; e no ataque com a chegada do bom Marcos Aurélio e os promissores Fabiano (voltando de grave lesão) e Jonas – além dos jogadores do Iraty.
CAMPANHA
Apesar da desconfiança da sempre exigente torcida santista, na primeira fase a campanha foi quase perfeita, nos 19 jogos apresentando apenas uma derrota (1×2 São Bento). Na quarta rodada (3×2 Bragantino) o time já assumiu a liderança. Da estreia santista no dia 17 de janeiro, quando venceu com dificuldades o Barueri fora de casa por 2×1 (gols de Zé Roberto e Antônio Carlos), até a goleada diante do América-SP na Vila por 4×1 (gols de Cléber Santana, Pedro e Marcos Aurélio 2x), foram oito partidas invicto. Apenas um empate em 3×3 ante o Palmeiras, quando intercalou compromissos da repescagem na Libertadores (1×0 e 5×1 no Blooming/BOL).
Sucederem-se ainda outros onze jogos de invencibilidade pós-revés. Toda uma trajetória contundente, que teve realce para as goleadas: – além do time de Rio Preto – o Santos aplicou 3×0 no forte São Caetano na Vila (quando iria disputar 4 jogos em 9 dias devido a Libertadores), 4×1 no Sertãozinho (casa), 3×0 no Rio Branco (fora), 4×1 no Noroeste em Bauru numa série de 7 vitórias consecutivas entre Paulista e Libertadores (assegurando a liderança e vantagem de jogar por dois empates as finais do estadual), e os triunfos sobre Corinthians por 2×1, na Vila Belmiro, gols de Zé Roberto e Jonas, e 4×2 na Ponte Preta em Campinas, gols de Rodrigo Tabata, Marcelo, Cléber Santana e Moraes. Ao final foram 16 vitórias e 02 empates.
Paralelamente disputando duas competições, o Santos mostrou ter um elenco forte e competitivo, calando os críticos a cada jogo. Pela Libertadores o Alvinegro asseguraria 100% na fase de grupos – a melhor campanha da história de um time brasileiro. Nas semifinais do Paulista o adversário era o Bragantino, que segurou o ataque santista no primeiro encontro no Pacaembu (0x0). Na partida de volta, no Morumbi, mas uma vez o time de Bragança se fechou, Cléber Santana chegou a perder pênalti aos 23 minutos. Com o 0 a 0, o Santos fez valer sua vantagem pela forte campanha e classificou-se para a decisão.
O oponente seria a sensação do século, um time capaz de surpreender gigantes. Treinado por Dorival Junior, o forte São Caetano (campeão estadual em 2004) fez ser respeitado depois de surrar por 4 a 1 o São Paulo dentro do Morumbi. Destacavam-se no time do Azulão, os laterais Paulo Sérgio e Triguinho, os meias Canindé e Douglas, e o atacante Somália – artilheiro da competição. Na primeira partida da decisão, o time do ABC não se intimidou com a imensa maioria de santistas no Morumbi, com gols de Luís Henrique (logo aos 8’ do 1º tempo) e Somália cobrando pênalti (aos 36’ do 2º tempo), o São Caetano abriu 2×0 de vantagem e podia até perder por um gol na volta que seria o campeão.
“O grande mérito foi a superação. Com a vantagem do São Caetano, precisamos nos superar dentro de campo. Depois dos nosso últimos jogos, muitos não acreditavam mais no nosso potencial. Isso nos fez ficar mais unidos para buscar os gols necessários” afirmou o craque do time, Zé Roberto.
A DECISÃO
À vontade e a superação teriam de falar mais alto caso o Santos quisesse sagra-se Bicampeão – um feito que não ocorria desde os anos 60 – na finalíssima diante de um adversário bem entrosado, dia 06 de maio, no Morumbi com quase 60 mil santistas.
Desde o inicio o Santos mostrou ímpeto frente a um São Caetano acuado, fiel a tática de defender-se. Passados 8 minutos de jogo, Zé Roberto faz belíssima jogada em rápido contra-ataque e toca para Marcos Aurélio, que pega mal na bola e desperdiça grande chance. Tempo depois o próprio Zé Roberto sai costurando a zaga do Azulão e chuta para o desvio do goleiro Luiz. Na cobrança de escanteio de Pedrinho, quando jogados 24′, a bola é alçada na área do São Caetano, Adaílton se antecipa a Luiz e de cabeça faz o primeiro gol do jogo (1×0)! A torcida aumenta o volume e seis minutos depois, Jonas recebe na direita e manda para o meio da área. A bola vai direto na trave da meta de Luiz, levando muito perigo – Uhhhh. Aos 35 minutos, Zé Roberto recebe na intermediária e chuta colocado. Luiz se estica e faz belíssima defesa em seu canto direito. 
No segundo tempo, 8 minutos, mais uma chance: Kléber recebe passe de Cléber Santana na esquerda e cruza, Zé Roberto se joga na bola e cabeceia pra fora (o assistente já havia sinalizado impedimento). Aos 15’, cobrança de falta, Kléber levanta para Cléber Santana, que cabeceia para a rede, mas novamente o assistente marca impedimento corretamente. 23 minutos e o lateral Kléber, bastante acionado, avança e cruza para Zé Roberto, que chega atrasado à bola cabeceando para fora. Então o “time da virada” passa cada vez mais a contar com o amor da torcida, fazendo o Morumbi pulsar. O resultado daquela sintonia entre time e torcida ocorre aos 36 minutos, quando Kléber faz belíssima jogada pela esquerda e cruza perfeitamente… Moraes, aparece livre na área, e cabeceia sem chances para Luiz, gol que faz o Morumbi balançar!
“A equipe inteira lutou até o fim e mereceu. No meu caso, foi muito emocionante fazer esse gol tão importante. Vinha a semana toda planejando isso, mas o objetivo mesmo era ajudar o time a ser campeão. Tenho que agradecer ao professor [Luxemburgo] por essa oportunidade”, comemorou o herói santista Moraes.
A vibração era incontida, nem mesmo o técnico Luxemburgo do banco de reservas conseguia se controlar. Apesar da euforia o time mostrou maturidade, segurou a bola e esperou o tempo correr para comemorar o Bicampeonato Paulista 2006-2007 – equipe forte, competitivo, obediente taticamente e com boa qualidade técnica, o Santos da temporada 2007 alcançou desempenhos elevados, os melhores da América do Sul e do mundo segundo ranking internacional (IFFHS).

 

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