O Tetracampeonato Brasileiro!

Published On 08/05/2014 | A História das conquistas
Por Kadw Gommes
Santos, 08/05/2014
Atualizado, 19/12/2016

O futebol mundial estava perplexo e ao mesmo tempo agraciado pelas performances magnificas do Santos FC: excursões pelos quatro cantos do mundo, títulos de todas as espécies e relevância, inúmeras apresentações de arte e espetáculo, incontáveis goleadas e premiações aos montes, essa era a rotina do esquadrão santista há alguns anos. Corrobore que, dando sequência a hegemonia, após deixar escapar o Paulista-63, logo no início da temporada de 1964 veio a conquista do Tricampeonato Brasileiro (Taça Brasil de 1963), consequente a alcunhas de “Supercampeão do Brasil” e a posse definitiva do bonito troféu. Nesse momento o possante quadro alvinegro somava no currículo 11 conquistas em 12 possíveis ao qual disputou.
Porém, por um breve período, entre fins de 1963 e início de 64, o clube passou por um momento de mudanças e apresentou queda de rendimento com o desgaste das muitas competições, jogos e viagens, tendo atletas que sofreram por lesões, além das modificações de novas peças no elenco – tecnicamente a equipe perdeu pouco sendo mais sentido o entrosamento. Na parte defensiva, Calvet (com uma lesão que impedira de continuar) e Dalmo negociado, davam lugar para Joel Camargo e Geraldinho; Mauro Ramos sentiu com desgaste e por momentos foi substituído por Haroldo e até Modesto; na frente Dorval também foi negociado, e em seu lugar chegara Peixinho e o artilheiro Toninho Guerreiro; já o craque Coutinho – sofria com excesso de peso e problemas no joelho.
Todo esse processo resultou em momentos de inconstância e instabilidade no time. Algo que foi sentido já nas excursões de início de ano, ao qual sofreu duros golpes para Independiente (1×5) e Peñarol (0x5); e meses depois com a perda da Libertadores-64, ao qual na fase semifinal chegou a jogar sem Mauro Ramos, Mengálvio, Coutinho e Pelé – todos lesionados. Ademais, acabou tendo um fraco rendimento internacional. Além das modificações na equipe, também ocorreram mudanças estruturais, promovidas pelo presidente santista Athiê. Trata-se da ampliação sistemática de Vila Belmiro, prorrogada desde os anos 50, finalmente sendo finalizadas, elevando a capacidade da Vila para teóricas 30.000 pessoas. Gerando assim, grandes públicos no estadual. Embora, toda essa agitação, aos poucos a equipe foi se aprumando, estando perfeita já no meio do Paulista e quando no fim do ano, conquistaria além do regional, mais uma Taça Brasil.
Pois bem, nesse ínterim, o clube conquistou o seu primeiro objetivo atenuante: o título do Campeonato Paulista de 1964, embora apresentando a campanha mais modesta desde 1958. A boa atuação em amistosos pelo Peru e a conquista do Torneio Rio-São Paulo (dividida com o Botafogo/RJ) também merecem ser citadas. Assim como, quando em maio e junho, antes de iniciar o Paulista e a Libertadores, o time se fortalecia aterrando pela América do Sul e Europa, ao qual buscou mais alguns dólares. Nessas excursões obteve resultados proveitosos: derrotou o Campeão Argentino Boca Juniors (4 a 3) e o forte Racing (2 a 1) em solo argentino, o Campeão Francês Saint Ettiénne (4 a 3) na França e o Borussia Mönchen (2 a 1) na Alemanha – ou seja, mesmo quando passou por um momento de ajustes, o alvinegro superava grandes adversários, campeões nacionais e dentro do território alheio.
Como descrito, um dos principais objetivos do ano, o paulista-64 seria conquistado, e em meio as rodadas finais do estadual o time iniciava a trajetória em busca da quarta conquista consecutivo no nacional. O Santos FC estava pronto, reafirmava sua condição de melhor clube do mundo e chegava ao mês de outubro de 1964, com o objetivo em comum de todos os outros clubes do país, que era conquistar a Taça Brasil (realizada entre 26 de julho e 19 de dezembro), o Campeonato Brasileiro da época. Claro que, embora todos ansiassem disputa-la, nem todos conseguiam, era difícil pois exigia um mérito esportivo classificatório – o único possível para a época –, que reunia Campeões estaduais e da competição anterior. Para conquistar a IV edição do Campeonato Brasileiro (Taça Brasil), o Santos FC teve de enfrentar três gigantes: Atlético/MG, Palmeiras e Flamengo.
O primeiro adversário do Peixe, o Atlético MG, tinha um esquadrão famoso a nível nacional, era como atualmente o maior campeão mineiro com 22 títulos alem do torneio de campeões estaduais de 1937. Havia conquistado o bicampeonato estadual (1962-63) e mostrou-se confiante diante do Santos, então Bicampeão do Mundo. Mais a empolgação mineira, foi até entes da bola rolar, pois dado o início ao duelo no estádio Independência, em 18 de outubro, com recorde de público e renda, o que se viu foi um Santos avassalador, que com autoridade estabeleceu 4 a 1 no Galo. Na partida o técnico Lula percebendo a severa atenção que os mineiros faziam sobre Pelé, mandou que ele jogasse no meio campo, armando o jogo. Enquanto Zito teria mais liberdade e Mengálvio faria uma função mais recuado. No primeiro gol, Pelé lançou Zito que com sua inteligência deixou a bola passar a Pepe, o atacante se livrou da marcação e finalizou forte abrindo a contagem. Antes do fim da primeira etapa, Pepe de falta aumentou. Na segunda etapa o galo diminuiu, mas o SFC após triangulação de Pelé/Zito, com Toninho completando aumentou, e antes do fim, Pelé passou por três marcadores, sofreu falta que ele mesmo cobrou e fez, encerrando o cortejo.
Na partida de volta, no dia 04 de novembro, outro resultado magnifico a favor do Santos, vitória por 5 a 1 em São Paulo, no estádio do Pacaembu/SP. A segunda goleado no galo mineiro imposta pelo SFC, começou a ser construída com Toninho, após tabelar com Pepe e chutar cruzado, para marcar; o segundo tento santista foi marcado por Pelé de cabeça, Toninho marcou o 3º depois de contornar um adversário e bater firme. Mesmo desorientado os mineiros marcaram diminuindo a goleada que, Peixinho tratou de aumentar, após dominar no peito e chuta preciso ao gol. Por fim, Pelé converteu com categoria uma penalidade.
Pela fase seguinte o duelo entre o Santos e a academia do Palmeiras dos craques Julinho Botelho e Ademir da Guia, trazia grande expectativa na imprensa nacional. O alviverde tinha uma equipe forte e competitiva, havia conquistado os paulistas de 1963 e 1966, o Torneio Rio-São Paulo/1965 e o Campeonato Brasileiro/1960. Nesta época, foram protagonizados grandes confrontos, promovendo o auge do “Clássico da Saudade”. No dia 4 de novembro, pelo primeiro jogo semifinal, o Santos venceu o rival alviverde por 3 a 2 no estádio Pacaembu/SP. Logo no início do prelio – deixando os ânimos exaltados – a arbitragem deixa de marcar pênalti claro em Pelé. Depois assinala pênalti para o Palmeiras que desperdiça a cobrança. Em decorrência o SFC foi envolvendo o rival pouco a pouco, até que abriu a contagem com Coutinho, aproveitando jogado de Pepe e bobeada da zaga palmeirense, empurrou para as redes. No segundo gol santista, Zito toca para Pepe que passa por Djalma Dias e atira violentamente as redes, depois o Palmeiras então desconta ameaçando uma reação, mas Pelé esfria os ânimos aumentou de pênalti. O Alviverde corre atrás do resultado e ainda diminui com Ademir da Guia no fim.
Na partida de volta no mesmo estádio Pacaembu/SP, outra vitória santista, dessa vez por 4 a 0 frente a um Palmeiras inteiramente batido. O confronto mostrou um domínio pleno por parte do Alvinegro, abrindo o placar com Pepe que recolheu de Peixinho e atirou forte para marcar, no segundo gol: Pepe cobrou escanteio e Coutinho de cabeça aumentou. Ainda no 1º tempo, Zito deu passe a Pepe, que infiltrou-se na área vencendo a marcação e aumentou a vantagem, marcando seu segundo gol. O 4º gol santista saiu numa jogada de raça de Pelé, que mesmo marcado de maneira faltosa tocou para Peixinho, livre, guardar mais um tento. Com o triunfo o Santos estava classificado para a grande decisão contra o CR Flamengo.
Campeão Carioca de 1963 e 1965, vice-campeão em 1962 e Campeão do Torneio Rio-São Paulo de 1961, mesmo com algumas alterações nesse período o Flamengo da primeira metade da década de 1960, mostrava com ímpeto seu valor em 1964 no primeiro ano ao qual participou do Campeonato Brasileiro, chegando as finais. A equipe comandada por Flávio Costa tinha uma forte marcação com um bom modelo tático postado, onde sobressaia-se a técnica do ídolo atacante Evaristo de Macedo. Enquanto que o Santos, campeão de praticamente tudo que disputou entre 1961 a 1964, jogou com a seguinte escalação as finais: Gilmar; Ismael, Modesto, Haroldo e Lima; Zito e Mengálvio; Toninho, Coutinho, Pelé e Pepe. Técnico: Lula. Tendo uma única alteração no segundo jogo com a entrada de Geraldinho no lugar de Lima.
O primeiro jogo da decisão do Campeonato Brasileiro (Taça Brasil) de 1964 ocorreu no estádio do Pacaembu/SP, com um público beirando 30.000 pessoas, no dia 16 de dezembro daquele ano e o SFC como de costume, em uma grande atuação apesar da forte marcação do CR Flamengo aplicou mais uma de suas goleadas: 4 a 1 com Pelé desequilibrando a partida. No primeiro tempo o Flamengo começou melhor, mais foi o Santos que saiu como vencedor, abrindo o placar com Pelé após uma tabelinha com Coutinho, onde o Rei recebeu e livrando-se da marcação estufou as redes com um forte arremate. No segundo tempo, mesmo com o campo encharcado, devido a uma forte chuva que havia se alastrado no intervalo, o SFC aumentou sua performance e com Pelé numa cobrança de falta com efeito aumentou a contagem no placar, o Mengo até conseguiu seu gol depois, mais o Alvinegro com Coutinho aumentou, após sobra do goleiro rubro negro. Ainda faltava mais um, e novamente com Pelé num bonito gol de fora da área, depois de fintar o zagueiro e deferir violentou chute rasteiro marcou o quarto do Santos, fechando a goleada.
Na partida de volta no estádio do Maracanã/RJ, a torcida Rubro Negra lotou as arquibancadas, com algo entorno de 55 mil torcedores para acompanhar com tristeza a perda do título na primeira participação do Flamengo em Brasileiros. O Santos sagrou-se Tetracampeão Brasileiro dia 19 de dezembro, após um empate sem gols no Rio de Janeiro. Era o Tetracampeonato de um Santos arrasador e Supercampeão Nacional, novamente invicto e com o artilheiro do Campeonato, o Rei Pelé.
(Jornal a Gazeta Esportiva edição do dia 20/12/1964).
O Santos sagrou-se tetracampeão da Taça Brasil, ao empatar com o Flamengo, sem tentos, no Macaranã. A partida, entretanto, deixou muito a desejar, pois se é verdade que houve muita movimentação, careceu de melhor compostura técnica. (…). No final, resultado justíssimo para uma platéia grande que saiu sem ver gols.

Confira a campanha e fichas técnicas:
http://acervosantosfc.com/taca-brasil-1964/
Fontes e Referencias:
Dossiê, Unificação dos Títulos Brasileiros a partir de 1959 (Odir Cunha e José Carlos Peres);
Jornal a Gazeta Esportiva;
Revista Fatos & Fatos;
CBF (Confederação Brasileira de Futebol);
Jornal Folha de SP;

One Response to O Tetracampeonato Brasileiro!

  1. Carlos Henrique says:

    Este foi o Brasileiro como taça Brasil mais bonito do santos. bateu em três gigantes do futebol brasileiro. Na final venceu meu Flamengo que tinha o craque Evaristo. O Mengão deu troco em 83!!

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