O Santos do “jogo de dominância” e “futebol padrão” (1916-1919)

Published On 15/11/2016 | Esquadrões - Times importantes
Por Kadw Gomes
Santos, 15/11/2016

A prática do “soccer”, introduzida por Charles Miller, não vigorou de imediato como esporte mais popular no Brasil, foi um processo gradativo ao qual as afeições ocorriam por alguns adeptos.
Dominar, tocar e/ou chutar. Ações vigentes do futebol que hodiernamente são princípios básicos deste esporte, hoje o mais popular. Entretanto, no tempo do Amadorismo, época das bolas de capotão, de jogadores desorganizados e afoitos, em meio a inexistente preparação física, com indumentárias grossas e chamativas, figurados em campos irregulares, em que regras quase não existiam e a pratica não envolvia dinheiro mas propugnavam pelo primado amor a camisa, as equipes que dominavam num conjunto atuante e com precisão as ações do controle da pelota, ganharam enorme notoriedade na década de 1910, resultando nos primeiros grandes times do futebol paulista: dentre eles o Santos F.C. de Arnaldo, Haroldo, Ary Patusca, Millon e cia, reconhecido pela ofensividade, harmonia, jogo de dominância e afeição ao futebol padrão (2-3-5 dos ingleses).
A versão mais aceita é que, em 14 de abril de 1895, a pratica esportiva do “soccer” foi implantada por Charles Miller no Brasil. Em Santos, na iniciativa de  Henrique Porchat de Assis, o Dick Martins, o futebol começou em 1902. Nas décadas de 1900 e 1910, gradativamente o futebol foi ganhando força, assim como os primeiros clubes que ditaram suas regências do novo esporte.
Dessa forma, desde quando os primeiros campeonatos paulistas passaram a ser disputados, a partir de 1902, e o futebol começou a ser difundido nacionalmente e afeiçoado na figura de imigrantes (ingleses, alemães, espanhóis, italianos…) e brasileiros, alguns modelos de futebol eram percebíveis e ganharam destaque entre os associados e aficionados.
Em Santos, o Americano era a principal equipe da cidade no futebol paulista, mas mudou sua sede para São Paulo e causou uma cisão interna: muitos sócios que permaneciam em Santos ficaram inconformados, liderados por Raymundo Marques e Sizino Patuska, junto de antigos sócios do Internacional, buscam formar um “team” para representar a cidade, fundando, em 14 de abril de 1912, o Santos F.C. Vários “footballers” do SC Americano ingressam no time santista, que ocupou o campo da Av. Ana Costa, que pertencia ao Internacional, em seu 1º ano de existência. Depois, em 12 de outubro de 1916, o clube inaugura sua própria praça de esportes: a Vila Belmiro. Todos esses fatores favorecem o desenvolvimento técnico e estrutural santista.
Nas primeiras décadas, tornaram-se notórios alguns times e futebolistas que tinham maior intimidade com a pelota: como a fina flor dos craques do poderoso CA Paulistano, futuro maior campeão do amadorismo; o futebol força dos alemães do Germânia, na figura de Hermann Friese e Fuller; a elegância dos britânicos do pioneiro SPAC, orquestrado por Charles Miller e Hebert Boyes; e o toque de bola dos espanhóis do Americano, primeiro clube a excursionar no exterior, ao qual herdaria e aperfeiçoaria o Santos F.C., nas virtudes de Arnaldo Silveira e outros companheiros. Além dos esquadrões de São Bento, dos craques Lagreca e Dias, e da A.A. Palmeiras de Demóstenes e Nazareth.

Na imagem, o genial Arnaldo Silveira controla a pelota em velocidade; jogo do Paulista de 1919, o Santos venceu o Corinthians por 1 a 0, na Vila Belmiro, gol de Haroldo Domingues.

Nesse contexto ao qual o futebol paulista apresenta equipes fortes; executando um jogo de dominância e pleno padrão tático de época, o globalizado 2-3-5, o futebol dos santistas seria reconhecido e elogiado por dotar de uma ofensiva magistral, de toques rápidos e precisos, num conjunto de orgulho e brilho, causando desconforto aos times da capital e contribuindo para o “soccer” ser o esporte mais popular nacionalmente, com a conquista brasileira do primeiro título de real importância: o Campeonato Sul-Americano de 1919.
Na representação do futebol santista, conforme performances de época, retratou o Jornal Correio Paulistano: “(…) fulgurantes e de predicados desenvoltos, os santistas eram íntimos da bola e capazes de imprimir a uma partida a cadencia desejável, conforme ocasião exigida. Num modelo atuante e envolvente, rápido e retocado pelo entusiasmo de execução. A pertinência exima de movimentação e precisão atenuante de passes, dando domínio pleno ao desenvolvimento dos forwards. (…) A posição em campo tinha valor primordial e a distribuição da pelota ocorria de forma precisa”.
Após uma inapelável vitória diante do Corinthians, Urbano Caldeira, patrono do futebol santista, que fazia também as vezes de técnico, escreveu o seguinte relatório: “(…) o único, o melhor, o mais aproveitável, o de mais resultados de todos os sistemas empregados no futebol é o jogo de passes curtos, rápidos e com direção, bem como a combinação geral de todas as linhas entre si. (…) a segurança de passes da linha era tal que parecia linha de profissionais”.

PRIMEIRAS PARTICIPAÇÕES NO CAMPEONATO PAULISTA,
SUPERIORIDADE SOBRE O ARQUIRRIVAL
E INÍCIO DA SUPREMACIA DIANTE DE CARIOCAS (1913 A 1916).
Com apenas um ano de vida, o Santos F.C. foi Campeão da Liga Santista e disputa o primeiro Campeonato Paulista, em 1913. Por prestigio técnico e dos seus associados, não precisou passar por seletivas como os rivais. A equipe que tinha Raymundo MarquesHarold Croos e Urbano Caldeira, porém, não foi bem. Na época as competição eram avaliadas por pontos perdidos, em quatro jogos os santistas sofreram 3 duras derrotas, o time perdeu 6 pontos, teve de abandonar o torneio no meio por falta de dinheiro para passagens de trem e dos lanches.
Contudo, na primeira partida oficial contra o Corinthians, mostrou superioridade técnica e goleou por 6 a 3, gols de Millon (2), Arnaldo Silveira (2), Ambrósio e Ricardo. O jornal da Capital, na critica esportiva relatou: “A segurança do passe e esplendido jogo de combinação desenvolvido pela brava rapaziada santista era patente desde o início do jogo. Com essa meia, com essa boa meia dúzia de gols, voltou o team para Santos”. Com relação ao SCCP, iniciou na várzea suas atividades – 1910, 1911, 1912 –, quando finalmente em 1913, passou por jogos eliminatórios para disputar a primeira divisão: vencendo Minas e SP. Conseguiu dessa forma sua primeira chance entre os “grandes” na Liga principal, ano ao qual ambos os campeonatos (LPF e APEA) estavam com grandes equipes, pois não se tinha ainda a divisão técnica acentuada, mas o SCCP também sofreu grandes derrotas e acabou com desempenho abaixo até mesmo dos santistas, perdendo 10 pontos.
A Geração Santista era composta por Odorico, Arantes, Américo, Urbano Caldeira, Marba, Harold Croos, Constantino, Castelhano, Dominguez, Arnaldo, Millon e Ary; já a geração do Corinthians tinha nomes como Casemiro de Amaral, Fúlvio, Casemiro Gonzalez, Policce, César Nunes, Américo, Ciasco, Amílcar, Aparício e Neco.
O Santos foi superior ao Corinthians no futebol paulista em 1913, 1916, 1917 e 1918, e o Corinthians em 1919 e 1920, com um possível empate em 1914 e 15 – sendo que o SFC não sofreu crise semelhante a do SCCP de perder tudo (sede e jogadores) em 15.
Entre 22 de junho de 1913 a 21 de setembro de 1919, foi estabelecido pelo SFC uma invencibilidade importante sobre o Corinthians em Campeonatos Paulistas, no primeiro grande momento do clássico historicamente. Nesses seis anos, foram quatro vitorias santistas e três empates. A exceção de 1913, quando não disputaram a Liga da Associação Paulista dos Esportes Atléticos (competição de maior nível técnico com equipes tradicionais), o Corinthians venceu dois Campeonatos numa Liga de menor nível técnico (LPF em 1914 e 16), ao qual compreendia times de várzea, e o Santos campeonatos da cidade (em 1913 disputou o Paulista e venceu a Liga de Santos; em 1914 passou a temporada invicto disputando apenas amistosos; em 1915, sob nome de União por ter se filiado a Associação, venceu novamente a Liga de Santos).
Ambas as gerações (santista e corinthiana) formavam duas das mais fortes do futebol paulista, com jogadores talentosos e se enfrentaram de 1913 a 1920. Foram 4 triunfos do Santos contra 2 do Corinthians, além de 03 empates. Números que para época não são poucos, se jogava bem menos, refletindo a situação técnica dos clubes. Outras gerações fortes eram do Ypiranga, AA das Palmeiras, São Bento, Germânia e Internacional, ao qual o Santos também apresenta vantagem por triunfos, estando atrás apenas dos esquadrões de Paulistano e Palestra Itália.

prélio entre Santos x Palestra Itália.

Querendo voltar ao Campeonato Paulista, depois de se afastar dos campeonatos de 1914 e 1915, o Santos FC pleiteou sua volta à Associação Paulista de Sports Athleticos em 1916 (último ano que foi disputado simultaneamente duas ligas). Depois de vitorias em amistosos jogados em Santos, sobre o Mackenzie, vice-campeão paulista do ano anterior, por 7×1, e sobre o Palestra Itália (atual Palmeiras), que estrearia na APEA, por 5×0, o Santos foi aceito a participar e formou com a volta de Ary Patusca um forte ataque, sendo o grande propulsor para a boa campanha ao qual termina em quarto lugar, em jornada que apresentou triunfos ante grandes equipes, como Ypiranga (2 x 1), AA das Palmeiras (2 a 0 e 4 a 0) e Palestra Itália, por 1 a 0, gol de Marba.
Na primeira década, mostrando supremacia, promoveu o Santos importantes prélios perante fortes quadros cariocas, em 08 desafios interestaduais, foram 05 vitórias, 02 empates e apenas um revés. Foi devidamente elogiado pela imprensa, dentre os êxitos destacou-se ante São Cristóvão, Flamengo e Botafogo.
Em 23 de abril de 1916 ocorreu a realização da primeira partida do Santos no Rio de Janeiro (Capital da República). O time praiano inaugurou o estádio Figueira de Mello, de propriedade do São Cristóvão AC, empatando em 1 a 1. Descreveu a crônica do Jornal do Brasil: “Foi uma festa magnifica, um meeting esplendido o que assim solenizava a abertura da temporada interestadual e a inauguração da grande praça do S. Christovam. O jogo foi acompanhado com interesse e o team do Santos mostrou-se concorrente formidável”. Foi nessa partida que o SFC entrou em campo pela primeira vez com camisas brancas e, em outubro, inaugura o seu próprio campo, a Vila Belmiro.

CAMPEONATO PAULISTA DE 1917.

É reconhecido que o Santos F.C. constitui um team de valor. (…) forte e perfeitamente exercitado. A sua linha de forwards, sobretudo, de que são leardes Millon, Ary e Arnaldo, dispõe de um jogo veloz e combinado, capaz de dominar qualquer adversário. (…) em elementos de defesa, salientam o keeper Odorico e o back Arantes. Essa liminar era noticiada pelo Jornal Correio Paulistano sobre o Santos F.C. em avaliação da temporada 1917 ao qual o time termina entre os três melhores do certame. Na estreia, dia 15 de abril, a equipe enfrentou o poderoso Paulistano e empatou por 1 a 1, com gol de Ary Patusca. Resultado que mostrou um Santos maduro e capaz de enfrentar qualquer adversário, afinal jogou na mesma proporção do principal time paulista na época.
Nas rodadas seguintes o Santos teve brilhantismo em alguns jogos: goleou o Internacional-SP e o São Bento, ambas partidas por 5 a 1. E recebeu da nota Paulistana: “O Santos está com um team forte. Odorico, dia a dia se revela um grande arqueiro. Também muito progresso tem feito seu center half (Jarbas). A linha está bem treinada, estando muito ágil notadamente Ary”. Mas acabou sofrendo revezes prejudiciais em outros prélios (para Ypiranga e AA das Palmeiras) – devolvendo com veemência nas partidas de returno.
A recuperação santista ocorreu na nona rodada, em grandes atuação da dupla Arnaldo e Ary, firmando uma série de quatro triunfos que o levaram às primeiras colocações: 2 a 1 no Mackenzie, 4 a 2 no Internacional, 3 a 0 na AA das Palmeiras e, na sua maior goleada, num magistral 7 a 0 no Ypiranga do craque Formiga. É importante ressaltar que o Santos chegou a brigar nas cabeças pelo título, mas os erros iniciais e o Paulistano foram grandes obstáculos. Ao fim, com mais três vitórias (3 a 2 ante o Corinthians de Amílcar e Neco, 1 a 0 no Mackenzie e êxito ante São Bento), terminou entre os três melhores do certame e obteve o ataque mais positivo da Competição, com 44 gols.
Eram tempos em que a força ofensiva credenciava prestigio e o Alvinegro já mostrava seu DNA artilheiro.

CAMPEONATO PAULISTA DE 1918.
Em 1918, atingindo seu auge técnico desde que fora fundado, o Santos F.C. esteve perto do primeiro título e intensificou sua força no futebol paulista com atuações de enorme prestigio. Não iniciou o certame bem – empatou e perdeu –, porém, aprumou-se nas rodadas seguintes e estabeleceu incrível invencibilidade de 10 partidas. O Alvinegro engrandecia nos triunfos sobre as principais equipes e arrematava estupendas goleadas em diversas ocasiões.
Quando venceu o Ypiranga por 3 a 0, na oitava rodada, noticiou dessa forma a imprensa paulistana: “Em nossa capital o Santos F.C. tem obtido várias vitorias, algumas brilhantes, e que vieram aumentar consideravelmente seu prestigio”. Com impacto, na quarta rodada, havia feito 6 a 2 no Minas Gerais. Contudo, foi na nona rodada, 14 de julho, em Vila Belmiro, a mais perfeita atuação na maior contagem santista, deferida ante o Internacional-SP em match vencido por 7 a 2. Na avaliação da Associação: “Era de pleno conhecimento dos rivais que o Santos apresentava ótimas condições de training. (…) era apreciado o preparo do team santista e lhe deram a pose de adversário temível. A afirmação prevalecia, todo o conjunto era bom, tendo a linha de avante, que possui elementos como Arnaldo, Ary, Millon e Haroldo, maior destaque, pois era indiscutivelmente uma das melhores da Associação”.
No primeiro duelo que teve contra o Inter da capital, um dos principais times na época, no campo da Ponte Grande, ocorrente da 3º rodada, outro grande jogo: depois de estar perdendo de 3 a 0, o Santos virou de forma espetacular fazendo cinco tentos na segunda etapa, em atuação brilhante do trio Haroldo-Millon-Jarbas, fazendo abismar os torcedores. Nas últimas quatro rodadas ferozmente imprimiu 4 a 0 no Mackenzie e, na sequência, novamente em Vila Belmiro, com gols de Millon, Arnaldo (2) e Haroldo, deferiu 4 a 2 no forte Corinthians do genial Amílcar. Na partida seguinte, buscando o título, enfrentaria o líder Paulistano…

O Santos F.C. duelando com o C.A. Paulistano pelo Paulista de 1918.

Em partida memorável o Santos ficou próximo do primeiro título, derrotando magistralmente o Paulistano, 1 a 0, gol de Millon. Analisado assim pelo jornal O Estado de São Paulo: “Foi uma luta belíssima, presenciada por uma multidão enorme e selecta, que acompanhou com intenso enthusiasmo todo o decorrer da peleja, que esteve brilhantíssima sob todos os aspectos. Foi, indiscutivelmente, um dos melhores, senão o melhor match de campeonato até esta data jogado”. Só 15 dias depois, em 6 de outubro, o Santos enfrentou a Associação Athlética das Palmeiras, na Vila Belmiro. Vencendo, provocaria uma decisão com o Paulistano. Mas depois de ter jogadores expulsos e muita confusão, perdeu injustamente por 1 a 0. Na avaliação de O Estado sobre a atuação do árbitro: “O sr. Pellegrini, o célebre sr. Pellegrini, foi de uma infelicidade a toda prova, sendo mesmo agredido pelo povo”.
Terminou o Santos na segunda colocação por pontos perdidos – a classificação adotada foi pelos pontos perdidos. A bela campanha apresentou 07 triunfos e 04 empates nos 13 jogos do certame. A linha de frente, como já era praxe, foi o grande destaque santista. Ary Patusca assinalou 17 gols, Haroldo fez 12 e Arnaldo 07, além dos imprescindíveis Millon, Jarbas e Marba. Cabe dizer que nesse ano o surto da gripe espanhola chegou a provocar a interrupção do Campeonato Paulista e diversas partidas não foram realizadas.

Retomando 1917-1918, foram realizados novos duelos interestaduais em meio as disputas do Paulista. Em novos encontros com o São Cristóvão, o Santos lhe atribuiu duas derrotas em duros golpes, como na goleada por 8 a 4, na Vila Belmiro. A fulminante ofensiva santista se inspirava contra grandes adversários: com efeito, diante do então líder do Campeonato Carioca/18, o Botafogo, empenhando performático jogo de dominância o Santos denotou 8 a 2.
Arnaldo Silveira, num gesto de fidalguia, chutou propositalmente um pênalti para fora. No mesmo ano conheceu sua única derrota para o Fluminense, um dos quadros mais fortes do Brasil. Por fim, venceu por goleada de 5×0 o Andarahy, equipe relevante de boas colocações na época.
No último ano da primeira década (1920), buscava o Alvinegro praiano se recompor trazendo reforços, como os atacantes Constantino e Castelhano, que disputariam a Copa América pelo Brasil. Naquele ano, foram dois desafios interestaduais: ao qual empatou no primeiro e instituiu com autoridade um triunfo catedrático no segundo, contra o melhor time carioca da época, o C.R. Flamengo (base da seleção e seria campeão carioca invicto), por 6 a 0. Era dia 04 de julho, palco de Vila Belmiro, na leitura do jornal do Brasil “O Santos mostrou aparente resistência e desenvolve técnica especial”. Era julgado “Valoroso e digno de consideração”. Em complemento: “A eleven santista apresenta um jogo dominante e organização modelar”. Nessa época os cariocas iniciavam sua admiração pelo futebol do Santos.
A competição mais forte do Brasil, nessa época, era o Campeonato Paulista. O futebol de São Paulo apresentava grande superioridade técnica ante os cariocas, com inúmeras goleadas e maior número de vitórias significativas. Os paulistas foram a principal base brasileira nos primeiros títulos Sul-Americanos. Com essa pujança maior que tinha o Campeonato Paulista, compreende-se que o Santos nesse período era superior, além de grande clubes paulistas, aos principais times cariocas, a exceção do Fluminense.  

CONTRIBUIÇÃO AO DESENVOLVIMENTO DO FUTEBOL BRASILEIRO (1916-20)
E O FIM DO ESQUADRÃO (1919).

Tanto na fase de formação da equipe campeã, como na própria conquista do Sul-Americano de 1919, o Santos FC foi uma das principais bases da competição que transformou o futebol no principal esporte brasileiro.

Entre 1916 a 1920, o Santos FC foi o clube com mais convocações para a Seleção Brasileira, ajudando na formação tática pertinente de uma grande equipe.
Em 1919, três santistas (imagem: Arnaldo, Millon e Domingues) formaram uma base do selecionado que conquistou a primeira competição oficial da Seleção Brasileira, o Sul-Americano, atual Copa América. Tal conquista representou muito para o “soccer” nacional e o Santos contribuiu para o futebol torna-se o esporte número 1 do Brasil.
Naquele ano, entretanto, o clube não repetiu as últimas grandes campanhas no Paulista, terminando em 6º lugar. Foi mesmo uma temporada santista para a seleção nacional. Antes do torneio continental, o time havia vencido com impeto, na Vila Belmiro, Mackenzie (7 a 0 ) e Corinthians (1 a 0).
Depois do Sul-Americano/1919 e volta ao Paulista, porém, o Santos não foi mais o mesmo, embora tenha conseguido alguns grandes resultados, como diante das fortes equipes do Ypiranga (6 a 3) e AA das Palmeiras (4 a 1). Em pouco tempo o Alvinegro da Vila perderia grandes elementos (como Arnaldo e Ary) e os sucessores (Castelhano e Constantino) não produziram o mesmo destaque. Além de crises politicas recorrentes.

Fontes e Referencias:
Centro de Memória e Estatística do Santos;
Almanaque Sportivo de Thomaz Mazzoni (1930);
O Caminho da Bola – 100 anos da FPF – (2000);
Livro Time dos Sonhos (Odir Cunha);
Almanaque do Santos FC (Guilherme Nascimento);
Jornais (Correio Paulistano, Mundo Esportivo, A Tribuna e Estadão);
História do Futebol em São Paulo (1918);
Supremacia e Decadência do Futebol Paulista (1925);
Revista Placar e A Cigarra.

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